Notas iniciais
Eu disse para mim mesma que não iria fazer outra fic com angst para esse fandom, mas aqui estamos nós. Parece que eu gosto mesmo de fazer minhas crianças sofrerem :') Não se preocupem, meu objetivo de vida ainda é #DêemAmorAoAdrien2k16, então vocês encontrarão bastante disso nessa história. Alguma hora sim, pelo menos :v

O aviso de spoilers na sinopse está ali por um motivo! Eu recomendo só ler depois de ter visto os episódios do Origens, Jackady e Volpina, já que eu mencionarei eventos deles nos capítulos que virão. Quanto à Lila... eu planejei essa história antes dela aparecer e, enquanto deu para incorporar algumas coisas, eu não consegui achar um espaço para ela na fic ainda. Tentarei pensar em alguma coisa, mas até lá... é.

Essa fic segue a teoria (provavelmente) mais famosa do fandom, que praticamente já é canon agora. Vocês devem saber do que eu estou falando, mas caso não... Eu //realmente// recomendo ver Origens e Jackady antes de começar a ler.

Enfim, boa leitura para vocês!

“I can take so much,

until I’ve had enough. ”

— human, christina perri

Ele podia lembrar com clareza o dia em que sua mãe desapareceu.

O céu estava límpido, nenhuma única nuvem na imensidão azul. Adrien e ela tinham aproveitado o clima favorável para ficar no jardim, sua mãe com um livro nas mãos e ele com uma espada de esgrima, praticando movimentos que acabara de aprender em suas aulas.

A cena era algo que ficaria encrustado no fundo de sua mente até anos depois: dela, com seu vestido azul favorito, sentada no banco em meio às flores e com olhos perdidos no horizonte. Não importa o quanto ele chamasse sua atenção, perguntasse sobre o livro, a fizesse rir; as piscinas verdes sempre enublavam logo em seguida.

O Adrien de três anos depois talvez tivesse reconhecido o sentimento de não pertencimento tão estampado em suas feições. Estar numa casa vazia e mais distante do que nunca do que era para ser a pessoa mais próxima de sua vida o fizera saber muito bem como era se sentir assim.

Aos doze anos, porém, o garoto não sabia ainda ler as entrelinhas. Aquele era só mais um dos rostos que sua mãe tinha alguns dias, quando seu corpo acordava fraco e ela perdia a alegria e personalidade forte antes presente. Só queria dizer que Adrien teria que tentar ainda mais para fazê-la sorrir de novo no dia seguinte.

Naquela vez, porém, não houve um dia seguinte. O loiro apenas acordou para um bilhete em sua escrivaninha e um armário vazio no quarto de seus pais.

Gabriel Agreste já estava de pé quando ele correu até a escadaria principal, com olheiras debaixo dos olhos e dando ordens aos empregados. O homem o direcionara um olhar e palavras vazias, antes de ir acompanhar os policiais que estavam na entrada.

Adrien fora deixado só com inúmeras perguntas sem resposta.

Por que aquilo acontecera? Estaria ela querendo ir embora há muito tempo? Por que ele não percebera, não agira antes para evitar que aquilo acontecesse? Ele poderia ter feito alguma coisa?

O garoto sabia temer a resposta. Que, por mais que Adrien tivesse a amado mais do que tudo no mundo, o amor dela por ele nunca fora o suficiente para fazê-la ficar.

E, no fim, ele fora deixado para trás.

xxx

A reviravolta chegou como todas as reviravoltas decentes que acontecem na vida; de repente, num dia perfeito em que ninguém podia esperar que algo fosse dar errado.

E Chat Noir estava tendo mesmo um dia ótimo.

O céu, despido de nuvens, mostrava uma imensidão azul estrelada que só não brilhava mais que os olhos de Ladybug enquanto eles patrulhavam as ruas de Paris naquela noite.

