Divergente - Erudita

2 Capítulo 2 - O Teste


Notas iniciais
Teste de aptidão

Estou na fila dos eruditos, do outro lado vejo os membros da amizade, franqueza, abnegação e, do outro lado, os da audácia.

Meu coração está batendo mais rápido que o normal, como se ele fosse pular do meu peito. Todos da erudição estão calmos, menos eu, talvez porque não sou daqui, e eles são. Os membros da amizade como sempre estão sorrindo, todos são bondosos com os outros, eles vestem vermelho, amarelo e laranja. Os da franqueza parecem sérios, como se o teste não fosse nada de tão importante. eles vestem branco e preto. Os da abnegação estão com um olhar de espanto, eles vestem cinza. Os da audácia estão todos animados, gritando e ansiosos, eles vestem preto.

Eu não tenho amigos, afinal, nunca fui boa em tê-los. Gioh tem apenas 10 anos, eu realmente gostaria que ela viesse fazer o teste comigo, porém, ela só fará daqui à 6 anos.

A fila começa a andar. Há uma porta na frente de cada fila. um membro da erudição, amizade, franqueza, abnegação e audácia entram, é assim que funciona. Um membro de cada facção entra, faz o teste e finalmente descobre para onde deve ir.

...

Finalmente chegou a minha vez de entrar sobre a porta. Abro-a e caminho até a próxima porta, onde está a pessoa que fará meu teste de aptidão. do meu lado tem um garoto da amizade, ela é alto, forte, e tem os cabelos pretos. Ele olha para mim com um sorriso, não consigo sorrir de volta, pois estou nervosa. Caminho até a porta e à abro.

Quando entro, me deparo com um espelho do meu lado direito.

–Olá, meu nome é Richard e eu farei seu teste de aptidão, por favor, sente-se.

Fico impressionada de como ele fala rápido, talvez ele queira que eu vá embora logo. Não digo nada, apenas me sento sobre a grande cadeira que está no centro da sala.

Richard está mexendo em algo. ouço o barulho de vidro e de um liquido se debatendo em algo.

–Tome, beba isso. Diz ele, como se estivesse com pressa.

–O quê é isso? — Digo com a voz rouca. Richard está segurando um recipiente pequeno com um líquido transparente dentro.

–Seu teste, apenas beba tudo.

Pego o recipiente e engulo todo o líquido, quero que isso acabe logo.

Quando me dou conta, minha visão começa a ficar embaçada, estou cansada e fraca, fecho meus olhos.

Quando os abro, escuto o som de uma música e de pessoas conversando, estou numa roda gigante.

Olho para baixo e vejo uma grande movimentação de pessoas, luzes e gritos de alegria. está de noite.

Ao meu lado, está uma garota, ela parece estar assustada. seus cabelos são verdes, e sua pele é clara.

–Nós vamos morrer. — diz ela, com uma voz de choro.

–O quê? o quê está acontecendo? — Digo com uma voz de desespero.

–Isso vai desabar, você precisa fazer algo, Luna. — Diz a menina desesperada.

–Fique calma, está tudo bem, você está bem, nada de ruim vai acontecer, eu te protejo. — Digo tentando acalma-la. Como ela sabe meu nome?

Ele me abraça e começa a chorar.

Escuto o som de gritos, desta vez de desespero. olho para baixo e vejo pessoas correndo, a roda gigante está balançando, e todos estão desesperados, ela vai cair.

A menina que estava do meu lado não está mais, olho para baixo e à vejo, ela está com seu corpo estraçalhado sobre o chão, e vejo uma poça de sangue abaixo dela. Quando percebo, a roda gigante já está desabando e todos estão gritando. Olho para minhas mãos, para o chão que está cada vez mais próximo e digo "Isso não é real". Todas as pessoas que estavam na roda gigante estão em uma cama elástica, todos vivos, exceto a garota de cabelos verdes, que caiu de nosso assento. Fecho meus olhos, e quando os abro, estou deitada sobre a grama, uma grama molhada. o céu está escuro, provavelmente choveu aqui. Levanto-me e vejo uma árvore, assim como a do símbolo da amizade. caminho até ela e vejo um cachorro, ele é grande, amarelo e peludo, parece inofensivo. aproximo-me dele e coloco minha mão sobre sua cabeça, sempre gostei de animais e sempre os achei melhores que humanos. Ele começa a lamber minha mão, ele parece feliz. me abaixo e começo a fazer carinho por todo o seu corpo.

