Distant Love
2 O que sentir?
Notas iniciais
Anippe P.O.V
Como posso descrever o que eu senti naquele momento? Mesmo com a pressão do olhar de meu irmão, não deixar de observar cada centímetro do corpo de Rahotep. Parecia de personalidade forte, sempre com a cabeça erguida e muito justo. Suas mãos eram fortes e notei isso assim que o rapaz se arriscou em pegar em minha mão. Seus lábios tocaram uma de minhas mãos e fiquei um pouco perplexa por tamanha coragem de fazer isso perante o meu pai. Fiquei constrangida até por Rahotep ter feito aquilo, enquanto todos nos olhavam. Não deixei de notar como Amun estava ciumento por ter visto a atitude do general.
Logo quando me peguei fazendo recebendo os carinhos do rapaz, eu me afastei. Olhei para baixo, fitando o chão e logo dirigi à palavra para o general.
— Encantada, general. Espero que aproveite a benevolência do rei ao ter te concedido este cargo tão desejado por outros. — eu disse.
— É claro, princesa. Não irei desapontá-lo. — o general disse, nervoso.
Durante todo o desjejum, foram várias trocas de olhares, constrangedores é claro! O general ganhou o rei, com apenas um diálogo. Eu não prestei tanta atenção no que eles estavam falando, mas risadas ecoavam pela sala do trono. Meu pai ficava encantado com as histórias de guerra de Rahotep e de como aquele rapaz era tão dedicado em sua habilidade. Para o meu pai, Rahotep se tornar seu genro e o comandante, não seria problema nenhum. O relacionamento dos dois seriam uma grande amizade.
Aquilo me incomodava, um pouco, mas incomodava. Eu saberia que se o rapaz conquistasse o meu pai, o caminho estaria livre para ele ser meu futuro marido. Mesmo eu sabendo que ele era um encanto, eu não queria um companheiro agora. Eu queria me dedicar a dança por enquanto.
Depois que nos fartamos com as comidas, eu fui a primeira a me retirar com minha dama, pois eu queria me banhar no Nilo. Estava um belo dia e parecia que Rá brilhava mais do que antes. Só ouvi por último, meu pai anunciar que desejava um duelo de espadas entre Rahotep e Amun. É assim foi, eu e Hamadi fomos até meus aposentos para eu me preparar para o refrescante banho no Nilo.
No caminho do quarto, Hamadi comentou sobre o que havia acontecido na sala do trono e eu fiquei envergonhada demais para responder, então eu só disse que o faraó saberia o que fazer e que tudo aconteceria segundo o desejo dele.
— Por mais que não seja de minha vontade, o rei tem poder absoluto e só zela pela ordem cósmica. É claro que meu pai me ama, mas ele nunca aceitaria a princesa do Egito casada com um servo do reino qualquer. Meu pai gostou de Rahotep e além disso, suas habilidades serão mais que úteis para a proteção do reino. Meu pai tem razão e eu, só posso apoiá-lo e obedecer o Hórus vivo na terra. — comentei, sorrindo.
Hamadi não hesitou.
Durante o percurso, eu fiquei pensando sobre a ideia de casar com o general. Eu não sabia o que fazer, já que agora, se eu estivesse casada, eu não poderia me dedicar tanto a dança, que era minha verdadeira paixão desde criança. Ah, isso tudo foi contribuição de minha mãe, pois ela me deixou sob os cuidados da segunda esposa real de meu pai, que era a responsável pelas dançarinas do harém e responsável pelos espetáculos que eram realizados no palácio quando havia algum evento especial. Por este motivo, fui criada e influenciada para a dança! Como eu a amo. Se eu casasse, teria de dar herdeiros e cuidar deles. A dança seria uma coisa deixada para trás...
Chegando em meu quarto, logo me sentei na cadeira e Hamadi começou a me ajudar a me arrumar para irmos até o Nilo. Eu sempre gostava de caminhar em volta das águas do rio e gostava de passar a tarde observando Rá descansar e Néftis mostrar sua beleza e carregar em seu interior Khonsu. O aroma de folhas secas dava um clima de paz e tranquilidade ali, dois sentimentos que são conseqüência de bem-estar. O Nilo ela realmente uma dádiva dos deuses. Sendo assim, em alguns dias de extremo calor, eu ia para as margens do rio me banhar e como sempre, levava uma companhia.
— Princesa, sua companhia está a aguardando no harém. — Hamadi anunciou.
— Meryte já avisou que iria chegar cedo. Além do mais, ela irá levar a sua dama conosco. Ela pediu esse passeio hoje, para que você possa ensinar alguns truques para ela servir Meryte com cuidados excelentes, assim como você sempre me serviu. — sorri. — Também para aproveitarmos um pouco deste belo dia. Não quero fazer muita cerimônia, mas trate de pedir aos servos que leve as comidas para onde iremos ficar. — eu disse, dando as instruções para minha amiga.
