Distance
1 Capítulo único
Notas iniciais
Sem notas finais; não tive a coragem de tirar as exatas 2,700 palavras. e_e
Curiosidade: O capítulo tinha exatas 2,700 palavras quando foi para a betagem; e voltou de lá com 3,100+ sem palavras a mais.
Betada por: Tatew. Obrigada amor. <3
E, como a formatação não passa do Word pro site, eu não vou formatar.
Um dia, minha irmã perguntou para mim se eu tinha sonhos;
Minha resposta não foi apenas vaga, ela não tinha sentido.Nunca realmente parei para pensar em meu futuro: com quem eu iria me casar, como, qual seria minha carreira...Eu nunca nem me apaixonado havia. Nem mesmo ficado com alguém que possivelmente eu gostasse.Eu pensei seriamente naquela pergunta... mesmo assim, nenhum nome me veio à cabeça.No dia seguinte, na escola, eu via meus colegas conversando sobre mulheres, enquanto as meninas ficavam todas eufóricas e histéricas quando um garoto a qual elas julgavam bonito passasse por elas. Eu ria internamente com o pensamento pequeno dessas pessoas...Espera... Não estava eu pensando pequeno também? Pelo fato de nunca ter olhado pra frente e dito que eu queria fazer algo?Pus-me a pensar.E foi aí que eu vi: o professor, já nos seus quarenta e poucos anos, adentrou a sala de aula e bateu na mesa com a fina régua de madeira, pedindo silêncio. Em seu encalço havia um garoto de cabelos pretos; curtos e pretos. Os olhos estavam ainda levemente fechados, como se a iluminação da classe estivesse forte de mais. Porém, quando este finalmente os abriu, pude ver suas íris de um azul quase prateado... me perguntei qual era o significado de tal cor. E foi aí que o professor continuou falando, após pigarrear.“Este é o novo aluno de intercâmbio que foi transferido a pouco tempo para cá. Ele não fala muito o nosso idioma, por isso, espero que tenham paciência com ele... A propósito, ele é japonês.”, o homem falou, com sua voz grave e rouca de pessoa velha. O rapaz ao lado dele se curvou e, em uma reverência, falou. Seu sotaque fez com quê a classe segurasse o riso; não que fosse meu caso, já que eu estava atordoado de mais para pensar em algo ou reparar como ele falava.“Sou Tsukimichi Ryoji, é um prazer conhecê-los.”, ele voltou ao normal e sorriu, levemente, como se estivesse incerto do quê tinha que fazer. “Por favor, tomem conta de mim.”, e completou.“Tsukimichi Ryoji...?”, meus pensamentos estavam naquele nome... Eu precisava entender o porquê eles tinham um significado tão grande assim para mim.E acho que foi aí que eu cometi um erro.Já que queria tanto descobrir sobre o novo aluno, eu não podia ir direto à fonte... Utilizei meus contatos – que não eram poucos – e consegui falar com alguém que conhecia um japonês. Perguntei à ele o quê significavam algumas palavras e aonde eu poderia aprender mais sobre a língua... ‘Tsukimichi Ryoji’ foi a primeira coisa a qual perguntei à ele.Depois de ele falar que “Tsuki” significava lua, eu entendi o porquê dos olhos terem tal efeito em mim... A lua... os olhos daquele garoto eram como a lua.Não parei minhas buscas sobre ele até eu ficar completamente exausto...E no fim, eu acabei dormindo sentado na cadeira da escrivaninha, com uma caneta na mão e o livro de anotações aberto, enquanto eu despejava minha baba em suas folhas.E pela primeira vez na vida eu sonhei algo que eu iria lembrar no dia seguinte.Os cabelos curtos e esvoaçantes, negros, como a cor que o céu possuía naquele sonho, balançavam com o vento que o movimento do corpo do garoto que corria fazia. Mesmo que o ambiente estivesse praticamente sem cor, ainda conseguia identificar algumas.Ele corria, como se não precisasse ter rumo... Ele se distanciava de mim cada vez mais, e, em uma tentativa frustrada que nem mesmo eu sei de onde tive vontade de fazer, levantei meu braço contra ele, como se quisesse o alcançar; mas ele apenas olhou para trás, como se estivesse