Ambos haviam engajado em uma conversa leve até a Torre Eiffel, onde, depois de alguma insistência dele, ficaram sentados juntos observando a paisagem. Não era sempre que Ladybug se deixava levar pelas suas ideias, e o garoto tinha aprendido a apreciar esses pequenos momentos.

Quando seu anel soou o primeiro alarme, eles tinham se despedido, Chat permanecendo parado por um momento enquanto a via desaparecer por entre os prédios.

Aquela tinha sido certamente uma noite especial; Ladybug tinha o deixado beijar sua mão sem interrupções nem mãos o afastando! Ela havia o retrucado seu flerte como sempre, claro, mas aquilo podia dizer que ele estava avançando, não é?

— E ela até sorriu depois disso, Plagg! — O loiro sabia que devia tomar mais cuidado para não falar alto tão tarde da noite, mas estava feliz demais para se importar. Ele deu um pequeno rodopio no quarto escuro, felizmente não trombando em nada, mal podendo ver o rastro negro que se adiantava à sua frente.

— Porque ela estava de bom humor por causa da tal nota do teste, não? — A voz à sua frente foi acompanhada de uma pequena bufada. — Vocês humanos se animam por muito pouco, hein.

— Diz o que faz festa por queijo com cheiro de fungo. — Adrien retrucou, revirando os olhos, mas o sorriso não deixou seus lábios. Sabia que seu kwami só estava falando aquilo para implicar, e ele temia que nada pudesse estragar sua felicidade naquela noite.

— Queijo que é muito menos complicado que esses seus romances. — A bolinha negra se aproximou dele novamente, olhos verdes brilhando no escuro. — Mas deixa disso, estou cansado e quero dormir. Você devia fazer o mesmo, ao invés de ficar sonhando acordado aí!

— Sim, sim, já estou indo. — O garoto abanou uma mão na direção do pequeno gato, soltando um bocejo em seguida. Teria de acordar cedo no dia seguinte, e ele sempre poderia ficar pensando em sua Lady em seus sonhos.

Foi quando já estava debaixo das cobertas, Plagg deitado em algum ponto abaixo do cobertor, que o barulho veio.

Não sabia se era um reflexo que obtivera depois que virara Chat Noir, mas Adrien passara a ficar muito sensível a sons que uma pessoa normal não perceberia, como portas abrindo ou passos a uma pequena distância. Isso podia ser horrível quando ele estava tentando dormir à noite, mas ajudava muito em momentos como aquele que alguém abria a porta de seu quarto.

Porque o suposto invasor não era um ladrão ou coisa parecida; e sim alguém que já havia o visitado quase todos os dias desde a última semana. Adrien abriu um dos olhos, espiando o vulto que passava perto de sua escrivaninha.

Seu pai estava ainda com suas roupas do dia — o que queria dizer que o mesmo deveria ter acabado de sair do escritório da mansão. O acidente com Jackady tinha feito algo para deixá-lo preocupado, se todas aquelas visitas e aparições nos corredores da mansão eram algum indício.

Enquanto isso poderia ser ruim para o mesmo sair escondido caso houvesse algum ataque, não havia como Adrien ficar mais feliz. Seu pai, que ele raramente via antes e que nunca tinha tempo para ele, estava ali, checando nele de noite como não fazia há anos.

O loiro mal pôde evitar o sorriso, escondendo-o debaixo das cobertas. Eles estavam se falando cada vez mais, mesmo que brevemente, e aquilo já era um diferencial depois de quase cinco anos de encontros raros.

Tudo por causa daquele akuma... Talvez até Hawkmoth pudesse fazer boas ações de vez em quando.

Ao ver a sombra se virar e começar a andar em direção à cama, o garoto arregalou os olhos, antes de fechá-los com pressa.

Aquela era a primeira vez que seu pai ia para tão perto dele. Será que devia prender a respiração? Mas espera, aí ele ficaria preocupado, o que Adrien não queria porque era para o mesmo já estar dormindo a essa hora, e...

