-Nós não podemos ficar no hotel e... Ah, esqueça, acho que não temos escolha mesmo. – Disse um jovem rapaz loiro, com seu colete preto e decoração vermelho, e um shorts jeans largos azul. – Vamos até meu quarto descansar. Mas não é como se eu estivesse convidando vocês, beleza? É só porque não temos escolha.

E assim, Squall, esse garoto de cabelos loiros e outra menina com um mini-vestido amarelo e cabelos curtos, junto com Rinoa (a única da qual Squall consegue lembrar o nome), vão até esse quarto, que é até que bem arrumado. A garota olha atentamente aquele quarto com seus olhos verdes, balançando a cabeça como se quem falasse “Nada mal”.

-Não vão simplesmente chegar e tocar em qualquer coisa, beleza? Gosto de manter tudo organizado e... – O garoto de cabelos loiros para de falar quando a outra menina já vai sentando em sua cama, gritando um “Whoo-hoo”. – Qualé! Eu acabei de falar pra não tocar em nada! E agora você está na minha cama!

-Mas você acabou de falar que era pra gente descansar. Ah, então tudo bem! Eu não pensei que você fosse tão... chato. – Ela se levantou da cama, irritada, também perceptível pelo seu tom de voz. – Você devia se sentir honrado de uma garota fofa e delicada como eu sentar na sua cama. Ele devia me agradecer, certo, Squall?

-...Talvez você esteja certa... – Ele responde o que ela queria ouvir, não estava a fim de ouvir ainda mais reclamações. E ela ficou feliz, dizendo que ele entendia “das coisas”, deitando na cama e abrindo seus braços, se esticando e ficando com a cabeça pra cima, finalmente dizendo o nome do jovem loiro.

-O Zell não entende nada... – Enquanto eles discutiam isso, Rinoa vai até quase a parede do quarto, pegando um quadro que estava em um armário encostado na parede.

-Esse é seu avô, Zell? – Após ele ter afirmado, já começou a falar sobre o quanto ele era forte e como mantinha a compostura independente da situação.

-Então, basicamente, era o oposto de você. – Rinoa estava rindo lá atrás do comentário de Squall, enquanto Zell ficou um pouco indignado, apesar de ter levado na “zueira”.

-Talvez você esteja sendo um pouco “legal” demais, Squall. – Disse Rinoa, enquanto ele ficava quieto. Após isso, começou a ouvir outra voz, falando com ele, mas, apesar de conhecer, não consegue se lembrar de quem era. Não era de alguém ali presente... Então quem pode ser? A voz o chama algumas vezes, até que ele parece sentir como se uma luz estivesse vindo em seu rosto.

...

-E então? Estava sonhando com alguma coisa? – Pergunta Firion, que é ignorado, decidindo esquecer e logo depois virando seu rosto e observando um pouco o cenário.

“Eu sonhei que estava com um bando de idiotas”, pensa e logo depois observa Firion, passando levemente sua mão sobre uma flor qualquer, e Onion Knight, olhando o brilho da própria espada. “Se bem que aqui não faz muita diferença”, conclui.

-Você deve ter algum sonho, Squall. – Firion volta a tentar conversar, mas não percebe que agora não é o momento certo. Eles estavam em uma floresta, aparentemente desolada, embora com uma vegetação bem ampla e viva. Ainda assim, não mudava o fato de estarem perdidos. E quanto mais longe ele se distancia de seu objetivo, maior era o tempo de duração que terá que esperar para rever certo alguém. Ele por fim conclui sua sentença. – Todos nós temos desejos.

-Não é da sua conta. – Squall ficou espantado com o olhar magoado que ele fez ao ouvir a resposta. “O que mais que ele esperava? Que eu o abraçasse e conversasse sobre tudo que lembro?”.

-A mesma resposta de antes. – Squall achou impressionante Onion ter parado de ter usado o brilho da espada pra ver seu capacete só pra respondê-lo em um assunto do qual não faz parte. – Você respondeu isso pra mim lá na caverna, e agora responde o mesmo pra Firion.

-E? – Respondeu.

-Às vezes, a melhor arma de um guerreiro é seu cérebro. Diferente dos monstros que enfrentamos, nós sabemos usar a cabeça. Por isso, Firion, que devemos usar a nossa e esquecer-se de tentar conversar com ele. Não adianta mesmo. – Ele andou um pouco mais a frente, tentando observar por entre todas aquelas árvores um caminho. Apesar de não ter visto muita coisa devido a toda a plantação tampando sua visão do que está além, ele continuou andando, seguindo em frente. – Ficar aqui não vai nos garantir nenhum progresso. Vamos, continuaremos em frente.

“Ao menos, alguma coisa útil ele falou. Ficar aqui não vai ajudar de nada”. Enquanto pensava sobre isso, Firion tentava aumentar a velocidade de seus passos, ficando a frente de Onion, observando ao redor. Não estava tentando se mostrar ser superior, porém, era pura preocupação mesmo.

