Divergent of CIA
2 A festa
Notas iniciais
Após todos equipamentos serem entregues, Johanna nos explicou que todos nós já estávamos devidamente empregados na Gold&Silver. Essa missão havia sido planejada há muito tempo atrás. A CIA estava aguardando a cerca de um ano a oportunidade de surgir tantas vagas de emprego na empresa como surgiu agora, para que todos nos pudéssemos ingressar na missão juntos.
Depois que Johanna nos dispensou me despedi da minha equipe e fui em direção a minha sala. Ela era grande, confortável, computadores, rastreadores, telefones, tudo da mais alta tecnologia, assim como o resto da CIA.
Sentei em frente ao meu computador e digitei a senha de acesso que Johanna havia me fornecido mais cedo, toda semana essa senha muda, por motivos de segurança.
Comecei a pesquisar informações sobre a Gold&Silver. Descobri que a empresa existe desde 2001 e vem crescendo cada vez mais e muito mais rápido do que a maioria das empresas do ramo de jóias. Eles também tem uma alta rotatividade de funcionários, pelo que eu entendi, estão sempre contratando gente nova. Ninguém conseguia ficar na empresa por mais de dois anos, apenas poucas exceções. Quatro, o funcionário que eu terei de investigar, havia sido contratado a apenas alguns meses, o que me fez deduzir que dificilmente ele saberia quem era o dono da empresa. Busquei mais informações sobre ele, mas não consegui encontrar quase nada, apenas que tinha nascido em Chicago, se formado em administração e tinha 26 anos. Não encontrei nada sobre o nome verdadeiro, família, nem uma foto sequer. Isso me deixou intrigada.
Estava tão concentrada que quando alguém bateu na porta e entrou na minha sala acabei levando um susto.
– Ei Tris, está tudo bem? — era apenas Uriah sorrindo. Pelo jeito como ele estava falando eu deveria estar olhando pra ele com uma cara de quem estava prestes a atacar.
– Claro, só me assustei — Falei retribuindo o sorriso. — Você hã, quer falar comigo?
Uriah muitas vezes me olhava de forma estranha, como se estivesse admirando algo. Ele era bonito, pele bronzeada, olhos escuros, alto e forte. Eu sempre gostei dele, do jeito extrovertido e engraçado, era impossível ficar triste com ele por perto, ele era um ótimo amigo e colega de equipe, mas nunca passou disso, pelo menos pra mim.
– Ah sim, eu queria te convidar pra sair com a gente hoje a noite, comemorar mais um inicio de missão sabe? Sei que você nunca aceita esses convites, mas não custa tentar né? — Uriah fazia uma cara de cachorrinho abandonado — e também tiramos no papelzinho quem da equipe ia fazer o convite a você hoje e acabou sobrando pra mim – Ele revirou os olhos e começou a rir alto.
Eu realmente quase nunca saia pra festas com eles e quando saia não ficava nem uma hora. Festas me lembravam meu irmão Caleb, que atualmente está atrás das grades, graças a mim. Isso era o tipo de coisa que eu evitava pensar pra não enlouquecer.
– Olha Uri, não é nada com vocês. Eu só prefiro evitar.
– Por favor Tris, vai ser divertido! Nós estamos prestes a entrar em algo grande, essa missão é diferente das outras que nos fizemos, a gente não sabe quando vai ter uma folguinha de novo – Ele abriu um sorriso enorme ao terminar de falar.
Ele estava certo, estávamos prestes a entrar em uma missão diferente das que costumávamos trabalhar. Lembrei das fotos de Chris abraçada em Will e Al nas festas, das de Shauna bêbada dando gargalhadas, de Uriah fazendo palhaçada para as câmeras. Não consegui lembrar de nenhuma foto de Lynn rindo, mas acho que nem em festas ela consegue fazer isso. Acho que eu poderia fazer isso, por eles.
– Tudo bem Uri, você me convenceu, eu vou com vocês – tentei dar meu sorriso mais sincero, a expressão do rosto dele passou de feliz para super animado.
– Não acredito nisso, consegui realizar a missão impossível de te convidar e você aceitar. – os olhos dele brilhavam ao dizer isso. Talvez eu não queira saber o que isso significava, mas não me importei.
Uriah veio em minha direção e me deu um abraço de agradecimento e dirigiu-se a porta para ir embora, antes de ele abrir, lembrei que havia esquecido de perguntar.
– Você não me disse aonde vai ser essa tal festa. – falei dando risada
– Meu Deus Tris, é mesmo. Vai ser na Pixy club, sabe onde fica?
Pixy Club era uma casa de festas que ficava perto do meu apartamento, era um lugar chique, onde só empresários, modelos, milionários e bilionárias freqüentavam e claro, nós da CIA.
– Sei sim Uri, é perto do meu ap.
– Ótimo – antes de sair da sala ele piscou pra mim e sorriu novamente.
Quando chego em casa, ligo a televisão para ver se eu achava algo decente pra olhar, era cedo ainda, tinha horas até a bendita festa. Meu celular vibra e vejo que é Chris me ligando.
