Disgusting
4 I\'m missing you again, oh, no...
Notas iniciais
Yoo, leitoras lindas! *O*
Então... Não sei o que dizer ç.ç quer dizer, até sei, mas esse é um daqueles inúmeros momentos em que eu percebo que não tenho a menor habilidade social. Vou direto ao ponto: eu decidi tornar regular a postagem Õ/ ~sai dançando~ Sim, minha gente, agora terei dias certos *~* toda sexta-feira, sem falta (eu espero). Em alguns casos, como eu acho que pode acontecer nesse fim de semana, no sábado pode acabar saindo outro capítulo também. O que vocês acham desses dias? Acham que eu deveria trocar, ou postar na sexta-feira mesmo?
Outra coisa que eu tinha que dizer: a partir de agora, tentarei responder os reviews toda vez que for atualizar. Como eu já comentei, minha habilidade social é mínima, então é pouco provável que eu consiga respondê-los antes de postar outros capítulos, mas ok.
Não vou enrolar demais aqui, porque a nota já está ficando muito grande. Mas, anyway, gostaria de agradecer às leitoras que comentaram no último capítulo: Ádria (dando pulinhos com seu comentário Õ/), Pam (ouch, sua fofa *~*) e Vengeance (eu ainda vou te sequestrar! Me aguarde! u//u)
Vocês são muito lindas ♥♥
P.S.: A formatação do capítulo pode ter ficado um pouco estranha. Não tenho certeza, porque às vezes meu computador resolve bancar o trollador comigo, às vezes ele é legal. Qualquer coisa, qualquer erro, podem me dar um puxão de orelha e eu arrumarei! c:
Lily Luna tremeu de leve, apertando o passo. Na manhã anterior havia nevado um pouco. Só um pouquinho. Mas o suficiente para que ela torcesse o nariz ao se desviar dos pequenos agrupamentos de neve, se perguntando se demoraria muito para dar um passo em falso e acabar, além de congelada, ensopada.
Provavelmente, não muito. Ela não costumava ser uma garota desastrada, e nem tivera o pequeno incômodo de nascer com, como diziam, "dois pés esquerdos". Mas aquele branco todo cobrindo as ruas, as árvores, o Céu, e tudo que houvesse ao seu redor a deixava nervosa. Sem falar, é claro, que era uma grande e desesperadora forma de chamar atenção. Com os cabelos vermelhos, seria impossível não notá-la, mesmo que estivesse a quilômetros de distância.
Graças a Deus isso não a incomodava havia algum tempo. A fase de ser filha do tão famoso Harry Potter passara há alguns anos, e embora vez ou outra ainda fosse atacada por jornalistas ou fanáticos pela "tão trágica história de vida dos Potter", Lily podia, enfim, ter um pouco de paz.
Mas ela não gostava de pensar sobre isso. Na verdade, nem ela, nem ninguém de sua família. Havia se passado um longo tempo desde a última vez em que a fama e a falta de privacidade foram as maiores das preocupações deles.
Sete anos, para sermos exatos. Sete anos desde o dia em que eles foram realmente felizes pela última vez.
***
— Você demorou. — foram as palavras de Albus à irmã quando ela finalmente entrou pela porta da frente d'A Toca, carregando a sacola de mercado. Lá fora, a luz do dia começava a desaparecer.
— O lugar estava cheio. — Lily deu de ombros, encaminhando-se para a cozinha e colocando os vegetais e legumes comprados sobre o balcão. Tirou a varinha das vestes, e, com um rápido movimento e o encanto correto, a comida começava a se preparar sozinha. A ruiva apoiou-se numa cadeira, e ambos ficaram em silêncio.
No outro cômodo, na sala, podia-se ouvir a bagunça. Fred II e Roxanne discutindo pelo controle da TV. Hugo tentando, inutilmente, separar os primos. Victoire e Teddy rindo de alguma coisa. Os outros pareciam em silêncio. Vovó Molly e Vovô Arthur provavelmente ainda estavam lá em cima, em um dos quartos.