-Só por eu parecer uma criança, não quer dizer que vou morrer devido a qualquer ação dos inimigos. Você não tem motivo pra se preocupar. Eu sou forte. – Comentava Onion, com seu ar arrogante, enquanto batia a mão em seu peito, achando ser superior.

-Eu não tenho dúvidas de suas habilidades, mas estamos em pouco número, então farei o máximo possível pra que esse número não diminua.

-Então, Firion, lá atrás você estava fazendo um... “Carinho” em uma flor. Flores significam algo importante pra você? – “Ah, então ele estava observando também seu redor enquanto olhava a espada. Não é tão distraído quanto eu pensava, apesar de ser uma criança insuportável”, pensou Squall.

-Sobre aquilo... É um pouco mais complicado. – “Não tem vontade de conversar sobre certas coisas, não é? Depois fica confuso e nervoso quando respondo não estar com vontade de falar sobre meus sonhos”, Squall continuava pensando a cada nova palavra dita por qualquer um dos dois, se questionando que talvez fosse melhor ir pro lado oposto e deixar eles pra lá. Claramente, cada um tem seus objetivos, e pra cada um alcançar o que procura, não poderão ficar juntos pra sempre. – Mas deixe-me fazer uma pergunta: bem lá atrás, ontem antes de entramos na caverna, você com certeza citou o nome da Terra. Ela significa alguma coisa pra você?

-Não é que... Não entenda errado, é só que... Eu sinto como se já a conhecesse e acho isso um pouco estranho. Mas não é nada que eu não possa descobrir, só preciso de tempo pra isso. Mas vamos continuar em frente, devemos achar alguma coisa. – Ele novamente foge da pergunta, deve ser algo pessoal, portanto, Firion decidiu respeitar e nada mais perguntou a respeito. Já Squall... Não se importava. Por outro lado, achou muita hipocrisia da parte deles reclamarem que ele não quer conversar sobre determinado assunto quando eles próprios também não conversam.

Os guerreiros de Cosmos continuam caminhando pela floresta. Apesar de não ser o melhor lugar do mundo para dar uma caminhada, é sem dúvida alguma muito melhor que a caverna de fogo que tiveram que passar no dia anterior. Ficar cansado de tanto andar era muito melhor do que sentir o pé queimar a cada passo dado. E eles andaram bastante. Não estavam com relógio nem nada pra calcular, mas eles devem ter andado por aproximadamente uns 40 a 50 minutos, ainda que, vez ou outra, eles tivessem parado para descansar por um ou dois minutos antes de voltarem. Firion não podia ver uma flor que já tinha a necessidade de ficar encarando, e Onion só sabia falar que eles não precisavam se preocupar com nada enquanto ele estiver por perto. Squall, como era de se esperar, ficou quieto todo esse tempo, apesar de seus olhos demonstrarem claramente descontentamento, tanto com a caminhada quanto por seus companheiros. E assim eles continuaram, até que...

-Olhem, estou vendo uma fumaça vinda de lá. – Firion apontava para a o oeste da direção em que estavam. – O caminho parece estar aberto.

E de fato estava, as árvores estavam praticamente destruídas, e a fumaça, aos poucos em que chegavam mais perto, era mais forte do que parecia. Eles prosseguiram, mas subitamente, Squall parou por alguns segundos, pois havia pressentido alguma coisa. Firion e Onion o observaram, não entendendo o motivo da súbita parada. Eles o chamam, mas ele não dá ouvidos, pois de fato ouvia alguma coisa. Tinha ouvido algumas das pétalas sendo levadas pelo vento, um diferente do que sentiu até a pouco, com uma intensidade maior. Alguém estava ali. Squall preparou sua Gunblade, se aproximou de uma das árvores que ainda não estavam quebradas, e deu um pulo, dando um ataque forte que fez com que a desgastada árvore caísse de vez. Não viu nada naquele momento, mas seja quem estava lá, previu o ataque vindo e escapou a tempo. Mas não pelo chão, e sim pelo ar. Era alguém que voava. Após isso, ele olhou para o céu, e viu aquele que podia ser um possível oponente, do contrário não teria se escondido. Seus cabelos eram longos, indo até a metade das costas, e prateado, com uma grande pena entre. Seus olhos eram azuis, e sua pele pálida. O que mais chamou a atenção de Squall foi, porém, suas roupas... Ou a falta delas. Basicamente, a única coisa que cobria seu corpo era um manto violeta ao redor de seus ombros, com uma túnica branca cobrindo a parte de trás de suas pernas e uma calça roxa, que não cobria tudo.

-Quem é você? – Perguntou um Firion surpreendido. Impressionante ele não ter percebido sua presença, provavelmente não estava acostumado com esse tipo de coisa.

