Uma sala se formou em volta de mim. Era escura, as paredes, o teto e o chão eram feito de pedra. Uma prisão. Em um canto jazia um homem. Ele parecia assustado.

- Olá, quem é você? — pergunto.

- Eu vou morrer! Eu vou morrer!

- Acalme-se, o que aconteceu?

- Se não encontrar alguém que conhece ela, eu vou morrer!

- Ela quem?

Ele me dá um pedaço de papel, provavelmente um jornal. Nele há uma foto. Minha mãe.

- Você conhece ela? — pergunta o homem.

- N-Não, quer dizer, s-sim, quer dizer; porque você quer saber?

- Eu vou morrer! Vou morrer! Vou morrer!

- Ok. Eu conheço ela. Mas porque você precisava saber?

O homem endireita a postura e sorri para mim. Depois vai desaparecendo aos poucos, junto com toda a sala.

Agora estou em uma ilha deserta. Três jangadas se postam à minha frente. Em uma delas está minha melhor amiga, Tara, como uma estátua. Em outra, um balde d'água. Na terceira jaz uma passagem de avião. A mesma voz que falou comigo no início volta a falar de novo:

- Escolha um, mas saiba que você perderá os que não escolheu.

Paro para pensar um minuto. Se eu escolher Tara, ela e eu ficaremos presas. Seria muito egoísmo meu. Se eu escolher a água, vou poder matar a sede sempre que a tiver, mas vou ficar aqui, sozinha. Se eu escolher a passagem, eu saio. Não poderei ver mais Tara, mas pelo menos eu saio da ilha.

- Eu escolho a pass...

Paro no meio da fala. Se eu escolher a passagem, nunca mais poderei beber água. Vou morrer de sede.

- Eu escolho a água.

Como nas outras vezes, tudo em volta de mim começa a sumir, e agora eu estou sentada em uma espécie de cadeira com uma luz bem nos meus olhos. Demoro um pouco para me acostumar com a luz e olho em volta do ambiente. A simulação chegou ao fim.