Distance
3 Haruno Sakura - Have We Lost
Notas iniciais
- Flyleaf
Por favor não me diga mais nada
Há um peso em seus olhos
E isso pesa em meu coração
E lá estava ele, parado em frente ao hospital. As mãos nos bolsos da calça, o sorriso bobo nos lábios.
Entretanto, os olhos azuis brilhavam de uma maneira diferente. Uma maneira pesada, desconfortável, reprimida, opaca e brilhante – brilhavam em meio a um turbilhão de sentimentos bons e ruins, que não eram típicos do sempre vivo Uzumaki Naruto.
Um turbilhão que se instalou dentro de nós, desde a morte dele.
- Pronta para ir, Sakura-chan?
- Sim... – Apenas respondo, demorando alguns segundos para abrir um sorriso. Um sorriso sincero, um sorriso pequeno, um sorriso que dizia muitas coisas e, ao mesmo tempo, nada.
Tire esses olhos de mim, não me observe tão minuciosamente. Por favor, não faça isso.
- Faz tanto tempo que não nos vemos... – Foi o comentário que ele soltou, mas senti que havia mais ali do que meros devaneios sobre tempo.
- Alguns meses... – Respondi da mesma forma, um mundo de afirmações escondidas sob alguns instantes de silêncio.
- Como vão as coisas, Sakura-chan? – Foi ele que quebrou o silêncio.
O silêncio que eu mantive por três anos.
O silêncio que se instalou desde a morte de Sasuke.
Um silêncio entre nós, um receio, um medo, uma culpa, um abismo de sentimentos.
- Vão bem. – Menti, tão simplesmente. – Muito trabalho, apenas.
Escuto uma risada baixa vinda dele, mas não pude ver o sorriso em seus lábios.
Meus olhos mantinham-se no chão, evitando qualquer contato que pudesse denunciar a verdade.
A verdade que eu trabalho para manter a mente ocupada.
Para esquecer.
Para não me sentir culpada.
Para não me odiar.
Para manter o mínimo de respeito por mim mesma.
Respeito esse, que poderia ser mantido se eu não tivesse feito escolhas erradas por toda a vida, desde o dia em que entrei no time 7.
Pra onde foram as crianças?
Um dia nós fomos inocentes
mas isso foi há muito atrás
E eu não sabia o que estava fazendo. Nunca soube.
Errei do início ao fim.
Só não errei no dia em que deixei ele ir. No dia que tive que escolher entre as duas pessoas mais importante na minha vida, e optei pela que realmente merecia estar aqui. Optei pela que sempre carregou todo o peso nos ombros, todo o peso de uma vila, todo o peso de um time, todo o peso de um mundo. Todo o meu peso.
No dia que optei por deixar ir aquele que merecia estar em outro lugar. Que implorava por se libertar deste mundo. Que implorava por sair da escuridão, que jamais seria realmente livre aqui. Deixei ele seguir o caminho dele, porque sei que tudo que ele poderia ter feito aqui ele já fez.
E por todo jantar no Ichiraku eu senti a inocência novamente.
Por algumas horas eu esqueci quem eu era e a pessoa que eu deveria ser.
Por algumas horas, eu fui apenas eu e você apenas você. E quem visse acharia que ainda éramos as mesmas crianças de dez anos atrás.
Mas, quando chegou a hora de se despedir, a realidade voltou como uma enxurrada.
Bateu de frente com meu rosto, causou uma dor no meu peito. Me fez voltar a ser a garota de anos atrás, que chorava na tentativa de esvair a dor.
Eu escolhi você, Naruto, para ficar. Escolhi deixar Uchiha Sasuke partir.
Junto com ele minha inocência, minha esperança, o pouco de mim que ainda restava.
Para onde foram aquelas crianças que nós costumávamos ser, sempre brigando, sempre competindo, sempre escondidos da maldade atrás da inocência?
Parece que foi há tanto tempo atrás... e foi, não é?
Temos perdido nosso caminho de volta pra casa
temos cometido erros, eu sei
eu sei
Foi num tempo onde nós podíamos errar, e nossos erros eram consertados.
Desde que ele nos deixou pela primeira vez, nós perdemos esse direito.
Nós perdemos a inocência.
Perdemos a infantilidade.
Nós ganhamos um peso que não estávamos preparados para carregar.
