— Tris : POV

Depois que deixei a sala de Tobias, meu coração martelava e eu estava envergonhada. Queria sumir quando ela me chamou de “essazinha”. Não estava acostumada com esse tipo de coisa, e assim que foi dada a brecha, eu sai da sala, mas não sem antes de receber um olhar furioso da tal Lauren. Antes de fechar a porta, ainda dei uma olhada para Tobias, para ver a expressão dele, e ele apenas me olhava sem emoção, e então eu logo depois fechei a porta. Christina já estava ao meu lado e ela me encarava tentando entender o que havia acontecido ali.

— Amiga, o que foi? (ela me olha e arregala os olhos) – Esta chorando?

Nem eu havia percebido que estava chorando, até o momento em que Chris mencionara. Realmente eu estava chorando. Nunca me senti tão humilhada em toda a minha vida, com apenas uma palavra.

— Quem é aquela mulher? (eu aponto para a porta)

— Amiga, aquela é a Lauren. (ela bufa) – A ex noiva que eu e as meninas comentamos com você ontem. Lembra?

— Ah... (eu concordo)

— Ela te ofendeu? (ela enruga sua testa)

— Me chamou de “essazinha”. (passo a mão em meu rosto para limpar minhas lágrimas)

— Não fique assim. A Lauren é doida de pedra! Não merece nem atenção pelas loucuras dela! (ela sorri me confortando)

Eu assenti com minha cabeça e me afasto dela, caminho até a minha mesa e fico lá parada no tempo, tentando ler minhas coisas. O problema é que minha cabeça esta presa no antes e depois de Lauren. Christina ficou um tempo em silêncio, mas depois ela voltou a falar comigo sobre coisas aleatórias, nos quais eu apenas balançava a minha cabeça. Eu não estava muito bem para conversas naquele momento, minha cabeça estava no que acontecia lá dentro daquela sala. Não que eu tenha alguma coisa a ver, mas, meu coração esta tão apertado. Ela esta aqui, será que eles vão voltar, ou será que já voltaram? E o que foi aquilo que ele fez de manhã? Nós íamos nos beijar... Eu queria que ele me beijasse. Eu respiro fundo algumas vezes tentando me manter coerente, mas as vezes olho para Christina, e ela percebe que eu quero lhe perguntar algo.

— Por que você não me pergunta logo o que quer? (ela sorri)

— Você acha que eles vão voltar?

— Eu não sei Tris... Para te ser sincera, eu nem sei o que essa louca esta fazendo aqui. (ela bufa) – Mas por que esta me perguntando isso? (ela me olha curiosa)

Eu sei que posso confiar na Chris para qualquer assunto, e imagino que com esse não seja diferente. Então, eu mordo meus lábios e olho para ela corada.

— Nós quase nos beijamos... (Christina arregala seus olhos, e eu vejo ela fazer um O perfeito com a boca) – Por favor, não conte para ninguém!

— Juro que não conto! (ela sorri) – Mas me conta, como foi isso?

— Ele estava na mesa dele, e bem quando eu entrei, ele me lançou uns olhares e eu também lancei olhares para ele... (eu suspiro) – Ele então se levantou, e veio até mim... Ele é tão cheiroso né? (Christina sorri e balança a cabeça firmemente para mim) – Então... E ai quando nós estávamos nos aproximando para fechar o espaço entre a gente, a tal da Lauren apareceu e atrapalhou tudo. (reviro meus olhos e cruzo meus braços)

— Esta com ciúmes? (ela arregala os seus olhos)

— Não... (eu me apresso em dizer) – Eu não sei nem o que é isso que estou sentindo quando eu vejo ele. (suspiro) — Ou quando estou perto dele, Chris. (ela abre um sorriso para mim)

— Você esta gostando dele? (ela me pergunta com a mão no coração)

— Eu não sei... É tudo muito novo... Pode ser apenas uma atração, ou pode ser mais... Só que eu realmente não sei o que é.

Christina esta quase dando pulinhos eufóricos com o que eu acabei de dizer. E eu não consigo não sorrir com ela. Zeke aparece minutos depois, com sua carteira em mãos. Ele nos cumprimenta sorrindo e então se vira para mim.

— Tris, Tobias esta ai dentro?

