Distrito 10, Beatrice Solace
3 A Colheita
Na praça, o grande palco está lá, na frente do Edifício da Justiça. Duas esferas cheias de papeis com nomes dos futuros tributos. Uma esfera com nomes de tributos femininos, que felizmente não será utilizada nessa colheita. E a outra com nomes dos tributos masculinos no qual a sorte não esta ao favor.
Há também uma imensa fila para a coleta do sangue. Quando chega minha vez, estendo meu dedo indicador e uma pequena agulha faz com que uma gota de meu sangue pingue no papel. Depois disso, eu entro na formação junto com as meninas de minha idade.
Quando o Sol já está terminando de fritar o que resta dos nossos cérebros, a Colheita começa.
Primeiro, o Prefeito Butterfield começa falando sobre os jogos. Depois, uma mulher da capital entra – Rosie Filland — com um visual nada comum. Ela usa um vestido laranja que vai até os joelhos e que parece ter brilho próprio e uma bota verde cobrindo o que resta de sua perna. Seu cabelo também é verde e o penteado são tranças nada convencionais. Ela tem o rosto fino e extremamente pálido. Em geral, ela parece ser simpática, mas um tanto medonha.
Depois de fracassar tentando animar os adolescentes que estão prestes a ir para o encontro da morte, ou imaginam estar, ela se encaminha para a esfera a sua esquerda e antes que ela coloque a mão dentro da esfera eu acumulo coragem, respiro fundo, e caminho em direção ao corredor entre os tributos femininos e masculinos.
– Eu me voluntario! — Digo assustadoramente alto, tentando parecer mortal e confiante. Sinto todos olharem pra mim, e tento não parecer nervosa, afinal, Panem inteira está vendo meu rosto, e eu não posso me dar ao luxo de parecer fraca. Então repito. — Eu me voluntario como tributo feminino do distrito 10.
– Ótimo! – Grita a mulher de entusiasmo.
Dois Pacificadores me acompanham até a escada do grande palco.
– Vamos! Suba aqui e diga a todos qual seu nome!
– Beatrice. Beatrice Solace.
Prefiro ocultar o nome de minha mãe, pois só o nome de meu pai poderia me ajudar futuramente.
– Solace? – Diz a mulher espantada. — A única filha de William Solace? O Vitorioso do Distrito 10?
Comentários começam a circular na formação a minha frente. Então, a mulher continua a falar.
– Muito interessante. Agora vamos ao tributo masculino.
Ela caminha em direção a esfera a sua direita e os olhares se dividem entre mim, e a esfera. Antes de retirar o papel da esfera ela diz.
– Nenhum voluntario? – Ninguém se pronuncia – Então vejamos...
Antes de abrir o pequeno papel com o nome do tributo masculino, um Pacificador cruza o palco e lhe entrega um bilhete.
Ao ler o bilhete ela fica surpresa e lê novamente para todos no distrito.
– ‘’O presidente de Panem, ordena que os distritos 9, 10, 11 e 12 possuam dois tributos femininos nessa edição, e nenhum tributo masculino. ’’
Ao terminar ela se encaminha para a esfera de vidro da esquerda novamente e alguns sorrisos se abrem na formação masculina enquanto a feminina entra novamente em pânico. Ela coloca a mão na esfera e seleciona o papel. E então lê o nome:
– Gabriella Sote.
Uma menina sai da primeira fileira – com outras meninas de 12 anos — na formação. Fico mal por ela. Jovem e ingênua, será morta facilmente na arena. Ela sobe ao palco e posiciona-se ao meu lado, desajeitada, mas um tanto confiante para a idade dela.
Se segue uma serie de comentários inúteis da mulher de laranja até que somos levadas para quartos diferentes do Edifício da Justiça.
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