2014, dezembro.

Fogo Cruzado não era mais um jogo, era um estilo de vida. As noites do mês subsequente ao término com Bel tinham se resumido em longas sessões de Skype com Alvarus, um velho amigo.

Alvarus era alto, bem mais cheinho do que a média e me acompanhava nos piores e melhores momentos daquele ano. Junto com Julieta, Alvarus formou a dupla de amigos inabaláveis, que me acompanhavam em tudo, compartilhavam as épocas ruins e boas, além de, é claro, ser um ótimo jogador de Fogo Cruzado.

Um dia, tivemos uma brilhante ideia. Ele levaria seu computador para minha casa, ficaríamos lado a lado como mentes cooperativas nos auto-defendendo e conquistando objetivos no jogo online. E que se exploda o que estaria acontecendo no resto do mundo. No dia seguinte, haveria um churrasco na casa da minha tia, o qual ele iria comigo.

Passamos o dia todo jogando. O kd dele era infinitamente maior que o meu, e eu já havia desistido de tentar concorrer. Com uma aba no Facebook, outra no Twitter, uma no G1, e a outra aberta no jogo, começamos a conversar sobre como seria minha nova vida de solteiro.

— Agora, definitivamente, não quero mais nada sério.

— Duvido.

— De verdade. — Completei.

— Não dá, cara, não dá. Duas vezes seguidas, duas decepções. Agora, tinha tudo para dar certo, parecia que a gente quase não brigava, se brigava era por falta de se ver.

— Tudo parece que dá certo, mano. — Ele disse — Mas, até ter realmente um problema, parec...

PEM

A janela do Facebook piscou. Poderia ter sido qualquer amigo, poderia ter sido convite para jogo, poderia ter sido uma curtida em alguma foto ou publicação. Mas não era. Era uma mensagem de uma das melhores amigas de Bel.

Amor,

Espero que você ainda sinta por mim tudo que eu sinto por você. Os dias têm sido difíceis, minha mãe tirou meu celular, computador, direito de sair de casa, tudo. Eu fui obrigada a dizer tudo que disse, e me arrependo muito de não ter sustentado mais. Consegui que minha amiga dormisse aqui em casa hoje, e esperei ficar bem tarde para enviar pelo celular dela uma mensagem para você. Por favor, diz que ainda me ama.

Eu te amo, Bel.

Foi pior que três gols do Fluminense juntos. Eu imediatamente abracei o Alvarus, sem ele nem ter noção do que estava acontecendo. Soquei o ar, comemorei de todas as formas possíveis e impossíveis. Não me demorei muito para dar uma resposta, de forma que ela tivesse como ler.

Para falar a verdade, eu nem lembro dos dias que separaram essa mensagem do Natal. Passaram voando. O estágio de euforia de estar novamente com Bel, mesmo sem comunicação, com exceção de uma carta no aniversário, meticulosamente preparada:

18 de dezembro de 2014
Estou desesperado, princesa. Não me deixe nunca mais, confie em mim com todo seu coração, tudo dará certo. A distância não é nosso problema, nós nos amamos! Com amor, tudo dará certo, acredite. Eu te amo, minha linda e graciosa namorada. Você sempre será minha e eu sempre serei seu. Acredite em nós, não me faça passar pelo desespero mais uma vez.

Feliz aniversário.

Enfim, o que aconteceu foi que na véspera de natal Bel me mandou mais uma mensagem. Agora, pelo celular dela, aquele mesmo Iphone do curso preparatório. Ela havia o recuperado e poderia se comunicar diariamente comigo. Rapidamente estabelecemos uma hora padrão e começamos a nos falar frequentemente, repor todo o tempo perdido.

"Ela é o amor da minha vida", eu pensava. Tornei-me religioso por ter pedido unicamente a Deus tê-la e prometi nunca mais fazer um pedido sobre outra coisa que não estivesse relacionada a ela.

3, 2, 1. Virou o ano. Ela, especificamente, virou o ano no banheiro, com o celular na mão. Mandou um eu te amo lindo, que dizia que 2015 seria diferente e as coisas voltariam a ficar normais. Se Deus quiser.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.