Disasterologia
2 Have a Smoke, Pour a Drink, Steal a Kiss in The Dark
Notas iniciais
A festa era a décima daquele mês, Percy levou Nico que — como de costume — usava um blusa preta e jeans pretos. A festa seria ser na casa de Rachel. Todos levariam uma bebida e eles ficaram responsáveis por nossa querida amiga: a vodka. Chegaram atrasados e viram que muitos copinhos vermelhos de plástico já estavam no chão, indicando que a festa já tinha começado há, no mínimo, duas horas. Nico nunca sentiu-se tão a vontade em uma festa como naquele dia, bebeu como se o amanha dependesse disso e pode sentir cada gota do álcool rasgar-lhe a garganta, não de um jeito ruim, do jeito que o calor se espalha de forma mágica por seu corpo. Bêbados dançaram até o dia amanhecer quando Rachel finalmente decidiu que estava na hora H. Na hora do jogo. Não falo de nenhum jogo sexual, ou algo assim. Tá, falo sim, mas isso fica nas entrelinhas. Falo de “Eu já” seguido por “verdade ou consequência”, Percy confessara que não gosta e nem nunca gostará desses jogos, pois sempre acabam em algum tipo de putaria. Sentaram todos em uma roda, uma dose de tequila em cada copinho. A primeira a falar foi a dona da casa.
– Eu já... – fez mistério. – Eu já tive uma fantasia sexual realizada – em seguida olhou para o loiro ao seu lado e piscou o olho direito.
Metade da roda bebeu, a outra apenas olhou enquanto dez copinhos eram esvaziados e enchidos com outra dose da mesma bebida.
– Agora você, amor – disse novamente olhando em direção ao seu loiro.
– Sim, querida – disse ironicamente Octavian. – Eu já beijei na chuva.
Dessa vez Percy e Annabeth, Connor e Katie e Rachel viraram o copo. Enchendu-o em seguida. Esse ritual aconteceu diversas vezes, copos esvaziados e em seguida cheio novamente, até a vez de Annabeth.
– Eu já beijei um garoto – disse tímida.
– Annie, querida, você já foi mais inteligente que isso – disse Thalia, virando seu copo. Nico, Percy e todos as outras as meninas viraram seus pequeninos copos.
Todos os olhares da roda se viraram para os dois garotos. Eles coraram e se entreolharam. Não queriam dizer a todos sobre o beijo. Não mesmo.
– Não temos nada a declarar – disseram juntos com um sorrisinho de canto de boca.
– Mas teram de falar querendo ou não – Chris já estava pensando no próximo “jogo”.
– Que tal irmos mudando logo de jogo? Assim as coisas acontecem mais rápidas – Rachel disse maliciosa. Todos concordaram com murmúrios olhando de Percy para Nico no outro lado da roda.
O primeiro a rodar a garrafa foi, ironicamente, Percy. Ela girava e girava e girava, parecia estar em câmera lenta, por pura zoação com Percy. Parou, repito: ironicamente, em Luke Castellan.
– Bem... Ótimo! – sorriu-lhe o amigo.
– Oh, merda.
– O que escolhe, Cabeça de algas? – brincou com o apelido dado a Percy anos atrás por sua amiga, Annabeth.
– Verdade – respondeu e viu o sorriso maligno de Luke. Tratou de mudar rápido — Quer dizer consequência!
– Ótimo – o sorriso novamente. Percy estava confuso. – Quero que você beije novamente – demorou-se nessa palavra – nosso querido amigo Di Angelo.
Percy não sabia o que fazer, não sabia se beijava Nico ou se “passava por de baixo da vaca”, se escolhesse a última alternativa outras pessoas fariam a mesma proposta.
Atravessou toda a roda olhando nos olhos negros como a noite, jurando vingar-se de Luke. Dando graças a Deus por todos estarem em um nível de embriaguez que não se lembrariam de nada no dia seguinte. Sentou-se na frente de Nico e o puxou para frente. Sua boca encaminhou-se não para a boca, mas sim para o ouvido do mais novo, onde mordeu o lóbulo sussurrando: "não faço isso por eles, mas sim pelo amor que sinto por você". Pode sentir o garoto sorrir. Por fim, acabou com a espera e colou seus lábios aos dele. O beijo era lento e constante, tímido Nico pediu passagem com a língua. As línguas dançavam um tango perfeito, travavam uma guerra sem perdedor. Era quase impossível para Percy não querer trazer Nico para perto, ambas as mãos no pescoço do outro, arranhando-o com o intuito de trazê-lo para mais perto. Muito mais perto. Só pararam quando o maldito ar fez-se necessário. As testas ainda estavam coladas quando Nico murmurou um "te amo" quase inaudível. Ainda duvidava se Percy tivesse ouvido.
– Arrumem um quarto vocês dois!
– É!
– Chatos demais... — resmungou Percy sentando-se ao lado de seu melhor amigo a pouco beijado.
Luke girou a garrafa com a intenção de parar com as brincadeiras em direção a seus amigos. Parou em Octavian.
– Verdade ou consequência?
– Verdade.
– Ok — "prevejo merda" pensou Thalia ao ver o sorriso maldito no rosto de Octavian. — É verdade que você e Thalia estão namorando?
Thalia corou e Luke riu pelo nariz.
– Sim, Octavian. Isso é a mais pura verdade — beijou o topo da cabeça de Thalia e envolveu sua cintura.
O sol já nascia e a festa logo acabaria. Sabendo disso Rachel ligou o som, tocava Lost In Stereo, All Time Low, e voltou a dançar. Octavian a seguiu e começou a beija-la vorazmente, logo todos dançavam de novo. Menos Nico.
Ele foi direto para a varanda por não aguentar mais aquele som alto e também por ter sido usado mais uma vez naquela noite. Sabia que Percy não fazia por mal, mas também sabia que aquilo tudo não passava de uma grande brincadeira. Olhava o sol, sem realmente enxerga-lo, via-o nascer brilhante e imponente numa manhã fria de setembro. Pode sentir que alguém estava ao seu lado, mas ficou calado.
– Eu sei como se sente — disse-lhe a voz. — Eu sei como é ruim se sentir usado e acredito que esteja se sentido assim. Já passei por isso inúmeras vezes com Jason.
Leo tentava consola-lo. Nos últimos anos o filho de Hefesto tinha tornado-se um amigo infalível. Tornara-se o melhor amigo de Nico e isso era ótimo. O filho de Hades podia ficar horas conversando com Leo sobre as coisas mais banais e também sobre Jason e sobre como Leo sentia-se cada vez mais atraido pelo filho de Júpiter.
– Sabe, Jason sempre gostou de tirar fotos quando estamos juntos e eu sempre carrego a primeira que ele tirou no carteira, mas sempre temo queima-la sem querer.
– Uau, Leo. Não sabia que Jason era tão romântico assim... — ironizou.
– É, espero que tenha a mesma sorte com seu peixinho – Leo riu e Nico esboçou um sorriso — e espero que ele perceba que você quer muito mais que um beijo em um verdade ou consequência qualquer.
– Cala a boca, Vadez.
E riu.
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