E o que eu fiz? Joguei esse peso sobre seus ombros, e me apoiei sobre ele.
Nunca te ajudei a carrega-lo. Nunca segurei sua mão e segui ao seu lado por esse caminho.
- Sakura-chan? – Escuto sua voz me chamar, e sinto seus braços me envolverem.
Só então sinto a umidade em meus olhos, escorrendo por meu rosto.
- Vai ficar tudo bem, minha flor... – Minha flor? – Eu estou aqui, sempre estive e sempre estarei... sempre, me ouviu?
Sempre esteve.
E eu nunca lhe disse que não importa onde esse trajeto nos levaria, eu estaria ao seu lado, eu seria sua casa e família, eu morreria se fosse necessário para que você continuasse a viver.
Eu cometi muitos erros.
Não me fale em dias melhores
Essas lembranças que tenho
poderia ser algo que li
de uma casa cheia de amigos
Não me lembro do resto
apenas poucas partes
- Me perdoe. – Foi tudo que consegui dizer, em meio aos soluços. – Me perdoe por tudo que eu fiz e, principalmente, por tudo que eu deixei de fazer. Me perdoe, Naruto-kun, eu não mereço alguém como você.
E tudo não passava de um sussurro, enquanto eu escondia o rosto na curva do seu pescoço.
Porque, depois de todos esses anos, como eu poderia te encarar? Como posso vencer essa vergonha, essa culpa, essa angustia que guardo dentro de mim?
E eu não consigo lembrar de quantas e quantas vezes você precisou, e eu não te segurei.
Não há como isso mudar, não há dias melhores pela frente, não há um tempo onde a paz e a felicidade se farão presentes.
Não dentro de mim.
Eu não mereço ter você.
Acho que eles perderam algo que sentem falta
eu quero encontrar aquele livro
Tirar a poeira e lê-lo novamente
Havia esperança no final
- Por favor, apenas faça com que essa noite não seja carregada de lembranças do passado. – Ele sussurrou, me apertando contra si.
Senti o vento balançar meus cabelos, agora na altura da cintura. Seus braços não se afrouxaram nem por um instante, mantiveram-se em torno de mim. Me apertando contra si, de forma possessiva e protetora, como se dissesse ao mundo “ninguém mais poderá tocá-la, eu a protegerei”.
Quando abri os olhos novamente, estávamos no meu quarto.
A lua era a única que contribuía com pouca luz, e graças a ela pude ver seu rosto.
Tão sério. Tão másculo. Tão concentrado. Tão diferente do garoto que eu conhecia.
Ergui uma de minhas mãos e toquei seu rosto, suavemente. Segui o contorno pelas laterais dele, sentindo cada traço firme que o compunha.
Tão sério. Tão másculo. Tão concentrado. Tão diferente do garoto que eu conhecia.
Segui o contorno das marcas felinas, algo que só você possui. Elas estão mais acentuadas, mais presentes, mais marcantes.
Tão sério. Tão másculo. Tão concentrado. Tão diferente do garoto que eu conhecia.
Entretanto, eu sabia que ainda era você. Somente você. Mais velho, mais maduro, mas ainda assim. Apenas você.
E ele nada fazia, apenas me observava. Seus braços ainda me apertavam, e seu coração bateu tão forte que pude senti-lo em meu peito.
- Isso é tão errado. – Sussurrei, tocando seus lábios com a ponta dos dedos.
O desejo estava ali presente, mais forte do que nunca esteve.
Mas não era tudo.
Havia algo mais forte.
Algo mais importante.
Algo que não me deixaria esquecer você pela manhã.
- É a coisa mais certa que eu já fiz. – Foi a resposta que obtive, apenas um instante antes de sentir os lábios dele encontrarem os meus com urgência.
Tão errado, tão certo. Tão ruim, tão bom. Tão estranho, tão natural. Tão você, tão eu.
Notas finais
Meus doces de cereja ♥
Meus pudins de chocolate ♥
Tem uma autora aqui que se derrete igual manteiga pegando bronze (?) quando vê um comentário, um favorito ou uma recomendação.
Então, sejam docinhos bonzinhos e ajudem a divulgar a fic ♥
É só um comentariozinho, meus amoroooooooos ~
[chantagem_never_ends]
Tô de brinks ~tônada e_e
Kissuuuus, até a próxima.
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