Distância
1 Nova vida (vida?)
Notas iniciais
Como vão? Espero que bem.
Boa leitura, torço para que gostem, deixem reviews e acompanhem.
(PS: A parte em itálico é a parte final da parte anterior da história)
(...)
- Você não pode ir, Kim. Não pode. Não quero que tenha outro irmão, não quero que cuide de outra pessoa, quero que fique aqui, comigo. – Implora Near. Matt e Íris o encaram chocados. Nunca viram Near se desesperar. Nunca o viram entrar em pânico. Mello só não tem a mesma reação porque está novamente tentando conter algumas lágrimas.
- Near... Near, me escute. – Digo, tentando chamar sua atenção. – Ninguém vai te substituir, Ne-Ne. Nunca. Meu único irmão mais velho é o Matt. Você sempre será o meu irmãozinho mais novo, nunca vou esquecer de você. Lembra do que te prometi ontem? Pode demorar, Near, mas eu vou cumprir minha promessa. – Abraço-o com força. Odeio a dor que sinto em meu coração, que parece querer parar de bater. Lágrimas surgem em meus olhos e embaçam a visão antes de escorrerem por meu rosto. Sinto o calor de Near contra mim e seus soluços me fazem tremer junto com ele. Quando nos soltamos, minha blusa está molhada na altura do pescoço.
- Eu sei, Kim. Confio em você.
- Não é a nossa despedida, ok? Vamos nos encontrar um dia. – Ele faz que sim.
- Hm... O nosso voo sairá em vinte minutos. – Diz meu pai adotivo. Se não me engano, seu nome é Tomoya Fujibayashi. O do garoto é Yukiteru e a mulher é Kyou.
Viro-me para Matt.
- Você foi o melhor irmão mais velho que eu poderia ter. Espero revê-lo. – Abraçamo-nos e ele beija minha testa. Quando nos soltamos, me dirijo para Íris, que chora descontroladamente.
- Você... Foi minha colega de quarto. Minha melhor amiga, Kim. O que vou fazer à noite agora? – Soluça ao me envolver em um abraço sufocante.
- Íris... Você também foi a melhor amiga que já tive. Não poderia pedir alguém melhor como colega de quarto. – Percebo então o quanto me afeiçoei a ela. Sentirei muitas saudades de acordar e encontrar seu rosto sempre sorridente. Mais lágrimas escorrem por meu rosto enquanto nos abraçamos. – Nunca vou te esquecer. Vamos nos ver de novo, prometo.
L se agacha para falar comigo. Não há emoção em seu rosto. Bem, talvez seus olhos mostrem certa tristeza, o que já é demais quando se trata de L.
- Kim, não importa o quanto eu não demonstre, você foi uma boa amiga. Sempre será a segunda mais inteligente do Wammy’s House, mesmo que emparelhada com Mello.
- Ryuuzaki, é uma grande honra que pense em mim desta forma. Você também foi um bom amigo para mim. – Abraço-o e muito me surpreendo quando sinto seus braços ao redor de mim também.
- B... Eu nem te conheci direito, mas mesmo que você seja um assassino em série e um tanto assustador eu gostei de você. Estranho, admito, mas eu sou mesmo estranha mesmo.
Ele me abraça de leve e sussurra em meu ouvido:
- Foi um prazer te conhecer, Katherine River. – C-como ele sabe o meu nome? O que diabos isso quer dizer? Afasto-me dele arregalando os olhos, mas ele põe um dedo nos lábios.
- Kim... – Começa Mello quando vou até ele. – Eu sempre vou te amar. Nenhuma distância pode mudar o que sinto por você. – Ele me abraça e leva os lábios à minha orelha. – Mihael Keehl. É esse o meu nome. Queria que soubesse.
- Katherine River. – Sussurro de volta. – Eu te amo, Mihael Keehl. Mello. Te amo sob qualquer pseudônimo que possa ter.
- Eu te amo, Katherine River. E poderia citar todos os seus apelidos, mas demoraria muito. Além disso, foi pela Kim que eu me apaixonei.
Depois destas palavras, Mello força meu rosto contra o dele no beijo mais intenso que já tivemos. Nossos lábios se movem juntos e nossas línguas dançam dentro de nossas bocas por alguns instantes. Uma despedida.