procurando algo. Não pude realmente ver os seus olhos, mas pude notar que estava preocupado... mesmo assim, ele voltou a correr e me ignorou.Acordei, na minha cama, com os olhos cheios de lágrimas e o braço estendido, para o teto... Como...? — X -A minha manhã foi um lixo. As matérias eram um saco, os professores não paravam de encher, e os alunos ficavam zoando o garoto novo, que eu já começara a chamar de Ryoji, pelas poucas e raras vezes que conversávamos por causa alguns problemas que ele não conseguia entender.Pergunto-me ainda do por que ele não olhar diretamente em meus olhos quando conversamos... Mesmo que eu não entenda japonês e às vezes só conseguimos nos comunicar com gestos mau-feitos, ele ainda não olha diretamente para mim, como se me evitasse.E isso me fez ficar mais curioso ainda. — X -No passar dos dias, tudo que eu fazia era comer, ir para a escola, voltar para casa e pesquisar. No fim, eu até acabei aprendendo algumas coisas em japonês que ele não sabia em inglês; agora não precisávamos ficar fazendo mímica no meio da aula de história... a professora odiava isso, mas tinha que aguentar, já que um dos alunos não entendia o quê ela falava.Eu já não dormia mais direito, pois ficava até altas horas no computador pesquisando. Minhas notas diminuíram drasticamente desde que ele chegou à nossa sala e eu comecei com essa obsessão.
Sabiam que na metade do caminho disso tudo eu finalmente percebi que o amava?Pois é, eu estava apaixonado por um garoto que eu, tão mau conhecia, como tão mau entendia.Olhei para o relógio do computador, e ele acusou serem mais de três da manhã.“Beleza, mais uma noite mau dormida por ele... é bom que quando eu finalmente fazer ele ser meu, ele me compensar.”, meus pensamentos não passavam mais disso. Bocejei e comecei a desligar o aparelho. “Mais um dia sem muito...”, pensei comigo mesmo enquanto levantava as cobertas da cama para dormir “Só que aonde ele nasceu faz muito frio...”, ainda continuava pensando naquilo. Mesmo estando cansado e com sono, não me via dormindo naquele instante; puis-me a pensar um pouco mais.O quarto aquecido pelo aquecedor estava tão aconchegante... as cobertas quentinhas faziam o frio que estava lá fora praticamente se dissipar... Mas mesmo assim, meu subconsciente ainda lutava para continuar lúcido e acordado; fechei os olhos, para ficar um pouco mais calmo... não que tenha funcionado muito.Eu via a luz do lado de fora dos carros que ainda passavam se movimentando rente aos meus olhos. Eu seguia cada luzinha com as pálpebras fechadas, tentando ficar com elas o mais tempo possível na mente... E fazendo isso, acabei não notando que já havia dormido.O meu sonho era o de sempre. Eu via o garoto de cabelos negros e olhos prateados, chamado Ryoji, na minha frente; correndo de costas para mim. Para algum lugar que eu nunca saberia aonde é, já que não conseguia alcançá-lo. Meus olhos encheram-se de lágrima dentro do sonho mesmo, pela primeira vez, eu senti algo molhado escorregar pela minha bochecha.Neste ato, eu vi, como se fosse em câmera lenta, ele virar para mim, estender o braço, sorrir – mesmo que eu ainda não conseguisse ver os olhos dele – e falar algo, que eu não consegui ouvir... Aí ele virou do nada e saiu correndo, novamente.E eu acordei.Mais uma vez com o braço estendido para o teto e chorando... tão patético. — X -No dia seguinte lá estava eu, deitado na carteira, com os olhos fechados, morrendo de sono, quando senti uma presença se aproximando de mim; abri um dos olhos, sem vontade alguma para tal ato.“O quê quer?”, reclamei enquanto me remexia um pouco na cadeira, tentando achar uma posição melhor para dormir ali.“Não quer... ir... lá em... casa...?… Hoje à noite?”, a voz incerta, com alguns erros, encheu o ambiente. Como sempre, o lugar ficou quieto e algumas risadas começaram a aparecer, ele olhou para os lados com a expressão triste, mas voltou a ficar sério quando viu que eu já me levantava.