Distance

10 Uzumaki Naruto - Goodbye My Love


Notas iniciais
Goodbye My Love - James Blunt P.S.: Por favor, começar a música apenas quando eu pedir durante a fic!

Maldito relógio de pêndulo.

Balance mais rapidamente, droga!

Os instantes se arrastavam sem pressa, como se desafiando meus nervos.

Juro que se ela não estivesse no trabalho eu daria um jeito de fugir dessa sala vazia, onde minha única companhia são as pilhas de papéis sobre minha mesa.

Na verdade, mesmo com ela trabalhando, eu poderia dar um jeito de vê-la. Entretanto, a rosada fez questão de me obrigar a prometer que não faria isso, que aguardaria pacientemente até a noite.

Nunca desejei tanto quebrar uma promessa.

Instantes, malditos lerdos instantes que não passam de uma vez! A cada balançar do pêndulo eu podia ouvir um ruído.

Um nítido e irritante ruído.

Tic. Toc. Tic. Toc.

Um instante de vida a menos. Um instante sem ela. Um instante de vida a menos. Um instante sem ela.

Uma batida na porta.

– Entre. — Resmungo, de mau humor.

Shizune se revela por detrás da grande porta, exibindo uma expressão séria.

– Naruto-kun... Hinata-sama deseja falar com você. É urgente, segundo ela.

Suspirei, fechando meus olhos por alguns instantes.

Não estava com vontade de lidar com isso agora, seja lá qual for o motivo.

– Diga a ela... — Abro meus olhos, mas os mantenho fixos na mesa. Eu preciso de um tempo para que as coisas se acalmem, Hinata. Você também, por mais que não entenda. — ...que não é uma boa hora.

Shizune permaneceu me observando por alguns instantes, sua expressão pesada. Percebi que ela escolhia as palavras.

– Naruto-kun... não se culpe tanto. A vida é curta demais para lamentar o passado, temos que nos concentrar em viver o presente e construir o futuro. — Sua voz era carregada pela experiência de uma mulher mais velha que, como eu bem sabia, já havia tido perdas bem dolorosas. Shizune viu seu irmão morrer e, além da sua dor, sentiu a dor da melhor amiga que o amava. — Nunca se sabe o que vai acontecer amanhã... às vezes pode ser tarde demais para se preocupar com o que já passou.

Dizendo isso, saiu e fechou a porta atrás de si.

Tic. Toc. Tic. Toc.

Seis fortes badaladas puderam ser ouvidas, e um sorriso surgiu em meus lábios.

Hora de encontrar minha flor.

~ * ~ (Começar a música) ~ * ~

– Sakura-chan! — Grito, assim que a imagem dela invadiu meus olhos. Junto com ela, um brilho se acendeu dentro de mim.

Não havia problemas no mundo. Não havia problemas na minha vida. Porque, quando eu olho para ela, eu me sinto realizado. Sinto que consegui tudo o que sempre quis.

– Sakura-chan! — Volto a chamá-la, acenando com a mão direita. — Vamos logo, Sakura-chan, estou louco por um ramen do Ichiraku!

Ela me olha, e seus olhos pareciam transtornados. Descendo as escadas do hospital, a Rosada atravessa a rua e vem até mim.

Observo-a, minha expressão carregada. A dela, transtornada.

– O que... O que houve, Sakura-chan?

Eu te desapontei ou decepcionei?

– Nós... – Seus olhos descem até o chão, cabisbaixa. – Nós precisamos conversar, Naruto-kun.

Meus olhos se arregalaram levemente. “Nós precisamos conversar”. Alguma vez essa frase precedeu algo bom?

– O que houve? – Tornei a perguntar, ansioso por uma resposta. Entretanto, a vontade da Haruno em evitar uma resposta era tão forte quanto a minha em obtê-la.

– Eu... – Ela começou a dizer, mas então o ar se esvaiu como quando se leva um soco no estômago.

– Sakura, eu preciso de uma resposta! – Sem perceber, eu gritava e segurava seus ombros, balançando-a levemente.

Um leve soluço pôde ser ouvido. Algumas lágrimas escorregaram pelo rosto de anjo da mulher que eu amava.

Senti meu ar deixando meus pulmões de forma súbita e demorei alguns segundos para inspirá-lo novamente.

Ela ergueu os olhos e encarou meu rosto confuso e assustado. As lágrimas deixavam rastros brilhantes na delicada face que mais parecia de porcelana.

