Distance
5 Um pequeno trabalho.
Notas iniciais
Local: Cativeiro.
Localização: próximo, bem próximo. Mais por quê eu diria á você?
A porta foi derrubada com um pontapé. Uma criatura alta, sarcástica e irritadiça adentrou, com um enorme capuz, que lhe cobria cada pedacinho exposto de seus corpo, até os pés.
Ela falou, num tom audível e cheio de desprezo:
– A imprestável serve pra alguma coisa? – Dirigia-se, não a garota estirada no chão, acorrentada, mais sim a figura com os pés apoiados na mesa, com um cigarro pendendo do canto dos lábios.
– Pra alguma coisa – respondeu a outra, dando uma breve tragada e soltando com prazer a fumaça. – E a parte mais profunda do esquema? Tudo ok?
–Será posta em prática na quarta feira. – Prometeu a outra. Seus olhos faiscaram de malícia. Uma das mechas rebeldes de seu cabelo escorregou para o ombro, e ela imediatamente a empurrou para dentro do capuz negro. – Aliás, preciso que vá verificar a garotinha. Tente um tiro, ou uma facada profunda na cabeça, bem na região do cérebro. Deve resolver o problema.
–Achei que a Droga do Sofrimento fosse o bastante pra ela.
– Está com peninha? – Debochou, mordendo os lábios. Um sorriso assassino desenhou-se lentamente. — Não, não é o bastante. Convenhamos, ela sofrerá menos com uma morte rápida e dolorosa. A dor é toda de uma vez, enquanto se ela conservar-se viva, sofrerá diariamente. – depois acrescentou, mais para si mesma: — Se eu não me livrar da Dakota, aquele velho acabado do Quíron vai querer se meter. Hm...
A outra mulher levantou-se, hesitante. Apertou a gola da jaqueta de couro (de marca, claro) com força.
– Você não vai machucar ele, vai? – Perguntou.
– Escute bem – replicou a outra, se aproximando, a faca de prata fervendo em seus dedos. Apontou-a para a mulher. – Há uma lição que você já deveria ter aprendido. – A ponta da faca estava no pescoço da fumante, sendo pressionada a cada palavra, mais fundo. – Uma lição muito importante. Sabe qual é? – a outra negou. – Eu faço a porra que eu quiser. Mato quem quiser. Machuco quem quiser. Estupro quem quiser. Se aquele garoto se meter nos meus assuntos, verá o quê eu sou capaz de fazer.
Ela finalmente havia guardado a faca. Deu um sorrisinho de escárnio ao ver a fumante acariciar a área pressionada pela ponta.
– Não é por que sou mais jovem, que não posso te matar. Espere e verá. – Uma piscadela seguiu-se a essas palavras.
No chão, trêmula, com o rosto impelido para o piso, uma garota escutava tudo, pacientemente. Havia um telefone celular em suas mãos. Aquilo era sua salvação. E escondida, olhando pela janela do cativeiro, uma adolescente digitava desesperadamente uma mensagem anônima.
–Estamos perdidas – dizia a primeira mensagem.
–Olhe mais para o piso – dizia a segunda. – quer ser vista?
–Eu... Eu preciso ir! Quer dizer, você está presa! Encarcerada... – incompleta.
A mensagem não havia sido concluída nem enviada. O motivo?
Elas foram vistas.
A garota do lado de fora mordeu os lábios com força e sentiu as lágrimas invadirem seus olhos. Ela começou a correr. Sabia que estava correndo para um beco, mais nada importava naquele momento.
A antes encapuzada deu um leve sorriso de escárnio, e ergueu um telefone celular no ar. Discou alguns números, e sussurrou, com uma expressão prazerosa no rosto:
– James, tenho um pequeno trabalhinho pra você. Que tal dar a nossa convidada uma recepção agradável?
Nem tudo é o quê parece, assim como nem toda pessoa é o quê aparenta.
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