“Claro. Se pudermos ir para lá agora.”, eu estava irritado. Tanto pelo sono, como com o resto da classe; aqueles idiotas não entendiam que ele tinha dificuldades. Vi ele entortar um pouco o rosto, como se não tivesse entendido alguma coisa. “Agora.” eu falei, em japonês, e ele sorriu, afirmando e já saindo andando na minha frente, com a mochila nas costas.Era a primeira vez a qual eu ia com ele para algum lugar sem ser a biblioteca.As costas dele estavam à minha frente agora, como nos sonhos. Eu sempre o deixava guiar o caminho, menos na primeira vez que fomos lá, é claro, já que ele não o conhecia.O caminho todos nós conversamos. Mostrei pra eles algumas das minhas pesquisas pela sua língua e mostrei algumas traduções... Era bom ver em seus olhos e em sua face o sorriso e a alegria que ele demonstrava quando via tais.Só fiquei imaginando o quanto eu podia ficar perto dele para que ele pudesse ser feliz assim.Acho que eu era o único que não caçoava dele... me imaginei sua pilastra neste lugar.Ele me contou que morava sozinho, já que estava de intercâmbio. — X -Após andarmos um pouco chegamos à sua casa. Ele abriu a porta, entrou, e esperou que eu entrasse também para fechá-la, logo atrás de mim. Admirei um pouco o interior ricamente decorado e cogitei a idéia de perguntar a ele do por que ele nunca ter feito um curso de inglês, sendo que a sua família, com certeza, era rica... Mas salvei as indagações irrelevantes e esperei ele me guiar até onde eu deveria esperar ele tomar o banho que falou que ia tomar.Ele até chegou a me oferecer um, mas como não havia ido para casa e pego roupas, não ia ter como... além do fato dele ser bem menor que eu...E eu não planejava ficar a noite inteira lá, afinal.Fui guiado até o quarto dele, na qual sentei na cama enquanto esperei ele pegar suas roupas.“Banho...”, ele pronunciou, depois de um bom tempo quieto, avisando que ia tomar banho. Eu assenti e ele saiu pela porta, fechando-a em seguida.Comecei a pensar.Lá estava eu: na cama dele, sentado, esperando ele tomar banho... como se atrás disso tudo tivesse algum significado mais ambíguo... Não, não tinha como.Enquanto eu esperava ali, sentado naquela cama, sentindo o cheiro dele em todos os cantos do quarto, comecei a imaginar o quê eu ia falar para ele quando ele voltasse. — Strike one!Eu pensei em me confessar para ele em um modo romântico... talvez delicado, nada que o forçasse realmente.Algo como:“Ryoji, eu sei que nós nos conhecemos a pouco tempo, que você não tem total conhecimento sobre minha língua e eu muito menos sobre a sua, mas mesmo assim, eu consegui me apaixonar por você! Quero ser alguém que você pode confiar e que você amará pelo resto da vida, como eu vou fazer com você!”E sabem qual a resposta que eu pensei também para tal coisa?“D-Desculpe... eu não enten-di.” — Strike two!Pensei também em ser mais direto. Um pouco rude... mesmo que o assustasse a princípio, talvez ele acabasse percebendo que me ama dessa forma... ou não?De qualquer forma, pensei em algo como:“Ryoji...”, eu me movimento sobre ele, praticamente me jogando contra o garoto, fazendo-o atingir o chão; para não bater-lhe a cabeça, seguro a mesma em uma das mãos e pressiono um pouco meu corpo sobre o dele contra o chão. Ele com certeza gemeria algo agora, já que é sempre assim que acontece nos mangás yaois que minha irmã sempre lê... e por acaso eu passei a começar a ver também, sabe, curiosidade. “Você sabe o quanto eu esperei para poder fazer isso com você?”, começo sussurrando em seu ouvido, aproximando mais ainda meu rosto do dele, desviando no último segundo em quê nossos lábios se tocariam para o ouvido dele; e continuo: “Você sabe o quanto eu quis expressar meus sentimentos para você?”, e suspiraria ali mesmo “Eu te amo...”E sabem qual a resposta que eu pensei para tal coisa?