–Você é muito fofo, sabia? — digo com um sorriso.

O cachorro se levanta e olha para algo atrás de mim. quando me viro, me deparo com um homem todo vestido de preto. não consigo ver seu rosto, mesmo ele não estando tão longe.

–Quem é você? Digo.

–Me dê ele, ele é meu. Diz o homem com uma voz grossa.

–O cachorro parece se esconder atrás de mim, como se estivesse com medo do homem.

–Não. Digo com uma voz rouca.

–Agora! me dê o cachorro! Diz ele.

–Eu não vou te dar! ele não é seu! Digo.

Quando me deparo, o homem aponta uma arma sobre minha cabeça e sinto o tiro penetrando sobre ela.

Levanto-me desesperada, estou com um suor sobre minha testa. não estou mais no gramado e nem na roda gigante, estou na cadeira onde me sentei para fazer o teste, eu terminei o teste.

–Saia daqui, rápido, antes que um supervisor chegue. — Diz Richard olhando para todos os lados.

–Porquê? e o resultado do meu teste? Digo, esperando uma resposta.

–É... deu...

–Diz logo! — Digo, ainda esperando a resposta.

–Erudição...

Fico impressionada em saber que meu teste deu aptidão para a erudição, e então ele continua...

–Amizade e audácia.

–O quê? não havia dado erudição? — Digo hesitando.

–Seu teste foi inconclusivo.

–Como assim inconclusivo? como pôde dar três facções? não era para ser só uma? — Digo. estou prestes a começar a chorar, isso não parece ser algo bom.

–Você começou na roda gigante, junto com uma garota. ela ia desabar e você deveria pensar em algo para fazer, não para salvá-la, mas sim em como reagir com a garota, isso iria definir o seu teste. Você disse que iria protegê-la, coisa que alguém da audácia faria. quando a roda gigante desabou, você acabou salvando à todos, pois fez uma cama elástica aparecer sobre você.

–Ta, mas e daí? Digo.

–Isso não era para acontecer... mas o problema não acaba aí. — Diz ele.

"O problema não acaba aí", isso me destrói por dentro.

–Quando percebi que você trapaceou no seu teste, resolvi mudar seu cenário e te coloquei na sede da amizade. Lá sua missão era OU descobrir quem era o homem que estava com uma arma, que iria te definir na franqueza, pois estaria buscando a verdade, OU poderia proteger o cão, que poderia levar a sua aptidão para a amizade, audácia, ou abnegação, pois estaria pensando no próximo. Você protegeu o cão e acabou levando um tiro para salvá-lo. Foi aí que percebi o meu erro...

–Seu erro? como assim seu erro? — Digo, finalmente chorando.

–Te levei para um cenário que daria aptidão para três facções, mas de qualquer jeito daria três, devido a sua...

–A minha o quê? diga Richard!

–Sua divergência.

–A minha divergência? o que é isso? — Digo, surpresa.

–É uma coisa bem rara. Algumas pessoas conseguem controlar os seus testes, e muitas vezes tem aptidão para mais de uma facção, pessoas com essa capacidade são chamadas de Divergente. — diz Richard.

–Não... eu não estou entendendo... como assim alguém pode controlar esse teste? isso é impossível!

–Não é impossível! é apenas extremamente raro. Você pode controlar todos os testes. nunca conte para ninguém sobre isso, divergentes correm perigo. — Diz Richard. — Agora saia daqui, vou colocar que seu teste deu erudição, não precisa contar para seus pais o resultado, afinal os membros da erudição não costumam perguntar para seus filhos sobre o resultado do teste.

–Mas espera, o quê eu faço amanhã na hora da escolha? — Pegunto. estou chorando.

–Escolha a facção que não te descubra. Richard fecha a porta, e eu não o vejo mais.

Estou chorando. Me abaixo no chão e cubro meu rosto. Como é possível algo como isso acontecer? como é possível alguém ter aptidão para mais de uma facção? como é possível alguém controlar os testes? como é possível eu ser divergente?

Notas finais
Sou Divergente.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.