Divergent Hunters

3 Sejam bem-vindos


Notas iniciais
Por favor, comentem sobre o que você estão achando.

Bjs

O fato de Caleb esconder seu namorado ainda me incomodava. Poxa! A gente contava tudo um para o outro. Como ele pôde? Eu nunca iria esconder que estava namorando. E embora eu quisesse ficar pensando nesse assunto, sobre as razões dele de ter escondido tudo isso, tinha de me concentrar em uma coisa mais importante.

Quando fiz minha escolha, aquele corte na mão pareceu doer na alma. Ao mesmo tempo em que estava me mantendo segura, – seguindo o conselho de um completo estranho – eu estava abandonando meus pais.

Senti um pesar no coração ao ver que meu irmão escolheu a Erudição. Ele sempre foi muito inteligente, mas nunca me simpatizei com aquela facção. Os que lá vivam pareciam esnobes e egoístas, mas claro, tudo isso poderia ser um pré-conceito meu.

Encarei Caleb mais uma vez, e pude perceber que Alec estava do lado dele. Não tinha o visto da cerimônia, será que ele apareceu do nada? Provavelmente eu que não prestei atenção.

- Boa escolha.

Me virei para ver quem tinha falado comigo: Jace. Quem mais poderia ser? Já estava virando perseguição. Suas roupas estavam “normais” agora, ele se vestia como qualquer outro cidadão da Abnegação. Posso afirmar que não estava prestando atenção em quem estava fazendo as escolhas, mas com certeza Jace não era uma delas.

- O que você está fazendo aqui? Você é mais velho, não fez a escolha e além do mais...

- Além do mais isso não é da sua conta. – disse cuspindo as palavras rispidamente, e se retirou.

Fiquei vendo-o se afastar da fila e desaparecer. Aquele garoto era grosso e misterioso, parecia que ninguém mais o via. Com certeza estranho.

Fomos conduzidos até a Audácia. Disseram que iríamos de trem, porém algo aconteceu e isso se tornou inviável. Tínhamos que ir andando. Que caminhada longa! Ao chegar lá estávamos todos exaustos, podia ver nas expressões de todos. Assim que chegamos, nos alinhamos em frente ao portão da Audácia. Não tinha certeza se poderíamos entrar.

Um homem forte, – muito, muito musculoso – bonito e charmoso, tenho que admitir, se encaminhou a nossa frente e fez as honras da casa:

- Apesar do nosso imprevisto, que bom que estão todos aqui. Sejam bem-vindos. Meu nome é Four e serei o treinador de vocês. Saibam que a partir do momento que vocês passarem deste portão, não terá mais volta. Se vocês não realizarem suas provas corretas, sinto muito. Serão mais um sem facção mendigando comida. Como eu sou bonzinho, darei a vocês uma última oportunidade. Aqueles que preferirem voltar para as facções onde nasceram podem ir, a Audácia não é para covardes nem fracos. Se estão aqui, saibam que terão de fazer de tudo para serem aceitar. Esse ano estamos com uma superpopulação, então apenas cinco se juntarão a nós. Quanto ao resto, já sabem...

Olhei aterrorizada a minha volta. O que aquele cara tinha de bonito também tinha de assustador. Fiquei encarando para ver se alguém se mexia, virava as costas e ia embora. Ninguém moveu um dedo.

- Pois bem?

Um garoto, provavelmente da Franqueza, deu um passo a frente e pediu para retornar. Com um gesto, Four permitiu. O garoto recebeu uma bolsa com suprimentos e foi caminhando até a facção. Duvido que o aceitassem de volta, se fosse da Amizade até tudo bem. Tenho certeza que ele se tornaria um sem-facção antes mesmo de tentar ser um dos cinco.

- Continuando. Como eu disse, estou bonzinho hoje, então para entrar será algo muito fácil de se fazer.

O instrutor pegou uma caixa vermelha com uns desenhos em preto, pareciam símbolos. Foi até a frente do portão novamente e abriu a caixa. Dentro dela tinha duas cobras: com certeza de espécies que eu nunca vi na vida. Eram tão diferentes, tão... únicas.

- Embaixo dessas cobras, encontra-se uma chave. A chave do portão. Basta que um seja voluntário para pegá-la e todos entraram na Audácia. E então, quem vai ser?

Ouvi um longo silêncio, um daqueles que não se ouvi nem a respiração das pessoas. Não entendi porque todos estavam com medo. Por que haviam escolhido a Audácia, afinal? Através daquele portão de metal estava um lugar para corajosos. Iríamos enfrentar coisas bem piores que essas duas cobras.

- Eu vou. – disse.

Senti os olhos de todas aquelas pessoas penetrando em mim. Me senti um peixe no aquário, um palhaço no circo. Pronta para ser testada na mira de todos. Não pude deixar de notar que Four estava bem surpreso que eu tinha me oferecido.

- Olha, olha. Eu estava apostando com o meu amigo e eu cheguei à conclusão que você não duraria um dia, Careta. Ele, por outro lado, apostou tudo que tinha em você. Vamos torcer para que ele esteja certo.

- E ele está.

- Para uma Careta até que você é bem audaciosa.

Levei isso como um elogio. Por que todos os caras bonitos que eu conheci ultimamente eram uns tremendos de uns cretinos?

- Então, hã, vá em frente.

Sem pensar duas vezes e sem encará-las, enfiei minha mão no meio delas à procura da chave. Podia senti-las se enroscando em mim com aquela pele gelada. Estava torcendo para que a chave estivesse lá, mas não estava aparentemente.

- Não estou encontrando. – falei, com a mão ainda dentro da caixa.

- É porque não está aí.

Olhei bem sério para ele. Como é que é? Eu coloquei a minha mão dentro dessa caixa com duas cobras sabe-se lá de que espécie pra nada? Absolutamente nada? Como assim?

- Esse era o primeiro teste de vocês. E você Careta, ganhou o seu primeiro ponto. Para fins oficiais, qual é o seu nome mesmo?

Essa era a hora. Se eu realmente quisesse assumir uma identidade totalmente nova, essa era a hora.

- Tris, meu nome é Tris Prior.

- Muito bem, Tris. Já chegou na Audácia com o pé direito.

Finalmente tirei a minha mão dentro da caixa. Ao encarar as cobras mais uma vez, vi que elas estavam tomando uma forma diferente. A pele parecia casco e criaram-se chifres em toda a cabeça. Com certeza era mais um teste, não iria me assustar nem me preocupar. Devo admitir, os efeitos especiais foram bem realísticos.

Com a cabeça erguida, atravessei o portão, rumo a minha vida totalmente nova.