Discovering A New World
20 Capítulo 20 - Then, became chaos.
Beco Diagonal
Assim que o grupo deixou Gringots, a primeira parada (por insistência do loiro Slytherin, que se recusou a ter seu companheiro andando em trapos) foi na loja de vestes. Lá, Madame Malkin passou uma boa meia hora arrulhando sobre quão adorável o moreno Kittyara era e como ele ficaria lindo com essa ou aquela roupa, enquanto ambos Malfoys passeavam para cima e para baixo da loja, discutindo coisas como cores e tecidos, e jogando uma ocasional peça de roupa nos braços de um atendente. Dizer que Harry ficou traumatizado com a experiência seria eufemismo. O pobre coitado deixou a loja como se uma matilha de cães raivosos estivesse em seu encalço, para extremo divertimento de seus acompanhantes.
Após uma rápida passada no boticário, onde Narcisa coletou alguns ingredientes de poções que Severus havia encomendado, e na Floreios e Borrões apenas para dar uma olhada nas novidades, eles se dirigiram para a loja de varinhas por insistência de Lilith, que pensava em comprar um dos instrumentos para si, a fim de esconder suas habilidades.
O barulho suave de sinos anunciou a entrada do grupo na loja escura e empoeirada. Olhando ao redor, os sentidos sensíveis da morena captaram o ligeiro tremular de magia vinda de uma das estantes e um sorriso maroto surgiu em seu rosto. Com um aceno discreto de seu dedo, ela fez com que um vaso cheio d’agua pairasse em cima da figura oculta, antes de despejar todo o conteúdo do mesmo no desavisado.
Uma série de impropérios se seguiu ao movimento, assustando aos outros ocupantes do recinto e arrancando uma gargalhada divertida da morena.
Quando o velho homem recuperou um pouco da sua dignidade, ele deixou as sombras das estantes e se dirigiu aos seus surpresos clientes, seus olhos azulados cintilando com divertido aborrecimento em direção a Lilith, que ainda se retorcia por conta das risadas.
– Fico feliz em ser a fonte de seu entretenimento, Milady. – ele comentou com sarcasmo.
– Mil perdões, senhor, mas é a primeira vez que vejo um de sua espécie ser pego de surpresa. – Lilith se desculpou, enxugando as lágrimas que haviam se formado no canto dos seus olhos.
– Bem, os seus são conhecidos por terem excelentes sentidos. – ele rebateu, recebendo um encolher de ombros e um sorriso matreiro como resposta. – Na verdade, eu me perguntava quando Milady viria a minha procura...
E, ante os rostos confusos dos demais, o velho fabricante de varinhas desapareceu entre as prateleiras.
– O que ele é afinal? Sinto apenas um leve cheiro de floresta ao seu redor. – Harry pediu em um murmúrio confuso.
– Ele é um Sídhe... Uma... Bem... Uma fada. – foi a resposta envergonhada de Éden, que lançava tímidos olhares preocupados na direção aonde o velho homem havia sumido.
Este ressurgiu após alguns minutos carregando uma bela caixa de madeira esbranquiçada com movimentos reverentes. Quando ele a abriu e revelou o seu conteúdo, um suspiro coletivo de assombro ecoou pelo recinto. Deitada em meio ao interior acolchoado estava uma das mais belas varinhas já vistas, de uma incomum coloração azul-turquesa, com símbolos rúnicos prateados incrustrados por todo o seu comprimento e o que parecia ser um orifício na base do seu punho, grande o suficiente para acomodar uma pedra.
– Trinta centímetros, ligeiramente flexível, feita com a madeira da sagrada Telperion e lágrimas de um Ailuros como núcleo... – Olivaras encarava com olhos reverentes a majestosa peça que, mesmo sem ser empunhada, desprendia uma poderosa força mágica. — Esta varinha tem estado sobre os meus cuidados há alguns anos e me foi confiada por uma das pessoas mais gentis e poderosas que eu já tive o prazer de conhecer... Espero que ela seja tão fiel à Milady como ela foi a sua antiga dona.
