Distance Between Dreams

2 Capítulo II – Nova Era


Notas iniciais
A história começou a se desenrolar mais. Novos personagens apareceram e muitos outros hão de aparecer (:

Lado negro

Estava tudo escuro. Eu não podia enxergar nada, porém de repente, eu voltava a minha cidade natal, São Paulo. Para meu espanto tudo estava destruído. Os prédios, suportados pelo ferro mais forte, estavam demolindo, eu estava sozinho no meio da cidade. Apesar de a cidade estar demolida, nada estranho estava acontecendo naquele meio. Sentei-me e inclinei levemente a cabeça para baixo para poder raciocinar, logo passei a observar a minha volta, havia uma pessoa parada a quarteirões dali. Seria essa pessoa a causadora dessa destruição? Não, um humano não conseguiria fazer isso. Levantei-me e fui caminhando até o indivíduo parado, não ousei gritar para chamar a atenção dele, não achei sensato. Minha aproximação foi lenta, não estava à vontade. Ao passar por alguns escombros, algo como um manto negro passou a minha frente, imediatamente pulei para trás e observei: A coisa negra foi em direção ao homem parado e o encobriu. Por alguns segundos achei que o manto não mais sumiria, porém o manto encolheu o bastante para caber na palma de minha mão, era agora uma pequena esfera negra e gasta.

O homem se virou lentamente para minha direção, suas roupas eram iguais as minhas, ainda não podia ver seu rosto, pois uma sombra encobria-o. Dei mais um passo à frente, não havia porque me esconder, mas não estava preparado para ver o que viria em seguida. O homem parado a minha frente era eu mesmo, Arthur. Mas como era possível? Foi o que consegui pensar naquele momento. Ousei perguntar-lhe:

– Quem és tu?

Ele nada disse, apenas sorriu e guardou a esfera negra no bolso do jeans. Após alguns segundos me encarando com aquele sorriso sua voz chegou aos meus ouvidos.

– Eu? Eu sou você, é claro? – Não tirou o sorriso do rosto.

– E-Eu... Isso é um sonho. Sim, é isso.

– Não, aqui é o seu subconsciente. Eu sou seu verdadeiro eu. Sei de tudo que passamos, desde a perda de nossos pais até a nossa sobrevivência nas ruas de Londres e o fim do mundo.

– Então estou descansando? Não deveria fazer tantas criações em poucos dias.

– Sim, sim. Isso o desgastou. Mas ainda resta uma essência desse poder que pode acabar com uma guerra, sozinho. – ele apontou para o bolso onde estava guardada a esfera. – Isto que recebeu, chama-se Malícia. É algo forte, todo o dia tenta se apossar de mim, de nós. Cada vez que o usa, ele fica mais forte. – Retirou então a esfera do bolso.

– Então devo parar de usá-lo? – Flertei a pequena esfera, parecia pequena demais para ter tanto poder.

– Não, deve apenas me deixar assumir, tenho tanto controle sobre ela quanto você. Com isso podemos sair dessa cidade demolida, fazer deste mundo um mundo em trevas.

– Mas que besteiras está falando? – Nesse momento os olhos dele ficaram negros por completo e então me encarou. Não vou negar que senti medo.

– Do que estou falando? Você não gosta realmente daquela garota. Pessoas de mesma classe social que ela lhe causaram sofrimento. Mataram seus pais – Ele se aproximou o bastante para ficar ao meu lado. Sua voz sussurrou e ecoou em meu ouvido direito. – Sei que deseja por vingança. Não ficarei aqui parado pra sempre absorvendo seus sentimentos, pois agora... EU SOU OS SENTIMENTOS.