Estava cedo, afinal. Aquele era apenas mais um fim de semana comum para a família Potter-Weasley, onde todos os primos se reuniam sobre o teto da casa dos avós, e os pais podiam relaxar, sabendo que suas "crianças" não estavam por aí no mundo arranjando problemas.
Harry não estava presente. Tivera um imprevisto na seção de Aurores no Ministério, e precisara ficar lá para resolver a situação. Tio Rony, como o bom amigo que era, resolvera esperá-lo. Ginny ficara em casa, por conta de uma dor de cabeça, mas insistira para que tanto Albus quanto Lily fossem no jantar. Tio George e Tia Angelina estavam na sala, provavelmente de mãos dadas e em silêncio.
Tia Hermione acabava de entrar na cozinha.
— Lily, querida! — a morena puxou a sobrinha para um abraço, sorrindo. — Você demorou, Albus estava começando a ficar preocupado!
Lily ergueu uma sobrancelha, sem responder.
Se eles fossem uma família normal, talvez seu irmão não se preocupasse com seu pequeno atraso. Mas, é claro, eles não eram uma família normal. Não desde que ele partira. Porque desde aquele 31 de Agosto, todos seus tios mantiveram os olhos cravados em seus filhos. Porque uma demora, qualquer que fosse o motivo, sempre faria os outros se preocuparem.
Mesmo nos olhos da tia, naquele momento, Lily podia ver o alívio por ela estar ali.
E se ressentia com isso. Se ressentia com a pessoa causadora de toda aquela bagunça, toda aquela preocupação. Ginny não podia mais ouvir o nome dele sem cair no choro, e Harry, sem ter o olhar tomado por uma angústia incomensurável — quase uma culpa. Era algo que sempre trazia tensão ao ar. Não havia como mencioná-lo sem fazer com que todos se sentissem desconfortáveis, constrangidos.
James Sirius Potter era um tabu ali. Não devia ser mencionado, lembrado. Mesmo depois de todos aqueles anos, jamais tiveram notícias dele. Nenhuma carta, nada. Já naquela época, com mais da metade da população bruxa de toda Inglaterra atrás dele, e seu irmão não aparecera. Agora, era quase um caso encerrado.
Uma causa sem esperanças.
Lily o odiava. Ou tentava odiá-lo, com todas as suas forças. James era um egoísta. Um egoísta idiota, insensível, sem coração. Porque não pensou duas vezes antes de juntar suas coisas e partir em sua caminhada incompreensível para lugar nenhum; porque ele feriu a todos, e não pareceu, nem por um instante, se preocupar com isso.
Ela queria odiá-lo por ter causado tanta tristeza, e se enraivecia com o fato de que, lá no fundo, tudo o que podia realmente sentir era aquela saudade amarga de alguém que nunca mais veria.
***
Sua cabeça doía. Estirado de qualquer jeito sobre a cama não tão macia quanto ele gostaria, seminu, e com frio, a única coisa que James podia, de fato, registrar, era que sua cabeça doía.
Ele não bebera nas últimas semanas. Não se metera em nenhuma briga trouxa com cara nenhum — que dirá então numa briga com outro bruxo. Nem mesmo assistira TV, ou fizera qualquer coisa estressante.
Então, por que doía tanto? Ele não gostava da dor. Não gostava daquela sensação tão conhecida, de que havia alguém cutucando suas feridas com um atiçador de lareira. Aquele revirar de entranhas, como se tivesse levado uma surra. Ou mesmo aquela sensação de que podia, a qualquer instante, começar a chorar.
James não gostava de chorar. Mais do que isso, não gostava das lembranças que o acometiam a cada vez que se dava o luxo de deixar que aquilo escapasse de dentro dele, que fosse desenterrado após tantos anos.
Muitas coisas haviam acontecido. Ele havia mudado. Havia mudado mais do que acreditaria possível. Se lhe dissessem, muitos anos atrás, que ele se tornaria quem era hoje, James teria rido. Teria rido como um idiota. Agora, tudo o que poderia fazer era dar um meio-sorriso sem graça, e baixar os olhos para esconder sua vergonha.