Ainda olhando maravilhada para a peça esplendorosa, Lilith avançou e ergueu sua mão direita com movimentos cheios de uma reverente cautela. Ela estava apenas a centímetros de tocar na madeira, quando o artefato pareceu ganhar vida e pulou diretamente na palma da sua mão estendida. Um som vitorioso, uma mistura de um rugido com um ronronar satisfeito, ecoou por toda a loja, enquanto a magia outrora adormecida pareceu explodir para todos os lados, intensa, selvagem e poderosa, se condensando em volta da Kittyara. Com um silvo satisfeito o poder se acalmou com um último pulsar, se acomodando ao redor de Lilith como um fiel guardião, pronto para saltar em seu auxílio a qualquer sinal de perigo.
– Uau! – foi tudo o que a morena conseguia proferir.
– De fato uma peça esplendorosa. – o criador de varinhas concordou.
– Lady Vivianne ficaria orgulhosa, princesa. – Luna acrescentou, suas palavras embargadas pela emoção.
Com um sorriso agradecido, a jovem princesa pagou pelo material adequado para manter sua varinha e logo o grupo deixava a loja, se aventurando novamente pelas ruas agora menos movimentadas do Beco.
– Devemos nos apressar. – Lady Malfoy comentou, olhando para o sol que se punha com o cenho franzido. – Logo irá escurecer e duvido que nosso Lorde goste de ter Milady fora de sua vista por tanto tempo.
Abafando uma risada divertida ante o comentário da loira, a mulher morena seguiu seu filhote afoito direto para uma das lojas mais movimentadas da rua. A fachada colorida exibia uma infinidade de artigos estranhos e intrigantes, e o público parecia nunca diminuir, apesar da hora adiantada.
Sorrindo com carinho para o letreiro chamativo, Harry empurrou a porta de entrada, deixando que um discreto barulho de sinos anunciasse sua chegada. Dentro, a loja estava tão ou mais movimentada do que do lado de fora. Pessoas riam e gritavam por todos os lados, coisas tilintavam e explodiam, e crianças corriam de um lado para o outro, aumentando ainda mais a algazarra.
– Isso é um pandemônio! – o moreno soltou uma pequena risada divertida ante o comentário horrorizado de seu companheiro loiro.
– Ownn! Você ouviu isso Gred?
– Eu me sinto devidamente insultado, Forge.
Com sorrisos marotos idênticos estampados em seus rostos, os dois rapazes ruivos abriram caminho por entre o mar de clientes, apenas para serem engolidos pelo caloroso abraço do jovem moreno.
– FRED! GEORGE!
– Ora, ora. Veja o que temos aqui Fred! – o gêmeo a sua esquerda começou, passando um braço pela cintura delgada do kittyara.
– Um belo e inocente gatinho veio nos visitar! – continuou o outro gêmeo, acariciando as mechas negras sedosas. – O que você acha de corrompê-lo?
Um baixo e gutural rosnado chamou a atenção de todos para o jovem veela, cujos olhos brilhavam como prata fundida, suas garras e presas tendo se alongado de forma ameaçadora. Parecia um animal selvagem pronto para abater uma ameaça. O sorriso maroto dos gêmeos pareceu dobrar de tamanho, seus próprios olhos azuis brilhando com desafio.
– Parece que este pequeno já tem dono, meu caro Fred.
– Eu não tenho muita certeza se eu aprovo, meu caro George.
– Devemos testá-lo?
– Definitivamente.
E, dito isso, os olhos de ambos começaram a mudar para uma coloração alaranjada, como se uma pequena chama se ascendesse dentro deles, e a temperatura pareceu se elevar alguns graus célsius.