- Mello... Não é nosso último beijo. Eu juro para você.
- Então eu também juro para você. – Ele me beija novamente com a mesma intensidade, não me soltando nem mesmo quando Tomoya começa a pigarrear repetidas vezes. Por fim, quando sou puxada para trás, ele solta minha cintura e me deixa ir.
- Kim! – Grita Near me abraçando novamente. – Eu te amo, Kat.
- Eu te amo, Nate. – Digo bem baixinho.
Depois eu me viro e sigo minha suposta família, mas sem ficar mais de dois segundos sem olhar para trás. Meu único consolo é observar que Mello assumiu o posto atrás de Near, pousando a mão em seu ombro.
***
No avião, as lágrimas se intensificam e choro até a decolagem. Depois, Yukiteru, ou Yuki, como ele pediu para ser chamado, tenta me entreter.
- Então... O garoto albino, quem é?
- Meu irmãozinho. Fomos juntos para o orfanato há dois meses.
- E qual é o nome dele?
- N... Near.
- Um nome curioso. Ainda mais do que Kim. – Eles não sabem e jamais saberão que meu nome é Katherine River. É uma identidade completamente secreta. Apenas eu, Watari, Roger e Near deveríamos ter esta informação. Mas eu contei para Mello também. E Beyond Birthday também descobriu.
- Sim.
- E o louro anarquista?
- Meu namorado. Quer dizer... Não é oficial.
- Sério? Parecia que namoravam há meses. Quando começaram a ficar? – Ele é idiota ou o quê? Estou tentando justamente não pensar em Mello agora. Calma, Kim. Ele só está sendo gentil. Você gostaria dele se não estivesse tão triste.
- E estamos juntos desde novembro, mas ele nunca me pediu oficialmente. – Explico.
- Entendo. É qual é o nome dele? E o que te atraiu?
- Mello. – Fico um pouco vermelha com a segunda parte da pergunta, mas respondo mesmo assim. – Eu... Bem, eu gosto do jeito que ele me trata. E do olhar dele. E do jeito de ser, porque Mello, mesmo que um pouco irritantes às vezes, mesmo que estressado, é uma das melhores pessoas que conheço.
- Melhor assim. Pelo menos não foi pelo que ele veste. E tenho que tomar cuidado com os garotos assim na escola. Sou seu irmão mais velho agora, não é?
- Matt, o ruivo, também agia como meu irmão mais velho. E ele não se importou nem um pouco quando me viu com o Mello.
- Ele não era um bom irmão. – O que foi que ele acabou de dizer?
- Yukiteru Fujibayashi, nunca, NUNCA insulte Matt ou qualquer um deles na minha presença. Near é minha única família, Matt foi o melhor irmão que eu poderia ter, Íris é minha melhor amiga e Ryuuzaki também. BB é assustador e pode ter cometido alguns erros graves e eu não o conheço bem, mas o tenho em alta conta, porque é o namorado do Ryuuzaki. Mello me deixou mais feliz em alguns mesesdo que qualquer pessoa poderia ter feito em uma vida. Eu os amo mais do que tudo. – Apesar das palavras duras, mantenho a voz baixa e fria como gelo.
- Ok, calma, garota. Kim, respire. Não vou mais fazer isso.
- Certo. Mas não vou pedir desculpas.
***
O avião pousa. Vamos para a nova casa. Terei um quarto só para mim aqui, pois não há outra garota na casa além de mim e eles não vão me deixar com Yuki por questões de privacidade.
Meu quarto tem paredes com papel de parede rosa e uma cama com cobertores roxos. Há uma escrivaninha e um guarda roupas também. E um telefone. E um computador. Devo admitir que as instalações aqui são muito agradáveis. Kyou disse que posso usar aquele telefona para ligar para o Wammy’s, mas apenas aquele. No armário está pendurado um uniforme que consiste em um vestido vinho que vai até um pouco acima dos joelhos e um casaco bege. Há também um par de meias brancas longas e sapatilhas da mesma cor que terei de usar. É melhor do que o vestido da minha antiga escola, mas nem aos pés do uniforme do Wammy’s House. Não em questão de conforto, mas pelo fato de que o orfanato é, neste momento, o melhor lugar do mundo para mim. Gostaria de poder ouvir os comentários de Íris sobre o uniforme novo. Suspiro e sento na cama. O telefone na mesinha de cabeceira toca, mas é o único da casa a emitir algum som. Cautelosa, atendo-o.