– O que diabos você estava fazendo que não atende esse celular? – Christina sempre conseguia me irritar por ser curiosa.
– Eu só estava trabalhando, estudando as informações sobre a empresa e o suspeito. Coisa que você também deveria estar fazendo Chris.
– Eu não, deixa isso pra amanhã, nós estamos de folga. Já sabe o que vai vestir hoje a noite? – Imagino a cara dela ao dizer isso, ela sempre foi meio perua, mas quando se tratava de festa, Christina passava no mínimo umas 3 horas se arrumando.
– Não Chris, vou vestir qualquer coisa, sabe que eu não ligo pra isso.
– Chego ai por volta das sete, para te ajudar e me arrumar junto contigo, beijos.
Antes que eu pudesse responder ela já tinha desligado o celular.
Acordei com a campainha tocando, deveria ser Christina. Assim que ela desligou eu me deitei pra tirar um cochilo, só não esperava que fosse dormir tanto. Abro a porta e me deparo não com Chris apenas, mas sim com Shauna e Lynn.
– Resolvi convidar as meninas pra nós nos arrumarmos juntas – Chris diz isso com uma animação fora do normal.
– É Tris, não é todo dia que você aceita sair. Viemos aqui pra nos certificar que você não vai mudar de idéia. – Shauna pisca para mim e ri.
– Claro, entrem. – Abro a porta – Podem largar as coisas ali no quarto, vocês sabem aonde fica.
– Você e Chris parecem umas adolescentes felizes só por causa de uma festa – Diz Lynn para Shauna, dando um leve empurrão no seu ombro.
Bom, pelo menos nesse ponto concordo com ela, não entendo porque de tanta animação, será que elas são sempre assim?
– Nós não estamos animadas só com a festa, tem essa missão que parece ser bem interessante também. – Quando Chris diz isso os olhos dela brilham e então sei que não é só isso.
– Com quem você está saindo agora Chris? Fala logo.
– Como assim Tris? Da onde isso? – Ela fica corada e faz cara de espanto, sei que está tentando esconder algo.
– Como se eu não te conhecesse Christina. – Fico encarando ela até ela decidir contar.
– Ta bom, é só que Will está diferente comigo. Seilá, mais atencioso sabe? Antes da gente sair da CIA ele veio e sussurrou pra eu ir bem bonita hoje a noite. – Ela diz isso ruborizada.
Desde que Will entrou pra CIA a dois anos atrás, Christina era interessada nele. Mas na época ele estava tão focado em se dar bem nas missões que nunca percebeu. Finalmente deve ter caído a ficha dele.
– Até que enfim – Diz Shauna, rindo.
Falei pras garotas que ia tomar uma ducha, pra elas ficarem a vontade, coisa que eu não precisava ter dito porque elas já estavam a vontade. Liguei o chuveiro e deixei a água escorrer pelo meu corpo.
Quando voltei e elas estavam dando risada e conversando uma com as outras. Decidi ligar uma música pra descontrair e me sentei junto com elas.
– E ai Tris, já decidiu a roupa que vai usar? – Shauna me olhou da cabeça aos pés, eu ainda estava de pijama.
– Não Shau, ainda não – Falei revirando os olhos pra ela, ela riu.
– Vamos Tris – Chris levantou e fomos todas nós para meu quarto.
Christina estava bem bonita com uma saia azul, uma blusa de seda preta e um scarpin, com os cabelos curtos soltos e uma maquiagem leve. Shauna estava de vestido verde água, sem muitos detalhes, cheia e jóias, sandália e com o cabelo escovado. Lynn estava simples, ela não gostava de se arrumar tanto, dizia que era futilidade, usava uma blusa preta e um shorts com bota de salto. Para mim, elas escolheram um vestido dourado justo nas pernas e soltinho em cima, uma sandália preta com bastante brilho e um batom vermelho.
Depois de uma hora mais ou menos, estamos prontas. Antes de sair resolvi dar uma ultima olhada no espelho, o vestido tinha ficado bem em mim, eu era magra e baixa, mas tinha músculos e o salto fez com que eu crescesse um pouco, meus cabelos loiros estavam lisos e levemente ondulados nas pontas, o batom vermelho deu destaque no meu rosto e nos meus olhos azuis. Eu estava me sentindo bonita.
Fomos para a Pixy no carro de Shauna. Ao chegarmos lá, Al estava do lado de fora nos aguardando e veio ao nosso encontro.
– Vocês estão lindas garotas – Ele disse isso rindo e deu um beijo no rosto de cada uma. – Will e Uriah já entraram, vamos. – e fez menção para irmos na frente dele.
Al não era um cara bonito, mas também não era feio, era bem alto, pele branca e cabelos escuros. Ele era extremamente simpático, isso ajudou muito quando entrou na CIA, porque nas missões era muito difícil alguém desconfiar de uma pessoa como Al.
– Obrigada Al – todas nos dissemos e fomos em direção a entrada.