— Sim... Esta com uma visita. (eu digo desconfortávl e Zeke me olha intrigado)

— Que visita?

— A Lauren... (ele revira os olhos)

— O que ela esta fazendo aqui? (nós duas damos de ombros)

— Okay, eu vou lá dentro para ver o que se passa.

— É uma boa.. Não estamos ouvindo nada a um bom tempo.

Zeke caminha em direção a porta e Chris me olha.

— Tris estou com fome, vamos almoçar?

— Deixa eu avisar ao Tobias antes?

— Eu digo para ele. (Zeke sorri e pisca para mim)

Eu pego a minha bolsa e assinto para Zeke, ele vira a maçaneta e no mesmo minuto em que o faz, eu passo olhando lá para dentro. A visão que tenho não é das mais bonitas, e um líquido quente invade minha garganta, me fazendo ter nojo do homem que até a alguns minutos atrás, estava me cantando. Tobias arregala os olhos assim que me vê e ele tenta se ajeitar. Christina se aproxima mais da porta, assim que escuta Zeke falando gracinha. Os olhos dela estão tão arregalados quantos os meus. Eu então não vejo mais motivos para estar ali, e então saio carregando Christina comigo.

— Meu Deus... (é a única coisa que ela consegue dizer)

Estamos no restaurante, e as meninas já estão lá sentadas e tagarelando. Eu estou em qualquer lugar, menos aqui com elas. Eu suspiro pesadamente e Shauna me cutuca com um sorriso fofo no rosto.

— Esta tudo bem? Por que esta tão quieta? (ela me olha)

— Saudades de casa. (mordo meus lábios e Christina me olha)

— Sei como é...

— Você não é daqui? (eu pergunto)

— Eu vim do Canadá.

— Por isso que ela é fã da Avril Lavigne. (Lynn fala e ri)

— Eu amo a Avril! (Christina começa a cantar a música Complicated)

Sinto uma mão pausar sobre meu ombro, e levanto minha cabeça para ver quem é. Eu não deveria me surpreender já que a pessoa parada ali, foi a que tentou “flertar” comigo ontem. Espero que agora ele tenha vindo apenas me cumprimentar, pois não estou com saco para gracinhas de homens que se acham garanhões. Christina me lança um sorriso amarelo, e as meninas desviam a atenção delas para outras partes. Eric então puxa a cadeira e se senta próximo a mim.

— Como vai princesa? (eu lhe dou um sorriso amarelo)

— Princesa?

— Sim... Você é linda de mais, e hoje, você esta ainda mas atraente. (ele diz mostrando seus dentes brancos)

— Muito obrigada.

— E então, quando vamos sair? (ele joga para mim e eu gostaria de responder “nunca”)

— Bem, eu não sei ... Tenho muito trabalho, muita coisa para fazer, fica um pouco complicado.

— Ah, não fique dando desculpas princesa. (ele se aproxima de mim e eu me arrepio) – Eu sei que você quer!

Eu quero? Quem disse isso para ele?

Ele eleva a sua mão até meu rosto, e coloca uma mecha do meu cabelo para trás. Eu engulo seco e depois Eric se aproxima mais de mim para falar em meu ouvido. O perfume amadeirado dele, penetra em meu nariz me deixando sufocada. Droga! Que cara sem noção! Eu olho para Christina e Shauna como quem pede socorro, e elas apenas se balançam para mim como se não soubessem o que fazer para me tirar daquela enrrascada.

— Adoraria ter uma noite prazerosa com você Princesa. (ele ronrona no meu ouvido)

O que? Ou eu estou ficando louca, ou ele realmente falou aquilo. Eu poderia simplismente pedir para ele repetir apenas para eu ter certeza, mas certamente ele entenderia que eu gostei da gracinha dele, e que devo estar querendo mais, então minha única reação é sorrir para ele e ignorar a situação. Lynn por sua vez, percebe qe meu constrangimento esta além do inimaginável, e então ela fala diretamente comigo.