– Muito bem crianças, chega disso. Aqui não é lugar para se resolver essas coisas. – a fala era suave, mas a ordem foi clara, e logo os três jovens haviam se acalmado, os gêmeos encarando a kittyara morena com olhares avaliativos.
Realização amanheceu em seus olhos quando eles finalmente perceberam quem ela era, e ambos iam se adiantar para cumprimentá-la nas devidas formas, quando ela os interrompeu.
– Não aqui. – Lilith sibilou, olhando para o aglomerado de clientes que ainda zanzavam em meio a loja.
– É claro, Milady. Se vocês, por favor, nos acompanharem. – George murmurou, guiando-os para uma discreta porta atrás do balcão.
Um curto lance de escadas depois eles se viram confortavelmente acomodados em uma discreta sala de visitas, Draco segurando em seu colo, de forma possessiva, a um Harry completamente corado, para grande divertimento geral.
– Oh, o dono do gatinho ficou irritado! – Fred zombou, seu sorriso de desafio aumentando ao ouvir o rosnado de resposta do loiro.
– É bom que ele cuide bem do nosso gatinho, senão... – foi a vez de George ameaçar, seus olhos ficando laranja por um segundo.
– Ok, senhores. Agora chega! – Lilith novamente cortou a tensão que crescia no aposento.
– Nossas mais sinceras desculpas, Milady. É um imenso prazer recebê-la em nosso humilde lar... Possa o manto da Mãe Noturna abençoar esse nosso encontro. — George fez os devidos cumprimentos, sua postura assumindo um ar de nobre seriedade.
– Que a Senhora das Chamas nos ilumine com seu calor. — foi a resposta formal de Lilith.
– Eu não sabia que os Weasley tinham sangue de ninphas do fogo diluído em sua linhagem. – Lady Malfoy comentou com um olhar de ligeira surpresa.
– A nossa família tem uma grande variedade de seres mágicos em nossa genética, minha senhora. Esse é um dos motivos do porque nascem tantas crianças nos casamentos Weasley. É preciso passar essa grande quantidade de genes para as próximas gerações. – George esclareceu.
– Entretanto, nessa geração, apenas nós e nossos dois irmãos mais velhos desenvolvemos nossa Herança. Nós não sabemos explicar o porquê... Talvez a quantidade de poder mágico... Enfim, só sabemos que Bill é um Sphinge e Charlie é um Shifter dragão. – Fred emendou.
– E nós somos dois muito Dominantes e másculos Ninphas do fogo! – George finalizou com um sorriso brilhante.
– Que farão bem em manter suas mãos perigosas longe do meu companheiro. – Draco não se conteve mais e rosnou em direção a ambos.
– Aumm! – os dois ruivos ecoaram em conjunto.
– Não seja assim, pequeno furão emplumado. – Fred fez-se de ofendido, dando uma risada divertida enquanto saltava para longe do ataque do loiro.
– Nós nãos estamos – George continuou.
– De forma alguma – Fred emendou.
– Sob nenhuma circunstância –
– Atrás desse seu lindo gatinho.
– Agora... Se você fizer o gigantesco favor de nos apresentar esse lindo –
– Formoso –
– Luminoso –
– Delicioso –
– Anjinho.
– Nós ficaremos eternamente em dívida com você! – eles finalizaram em uma só voz, ambos lançando olhares predatórios na direção do pequeno rapaz de olhos violáceos, que recuou em seu acento, tamanha era a intensidade daqueles olhares.
Draco imediatamente parou com suas tentativas de trucidar os dois rapazes ruivos e ficou a encará-los por alguns instantes, confuso com o rumo da conversa. Ele então soltou uma gargalhada divertida e voltou a se acomodar em seu acento, puxando ao kittyara moreno novamente para seu colo, sua postura agora muito mais relaxada.
– Se vocês fazem questão, permitam-me então lhes apresentar ao Príncipe dos Nephilins, Lorde Éden Skyfall, sétimo na linha de sucessão ao trono. – o loiro apresentou, um sorriso divertido adornando seu rosto ao ver as caras chocadas dos rapazes ruivos.