A festa está lotada. Assim que entramos já avistamos Will e Uriah, eles estavam sentados próximo ao bar. Caminhamos em direção a eles. Pelo jeito como riam e falavam, já tinham bebido bastante.
– Chris! — Will puxa Christina para perto dele e lhe dá um selinho. Agora eu tenho certeza que ele está bêbado. – Ainda bem que você me ouviu e veio bem bonita — Em seguida ele nos olha e nos cumprimenta, sorrindo mais do que o normal.
Eu e Shauna rimos da expressão de surpresa no rosto de Christina ao receber um selinho de Will. Olhei pro lado e vi que Uriah estava me olhando com aquele olhar de admiração.
– Ual Tris – ele ruboriza
– Oi Uriah, o que foi? – Eu sabia o que ele tinha dito isso porque tinha gostado da minha aparência, mas preferi fingir que não, era melhor assim.
– Nada não – ele pigarreia – Lynn até que você está decente hoje – pisca pra ela e ela faz gesto obsceno com o dedo pra ele, típico de Lynn.
– Bom então vamos pedir algo para beber? – Diz Shauna para descontrair.
– Claro – digo.
– Deixa que eu busco – Will diz.
– Eu vou com você — Will assente com um sorriso malicioso e Christina sai atrás dele. No fundo eu sabia que não era bebida o que eles iam buscar, só precisavam de uma desculpa pra ficarem sozinhos.
Parecia que havia passado horas, dias e aquela festa não acabava, eu estava tonta, devido a quantidade de bebida que eu tinha ingerido. A festa estava se saindo melhor do que eu poderia imaginar, Uriah fazia piadas toda hora e com o efeito do álcool elas se tornavam mais engraçadas, Shauna era uma causa perdida, estava tão bêbada que não conseguia nem ficar em pé, Lynn e Al disseram que eu e o Uriah poderíamos nos divertir que eles cuidariam dela. Will e Chris sumiram desde a ida ao bar, como era o previsto.
– Vem Tris, vamos dançar e tirar umas fotos – Uriah me puxou pelo braço.
Deixei que ele me guiasse até chegarmos no centro da pista, Uriah parecia feliz, estava dançando e as luzes da festa iluminavam seu rosto e deixavam seu sorriso mais branco ainda. Quando me dei conta eu estava dançando junto com ele e rindo. Não sabia o porque do riso, ou o que me levou a dançar, apenas senti que era aquilo que eu queria fazer e então fiz.
Peguei a câmera fotográfica e comecei a tirar fotos das pessoas que estavam a minha volta, fotos das luzes, de Uriah dançando, de mim mesma, queria registrar esse momento. O álcool faz a gente fazer coisas estranhas.
– Tris – Uriah aproxima-se mim e sussura no meu ouvido – Essa é a melhor festa que eu já fui – ele beija minha bochecha e fica me olhando, como se estivesse esperando uma resposta ou uma permissão para fazer o que ele queria fazer. Eu dou um passo pra trás, querendo aumentar a distancia entre nos, ficar próximo dele não me deixava muito confortável.
– Eu estou adorando a festa – é só o que eu consigo dizer. Não sei o que está passando na cabeça dele, aliás eu sei, mas preferia não saber.
Ele se aproxima ainda mais, me puxa pela cintura e antes que eu possa impedir ele me beija, dessa vez não na bochecha, mas sim na boca, encosta os lábios nos meus com insegurança, como se estivesse fazendo algo errado. Eu me afasto assim que consigo e fico encarando-o, tentando entender o porque disso.
– Desculpa Tris- ele olha pros próprios pés – é só que eu quero fazer isso a muito tempo.
– Não misture as coisas está bem? – percebo que fui grossa demais e tento concertar. – Não é nada contigo Uri, só prefiro não me envolver com ninguém da equipe, pode atrapalhar.
Antes que ele responda saio em direção ao bar, que fica do lado contrario a pista, a fim de manter distancia dele. Já tive alguns relacionamentos e nenhum deles acabou bem, nenhum dos meus namorados entendia que eu colocava meu trabalho em primeiro lugar. E me relacionar com alguém da minha própria equipe estava totalmente fora de cogitação. Começo a me sentir culpada pelo jeito como falei com Uriah, mas precisava descartar qualquer esperança dele.
Chego no bar e peço um drink. Assim que chega eu bebo tudo em um gole só. Minha cabeça girava bastante, meus pensamentos estavam confusos. Alguém senta ao meu lado, imagino que seja Uriah, não me viro para olhar, não sei se estou em condições de dispensado mais uma vez. Ele pede um drink ao garçom e percebo que não é Uriah, a voz do homem ao meu lado é grossa, segura de si e ressoante. Me viro para olhar e quando meus olhos alcançam o dele, ele pergunta:
–Você está bem? – Ele é forte, seu lábio superior é fino e o superior e o inferior cheio, tem os olhos azuis escuros e profundos, tão profundos que seus cílios tocam a pele abaixo das sobrancelhas. Ele me olha como se estivesse tentando me interpretar e talvez esteja mesmo.
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