— Tris, eu não estou bem. Vamos embora? (ela me pergunta fazendo beicinho e Eric revira os olhos)

— Você é médica? (ele me pergunta com um sorriso malicioso)

— Não, mas sou amiga dela. ( eu pisco para ele e me levanto)

Caminho até minha amiga Lynn, e ela apenas sorri e pisca para mim e eu falo baixo um breve “obrigada” para ela. As meninas percebem a deixa, e todas levantam e me acompanham para fora dali. No caminho para a saída, vejo Zeke lançando olhares para Shauna, e então sem querer meus olhos encontram os olhos dele. Eu ignoro a sensação que começa a percorrer meu corpo por causa dele, e então sigo as meninas para fora do restaurante.

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No final daquele mesmo dia, eu estava na sala de arquivos, quando escutei meu nome ser chamado por Marlene. Ela estava com um sorriso imenso no rosto, que eu não conseguia entender e nem identificar. Eu sigo ela até a sala da presidência, e assim que viro, me deparo com imensos buquês de flores vermelhas esplhadas por todo o recinto. Todo mundo me olha e no meio de tantas rosas vejo Tobias me encarando. Oh Céus, será que foi ele? Christina aparece ao meu lado com um sorriso amarelo no rosto e eu consigo ver nela, o mesmo ponto de interrogação que eu tenho certeza que ela vê em mim. Ela me entrega um cartão ainda colado com um adesivo, e antes de abrir eu respiro fundo ignorando minha ansiedade e curiosidade.

Para a Princesa gata e exuberante que aterrissou em minha pista de vôo;

Quero te encher de prazer. Saia comigo. Aguardo sua resposta.

Eric.

Aff! Fala sério que esse Zé Mané escreveu esse cartão idiota para mim? O que ele esta pensando? E que cantada mas babaca é essa que ele tentou fazer no cartão? Acho que as pessoas estão vivendo no mundo da lua últimamente. Dou uma olhada ao redor e vejo que todos estão me olhando com expectativa, e Tobias, não esta com uma cara boa certamente. Qual será o problema dele?

— Esse Eric é mesmo um idiota... (murmuro para Christina)

— Vou pedir para tirar todas essas flores daqui. (Lynn comenta e eu assinto agradecida)

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No final do expediente, todos já foram embora, e quando eu vejo que já esta ficando tarde, eu decido que vou embora também. Arrumo minhas coisas, e bato na porta de Tobias para me despedir. Ele manda eu entrar e quando eu o faço, seus olhos estão sérios e ele não sorri como costuma fazer ao me ver.

— Fale. (ele fala ríspido)

— Vim, dizer que eu já estou indo embora. (olho séria para ele)

—Okay! (ele volta a ler seus papéis)

Eu olho para ele por mais um tempo, e então decido sair. Mas quando eu o faço, escuto a voz dele ecoar pela sala.

— Esta saindo com aquele Mané? (eu olho para ele)

— O que?

— Aquele Mané do restaurante. Esta saindo com ele?

— Não... Eu não estou...

— Corta essa Beatrice. (ele se levanta e caminha até um certo ponto) – O cara ia te mandar flores a toa? (ele esta bravo)

— Qual é o seu problema?

— O meu ? Você não sabe qual é o meu problema?

— Não Tobias, eu não tenho idéia! (olho carrancuda para ele) – Uma hora você esta bem, outra hora esta desse jeito! (faço gesto para ele com minhas mãos)

— Do que esta falando? (ele coloca as mãos nos bolsos)

— Tobias... (eu suspiro antes de continuar) -Eu não quero discutir com você sobre isso. Eu só vim... (ele me interrompe)

— Você não quer falar sobre isso? Você não quer brigar? Então o que você quer Beatrice? (ele agora se aproxima e um arrepio corre por minha espinha) – Hoje, mas cedo, parecia que você queria que eu te beijasse, no almoço te vejo agarrada com aquele cara, e agora, para completar, meu escritório fica parecendo uma floricultura! (ele esta gritando)

— Ah, do que você esta me acusando? (eu me aproximo irritada)- E eu não estava agarrada ao Eric. Não fale sandices.

— Eu não sei... Vou dar uma de doido igual você faz! (ele aponta o dedo para mim) – Eu não quero saber de relacionamentos dentro da minha empresa! Principalmente com esse tal Eric.

— O que? (agora eu estou passada) – Quem é você para querer me dizer sobre certo e errado quando você mesmo não o faz? Até aonde eu me lembro, quem estava fazendo sexo dentro da sala, não era eu!