- Olá. Eu gostaria de falar com a Kim.
- Sou eu.
- Kim? É o Near!
- NE-NE! Que saudade, irmãozinho! – Sim. Apenas a viagem de avião já acabou comigo.
- Também estou com saudades. Gostaria que estivesse aqui.
- Queria isso também. – Suspiro com tristeza. – Near, o Mello está cuidando de você como pedi?
- Ele está, sim, Kim. Eu disse que não precisava, mas ele falou que foi você quem pediu. Acho que é melhor deixá-lo fazer o que achar melhor. Está realmente triste. E o Mello triste se torna o Mello irritado que vira o Mello violento que intimida crianças quando não está no quarto comendo chocolate e resmungando. Isso em um dia só. Ele só é legal comigo, com o Matt e o Ryuuzaki. Nem a Íris está sendo poupada da depressão do Mello. – Escuto atentamente o relatório de Near. – E você, como está aí no Japão?
- Está tudo bem. Yuki é simpático e Kyou e Tomoya parecem ser legais também. Mas queria estar no Wammy’s. Estou com muitas saudades.
- Hm... O Mello está reclamando porque estou monopolizando o telefone, então passarei para ele.
- Ok. Eu te amo, Ne-Ne. Vou te ligar amanhã.
- Eu te amo, Kim. – Escuto o telefone ser passado para outra pessoa.
- Kim? Você está bem? Como foi a viagem? O seu irmão está sendo legal com você? E seus pais?
- Está tudo bem. A viagem foi bem tranquila. Sim, eles são muito simpáticos. Mello, eu soube que você está estressado e brigando com todo mundo. É verdade isso?
- Sim, Snowdrop. Infelizmente é verdade. É que às vezes eu desconto em quem não devia. Estou com saudade de você. – Ignoro o apelido referente a um pinguim albino mundialmente conhecido.
- Eu também, Mello. E nem por isso estou intimidando criancinhas. Hm... Você tem um computador no quarto, não tem? Ele tem webcam?
- Sim...
- Poderíamos nos falar através dele, então. Ficará mais fácil para nós todos. Poderíamos marcar pequenas reuniões para nós o tempo todo. Vamos fazer os cálculos... Aqui são oito da noite então aí é... Meio dia, certo?
- Certíssimo.
- Poderíamos nos falar a essa hora mesmo.
- Sim.
- Obrigada por cuidar do Ne-Ne, Mello.
- Eu faria tudo por você. Mesmo só estando juntos há dois dias... DROGA! Sou muito burro!
- O que foi?
- Eu deveria ter te pedido em namoro. Mas... Pensando bem, não quero prendê-la a mim. Quero que seja feliz.
- Você me deixa feliz. Se me pedir agora eu aceito. Ainda dá tempo.
- Ok... Então, Kim, será que você me concederia a honra de ser minha namorada?
- Claro que sim, Mello.
- Neste caso... Lembra-se do beijo que te dei no aeroporto? – Lembro-me de seus lábios se movendo rápido, pressionados contra os meus. Sua língua adentrando minha boca, explorando cada canto. O gosto de chocolate. Os dedos acariciando meu cabelo e a outra mão fixa em minha cintura, apertando-me contra ele como se me protegesse. – Estaria te dando outro igualzinho agora se estivéssemos próximos.
- Hm... Assim você me deixa deprimida por estar aqui.
- Bem, eu tenho que ir agora. Matt está me enchendo o saco aqui. Eu te amo.
- Também te amo.
- Ki-Ki! Como você vai?
- Tudo bem, mas estou com saudades. E você, Matt?
- Também estou com saudades, irmãzinha. O Mello está mesmo estressado aqui, mas já saiu do modo psicopata.
- Que bom...
Algum tempo depois, após eu ter conversado com Íris e L, desligamos o telefone. Kyou me chama para comer e eu desço.
Notas finais
Beijinhos.
- Ushio
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