Mesmo com os olhos fechados, ele pode sentir quando Gabriel chegou até a sua frente, sua sombra pairando sobre ele em contraste com a luz da lua que entrava pela janela. O garoto agradeceu ao céu e à terra que seu kwami gostava de se enrolar debaixo das cobertas para dormir.

Seus sentidos aguçados captaram uma mão se aproximando, e ele sentiu seu pulso acelerar, um sorriso ameaçando invadir seus lábios novamente. Ele ia... Passar a mão pelo seu cabelo, como antes...?

Não, ela estava indo mais embaixo... Talvez subir o cobertor? Então por que estava o abaixando-?

A sensação de dedos deslizando pelos seus para segurar o metal frio de seu anel teve um calafrio percorrendo a espinha de Adrien, seu corpo se movendo instintivamente para trás.

Ele se afastou quase num pulo, olhos verdes vivos encarando os também arregalados azuis de seu pai enquanto o mesmo o observava surpreso de uma pequena distância. Um balde frio parecia ter sido derramado sobre sua pele, os pelos de seu braço eriçando.

Repentina, uma memória em especial voltou para frente de seus pensamentos. Seu pai, parando de abraçá-lo de repente, porque seus olhos estavam vidrados em um de seus dedos...

—Pai? — Sua voz saiu fraca, e o loiro limpou a garganta antes de continuar. — O que você...?

— Eu não pensei que você estivesse acordado ainda, Adrien. — Ignorando completamente o que ele tentara perguntar, o homem pôs suas mãos por trás de seu corpo, o encarando de cima com a expressão retornada ao usual. -... Pode ser que seja mais fácil assim.

—... Mais fácil? — O loiro piscou, vendo a mão que foi estendida em sua direção.

— Me entregue o anel.

O garoto encarou o homem à sua frente, atônito.

O anel. Seu miraculous, uma de suas possessões mais preciosas, que o dava liberdade para ser algo além do garoto preso por trás das correntes da perfeição. Que o dera a chance de conhecer a garota mais incrível de sua vida. Que o transformara em um herói.

O que seu pai poderia querer com ele? Tinha descoberto o que aquilo podia fazer?

Será que ele não queria mais que Adrien fosse Chat Noir?

O pensamento, assim que se instalou em sua mente, o fez puxar a mão para perto de si. Aquele podia ser um afronte direto ao seu pai, o que não era bom de se fazer visto a aproximação recente dos dois, mas... Ele não podia fazer isso. Aquilo era algo que ele não podia entregar.

Ao observar as ações do garoto, o homem suspirou, descendo sua mão até a posição anterior por trás de si mesmo. Adrien se sentiu encolher pelo olhar de reprovação que lhe foi dirigido, mas manteve-se firme.

— Vejo que estava errado. — Gabriel o encarou, antes de se virar em direção à porta. — Pois bem, entre.

E, da pequena fresta do corredor aceso, surgiu um rastro de lilás com asas.

Aquilo era...?

— Um kwami? — Ele encontrou-se murmurando sem pensar, observando enquanto o pequeno ser ficava mais visível ao se aproximar.

Adrien não sentiu o movimento quase imperceptível no lençol, ou o som minúsculo de surpresa que veio de baixo de si.

— O meu kwami. — Gabriel o corrigiu, estendendo uma mão em que o rastro de lilás se sentou. — Este é Nooroo.

O loiro não sabia o que dizer; seus pensamentos haviam congelado quando seu pai admitira ter um kwami próprio. Ele também tinha uma transformação legal, então? Adrien não conseguia imaginar a cena, por mais que tentasse.

Quando seu cérebro finalmente parou de travar, ele pausou. Se seu pai tinha um kwami, porque nunca o vira usá-lo? Era por isso que estava sempre ocupado? E o que ele queria com seu anel, então?

Por que a visão daquele kwami com asas o deixava com um frio no estômago?

— C-como você conseguiu ele? Por que você nunca me contou? — O loiro quase pulou em sua cama, se esticando para frente para observar melhor a pequena criatura. Depois, ele se afastou novamente. — E... Se você sabe mesmo o que esse anel faz, o que quer com ele?