Uma aura escura o envolveu, afastei-me o mais rápido possível, a esfera foi absorvida por suas mãos. Seus cabelos escureceram mais e cresceram, ficando à altura dos ombros. Suas vestes foram substituídas por um manto negro de detalhes dourados. O medo em mim aumentou cada vez mais, o desespero veio, podia sentir claramente as batidas fortes e rápidas de meu coração, parecia que iria sair pela minha boca. Então ele falou, sua voz tornara-se mais adulta:

– Não vou continuar aqui sofrendo por sua causa. Tomarei seu lugar e viverás como eu vivi pelo longo desses 18 anos. Eu sou Necros, não mais Arthur, se quiser continuar se controlando, terá que mostrar-se capaz disso.

Uma espada longa e pesada, feita de prata, materializou-se em sua mão esquerda. Percebi algumas runas roxas gravadas em sua lâmina. Com um impulso para frente ele avançou em minha direção, a espada em punho varou-me o abdômen, senti o gosto de sangue na garganta e a dor transpassou-me. Fiquei incapaz de agir, tudo que pude fazer foi olhar uma ultima vez para meu próprio rosto, o sorriso tomado pela malícia e esperar ele tomar o poder. Perdi então a visão, em seguida a audição, o olfato, o paladar e por ultimo o tato.

A sombra da guerra

Ano 554 – Distance between dreams

Mais de 500 anos se passaram após o repouso de ambos sobreviventes, agora tratados como deuses, entidades ou raça superior. A geografia da Terra pouco mudara, exceto pela criação de vilas e cidades em seus campos, e o Distance Between Dreams era impenetrável, suas passagem era impedida pelos próprios habitantes da Terra, diziam que se acordados, os deuses puniriam com a morte.

Necros, controlando o corpo de Arthur, acorda em seu leito, ao abrir os olhos a claridade do dia lhe cega os olhos castanhos. Com a mão direita tapava a luz que vinha de fora, então se sentava na cama até se acostumar com a claridade. Virou a cabeça para seu lado direito e viu Lílian, deitada e imóvel, devia estar tendo o mesmo conflito que tivera com Arthur nesses 554 anos, algo impediu de se aproximar dela. Ela é muito pura, pensava o perverso sentimento de Arthur.

– Está na hora do despertar, esse mundo conhecerá o lado negro de seus corações. – sussurrava para si mesmo, levantando-se e dirigindo-se para fora do castelo.

Saindo pelo portão principal do enorme do castelo em passos lentos, Necros pôde avistar uma frota de várias raças lá embaixo, talvez fosse um comércio. Não. Andando até a beira, o Rei Negro viu que não se tratava de um comércio. As criaturas rodeavam dois grandes livros abertos, paralelos uns aos outros. Os diários naquele dia.

– O que pensam que estão fazendo com isso? – Sua voz era agressiva sem compaixão.

Todos olharam para cima e viram a figura de um ser diferente de tudo que avistaram antes. Trajava roupas negras e tinha cabelos ondulados quase negros. Era maior que um anão e muito mais jovem. Um humano, o que eles chamavam de raça superior. Através de uma sombra, Necros descia no meio da multidão onde se encontravam os diários e com agressividade fechava ambos os livros. Os habitantes de todas as raças se afastavam com cautela, a fúria do Rei Negro poderia os matar em instantes.

Pensando em evitar que ninguém mais visse o oráculo da Terra através dos diários, Necros pegou o livro negro e queimou em chamas negras o livro branco. Ninguém mais veria o que os “deuses” fariam.

– Quem é você que age com tanta raiva? – Perguntou um indíviduo escondido na multidão. – Não és Arthur.

– Não, não sou Arthur. Chamo-me Necros e vim lhes mostrar o divertimento humano. – E com um sorriso perverso na face uma esfera arroxeada começa a se formar em sua mão livre. Erguendo o braço a esfera se expandia assustadoramente e ele a lançava para cima – Me mostrem seus lados negros.

