Distância

2 Capítulo 2


Notas iniciais
Voltei. Como vão? Gostaram do primeiro cap?
Meu japonês está cada vez melhor. É inversamente proporcional à minha vontade de falar com alguém. Yuki e Kyou são as únicas pessoas com as quais eu tenho uma boa relação. Conto tudo ao meu irmão. Só ele sabe o quanto sofro por causa desta distância. Não quero magoar Kyou, então não digo nada a ela. Tomoya é o tipo de pai que nunca está em casa e que não socializa muito com os filhos. Eu não costumo falar com ele.

Tomoya vem me chamar. É o primeiro dia de aula. Coloco o uniforme e me olho no espelho. Só queria que Mello estivesse aqui para me abraçar e me beijar e dizer que está tudo bem. E Near, que me olharia com uma expressão afetuosa. E Íris, que estaria tagarelando feito uma louca a respeito de como Matt é incrível. O ruivo já estaria pronto, jogando PSP no andar de baixo para nos esperar. L não viria conosco, pois é genial demais para ter que ir à aula. BB estaria preso, mas eu com certeza manteria contato com ele através de cartas em conjunto que escrevíamos toda semana. Agora eu mando a minha parte por e-mail.

Saio do quarto e não me importo em comer. Na verdade eu tenho perdido bastante peso desde que vim, pois sempre que tento comer me lembro das refeições agitadas que eu tinha ao lado de meus amigos no orfanato e tinha que parar. Dói demais lembrar.

Yuki e eu caminhamos lentamente para a porta e saímos. Está sol hoje, o que me incomoda profundamente. Foco os olhos no chão.

— Vai me contar por que gritou esta noite? Sonhou com o quê? Pergunta Yuki.

— Com meus pais. Com Ne-Ne. Mello, Beyond, Matt, Íris, Ryuuzaki... Todos eles. Não gosto disso, nii-san. Sim, eu consegui adquirir o hábito de chamá-lo de nii-san. E Near passou a me chamar de onee-chan. Near. Quero mais do que tudo que ele esteja aqui. Quero abraçá-lo de novo. Falar com ele. Minha visão fica embaçada e eu fecho os olhos para impedir as lágrimas.

— Por que é que não esquece um pouco deles? Isso te faria bem, Ki-chan. Olhe para si mesma! Perdeu uns cinco quilos em um mês e meio! Você está se matando desse jeito, imouto-san.

— Sim, mas eu simplesmente não consigo mudar isso.

— Bem, que seja. Nós chegamos. Siga-me até a secretaria.

Vamos até lá para pegar meu horário.

Isto se resolve rapidamente e eu vou para a minha sala. Sento-me em um lugar vago no fundo da classe e jogo minha mochila atrás de mim. Apoio a cabeça na mão e abro um caderno. Não que eu realmente precise tentar aprender o que esta turma estuda. Eu era a segunda melhor do Wammys House.

A professora entra. Ela nos cumprimenta e faz a chamada.

Faz uma cara estranha ao ler meu nome.

— Fujibayashi Kim.

— Presente.

— É nova aqui?

— Sim.

— Quer vir aqui na frente e se apresentar? Ela chama. Dou de ombros e levanto.

— Olá. Meu nome é Kim. Fujibayashi é o sobrenome da família que me adotou, mas não considero o meu sobrenome, porque o meu sobrenome é o que eu divido com meu irmão mais novo, Near. Meus pais morreram no ano passado e eu fui para um orfanato onde conheci os melhores amigos que eu poderia ter. Agora eu fui adotada e todos eles ficaram lá e eu acabei nesta escola. Digo rápida e friamente.

— E onde você morava?

— Nasci em Londres, mas o orfanato é em Carlisle, Inglaterra.

— Sei. E tinha aulas lá?

— Sim.

— Muito bem. Já pode ir sentar.

Volto para meu lugar e simplesmente espero a aula acabar. Já estudei esta matéria. E as outras que aparecem ao longo das primeiras aulas.

No intervalo, vou diretamente para fora do prédio para me sentar em algum lugar tranquilo e resolver um cubo mágico. Faço isso para me lembrar de Near. Faço-o em dez minutos, então pego a agenda eletrônica que ganhei no natal e começo a anotar o comportamento das pessoas da minha sala.

Pouco depois uma menina vem se sentar comigo. Primeiro tento não conversar com ela, mas é inevitável. Não quero parecer extremamente antipática.

— Meu nome é Ichinose Yue. Ela se apresenta. Não falarei meu sobrenome, então...

— Kim.

— Você é a menina inglesa, certo?

— Sou eu sim.

