Divagações frívolas
1 Capítulo único
Lá estava, sentado novamente em seu velho sofá, encarando a parede acinzentada com olhar vidrado e vazio. Perguntava-se constantemente o que fazia ali havendo tantos outros lugares melhores para se estar. Mas ele continuava ali, vidrado, lembrando sua frívola existência.
O silêncio era seu único e melhor companheiro. Ao mesmo tempo em que o fazia se sentir vivo, era também responsável pelo seu definhar. E, enquanto se conformava com isso, permanecia lá, inabalável e inatingível. Mas ele não era o único: o mundo definhava com ele. Em toda a sua experiência de vida, ele sempre acreditou que tudo era regido por certa lógica matemática: nada podia ser só bom ou só ruim, mas uma média entre ambos, retornando sempre a uma linha de equilíbrio. Mas os humanos o surpreenderam: o mundo era horrível: nos faz sonhar, ansiar por algo, para então tirar toda e qualquer esperança que havia brotado em um coração inseguro. Havia morte, guerra, pobreza, corrupção, exploração... Tudo causado unicamente pela ganância dos homens. E ninguém fazia nada, nem mesmo ele.
Fale com o autor