— Simples. Se eu tiver o poder do seu miraculous e o de Ladybug, eu terei habilidades de um deus. — O olhar de Gabriel se suavizou, então, suas próximas palavras atingindo Adrien com força. — Eu poderei trazer sua mãe de volta.

Sua mãe. Fazia quantos anos desde que ela sumira? Adrien tinha medo de que ele fosse acordar, um dia, e ter se esquecido de como ela sorria, de como era sua voz. Fotos em seu celular nunca foram o suficiente para fazer jus a ela, e o mesmo tinha receio de esquecer o porquê daquele fato.

E seu pai acabara de dizer que eles podiam trazê-la de volta.

Ele podia ter sua família de volta...

Tudo que ele tinha de fazer era entregar seu miraculous... E o de Ladybug.

Entregar... o miraculous...

O choque desceu como um raio pelo corpo de Adrien assim que as palavras se instalaram em sua mente, as implicações contidas por trás delas. Seu pai com um kwami próprio. O desejo de trazer sua mãe de volta. Querer os miraculous dele e de Ladybug.

O fato do kwami dele ter asas de borboleta.

— Você... — O loiro se arrastou para trás na cama, voz vacilando. — Você é...

— Essa é a única maneira de fazer isso, Adrien.

— Não, você não entende. — Ele negou com a cabeça, suas mãos apertando o tecido da coberta com força. — Por todos esses meses, e eu estive lutando contra você...

Quantas vezes eles tinham chegado perto de ter ferimentos irreparáveis? Quantas pessoas tinham sido manipuladas e transformadas em marionetes? Quantas vezes seu próprio pai tinha desejado sua ruína?

— Eu também não queria que isso acontecesse, Adrien. Eu não sabia que era você por trás da máscara. — Gabriel — Hawkmoth admitiu, olhar pesaroso, antes que voltasse a sorrir. — Mas isso facilita as coisas. Nós podemos trabalhar juntos agora.

— O quê? — Ele não achava que nem seus piores pesadelos o teriam preparado para aquilo.

— Tirar o miraculous de Ladybug vai ser muito mais fácil se ela confiar em você. Podemos trazer sua mãe de volta, juntos.

Ele estaria mentindo se, por um momento, não tivesse pensado em dizer sim. Adrien poderia finalmente fazer algo junto de seu pai, depois de todos aqueles anos. Poderia entender porque sua mãe tinha ido embora com nada mais além de um bilhete dizendo desculpas.

E eles poderiam ser uma família de novo. Ele poderia finalmente ter de volta aquelas memórias cálidas guardadas bem no fundo de seu peito, de épocas em que os corredores daquela mansão não eram vazios e frios e ele podia dizer com certeza que não estava sozinho.

Mas...

Trair Ladybug era algo que ele nunca conseguiria fazer, por mais que tentasse. Até o simples pensamento já o deixava enjoado. E, depois dos dois terem lutado por tanto tempo para proteger a cidade, se dar por vencido por um desejo egoísta era...

Aquilo era mesmo um desejo ruim, no entanto? Adrien sempre fazia o que os outros queriam, seria ruim ser egoísta pelo menos uma vez na sua vida?

Além disso, não havia como Ladybug negar resgatar alguém caso ele e seu pai explicassem a situação. Ele podia contar com ela com sua vida, e ela era incrivelmente altruísta por trás do seu exterior determinado. Certamente, se ela ficasse sabendo do motivo, Ladybug iria...

O som familiar de um chiado chamou sua atenção, então, e o loiro voltou de seus pensamentos para ver um borrão preto familiar na frente de seu rosto, de costas, olhos vidrados no kwami que tinha se aproximado perigosamente de sua mão que estava no lençol.

Desde quando o kwami de seu pai chegara tão perto?