Os dois se recuperaram rapidamente do seu atordoamento e fizeram uma profunda e respeitosa reverência ante o rapaz de olhos violáceos, suas vozes e semblantes assumindo um tom de seriedade.
– Perdoe-nos por nossa impertinência, Majestade, mas...
– Vossa excelência nos faria os homens mais felizes –
– Sortudos –
– Afortunados –
– Bem-aventurados do mundo, se nos desse a honra –
– A imensa glória –
– De aceitar os nossos pedidos de cortejo. – ambos ruivos finalizaram em conjunto, cada um se apoderando de uma das mãos de um muito vermelho Nephilin e depositando um suave beijo em seu dorso.
O pobre rapaz moreno estava completamente paralisado e sem saber o que dizer ou fazer, tamanho era o seu embaraço.
– Ora, ora. Que desenrolar interessante. – Lilith murmurou com divertimento, se servindo de mais alguns petiscos. Ao seu lado, Narcisa acenou em concordância.
Foram necessários alguns poucos minutos para Éden enfim recuperar a compostura. Com um rubor adorável em seu rosto pálido, o jovem encarou cada um daqueles orbes agora alaranjados, um tímido sorriso surgindo em seu rosto.
– Eu adoraria aceitar ao pedido de cortejo de vocês, caros senhores... – ele começou de forma acanhada. – Mas, segundo os costumes do meu povo, todos os pedidos de cortejo devem ser aprovados pelos Dominantes da família do Submisso...
– Ah, como eu pude me esquecer disso? – o sorriso no rosto de Draco pareceu dobrar de intensidade. – Só para constar Weasleys... Os seis irmãos mais velhos dele são todos Dominantes... E muito protetores, pelo que eu ouvi falar.
– Ahh! Você viu que bonitinho Fred? O pequeno furão está preocupado com nosso bem estar.
– Não é adorável George?
– Seus miseráveis!!
E assim o resto da tarde agradável se passou, entre conversas, risadas e lutas ocasionais dos três Dominantes. Logo chegou a hora deles se despedirem e irem para as suas próprias casas, os gêmeos fazendo promessas veementes de visitar ao jovem Nephilin e fazer os pedidos oficialmente para sua família.
Foi só quando o grupo deixou a loja que eles notaram o quão tarde estava. O sol já estava quase posto, os pequenos postes de luz esparçados pelo Beco começando a se acender, enquanto alguns poucos transeuntes se apressavam em terminar suas compras de última hora. Lilith estava para sugerir que eles aparatassem para a Mansão, quando seus instintos saltaram em alerta.
Algo estava errado. Uma sensação pesada e sombria se abatia sobre as ruas mal iluminadas, fazendo todos os pelos do seu corpo se arrepiarem. Em instantes, ela se viu sendo puxada para trás do corpo musculoso do jovem veela, ele e Artêmis assumindo uma postura defensiva na frente do grupo, seus silvos de alerta ecoando pela rua e atraindo a atenção de alguns dos pedestres.
– Tenham cuidado. – o felino branco avisou.
Tarde demais... Vindo do nada, um feixe de luz arroxeada voou em direção ao grupo, visando ao Kittyara moreno. Agindo por puro instinto e sem se preocupar com as consequências, Lilith se lançou a frente, interceptando o feitiço com seu próprio corpo.
Então, houve apenas dor. Uma dilacerante onda de dor que começou na base do seu estômago se se estendeu para todo o seu corpo e, quando ela levou as mãos para o local atingido, pode sentir um líquido viscoso e de cheiro metálico que escorria pela região. Seu sangue. Gritos ecoavam a sua volta e sua vista embaçada conseguia discernir apenas flashes de luzes, antes de tudo parar abruptamente e restar apenas o vazio.
Fale com o autor