A esfera, do tamanho de uma lua, caía em um ponto distante, no coração de uma floresta. Imediatamente os troncos e folhagens das árvores enegreciam e tudo se tornava escuro por uma grande área da floresta. O solo tremeu com agressividade e começava a rachar, derrubando os mais fracos. Um rugido estrondoso pôde ser ouvido até na parte onde Necros e os habitantes confusos se mantinham. Do solo rachado uma criatura bela e colossal levanta vôo derrubando parte das árvores da Floresta Negra. Com majestosa postura sobre o ar, rugia mais uma vez e com mais força. Por ser enorme podia ser avistado em grande distância. Era um dragão de escamas negras com o tórax amarelado. Tinha olhos azuis assim como a pele de suas majestosas asas.

– Eis Hecarim, a sombra da guerra. – Dizia Necros sorrindo aos outros. – Os que se juntarem a mim serão poupados. Dou-lhes o prazo de vinte horas para se decidirem.

E assim como o dragão, Necros se erguia novamente e ia em direção ao dragão. Todos olhavam assustado o bastante para fazer qualquer coisa, em seus estados atuais podiam apenas observar Necros montar o dragão e se esconder em uma parte muito distante dali.

Começo da Nova Era – Dragões VS O mundo

Sem perder tempo elfos, anões e orcs subiam as plataformas que levavam até o grande castelo do reino onde descansava a mais pura. Seus corações pulavam pra fora do peito tamanho era o desespero em não morrer. Tinham um prazo de vinte horas para tomarem uma decisão, talvez já a tivessem em seu intimo, a Luz que descansava em seu leito era a única esperança deles.

Chegavam então aos portões do castelo. Um elfo, belo e de cabelos longos tocara o portão com cuidado e o empurrava com esforço. O portão, forçado para dentro, abria-se e dava a vista pela primeira vez aos habitantes daquele novo mundo: o Hall do Grande Castelo. Porém não tinham tempo para admirá-lo, tinham de acordar Lílian o mais rápido possível. Corriam então sobre as escadas que levavam a torre onde se encontrava os quartos, sabiam onde estavam, pois leram tantas e tantas vezes aqueles livros. Enfim chegaram de frente à porta do quarto de Lílian. O mesmo elfo que abrira os portões se pusera de frente a porta e levou a mão à maçaneta e girou-a devagar, abrindo a porta.

Entraram todos muito silenciosos apesar do pavor em seus acelerados corações. Talvez ali estivesse um pouco mais seguros, ou pelo menos se sentiam assim. O elfo aproximou-se da cama de Lílian e quando estava perto o suficiente, abaixou-se e aproximou a boca do ouvido da mais pura. Ninguém nunca soube o que lhe foi sussurrado no ouvido, mas para a surpresa de todos Lílian despertou de seu descanso imortal.

Nesse mesmo instante um rugido forte pôde ser ouvido novamente. Era o dragão despertado, Hecarim. Seguido de seu longo rugido, puderam ser ouvidos outros rugidos um pouco mais fracos, os dragões de todo o mundo estavam despertando, além dos gritos de pavor e desespero das várias criaturas habitantes da Terra. Os que se encontravam no castelo com Lílian olhavam pela janela do quarto, a paz que lhes fora dada ao entrarem no cômodo desaparecera assim como viera. Cerca de quinze enormes dragões se dirigiam a um ponto onde a floresta era negra e densa, o mesmo ponto em que estava Necros e Hecarim.

– Ora, ora... Bela vista não? O mestre está se mostrando forte. – Uma voz jovem e masculina vinha de trás em tom calmo.

Um indivíduo estranho adentrara o quarto sem que ninguém percebesse algo. Postara-se na janela contrária dos outros, ao lado da porta. Aparentemente parecia com um humano, mas não era um. Tinha cabelos brancos que brilhavam ao sol, assim como sua pele, não era de cor humana ou de qualquer cor de outra raça, branca como as nuvens que cobriam parte do céu. Trazia no topo dos cabelos lisos e separados em mexas que caiam sobre o rosto uma cartola preta com a aba costurada em volta e três faixas brancas separadas em intervalos. Suas roupas não eram nada comuns, um traje de bobo da corte que o cabiam perfeitamente sem ficar larga, sobre os ombros largos, apesar de sua aparência magra, uma sobrepeliz preta e rasgada na gola e nos cantos em volta dos ombros. Sobre a camisa branca botões grandes e pretos também davam destaque ao traje e pra completar calças de palhaço justas e brancas e sapatos pretos pontudos.

