Distorções
1 Capítulo 1: Utopia.
Distante. Tudo parecia distante para mim, como se minhas palavras e os meus pensamentos estivessem me confrontando. É muito confuso, tudo parece muito irreal, como em um sonho. Já não sinto mais as minhas pernas e os meus pés, e é como se eu flutuasse por aí. O lugar a minha volta é muito estranho, ruas movimentadas com pessoas sem face, prédios totalmente alinhados até o final da rua, pelo que parece, perfeitamente simétricos. Quando tento abordar alguém, sou ignorado. Sinto como se eu nem existisse no meio de tantas pessoas. No fim da rua, vejo uma pessoa diferente. Ela tem uma face humana e, aparentemente, está na mesma situação que eu, incomunicável. Me aproximo sutilmente dela, e ao me aproximar um pouco mais, percebo que é uma garota, o que me deixa ainda mais apreensivo para aborda-lá. Timidamente, tento iniciar um diálogo.
– Hmm.. olá? – a voz quase não saiu. – Será que você poderia me ajudar?
Com uma virada dramática, e olhar de espanto, ela falou, quase gritando:
– Ahn?! Você consegue me ver?!
– Err, sim! Por que a surpresa?
– Eu não irei explicar detalhadamente, mas resumindo, você é a primeira pessoa "normal" que eu vejo por aqui.
– Normal? Como assim?
– Você se parece muito comigo, tirando o fato de que você é homem e eu sou uma mulher.
– E isto é alguma surpresa? De onde eu venho, pessoas como eu e você são completamente normais!
– Do lugar que você veio? Do que você está falando? Você não é daqui?!
– Não. Eu ainda estou tentando entender como eu vim parar aqui, mas este lugar, com certeza, não é o lugar o qual eu pertenço.
– Você poderia me falar de onde você veio? Talvez eu possa te ajudar.
– Eu sou de Balgorer.
– BALGORER?! Mas... mas... este lugar...
– Hum? Qual é o problema?
– Acredite se quiser, mas Balgorer é uma civilização antiga que foi exterminada á milênios. Na verdade, aqui seria onde Balgorer deveria estar.
– O que?! Milênios?! Isto é impossível! Balgorer foi onde eu nasci e cresci, como assim? Por favor, me explique isso direito!
– Também não estou entendendo. Tem certeza de que você não está delirando, ou algo do tipo? Balgorer se foi há muito tempo atrás, é impossível alguém desta civilização estar vivo.
– Espere! Eu acho que eu tenho algo que pode provar que eu sou de Balgorer, espere um momento.
Assim que eu retirei o meu cartão de identificação regional de treisorun, C.I.R.A, do meu bolso, eu ouvi um forte alarme soando e as ruas ficaram com um tom crepúsculo, diferente do tom branco e pálido que estava antes.
– MEU DEUS! Este C.I.R.A é realmente de Balgorer! Droga! Temos de correr antes deles chegarem. Vamos!
– O que? Por que?! Me explique, por favor!– Não há tempo. Aliás, qual é o seu nome?
– Eu me chamo Macor Grante, e você? – quase sem folego de tanto correr, faço o esforço de perguntar.
– Me chamo Agatha Dralin-to, e é melhor apertarmos o passo!
Enquanto corríamos, algo inesperado aconteceu. Um grande ser, de cerca de três metros e de aparência humanoide, diferente daqueles seres sem face que vagam pelas ruas, surge bem na nossa frente e nos indaga:
– Por favor, pare. Este C.I.R.A é de Balgorer, não é mesmo?
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