Distance
13 Uzumaki Naruto - You Could Be Happy
Notas iniciais
— Naruto-kun! – A doce voz de Hyuuga Mizuki me desperta, fazendo-me desviar os olhos das árvores ao longe e encara-la.
— Sim, Mizuki-san? – Respondo, com ar distraído.
A Hyuuga, mãe de minha esposa, sorri enquanto senta ao meu lado no grande jardim — onde ando passando muito tempo ultimamente,apenas olhando as árvores ou qualquer outra coisa distante. Desde que eu e Hinata casamos (cerca de quatro meses atrás),Mizuki passa bastante tempo em nossa casa, sempre ajudando a filha grávida(agora de cinco meses).
— Você anda muito distraído ultimamente, rapaz. – Ainda com o sorriso nos lábios, a perolada mais velha afaga meus cabelos. – Não o culpo. Ser tornar pai é uma grande responsabilidade, mesmo para um Hokage responsável pela vida de todos na vila. Mas eu tenho certeza... você será um ótimo pai.
Era, de fato, uma mulher doce e compreensiva. Entretanto, não há compreensão suficiente nesse mundo que a faça entender o porquê de eu passar tanto tempo no jardim, longe de minha esposa grávida, ou o porquê do meu recente fascínio por tudo que está distante no horizonte.
— Okaa-san! – Hinata chama de dentro da casa. Desde que engravidou ela tem sido muito sensível, precisando de atenção como nunca. Venho tentando ser um bom marido, sempre atencioso e presente. Até me afastei um pouco das obrigações de Hokage,deixando Shikamaru cuidando de tudo – o que não foi exatamente um sacrifício,já que nunca foi muito a minha cara ficar sentado atrás de uma mesa, analisando documentos por horas e horas. Mas, por mais que eu me esforce, parece nunca ser como deveria.
— Baka-Naruto! – Não era necessário desviar os olhos do horizonte para adivinhar que Ino havia entrado sem pedir e logo sentaria bem próxima de mim, embaixo da grande árvore que sombreava o jardim.
Adorava o jeito sem noção da loira, que estava bancando a psicóloga nos últimos meses.
Ino é a única que sabe sobre tudo o que aconteceu entre eu e sua melhor amiga. Ela também é a única que sabe o paradeiro de Sakura, mantendo isso em segredo – inclusive de mim (para minha própria segurança, segundo ela).
— Está cada vez mais estranho, anime-se!
Eu sabia que era verdade. Dizem que o tempo cura tudo... mas eu ainda estou esperando que a dor pare de avançar.
— Será que ela está feliz? – Perguntei, voltando a olhar o horizonte.
Você poderia estar feliz e eu não vou saber
Ino me encara, e pude ver a preocupação transbordando de seus olhos. Havia até um pouco de... pena.
— Eu não sei. – Ela admite, olhando para o mesmo ponto imaginário que eu observava por horas no horizonte. – Mas eu espero que sim. Ela é forte, é confiante e estava decidida a recomeçar a vida em outro lugar.
Recomeçar a vida. Mas não era exatamente isso que nós faríamos? Por que, de repente, ela resolveu que deveria fazer isso sem mim?
Mas você não estava feliz no dia em que te vi partir
— Ela não parecia determinada e confiante, muito menos feliz para alguém que quer recomeçar. – Digo, minha voz soando quase indiferente. Um bom observador poderia perceber uma pontinha de irritação e, até mesmo, tristeza.
E todas as coisas que eu queria não ter dito
São tocadas repetidamente até tornarem-se loucura na minha cabeça
— Nós dois sabemos que algo aconteceu, Ino. – Ela suspira pesadamente, como se desistisse de me convencer do contrário. – E não consigo deixar de pensar que esse algo tem a ver com a Hinata e o meu filho.
— Seu filho e da Hinata. E agora não importa. Ela se foi, Naruto, e não voltará antes de ter certeza que sua vida já foi reestabelecida. Nós dois sabemos que isso não será em breve. Você precisa aceitar que, mesmo quando ela voltar, não haverá um reencontro emocionante. Ela será outra pessoa, assim como você já não é o mesmo Naruto que foi há anos atrás, nem o que era há alguns meses. Agora você é casado, e será pai muito em breve. Não há mais espaço para loucuras da juventude, agora você não é apenas responsável pela vila, é responsável por uma criança.
Suspiro pesadamente, deitando-me na grama fresca e fechando meus olhos lentamente.
É muito tarde para te lembrar de como nós éramos?
Mas não os nossos últimos dias de silêncio, gritos, borrões
A maior parte do que eu lembro me faz certo de que
Eu deveria ter impedido você de sair pela porta
Eu passou dias tentando decidir qual era a pior parte. Lembrar do que éramos. Entender o que somos. Pensar no que poderíamos ser.
E ainda não consigo entender o que houve, mas de algo tenho certeza: a pior parte foi a sua partida, foi as coisas que você disse antes de ir, foi não conseguir te impedir. Nada consegue ser pior que essas lembranças, as últimas que eu deveria lembrar e as que mais me atormentam.
Você poderia ser feliz, eu espero que esteja
Você me fez mais feliz do que jamais fui
A Ino tem razão. Isso precisa de um encerramento.
Você precisa do seu recomeço, precisa encontrar algo que te faça feliz. Se não sou eu, então devo achar uma maneira de ficar feliz por você ter partido.
Eu preciso seguir em frente. Pela vila, pelo meu filho. Pelo meu casamento.
E de alguma maneira tudo o que eu tenho, tem seu cheiro
E pelo mais curto momento, nem tudo é verdade.
Mesmo que tudo que eu veja me lembre todos os anos em que você esteve aqui, a verdade é que você não está mais. Mesmo que o seu cheiro — aquela mistura perfeita de cereja e baunilha — ainda me envolva sem explicação alguma.
Faça as coisas que você sempre quis
Sem eu lá para te impedir, não pense, apenas faça
Independente de como que suas escolhas me afetaram durante toda vida, eu não posso deixar de querer o melhor para você. Eu prometi a dez anos atrás que estaria ao seu lado, lutando por sua felicidade, independente do que acontecesse ou do que você fizesse. Eu prometi apoiar suas escolhas e te ajudar a carregar a responsabilidade que vem com elas.
Então, se a sua escolha é me ter longe de você, eu vou ter que aceitar.
Mais do que qualquer coisa eu quero ver você, garota,
Dando uma gloriosa mordida no mundo inteiro
Fale com o autor