Distância

8 Capítulo 8


Notas iniciais
Olá, amores da minha vida! Como vão?
Aqui tem mais capítulo para vocês, que amam tanto essa fic (ou não) e esta autora (deixem-me sonhar).
Leiam aí e espero que gostem (e comentem).
Bjs

P.D.V — Near.

Deito-me na cama e me xingo mentalmente pela milésima vez em poucos minutos. Por que é que eu tinha que revelar o nome de minha irmã também? E o meu. É por causa desse tipo de problema que não costumo me abrir muito. Como Frodo disse para Sam em O senhor dos anéis e as duas torres, “sempre que abro minha enorme boca eu atolo meu pé”.

O problema não é Matt, confio muito nele. A questão é que eu esqueci que ele estava ouvindo. Eu pensei alto, como faço às vezes montando meus castelos de dados. Mas, ao fazer isso, “delatei” a mim mesmo e a minha irmã.

Merda, a depressão está afetando minha capacidade de pensar.

Bem, ao menos Kim tem um nome do meio, mesmo que isso não conte muito. Anne, lembro a mim mesmo, o nome da mamãe.

Viro de lado e me cubro até o pescoço, tentando dormir. Ainda tenho uma pequena e distante esperança de acordar deste pesadelo e ver que Kim voltou. Não me entenda mal, sinto falta dos meus pais, mas já estou tão acomodado com a situação que não consigo mais me imaginar fora do Wammy’s House.

Não durmo. O sono simplesmente se recusa a vir, embora eu esteja exausto por causa das inúmeras noites que tenho passado com os olhos abertos, lutando para se fecharem. Infelizmente, o cansaço não consegue vencer tão facilmente a infelicidade e o medo. Sim, medo. Tenho medo que Kim nunca mais volte para mim. Medo de que ela se esqueça de seu pequeno irmão. Medo de ela preferir cuidar de outra pessoa. É este o outro motivo de meu profundo ódio por Yukiteru. Ódio que começou a se formar da primeira vez que ele apareceu em meu quarto e interrompeu o beijo de Mello e minha irmã. Que começou a se formar em um local obscuro de meu coração pesado quando me dei conta do quanto ele quer monopolizá-la.

Medo, infelicidade e ódio. São estes os sentimentos que tem aumentado cada vez mais as minhas olheiras desde que Kim partiu.

A porta se abre e alguém bate na madeira plana. Leila.

- Pode entrar. – Digo para a ruivinha. Seus passos leves mal fazem barulho no piso frio do quarto. – Olá, Leila.

- Oi, Near. Vim trazer um quebra cabeças para você. Quer montar comigo? – Viro meu corpo na cama para ficar de frente para a menininha de cachos cor de cobre e olhos azuis pedintes. Ela sorri para mim, implorando sem dizer nada. Não estou com vontade de sentir minha pequena amiga pulando na cama a meu lado até eu cair só para ajudá-la a montar um quebra cabeças. Ela é mais teimosa que Kim. Creio que seja algum tipo de “complexo dos sete anos”, porque eu também era assim nessa idade, se bem me lembro.

- Certo, deixe-me ver isso. — Ela me entrega a caixa. Uma imagem de montanhas recobre a parte da frente e, nas informações, há a dimensão do quebra cabeças e a quantidade de pecinhas. – 400 peças?! E com imagem? Isso é muito fácil, Leila, até para você! – Ela faz cara de ofendida ao ouvir a última parte.

- Near! Eu ainda sou iniciante! – Rio diante de sua reação.

- Ok. Vamos ver em quanto tempo montamos isso.

Sento-me no chão ao lado de Leila, que joga as peças no chão. Desviramos as pecinhas e as separamos por cor e forma antes de eu ligar um cronômetro e...

- JÁ! – Grito. Imediatamente começamos a juntar as peças, combinando as cores e as formas.

Logo a moldura fica pronta e nós passamos a formar o meio da imagem. Olho para o lado para encarar o rosto pálido. Sua concentração está melhor a cada vez que montamos quebra cabeças. Há um pequeno vinco de concentração extrema entre suas sobrancelhas.

- Não devia fazer isso. Vai ficar enrugada. – Aviso. O vinco se desfaz.

***

Está pronto. Paro o cronômetro. 1hr 35min 22seg. Um tempo muito razoável. Na verdade, é o nosso recorde, embora eu provavelmente consiga montar mais rápido quando sozinho.

- Você está evoluindo, ruivinha. No começo me atrapalhava, depois ficou neutra e, agora, quase posso dizer que me ajuda.

- Sério? – Um enorme sorriso infantil ilumina seu rosto.

- Aham. – Respondo e ela passa a gritar com a voz mais aguda que o normal enquanto pula por todo o quarto:

- Obrigada, obrigada, obrigada!

Minha pequena amiga sai correndo do quarto. Reviro os olhos com sua infantilidade enquanto colo o trabalho em um grande pedaço de cartolina verde. Darei o quebra cabeças para ela como um símbolo de seu sucesso.

Agora eu realmente preciso dormir e sinto que nenhum sentimento (ou menina de sete anos de idade histérica) poderá impedir meu sono.

Meu último pensamento é que eu gostaria de falar com Leila a respeito de minha conversa com Matt. Ela pode ser nova, mas passa longe de ser ingênua e sabe dar um ou dois conselhos. De qualquer forma, quero apenas falar com ela. É como se ela me entendesse melhor por ser tão infantil. Há inocência demais nela para que me prejudique com algo que eu mesmo fale.