— Não esperava que você fosse capaz disso, Nooroo. — O gato preto à sua frente acusou, fazendo o kwami borboleta recuar, unindo suas pequenas mãos.

— Plagg, eu... Meu mestre...

Silêncio.— Em uma só palavra, o pequeno kwami tinha congelado, voltando para trás de Gabriel. — Este é o seu kwami, não? Parece que você conseguiu um bem desobediente.

O borrão negro rosnou na direção do homem, e Adrien nunca tinha visto Plagg com tanta raiva antes. O gato virou os olhos para trás, seus pequenos braços ainda estendidos numa pose protetora na frente de seu rosto.

— Garoto... Adrien, você sabe que trazer sua mãe com esses poderes é fácil demais para ser verdade. — O kwami falou em uma voz séria. — Existe um preço.

As dores permanecidas de ferimentos que sumiam. Os pesadelos de tempos que não foram. A destruição presente bem na palma de suas mãos, que poderia destruir tudo o que tocasse. Tudo, caso ele perdesse o controle.

Se fosse para trazer sua mãe... O poder de criar seria o suficiente. Então por que era preciso também um poder de destruir?

— Como você planeja salvar a mamãe? — O loiro perguntou, trazendo a mão do anel para si mesmo. — Ela- Ela tinha sumido todos esses anos atrás, porque você precisaria... Você está deixando de me contar alguma coisa, pai?

O homem ficou em silêncio, o observando, e Adrien sentiu um novo calafrio percorrer sua espinha. Não gostava daquele silêncio — queria dizer que ele definitivamente estava escondendo algo.

O que era?

— Adrien, eu exijo que você me entregue isso, agora.— A voz de Gabriel voltou, enfim, carregada de frustração pelo tempo que estava passando. — Não me faça ter que tomar medidas drásticas.

Medidas drásticas. Quem era aquele homem que estava fazendo uma ameaça assim para seu próprio filho?

A realização de Adrien veio em um segundo, de suspeitas que ele vinha carregando há meses em seu peito.

O homem à sua frente não economizaria gastos para conseguir o que queria. Ele usaria o que quer que fosse de escada — a cidade, a vida das pessoas, tudo— para trazer sua mãe de volta.

Nooroo, o kwami de seu pai, se aproximando perigosamente de seu anel há minutos atrás.

E ele faria aquilo com ou sem sua ajuda.

Gabriel pudera ter um objetivo nobre, de início, mas ele se perdera em seu percurso de alcançá-lo. E por mais que Adrien acreditasse que seu pai estava lá em algum lugar, que ele ainda se importava suficientemente com o filho para ser protetor àquele ponto, não havia mais como fugir da verdade.

Adrien não conhecia mais aquele homem.

—... Plagg. — A voz dele saiu num filete, quase não sendo ouvida na penumbra da madrugada. — Me transforme.

—...! Adrien! — Gabriel tentou alcançá-lo, mas já era tarde demais. O garoto se esquivou com destreza para fora da cama até a janela, lançando um último olhar para trás, olhos úmidos de lágrimas não caídas.

— N-não chegue perto de mim.

E, ignorando o chamado de seu pai, ele desapareceu pelas sombras da noite.

xxx

Um barulho de vaso quebrando a teve levantando em um salto de sua cama, olhos percorrendo o quarto com precisão até que Marinette deixasse seu pulso desacelerar de novo.

Era alguma coisa lá fora. Provavelmente um gato que havia passado e feito cair o tal vaso — e não deixado, pois aqueles felinos eram irritantes o suficiente para derrubar as coisas de propósito — e saído correndo depois.

Mesmo assim, a garota sabia que não conseguiria dormir de novo até checar. Malditos instintos de super-heroína.

A garota se ajoelhou em sua cama, inclinando-se para cima para alcançar a trava da escotilha que dava para o terraço. Uma voz sonolenta a teve virando para o lado, um borrão de vermelho zunindo para perto.

— Marinette...? O que houve...?