— Como quiser, senhora. Obrigada pelos elogios. — Hamadi sorriu e seu sorriso encantador sempre me trouxe conforto nos momentos que eu não estava lá aquelas coisas.
Eu vesti meu vestido branco de linho e Hamadi tirou meus adornos, ficando apenas com a pulseira de pedras coloridas e enfeitei minha peruca negra com uma coroa de flores de ouro. Calcei minhas sandália traçadas e logo fomos até o harém receber minha convidada.
Chegando ao harém, várias mulheres estavam eufóricas por um motivo que eu não sabia. Todas as manhãs, era a mesma coisa. Algumas servas lustrando sapatos, umas penteando perucas e algumas mulheres se arrumando para o dia-a-dia no palácio. Muitas dessas mulheres são as outras esposas reais de meu pai e elas sempre ficavam no harém fazendo papel de esposa secundaria, terciária e assim por diante. Por elas estarem loucas como de vissem um crocodilo engolindo uma delas ali mesmo, tratei de me informar sobre isso antes de receber minha amiga e assim partimos para o Nilo. Chamei uma serva e ela me informou que estavam assim pelo novo general do palácio. Eu imaginei que a notícia de que havia um homem esbelto, com cargo importante e além de tudo, solteiro, iria voar rapidamente, até mais rápido que o falcão de Hórus! Não deixei de chamar atenção delas e todas voltaram a seus deveres, mas não deixaram de mostrar sorrisos e não deixei de ouvir alguns sussurros a respeito do misterioso general.
A respeito dessa notícia, me incomodou, mas isso não vem ao caso. Depois de tudo estar em seus devidos lugares, não queria deixar Meryte esperando demais. Avistei ela em um banco no fundo do harém, jogando senet com sua dama. Quando a vi, apressei meu passo e cumprimentei ambas.
— Meryte, minha amiga! — sorri, estendendo meus braços para que eu pudesse conceber a ela um abraço.
— Princesa! — Meryte abaixou sua cabeça, me reverenciou e depois veio a me abraçar. — Quanto tempo, não, minha amiga? — Ela mostrou-me um belo sorriso. — Esta é a minha nova dama, Nebet.
— É uma honra conhecer a grande princesa do Egito. — a dama me reverenciou.
— Adorável você, Nebet. Me parece uma boa moça. Esta é Hamadi, minha fiel dama de companhia. Você já deve saber por que veio com sua senhora. Hamadi irá lhe ensinar algumas coisas que você precisa aprender para servir Meryte. — eu disse.
— É claro, princesa. — Nebet sorriu.
— Antes de irmos, eu queria também dizer que será uma honra morar com vocês. Fiquei feliz com a notícia de que Meryte iria se casar com o sacerdote do palácio. Meryte tem sorte por encontrar um homem tão dedicado como ele. Posso afirmar que ele será um ótimo marido para você, minha amiga. — me referi a Meryte. — Quanto a você, Nebet, não irá demorar para algum rapaz se apaixonar por você! És uma pessoa adorável. — eu disse.
Nebet afirmou o que eu disse com um sorriso no rosto. Depois de toda a cerimônia, decidimos partir para o Nilo logo, mas antes de passarmos pela porta do harém, tivemos uma surpresa, me dando de cara com Rahotep. Por Isis! Aquele homem me perseguia em todos os lugares, até quando não estava presente. O que seria que ele havia perdido no harém? Justo no harém. Se ele entrasse ali, as mulheres ficariam eufóricas por ter a oportunidade de conquistar o novo general. O que ele teria perdido? A espada?
— Rahotep! — falei, com um tom de assustada.
— Desculpe, princesa. Eu não queria assusta-lá. — ele abaixou a cabeça, como demonstração de respeito.
— Tudo bem. O que veio fazer no harém? — questionei.
— Fui aos seus aposentos, mas os guardas avisaram que você veio até o harém, então vim chamá-la para irmos dar um passeio no Nilo. — ele sorriu. Suas bochechas estavam rosadas, isso significa que ele estava um pouco envergonhado.
— Eu já estou indo com elas. Me desculpe! Talvez fique para um próximo dia? — sorri, mas me lembrei de algo. — Que inconveniência a minha, general. Como já viu, esta é Hamadi, a minha dama, esta é Meryte, minha amiga e sua dama, Nebet. — apontei para cada uma, especificando quem era.
Quando as apresentei, não deixei de perceber que os olhares de Rahotep se desviaram para Nebet, assim que eu a anunciei. Também vi que os olhos da moça brilhou, assim que o general olhou para ela. Por alguns segundos de um silêncio terrível, acabei me deparando com uma troca de olhares que me incomodou muito. Aquelas mulheres loucas no harém, por causa de Rahotep havia me deixado perturbada e agora essa troca de olhares… Por que estou sentindo um desconforto por essa atitude?
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