— Ah me poupe, não sou eu que estava agarrado a um cara lá no restaurante. Vocês poderiam ter ido para um lugar mais reservado! (ele esta tão perto de mim que consigo sentir o calor dele emanando com sua fúria)

— Tobias me respeite! (eu estou chateada de mais com ele agora)

— O que, Beatrice? Eu quero saber se você esta com ele e com quantos mais?

Cansada dessa palhaçada e irritada com as insinuações dele, eu lhe esbofeteio com força e raiva. O estalo que fez quando minha mão encontrou a lateral do rosto dele, foi digno de uma cena de filme Hollywoodiano. Eu sorrio, mas meus olhos estão cheios de água. Não estou chorando pela mágoa do que ele me disse, mas estou chorando por que estou com raiva, muita raiva dele. Tobias então me olha com sua mão no rosto, e nossas respirações estão alteradas. Ele fica me olhado por um tempo com seus olhos arregalados, e então sem aviso ou qualquer menção do que faria, ele me abraça pela cintura e seus lábios carnudos e macios encontram os meus lábios. Eu me arrepio inteira com o contato dele, e de inicio eu tento evitar aquele contato, mas minha boca clama pela dele, e sinto que a dele quer a mesma coisa. Nossas bocas travam uma briga desenfreada e nossas línguas dançam dentro das nossas bocas. Nossa respiração esta longe de estar estável e então Tobias me pega no colo e me senta na mesa dele. Sua mão caminha para a minha nuca e se enrosca em meu cabelo me puxando mais para ele, eu permito e aperto suas costas com minhas mãos desejando ele. Quando o ar se torna muito necessário, Tobias afasta um pouco seus lábios da minha boca, mas não da minha pele, e meu coração esta ainda mais frenético dentro de mim. Minha boca volta a procurar pela dele, e quando eu acho, meus lábios se enroscam nele e eu chupo sua língua ferozmente. Nossas mãos percorrem por nossos corpos fazendo traços e deixando quente os lugares aonde esteve. Enrosco minhas pernas na cintura de Tobias, e ele se pressiona contra mim me fazendo sentir seu membro já rígido dentro da calça social. Eu mordo meus lábios e passo a ponta da minha língua no contorno dos lábios dele. Tobias me pega com força e me leva para o sofá de canto que tem em sua sala, ele se senta e me deixa por cima dele. Eu rebolo em cima do membro dele, e escuto ele soltar um gemido, sua mão corre até a minha bunda e eu solto um gemido de prazer quando ele a aperta. Eu quero ele, eu preciso dele. Mas então, me lembro de nossa discussão de alguns minutos atrás, e de forma lenta eu vou parando nosso beijo. Eu estou louca por ele, minha respiração continua irregular acompanhando a dele. Nós encostamos nossas testas, e nossas bocas estão entre abertas. Estamos recuperando o fôlego do momento, quando escuto sua voz rouca entre o pouco espaço existente entre a gente.

— Desculpe... (ele tira a mão da minha bunda e olha em meus olhos)- Eu sou um idiota! (ele fala tudo em um sussurro)

— Não é... (ele coloca a mão nos meus lábios me silenciando e ele passa seu polegar acariciando)

— Eu estava louco de ciúmes... (eu sorrio e ele também) – Te ver com aquele cara mais cedo, me levou a loucura. Fiquei a um passo de socar a cara dele e te tirar das mãos dele... (ele beija meus lábios e eu me arrepio) – Você esta me deixando louco! Não consegue ver? (seus olhos estão em meus lábios e ele volta a me beijar)

— Tobias... ( eu sussurro quando ele solta novamente meus lábios) – Não tenho nada com o Eric... (um sorriso brota em seus lábios) – Ele só esta querendo chamar atenção.

— Vou precisar tirar ele da sua cola então... (ele se aperta em mim)

— Pode tirar, que eu não ligo! (um sorriso aparece em seus lábios)

— Me desculpe de verdade.

— Por que estava com ciúmes? ( eu pergunto passando meus dedos em seus lábios umidecidos)

— Ainda não sei... Mas te digo quando descobrir.

Ele então se levanta comigo em seu colo e me deita no sofá, ele fica por cima de mim e voltamos a nos beijar, só que agora esse nosso beijo é lento e calmo , porém urgente.