— Ah, Tikki, eu te acordei? — Ela finalmente abriu a portinha — e, meu deus, estava frio lá fora a essa hora— antes de se preparar para levantar. — Não é nada. Eu só ouvi um barulho lá fora e quero checar.

— Você acha que possa ser alguma coisa? — A pequena kwami tombou a cabeça para o lado, olhos ainda sonolentos, e Marinette teve a vontade de segurá-la e apertar. Que fofa.

— Não, provavelmente um gato deixou cair algo. Mas eu ainda quero ir ver.

Marinette não sabia o motivo, mas acordara com uma pontada incômoda no fundo de seu peito. Sentia que havia alguma coisa de errado, em algum lugar, e isso a estava deixando ansiosa.

Talvez tivesse sido só o seu sonho. Não conseguia lembrar-se dele direito, mas Adrien estava lá, e ela realmente não queria ter sido acordada por barulhos da madrugada se era mesmo um sonho bom...

— Pronto! Vamos ver... — A garota colocou o corpo para fora da escotilha, engatinhando até além da passagem para o vento frio da madrugada. Estreitando os olhos para o escuro, ela conseguiu observar o vaso quebrado, parado a alguns passos de uma sombra negra-

Quê?

Marinette não teve tempo de se aproximar, pois a sombra rapidamente pulou para longe de seu telhado quando percebeu que tinha companhia. A mesma mal pôde jurar que viu o brilho de metal de um bastão antes que ele se tornasse mais um borrão de negro na penumbra da noite.

Ela piscou. Um bastão...

—... Chat?

— Você viu o Chat Noir, Marinette? Tem certeza que não foi imaginação? — A voz de Tikki veio ao seu lado, saindo da escotilha, enquanto a garota continuava observando.

— Não, eu jurava que tinha alguém aqui... Mas... — A garota franziu a testa, encarando o pote caído como se ele tivesse respostas. — Se fosse o Chat, porque ele estaria passeando por Paris a essa hora? Será que teve um ataque em algum lugar?

— Hm... Eu não acho que tem nada de errado com a cidade. Teríamos escutado algo.

— É... Tem razão, Tikki. — A garota concordou, esfregando as mãos nos braços e olhando em volta. Ataques de akumas costumavam chamar muita atenção, ela certamente já teria notado alguma coisa.

Mas se não tem nada errado com a cidade... Ela dirigiu seus olhos para os prédios e à Torre Eiffel, ao fundo. Então, o que ele estaria fazendo?

Não... Não tinha como Chat estar mesmo pulando por telhados a essa hora. Marinette só devia estar com a mente ainda presa em seu sonho que acabou projetando uma imagem no telhado de sua casa.

—... É melhor eu voltar a dormir. — A garota deixou um suspiro pequeno escapar, agachando-se para descer novamente até a portinha. Ela tinha um longo dia à sua frente, não podia perder minutos preciosos de sono.

Além disso, caso fosse realmente alguma coisa, Chat a contataria amanhã. Não havia porque ficar se preocupando à toa.

Com esse pensamento em mente, a garota adormeceu mais uma vez.

Infelizmente para ela, contar era a última coisa que ele queria fazer.

Notas finais
É engraçado como uma só descoberta pode levar tudo por água abaixo assim. Mas, bom, descobrir que seu pai é um super vilão que está transformando pessoas em marionetes para tentar trazer sua mãe de volta não é uma coisa que acontece todo dia, né. :^)

Está aí o primeiro capítulo. Dizem que é ele que faz uma pessoa decidir se vai ler a fic ou não, então espero ter feito um bom trabalho... Como eu avisei nas notas da fic, tentarei postar um por semana às sextas, que é o dia que funciona mais para mim. Eu tenho alguns capítulos mais ou menos feitos, então vai ser mais fácil ter atualizações semanais - e eu prefiro ir fazendo antecipadamente que postar tudo e sumir por meses. Não é uma boa experiência para ninguém, sério;;;;

Enfim, é isso. Até sexta, pessoal!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.