**__**

PDV – LEILA. (DUAS HORAS MAIS TARDE).

Penduro o pequeno quadro em uma parede do quarto, ao lado de minha cama. Marilyn, que é bem mais velha do que eu, mas tão infantil quanto, recusa-se a parar de me encher o saco. Ela simplesmente decidiu que eu gosto do Near. Mas não é verdade. Near é como um irmão mais velho para mim, o irmão mais velho que eu nunca realmente tive.

Eu só passo tanto tempo com ele por causa da depressão. De acordo com Kim, sou a única além dela com quem Near é aberto, então, quando a febre começou, passei a encontrá-lo com frequência.

Olho o relógio. 12:05. Hora do almoço. Meu estômago concorda com o relógio.

- Eu vou descer para comer, ok, Le-lê? – Avisa Marilyn ao sair do quarto.

Também saio, mas faço um caminho diferente do dela, subindo ao invés de descer. Tenho a esperança de convencer Near a descer hoje. É a única coisa com a qual ele não concorda por mais que eu insista. Mas hoje ele vai descer. Mesmo que eu tenha que chamar Mello para arrancá-lo da cama e arrastá-lo para o refeitório.

** d(^_^o) **

PDV KIM. (NO JAPÃO)

São oito da noite agora. Acabo de terminar minha falha tentativa de comer em quantidade decente. Mas e daí? Eu nunca comi muito mesmo!

Deito na cama e fecho os olhos, tentando dormir. Não. Não quero. Se eu dormir, verei coisas que não quero ver. Não posso fraquejar agora. Tenho que continuar bem. Pelo meu Ne-Ne. Pelo Mello. Near não merece isso. Não merece que eu perca a vida por me afastar. Sei que ele carrega peso demais nas costas só por eu ir embora, então que tipo de sentimento venenoso não surgiria em seu coração caso eu morresse por me afastar? É este o único pensamento que me afasta de uma situação na qual eu perderia as minhas forças. É o pensamento que me faz levantar da cama todos os dias.

A porta se abre. É Yuki.

- Olá. – Cumprimento-o. Ele voltou a ser legal depois que voltamos, o que só confirma minhas suspeitas de que ele é ridiculamente infantil e ciumento com relação aos amigos.

- Olá, imouto-chan. – Solto um gemido de desgosto ao ser chamada assim. – Desculpe.

- Tudo bem.

- Eu só vim... Não acredito que vou dizer isso, mas vim pedir desculpas pelo jeito que eu tratei o seu namorado. Quer dizer, ele a conhece há mais tempo que eu e você gosta dele, então eu não tenho direito de te encher o saco. Eu estava desconfortável com a situação toda.

- Tudo bem. Você não causou nenhum dano permanente. Fico feliz que tenha tomado consciência de que estava errado. – Digo, olhando seu rosto, ainda com algumas marcas escuras e cortes ocultos. – A Kyou é que ficou mesmo furiosa com o Mello.

- É mesmo. Bem, boa noite. – Ele sai do quarto.

Entro no computador. Matt não está online. Nem Íris. Ou Mello. Só Sayu.

Sayu diz:

Oiê!

Kim diz:

Olá, Sayu. Como vai?

Sayu diz:

Tudo bem.

Estou “estudando”.

Kim diz:

Fraca.

Eu não preciso estudar...

Só japonês.

Sayu diz:

Ui, descupa.

Como está o Yuki-san?

Kim diz:

Bem.

E Raito?

Sayu diz:

Estudando também. Mas de verdade.

Kim diz:

Eu ia te perguntar isso quando voltei, mas esqueci: Como foi o tempo que passei fora?

Sayu diz:

Um saco.

A Ichinose e as vadias dela jogaram tudo para cima de nós porque você não estava.

Kim diz:

Claro. Muito melhor quando a Kim está lá para ser boi de piranha.

Sayu diz:

Boi de piranha?

Kim diz:

Uma expressão brasileira.

Boi de piranha é um mártir.

Sayu diz:

Sim. É bom quando podemos te usar como escudo.

Kim diz:

SHINU, YAGAMI SAYU!

Sayu diz:

Boa noite, Ki-chan.

Kim diz:

Até amanhã, Sayu.

Desligo o computador. Não há mais nada o que fazer por hoje aqui.

Vou para o banheiro e tiro a roupa antes de ligar a água quente e entrar no chuveiro.

Meus músculos relaxam diante do calor, mas o mesmo não se pode dizer de minha mente. Os mesmos pensamentos se repetem inúmeras vezes, tal qual as mesmas lembranças. Cada momento ao lado de Near. De Matt. Íris. L. Beyond. Mello.

Apesar de conseguir manter uma máscara sobre meus sentimentos, jamais poderei escondê-los de mim mesma. Jamais poderei ser feliz no Japão.

Notas finais
Nossa, há um tempo já que eu não posto um capítulo por dia. Espero ter conseguido retornar a este regime.
Gostaram?
Deixem reviews!
Dêem ideias sobre quais PDV's colocar no próximo cap, por favor. Sei que vai ter um do BB ou do L, mas não sei qual o outro ou se devo manter só com um PDV mesmo e, no final, o da Kim.
Beijos da sua (talvez) querida Ushio