Distantes
27 Capítulo 25 - Escolhendo Um Lado
Notas iniciais
Ela arrumou a mochila com tudo que tinha algum valor. Das roupas, levaria apenas o necessário, e um par sobressalente de botas. Enfiou num bolso externo o par de soqueiras de aço de Partilha — as armas tinham que ficar de fácil alcance.
— Anda mãe. Você está demorando! — gritou em direção ao corredor. E já recebia em resposta os passos apressados da mulher pelo corredor.
— Meu Deus, calma! O mundo não vai acabar por que quero arrumar o cabelo...!
Samantha encara sua mãe incrédula com a futilidade de seu comentário. Mas prefere não responder. Fecha a mochila e passa por cima da cama para alcançar uma carteira feminina preta encima da mesinha de cabeceira. Confere o conteúdo, e guardada na bolsa que a mãe havia colocado aos pés da cama quando entrou no quarto.
— É só isso ?- pergunta apontando a bolsa que segura na mão esquerda.
— Minha nossa... Não! Essa é apenas a minha maquiagem e coisas de cabelo. — a mulher parecia ofendida com a insinuação da filha.
Samantha encara um pouco a bolsa de couro cinza, depois a chacoalha levemente. Abre-a e ao enfiar a mão no fundo da bolsa, tira de lá duas pequenas garrafinhas de vidro.
Olhando fixamente para a mãe, que agora parecia constrangida, balança as garrafinhas e pergunta novamente:
— É só isso?
— Bem, quer dizer... Não... — ela suspira e junta coragem. — Tenho mais duas na mala de roupas. — responde enfim, corando de vergonha.
A jovem assente. Fecha a bolsa e devolve-a à mãe, mas mantém os frasquinhos consigo.
— Então acho que posso ficar com essas — e as enfia num cantinho em sua própria mochila.
Aproximasse mais da mãe e segura suas mãos. Olhando-a docemente nos olhos, tenta encoraja-la.
— Olha, eu prometi que ia te ajudar. Que ia ter paciência, e colaborar... Então confie em mim! Preciso que não me esconda nada. Preciso que me ajude a te ajudar, mãe. Por favor, querida... Está bem?
A mulher assente, com os olhos já marejando.
— Ótimo. Vamos logo... Não quero deixar Icy esperando demais! Onde está sua outra bolsa? — perguntou enquanto colocava a mochila nas costas.
— Está na sala... Tem certeza que quer ir sem falar nada com o seu irmão? Acho e ele também tem o direito de saber... Aliás, eu também andei pensando, e bem... Essa Icy pode não ser muito confiável, e bem... Quer dizer...
A impaciência fica evidente em Samantha. Ela fica encarando o chão furiosa, e responde entre os dentes sem coragem de encarar a própria mãe.
— Filip já escolheu os dele. E Icy foi a única até agora que não mentiu nem ocultou nada de mim. Diferente, inclusive, de você. Então desculpe se quero entrar a fundo e resolver as coisas por mim mesma! Mas cansei de ser mãe e pai do meu irmão. — suspirou cansada e saiu para o corredor.
Rafaela a seguiu calada e triste. Samantha pegou a enorme bolsa de viagem verde da mãe e pôs no ombro.
— Tranque a casa. — ordenou, e saiu sem dizer mais nada.
Ao olhar em volta, muitas lembranças de muitos momentos vividos naquela casa dançavam na mente da mãe doa gêmeos. Ela pegou as chaves na mesa da cozinha e em seu lugar deixou um bilhete dobrado. Mas, ao ouvir sua filha chama-la mais uma vez, saiu com passos apresados e trancou a porta sem olhar novamente para trás.
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