Mal podiam ver o rosto do estranho, pois esse mantinha a cabeça levemente inclinada para baixo.

– Posso sentir o medo de vocês de longe. Isso muito me alegra! – continuou ele após um breve silencio – Não os recomendo tentar reagir, pois não vim para lhes matar ainda. – Então levantando a cabeça mais espanto na face dos que ali estavam ao lado de Lílian. Olhos pequenos e amarelos se mostravam, um nariz fino e o seu sorriso, gentil, porém a boca costurada por grossos fios brancos de modo que a boca tinha um pequeno espaço para abrir ou os lábios lhe seriam rasgados. Seus olhos miravam Lílian sem vacilar por um momento.

Por que um ser como aquele e que estava ao lado de Necros viria até ela e ainda com um sorriso estampado no rosto? Ela ficaria sabendo em poucos instantes mais tarde.

– Que falta de educação a minha, falei, falei e não lhes disse meu nome, não é? Sou Vincent Rogue, sou o próprio medo. – continuava ele diante o silêncio de todos os outros – Trago uma mensagem de meu mestre para a senhorita Lílian. Meu mestre conseguiu o melhor dos exércitos e não precisa mais de seus aliados juntos a nós. Temos agora um exército de dragões, os seres mais magníficos de toda a era. – Não tirava o sorriso do rosto para dizer cada palavra – Aconselho a senhorita a render-se ao mestre. – Dizendo isso ele se aproximava lentamente de Lílian, porém uma espada grande e pesada lhe impedira a passagem, fazendo-o olhar para o lado com tédio.

– Nem mais um passo, estranho bobo da corte. – O elfo que acordara Lílian segurava a perigosa bastarda no caminho do mensageiro. – Já deu a sua mensagem, agora saia daqui antes que eu lhe corte em dois.

– Me cortar... Em dois? – Vincent riu e mudou a direção de seus passos interrompidos para o elfo. – Acha mesmo que pode vencer seus medos com uma espada? – O elfo agora estava um paralisado, talvez por pânico. O representante do medo tocou-lhe o peito com o indicador e agora estava cara a cara. Os olhos amarelos pareciam penetrar a alma do elfo. — Eu sei o medo mais profundo da sua alma. Quer que eu mostre para todos o seu maior medo? Ou ainda vai tentar me impedir?

O espaço-tempo se distorceu e o quarto se transformou em cemitério em ruínas, todos estavam mortos, inclusive Lílian.

– Pare! Pare! – Gritava o elfo. – Por favor!

– Mas eu nem comecei, isso foi só o cenário. – E o mensageiro riu novamente, o espaço-tempo distorceu-se novamente e voltaram à realidade. – Só o cenário o assusta. Com licença. – Dizendo isso uma essência negra saiu dos olhos e da boca do elfo, seus olhos desfocaram por alguns segundos, mas logo voltaram e o elfo caiu. Vincent abriu a boca e engoliu a essência. – Ah, o gosto do desespero. Obrigado pela refeição!

Ninguém entendeu o que acabara de acontecer ali. Apenas observavam amedrontados e calados. Vincent se dirigiu novamente para Lílian e aproximou-se o bastante para sussurrar-lhe ao ouvido:

– Ele não está morto ainda. – E sorriu – Isso serve ao elfo também. Não me siga, a floresta que habitamos não é mais a mesma. – E dizendo isso sumiu, deixando certa dúvida na mente e no coração de Lílian.

Notas finais
Bom, vou melhorar algumas coisas ainda pra essas história virar um livro. Começarei a escrever o terceiro capítulo. Espero que gostem.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.