No começo, era difícil. Ele lutava à todo instante contra sua vontade de voltar. Mesmo quando via fotos suas coladas em postes, com a típica frase de "Você viu esse rapaz?". Ele queria desesperadamente voltar, se ajoelhar aos pés de seus pais, e prometer que jamais faria tal idiotice novamente.
Mas ele não podia. Não podia simplesmente fazer isso. Tantas vezes quis desistir... Quando sentia falta de como as coisas costumavam ser, James fugia. Tomava um tempo, tomava um ar. Deixava de lado tudo que pudesse lembrá-lo sua vida antiga, a comunidade bruxa, tudo que lhe gritasse quem ele era de verdade. Ele fugia com uma jaqueta para qualquer lugar, e fingia que era só mais um cara normal por aí.
Funcionava, às vezes. Quando não acontecia, ele encontrava uma maneira de se esconder. Bebidas, brigas, jogos de azar... Até mesmo mulheres. Tentou de tudo, até perceber o padrão que repetia.
Olhos castanhos.
Sardas.
Cabelos ruivos.
Lábios pequenos.
Corpo delicado.
Como ele podia ser tão repugnante? James juntava suas coisas, e fugia outra vez. Fugia para longe, o mais longe que conseguia, e tentava não pensar sobre aquilo.
Era mais eficiente. Porque, quando juntava todas aquelas memórias, todos aqueles desejos e todos aqueles pensamentos, e jogava-os num canto escuro de sua mente, ele finalmente tinha paz. Um curto período de paz, que durava somente o tempo que ele demorava para cair em tentação outra vez.
A última fora há quase um ano, em Innellan, um lugarzinho perdido da Escócia. Uma moça bonita, com o tom de cabelo tão parecido... Mas ela tinha olhos claros, e um sorriso malicioso. Ela usava roupas curtas, e salto alto.
James não sabia o nome dela, e nem se interessava. Na primeira chance que teve, ele sumiu daquele bar apertado, antes que perdesse o controle de suas ações e começasse a flertar.
Daria na mesma, no final. Ele se sentiria fisicamente satisfeito, mas vazio. Ela o procuraria outras vezes, querendo carinho, querendo amor, querendo afeto e coisas que ele não poderia lhe dar. E ele agiria como o canalha que era, explicando que não buscava nada sério.
Ela iria embora chorando, e James se sentiria mal por ser uma pessoa tão horrível.
O que ele queria, afinal? Era uma pergunta que não podia responder. Ele sabia o que queria, e sabia que era errado.
Mas James não conseguia viver sem ela. Não de verdade. Consciente ou inconscientemente, estaria sempre procurando os olhos dela em todas as mulheres que encarasse. Procuraria seus cabelos, sua voz suave, sua pele macia enfeitada de sardas...
— Lily...
Oh, droga.
Droga, droga, droga!
Ele prometera a si mesmo que jamais diria o nome dela. Prometera a si mesmo que sequer pensaria nela. Entretanto, era tarde demais para voltar atrás, para impedir a si mesmo de fazer uma besteira.
James levantou-se quase num rompante, completamente esquecido de sua dor. Correu pelo quarto, agindo de modo automático.
Roupas. Meias. Sapatos. Jaqueta. Escovar os dentes.
As malas já estavam todas prontas. Fredrikstad* era uma cidade linda, mas ele não ficava em um único lugar por tanto tempo.
E talvez, só talvez... Contra todas as regras, contra todas as promessas, contra todos os limites que impusera em sua nova forma de conviver com aquilo... Ele tivesse a chance de vê-la outra vez.
"Nós éramos tão jovens, tão cheios de encanto..."
"Mas agora tudo se foi, e o que resta são essas lembranças amargas."
Notas finais
*Fredrikstad é uma cidade norueguesa xD
O que acharam? Pedradas? Críticas? Será que chegamos aos 16 reviews? xD
Deixem suas opiniões! *.*
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