— Eu tenho alguns parentes no Reino Unido, mas moram na Escócia.

— Ah. Legal. Faz-se um silêncio constrangedor, que só é quebrado quando um garoto muito bonito passa por nós. Acho que já o vi uma vez falando com Yuki. Pego Yue olhando o rapaz de forma completamente anormal. Ele é Yagami Raito, não é? É amigo de Yuki.

— Sim. É o garoto mais bonito desta escola. Não está babando em cima dele?

— Não. Eu tenho namorado.

— Ele está na Inglaterra, jamais saberia. Aposto que também deve estar pulando a cerca. Digo, se ele for bonito. Não posso ignorar o aperto em meu coração. Mello jamais me trairia. Nunca. Mas ainda assim, só de pensar em vê-lo com outra... É cruel para mim. Levanto-me e vou embora. Vejo Ichinose ir se juntar a um grupo de outras meninas.

Era isso o que ela queria. Ver até que ponto eu agüentaria sofrer. Bem, veremos se isso se repetirá. Também posso ser o Near se quiser.

!(◎_◎;)

VPDV MELLO

Sento-me na frente de computador com Near ao meu lado. Como prometi à Kim eu estou cuidando dele. Aliás, se não fosse por mim o albino teria se matado há tempos. São minhas constantes provocações e conversas que o mantém e, sejamos honestos, que ME mantém vivo.

É meio-dia. Kim já deve estar para entrar no computador. Sinto um leve arrepio na coluna ao pensar em ver seu lindo rostinho. Há mais ou menos duas semanas ela não tem conseguido entrar no computador, mas hoje ela vem.

Como eu disse, o computador começa a fazer um som estranho e eu atendo a chamada. O rosto de Kim aparece na tela. Sua beleza é evidente, mas olheiras escuras sublinham seus olhos roxos e ela está anormalmente magra.

— Onee-chan... O que aconteceu com você? Está evidentemente muito abaixo do peso

— Eu estou triste, Ne-Ne, é só isso.

— Não, Kim, não é só isso. — Me impaciento com ela. — Você está desnutrida e sem dormir. Vai acabar morrendo se continuar assim. por favor, Kath, não faça essa loucura consigo mesma. — Uso um apelido baseado em seu nome de verdade, o que parece comovê-la.

— Tudo bem, Mello. Eu farei o meu melhor para me cuidar enquanto estiver por aqui. Eu prometo para vocês dois. Ei, onde estão todos?

— Foram buscar Beyond. Ele saiu da cadeia e vem morar aqui de novo.

— BB? No Wammy's? Espero que dê tudo certo e que haja muita geléia de morango para acalmá-lo.

— Relaxe, isto será providenciado e ele dormirá no quarto de L. Assim não haverá nenhum risco. — L realmente sabe como impedir BB de tentar algo. O amor. Ah, o amor faz cada mágica...

— Ah, claro. Aí eles podem compensar o tempo que passaram separados. — Ela ri.

— Ei, coisa branca, não falará nada?

— Hm... Na verdade eu não tenho muito o que dizer. — Near tem estado estranho. Mais ainda, quero dizer. Ele não fala, come mal e dorme pouco. Acabei me convencendo Matt a aceitá-ló temporariamente em nosso quarto, de modo que posso acordá-ló quando tem pesadelos com a irmã.

— Oh. Near-kun! Não fique bravo comigo, por favor.

— Por que eu me zangaria, onee-chan? Você é minha irmã, não me irrito por você.

— Fico contente em ouvir isso.

— Bem, Ki-chan, temos que sair agora. Eu amo você, dama-da-noite.

— Eu tê amo, Mello. Near, eu também tê amo muito, sabia?

— Eu tê amo, onee-chan.

d(^_^o)

PDV KIM

Desligo a câmera e vou para a cama. Enrosco-me sob os cobertores e me preparo para dormir.

Está quente embaixo deles. Fecho os olhos e durmo, fingindo estar sendo abraçada por Mello. E é com ele que eu sonho. Um sonho bom, diferente dos outros. Um sonho no qual nós estamos abraçados com força, como se não houvesse amanhã. O cheiro de chocolate de Mello emana para minhas narinas. Seu abraço me faz delirar. É o melhor que existe no mundo. Depois Near surge e se junta ao abraço, pouco antes de todos os outros. Então não há mais abraço em grupo. Estou de mãos dadas com Mello e Near e meus pais vêem. Eles estão felizes como nunca.

O melhor sonho que já tive.

Notas finais
Gostaram? Espero que sim. Deixem reviews!!!
Beijos da Shio-chan aqui.