Distantes

16 Capítulo 15 - O 'Retorno' do Gêmeos


Notas iniciais
Duvido que esperavam por isso... haha Espero suas teorias... Boa leitura!

Jogou-se contra o irmão com toda força que tinha. No ímpeto da raiva, queria se aliviar de toda frustração que a audácia dele lhe causara. "Como? Como ele pôde?!"

Ela sabia que não havia justificativa. Era imperdoável. Mas também tinha consciência que não conseguiria feri-lo. Além de ser naturalmente mais forte que ela, havia sua força 'sobrenatural' também. Ela provavelmente quebraria a própria mão se lhe desferisse um soco direto. E num pensamento rápido, imaginou-se caindo inconsciente mais uma vez ao chocar seu corpo contra o dele. "Será como bater em uma parede". Lembrou-se das tardes na obra abandonada, e dos efeitos não surtidos ao arremessar tijolos e pedras no irmão. Ele não era só forte, tinha o corpo duro como pedra. E algumas vezes nem mesmo sentia dor.

Mas ela não queria feri-lo. Nem mesmo precisava disso. Só queria deixar claro o quanto sua atitude foi nojenta e desprezível. Queria mostra-lo o que palavras seriam incapazes de reproduzir: o tamanho do ódio que ela sentia por ele naquele momento.

Mas ninguém ficou tão surpreso ou perplexo quanto a própria Samantha quando sua investida, não só derrubou Filip, como o deixou sem ar.

Levando apenas um segundo para se recuperar do susto, ele também recupera a raiva, e levanta-se o chão com rapidez, investindo contra a irmã. Mas ela o segura! Seria como segurar um touro enfurecido. E ela tinha consciência disso, mas seu instinto falou mais alto. Samantha o enfrenta de igual para igual.

Agarra firme seus braços e num giro rápido, o arremessa contra a parede que treme e perde um pouco de reboco e tinta, além de alguns pedaços do gesso do teto caírem.

Todos no quarto de hóspedes se descontrolam e tentam sair da frente dos dois gêmeos enlouquecidos. Enquanto Filip tenta mais uma vez atacar a irmã em vão, os dois caem agarrados sobre a cama que se espatifa no chão. O rapaz pega uma das pernas da cama de madeira e bate com toda força no ombro da irmã, antes que ela consiga se defender, mas só consegue estilhaçar o objeto, e fazer uma nuvem de farpas voar pelo cômodo.

Quando a poeira acaba, os olhos verdes dos irmãos se encontram, e reconhecem um no outro o brilho travesso de quem parecia fazer uma simples guerra de travesseiros. Então sorriem. Um sorriso espontâneo e satisfeito que Urias reconhece logo. Os gêmeos arteiros estavam de volta.

— Quando ia me contar que também tem essa força? — Filip pergunta enquanto estende a mão para ajudar a irmã a levantar.

— Eu nem sabia que tinha até cinco minutos atrás, quando te joguei no chão. — Samantha responde enquanto levanta e toca a poeira e farpas de madeira da roupa. Só então percebe que ainda está de biquíni e canga. Ela cora.

Somente Urias e Sofia permaneceram no cômodo. O rapaz parecia irritado, enquanto a morena estava séria e analisava comportamento dos dois irmãos.

— O que, diabos, está acontecendo aqui?- ela pergunta com visível impaciência na voz.

— São os Vallery, sendo os Vallery. Juro que não via uma cena dessas a anos. Mas acho um péssimo momento para festinha de reconciliação. — explica Urias, ao mesmo tempo que repreende seus dois amigos.

— Verdade. O que me faz lembrar: a mãe de Ana Clara citou o nome de vocês dois, entre outros bem conhecidos... O que vocês fazem de especial, e porque nunca falaram nada? Aliás, é por eu ser supostamente uma das crianças em perigo que você e as meninas insistiam tanto em me ter no grupinho de vocês Sofia?

A morena troca o peso de uma perna para a outra, incomodada com uma pergunta assim tão direta.

— É complicado. Tem mais coisa aí do que você imagina. A maioria de nós é latente, então raramente sabemos quem tem pleno desenvolvimento e quem é apenas descendente.

— E você Urias? — a pergunta de Filip pega o amigo de surpresa.

— Ha... Eu... Quer dizer... — ele gagueja.

— Ele não sabia até quinze minutos atrás, quando Michele abriu aquela boca enorme. Ela não mudou nada desde que era criança.

— Como assim desde que era criança? Você não tem como ter conhecido ela quando criança! Voce quis dizer quando VOCÊ era criança, certo?

Sofia dá um sorriso de canto de boca, mas se nota que é um sorriso triste.

— Eu fui babá de Michele. E antes disso da mãe dela. Eu tenho cerca de 80 anos humanos de idade.

O queixo de Filip e Urias cai de tal forma que falta pouco babar. Filip desliza o olhar sobre o corpo da morena e dá um longo assovio.

— Tá conservada heim, filha... — Samantha dá uma cotovelada no irmão. — Ai! Que é? Foi um elogio!

— Nós envelhecemos num ritmo diferente. Estagnados na idade em que desenvolvemos plenamente nossa natureza. No meu caso, aconteceu quando eu tinha dezenove anos.

— Isso vai acontecer com a gente também? Quer dizer, vamos passar o resto da vida como adolescentes? — questiona a irmã incrédula.

— Perai, se voce tem oitenta anos, quantos anos tem a dona Lucia? — interrompe Filip.

— Eu não tenho idéia. Ela já viveu muito aqui, mas tinha vivido bem mais em Partilha. Ela é uma Elementar nativa.

— E qual a droga da importancia dessa informação, Filip?

— É porque ela era velha. Ai ficou jovem na hora do fight. Depois ficou velha de novo.- respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do mundo, enquanto Urias concordava veemente com a cabeça. Sua irmã apenas revirou os olhos, antes de mudar de assunto.

— E sera que você pode me explicar algumas coisinhas realmente importantes agora?

— Não. Perai. Eu quero saber primeiro porque falaram meu nome se eu não tenho nenhuma habilidade especial. — o jovem de pele olivácea cobrou firme uma explicação.

Sofia suspira e olha um pouco a sua volta. Aparentemente, pensa em algo que a deixa satisfeita.

— OK. Tive uma idéia. Vamos para a área externa. Aqui ja teve ação o suficiente para uma manhã. Só peço uma coisa: não falem nada disso... Disso tudo que está acontecendo para Ana, ou para os outros. Eles ainda não sabem de nada. E para alarma-los sem termos certeza... é desnecessário.

— Alarma-los? — Pergunta Filip visivelmente confuso.

— Fazer alarme. Deixá-los preocupados... — a menina tenta explicar ao irmão — Tsc, ao invés de videogame, deveríamos ter comprado um dicionário...

Notas finais
Já estou traçando o final dessa história, mas andei pensando em uma continuação... Quero a opnião de vcs!!! Please!!! Beijokas!!!