Distante

1 único


Às vezes me pergunto se o terceiro ano do ensino médio foi a melhor fase da minha vida. Penso isso porque tudo era tão divertido; eu não precisava trabalhar ou ter qualquer outra responsabilidade.

Na verdade, como sou de uma família pobre, eu já fazia alguns bicos e Melissa costumava me acompanhar. A sua presença ao meu lado deixava tudo mais leve e, depois de fecharmos as vitrines, fumávamos no degrau do estabelecimento e não nos importávamos de andar numa rua naquele horário da noite, porque sabíamos que se estivéssemos juntas, tudo terminaria bem.

Me sentia segura ao lado dela.

Mas Melissa mudou após o ensino médio, por ser também de uma família pobre, Melissa sentia necessidade de encontrar o emprego certo. Não queria mais fazer bicos em que ficaria fumando no meio fio da calçada, vendo as estrelas.

Ela arrumou um trampo bom, um num edifício longo, vestia até terno. Os colegas de trabalho começaram a ser o seu principal ciclo social e eu fiquei pra trás.

Às vezes andava com nossa turma, mas não era mais a mesma. Ficou boba.

E sofria demais.

Eu sabia que sua chefe e sua família não eram fáceis. Por mais bonita que fosse, por mais que bajulasse ou se esforçasse não conseguia o que queria.

Pergunto-me se não era uma sede insaciável, se ela havia conseguido e não percebeu. Uma perfeccionista.

Mas estava tão longe.

Um borrão.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!