Eu senti que era um momento errado. Um momento pelo qual eu nunca esperei. Eu só não conseguia processar que momento era esse.

– Estou indo embora, Naruto.

As palavras ressoaram, mas não consegui processa-las antes de um quarto de minuto. Apenas fiquei encarando-a, meus olhos arregalados em completo choque.

Eu devia me sentir culpado ou deixar os juízes desaprovarem?

Por mais que eu tentasse vasculhar minha mente à procura de um motivo, não havia nada.

Não estamos apenas começando nossa vida, finalmente?

Porque eu vi o fim antes de começar,

Tudo simplesmente vai acabar, sem nem ter começado? E todos os nossos sonhos?

Foi então que eu percebi.

Meus sonhos.

Todo o amor, todos os anos de entrega sem receber nada em troca, todos os planos que incluíam ela, apenas ela... eram meus. Nunca houve uma parceria para esses sonhos, essas trocas não eram múltiplas e muito menos havia um segundo autor nesses planos.

Sim, eu vi que você estava cega e eu sabia que tinha vencido

Então eu tomei o que é meu por eterno direito

Tomei sua alma durante a noite

Foi um momento de fragilidade. Ela estava se sentindo sozinha. O homem que ela ama está morto, afinal, e ela havia se afastado de todos os seus amigos. Eu sabia que ela sentia minha falta, sabia que ela precisava de mim. Nós tivemos um momento. O maldito momento dos meus sonhos, pelo qual esperei minha vida toda: tomei o que acreditei ser meu por mérito, por direito, por recompensa após todos os anos de espera e interminável determinação. Uma noite que acendeu uma chama. Uma chama que não tardou em se apagar.

Talvez isso tenha acabado, mas não vai parar aí

Respirei fundo, fechando meus olhos lentamente. Não a farei explicar, está mais que óbvio que é a última coisa que ela quer fazer neste momento. Só precisava ser forte, lutar contra a dor no meu coração que parecia esmagá-lo lentamente.

Então... ela vai embora.

– Para onde? – Perguntei, quase num sussurro, sem nem abrir os olhos. – Por quanto tempo?

Eu estou aqui por você, se você se importasse

– Ainda não sei... Acho que para longe, por muito tempo. – Ela responde, limpando as lágrimas e se acalmando. De repente, sua expressão tornou-se determinada, quase indiferente. Não sei exatamente porque, mas isso foi como uma lâmina no meu peito. Acho que eu esperava ao menos algum sofrimento maior que algumas lágrimas.

Eu jurei que cuidaria dela e que suportaria o peso do seu futuro nos meus ombros. E eu faria isso. Não importando o que ela fizesse, nem o quanto isso me magoasse.

Eu estarei aqui, mesmo ela não se importando.

Você tocou meu coração, tocou minha alma.

Você mudou minha vida e meus objetivos

E o amor é cego e eu soube disso quando

Meu coração estava cego por você

Mesmo não recebendo nada em troca. Mesmo sem nenhuma recompensa.

Beijei seus lábios e segurei sua cabeça.

Partilhei seus sonhos e a sua cama.

Eu já tive mais do que achei que um dia teria.

Conheço-te bem, conheço o seu cheiro.

Eu estive viciado em você.

Eu não me importo em dar tudo de mim, desde que ela seja feliz.

Eu sou viciado em você. No seu cheiro, na sua voz, no seu toque, no seu sorriso, tudo em você.

E agora eu perdi tudo.

Adeus meu Amor.

Adeus minha amiga.

Você tem sido a única

Você tem sido a única para mim

– Então... é mesmo um adeus. – Foi tudo que pude dizer, lutando para manter uma expressão firme.

Sou um sonhador, mas quando acordo,

Você não pode destruir meu espírito — são meus sonhos que você toma

Ela poderia tomar todos os meus sonhos, toda minha felicidade. Mas ainda haveria algo aqui: algo que me faria continuar. Se não por ela, pela vila. Não que fosse o suficiente, mas já era algo.

E quando você seguir em frente, lembre-se de mim

Lembre-se de nós e tudo que costumávamos ser

Já te vi chorar, já te vi sorrir

Observei-a dormindo por um instante

Eu só espero que ela lembre o que éramos, e que isso signifique algo para ela.

Só espero que ela se lembre de tudo que significa para mim, de tudo que já passamos, de todas as dores e perdas que já compartilhamos, de cada instante que passamos.