“K-Kyrius...?! O quê você...?!”, a expressão de surpresa e desgosto do rosto dele iria me fazer quase chorar, por entender o quê acontecia... E a propósito, sim, meu nome é Kyrius. Kyrius Liender, prazer.É claro que ele continuaria a frase à cima, mas em sua língua, o quê eu não entenderia, portanto, não teria como eu por aqui para que vocês continuassem a rir. Sem contar que ele também me bateria, sairia de baixo de mim como um furacão e me expulsaria de sua casa aos berros. — X -Esperei até ele sair do banho, o quê não demorou muito, já que eu estava entretido em pensar em como me confessar para ele... No fim, eu apenas decidi esquecer isso por hora e ir fazer outra coisa. Quando eu já me aproximava da gaveta dele, ele abriu a porta e entrou; pulei para a cama, sentando-me ali de novo.“Quer algo para... beber?”, ele perguntou, tirando a toalha que estava posta na cabeça e começando a enxugar os cabelos. Ele não sabe o quê eu havia pensado naquela hora, mas aquilo estava sendo perturbador para mim. Sorri.“Quero.”, assenti para quê ele entendesse melhor o quê eu acabara de falar, e assim o fez, saiu novamente pela porta – agora a deixando aberta – e deve ter descido as escadas, para ir para a cozinha. Suspirei. — X -No fim do dia, decidi voltar para casa. Já estava tarde e ele estava aparentemente cansado, já que jogamos vídeo-game sem parar... E eram aqueles jogos de dança com os tapetes que você tem que ficar pulando em cada um para fazer os movimentos. Sempre possuí uma boa condição física, mas não devia ser o caso dele, já que depois de três músicas ele começou a ficar sem ar.Jogamos RPGs, outros jogos de ritmos e até alguns de luta — tudo em japonês, cujo não conseguia entender quase nada.Saí, fechei a porta atrás de mim e o ouvi trancá-la. Comecei a pensar enquanto andava...Aquela noite eu não iria dormir bem.Cheguei em casa e não dei nem boa noite para minha irmã que me esperava no sofá. Fui direto para meu quarto. Tranquei-me lá e puis-me a escorregar encostado na porta, para o chão. Coloquei as mãos no rosto e bufei, com raiva e decepção, por ser tão covarde.
Movi-me lentamente até minha cama, deitando-me lá, comecei a pensar mais ainda, já que estava calmo e eu não tinha que me preocupar em achar o caminho de casa enquanto pensava, por isso, apenas relaxei e fechei os olhos.De uma maneira ou outra, é óbvio que eu adormeci.O sonho era aquele... O que eu o via correndo de costas para mim, mas dessa vez estava diferente. Não era mais quase sem cor, era vívido e parecia que eu podia tocá-lo... Mas eu hesitei dessa vez e não estendi o braço, apenas fiquei a observar. Ele virou-se e sorriu para mim, seus olhos, que dessa vez eram visíveis, riam junto com os lábios. Ele os abriu, falando algo, com sua voz suave e que eu conseguia entender sem ter que pensar muito no quê falava.“Venha comigo...”, ele dizia, estendia a mão em minha direção e esperou até que eu fizesse o mesmo. “Você não precisa ter medo de me amar,”, ele voltou a falar depois de um tempo, vendo que eu demorava a responder seu gesto “eu vou retribuir você, um dia ou outro, mesmo que demore. Agora, eu só tenho medo e preciso entender o quê está acontecendo, afinal você é aquele que me ajudou até hoje, porque eu não o amaria?”, e com tais palavras, eu estendi o braço e o toquei, pela primeira vez...Eu acordei no segundo seguinte. Sentei-me na cama com uma expressão confusa no rosto e com minha irmã batendo na porta... Sorri de leve, em meio a um suspiro cansado: parece que a distância entre nós estava diminuindo. E eu tinha um ano inteiro para fazer com quê ela desaparecesse./ Fim.
Notas finais
Só uma pergunta: querem uma "continuação", em uma série mais detalhada? o:
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
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