-Vocês já estão cansados da caminhada? Pois eu sugiro que dêem meia volta e voltem para o terreno porco de onde vieram, não vão encontrar nada de útil aqui. – Disse a figura misteriosa.

-O que você quer? – Perguntou Onion.

-Eu estava saindo desse cenário imundo quando senti a presença de supostos guerreiros. Então, vocês são guerreiros de Cosmos? Não suponho que sejam figuras convocados pelo deus da discórdia, considerando que outro deles espera por um de vocês na cidade mais a frente.

-E o que você ganha nos falando isso? – Perguntou Firion, fazendo outro questionamento logo em seguida. – Você é o responsável por essa fumaça?

-Eu não estou do lado de seres com mentes tão pequenas como as desses patéticos guerreiros de Chaos. – Seus gestos com a mão não eram rudes, na verdade suas mãos se movimentavam de forma leve e ágil, como com quem não se preocupa com os outros, exceto a si mesmo. – Agora, você acha mesmo que sou responsável por isso? Eu estou fardo de estar aqui, não gosto desse cenário. Vocês devem voltar enquanto podem, garotos, ou em breve estarão gritando por sua misericórdia.

-Não estou interessado. – Disse Squall, pulando pra cima dele rapidamente, quase que sem aviso. Ainda assim, seja quem for, é rápido o bastante para desviar de ataques como esse, dando rapidamente um pulo, enquanto girava em pleno ar, e então parando pouco acima deles. Suas mãos estavam abertas, o que significava que ele provavelmente as usava como forma de atacar, com grandes chances de ser magia. A impressão que dava era que iria atacar, mas...

-Eu devia saber que vocês, guerreiros de Cosmos, eram animais iguais os convocados por Chaos. Estou fardo de conversar com vocês. –... Ele simplesmente saiu voando, indo na direção oposta. Teve chance de atacar, mas não o fez, embora muito provavelmente seja pelo fato de que, se o inimigo decidisse lutar, seria uma batalha de três contra um, as desvantagens eram enormes, então ele optou pelo óbvio. Quem poderia ser? Nenhum dos três fazia idéia. “Deve ser um louco, pra se vestir daquele jeito, indefeso em um campo de batalha”, julgava Squall.

Eles continuaram, e poucos passos depois chegaram à cidade mencionada pelo inimigo. Estava tudo devastado, com muita madeira no chão, e casas sem teto ou outras até mesmo completamente destruídas. Todas as plantas ali presentes estavam mortas, ferindo Firion emocionalmente. Mas, mais chamativo do que isso, era um enorme castelo que estava em frente à cidade, com sua entrada fechada com pedras. Julgando por uma das duas torres estarem destruída, provavelmente foi isso que tampou a passagem. Era possível enxergar, bem acima do castelo, bandeiras vermelhas. O que significam, nenhum dos três sabia. Porém, isso deixou Squall pensativo: a figura misteriosa que acabaram de encontrar falou sobre um dos convocados do deus da discórdia estar esperando por um deles. “Poderia ser Ultimecia?”, pensou logo Squall. Sendo sua principal inimiga em seu mundo, Ultimecia é uma feiticeira poderosa que ameaçou a tudo existente de onde vêem. Se for ela que estiver ali, isso é algo que ele deve fazer sozinho.

-Vão pra qualquer outro lugar. Tem algo que eu preciso verificar... Sozinho. Não me sigam, não quero a presença de vocês agora. – Disse Squall rudemente e rapidamente.

-Eu sinto uma aura muito forte vinda dessa cidade. Deve ser quem aquele servo de Chaos citou. – Era uma energia forte demais, não era alguém qualquer. E é da política de Onion não enfrentar oponentes mais fortes que ele, no qual não tem certeza que pode ganhar.

-Do que você está falando? Vamos passar por essa juntos. – “Firion, não fique no meu caminho”, pensou Squall, chegando a levantar a Gunblade pra eles.

-Não me intrometam. – Embora Onion tivesse surpreso também, era Firion que mais parecia se afetar com palavras e atos como os de Squall. Parecia ser alguém sensível demais pra ele, o irritando.

-Vamos, Firion, se ele diz que não precisa da nossa ajuda, então que seja. – Disse Onion, olhando pro seu companheiro, e logo em seguida virando as costas. Squall também se virou no mesmo instante, seguindo em direção a cidade. Ele não olhou para trás, mas sentiu que Firion o observou por alguns segundos a mais antes de ir junto com Onion. Não deu pra ouvir direito, pois já estava mais longe, ele pareceu ter tido pra Squall tomar cuidado. “Tanto faz”, pensou, passando pela cidade.

Notas finais
Pronto. Dois capítulos no mesmo dia, como prometido. No próximo capítulo, continue vendo o que acontecerá com Squall, e para onde Firion e Onion vão agora.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.