Eu sempre me lembrarei daquele instante em que senti que você era minha, quando você adormeceu em meus braços, tão tranquila que parecia estar exatamente onde gostaria.

Eu seria o pai do seu filho

Eu passaria uma vida inteira com você

Eu queria que você sentisse tanto quanto eu que seu lugar é ao meu lado.

Queria formar uma família com você, ser o pai dos seus filhos, aquele que envelheceria ao seu lado.

Eu conheço seus medos e você conhece os meus

Nós tivemos nossas dúvidas, agora nós estamos bem

– Não precisa explicar, senão quiser. – Apesar dos esforços, minha voz ainda era falha e revelava minha dor. – Mas eu pensei... por um momento, eu pensei que não haviam mais duvidas, que finalmente havíamos achado o que tanto procuramos.

E eu te amo, juro que é verdade

eu não posso viver sem você

– Sakura, eu não sei o que farei sem você. – Desvio meu olhar para o chão, levando minhas mãos até a cabeça, puxando meus cabelos e voltando a encará-la. – Não, sem a parte clichê de “não sei viver sem você”, é sério. De verdade, o que eu vou fazer? Tudo... tudo que eu tinha, destruí para poder construir novos planos. E todos esses planos incluíam você. Agora eu simplesmente não sei o que fazer.

Mordi meu lábio inferior, tentando conter o turbilhão emoções que havia dentro de mim. Uma lagrima escorreu por meu rosto, sem que eu pudesse conter. Havia um leve gosto de sangue. Percebi que mordia meu lábio inferior com tanta força que ele havia se cortado.

– Você pôde destruir seus planos uma vez, pode destruir de novo. – A voz da rosada nunca pareceu tão fria. Entretanto, havia bem lá no fundo um traço de dor. – Uzumaki Naruto, o Hokage de Konoha. Tenho certeza que há muito para você nessa vila. E sua noiva... claramente ainda o ama.

Do que ela estava falando? Ela acha mesmo que eu cometeria o mesmo erro duas vezes, que comprometeria os sentimentos de outra pessoa para substituir o vazio que ela me deixou?

– É isso que você realmente quer? – Disse, pausadamente. – Porque se for, tudo bem. Eu ainda estarei aqui quando você precisar de mim.

Um ardor no meu rosto. A Haruno havia me dado um tapa.

– Não haja dessa forma! – Ela grita, deixando as lágrimas caírem novamente. – Sinta raiva, droga! Eu te usei, Naruto! Te usei para preencher o vazio que ele deixou! Não me importei com seus sentimentos, deixei que você apostasse tudo em mim, que destruísse tudo por mim... só para ir embora em seguida. Você precisa sentir alguma coisa além dessa necessidade patética de ser sempre o melhor para mim, independente do quanto eu o faça sofrer! Você precisa enxergar que merece algo melhor que isso, que merece alguém que lhe dê valor, que lhe ame, que não brinque com você como se fosse um brinquedo que logo enjoa!

E ainda seguro sua mão na minha,

Quando estou dormindo

Não havia nada além da dor. A dor da verdade, a dor de ouvir a última coisa que eu esperava ouvir dela.

Eu sabia que eu ainda sonharia com ela, que ainda a amaria. Ela, a Sakura que eu conheci um dia, a garota com o sorriso mais incrível que eu já vi, aquela que eu prometi proteger, apoiar, entregar tudo que eu pudesse entregar e sem esperar nada em troca.

E eu irei aguentar minha alma no tempo,

Quando eu estiver ajoelhando aos seus pés

Mas essa garota não é a mesma que esta na minha frente, girando uma faca dentro de mim com as palavras. Talvez a garota que eu tanto ame nem exista mais.

Estou tão vazio, querida, estou tão vazio

Estou tão, estou tão, estou tão vazio

Eu sempre continuei em frente, não importando o quanto me julgassem e subestimassem, impulsionado pela minha crença nos meus sonhos. Agora eu não sei no que acreditar.

Pela primeira vez eu duvidei de tudo que sempre acreditei. E eu só sentia um enorme vazio.

– Adeus, Haruno Sakura.

Notas finais
Geeeeeeeeeeeeeeeeeeente, não me matem! Fim de ano, muita coisa rolando... mas logo chega as férias e vou postar muuuuuito! O que acharam? Cortou meu coração escrever esse capítulo, doces de bacon. Até a próxima ~