Disappear
1 Capítulo único- Desaparecer
Notas iniciais
p.o.v Elise on
Ontem havia tomado uma decisão errada. Várias, para dizer a verdade. Meter-me na vida de outra pessoa não foi o suficiente, eu precisei atrapalhar o seu relacionamento e o psicológico também. É, às vezes, eu tenho certeza de que me jogar do décimo terceiro andar do meu prédio tivera sido uma ótima ideia, se não pelo simples fato de que eu sobrevivi.
Acordei numa cama de hospital, não havia ninguém ali comigo, sentia uma forte dor e não conseguia mexer-me. A minha cabeça doía muito, e eu sentia uma impotência vocal. O que aconteceu? Eu imaginei o céu de um jeito diferente, mas ele parecia apenas uma cópia da vida na terra. A porta se abriu e um homem com um jaleco branco entrou, ele tinha uma pele clara, cabelos louros e parecia sorrir.
- Pois bem, não é que você acordou?
Ele parecia contente enquanto anotava algo em uma prancheta, logo depois voltou a olhar-me.
- Eu... Morri? – perguntei, com dificuldade para dizer algo.
- Por sorte não, garotinha. Mas foi uma queda e tanto.
O quê? Não poderia ser possível! Eu não podia ter sobrevivido! Não podia... E agora estaria presa naquela maldita sala hospitalar e depois, presa em casa!
- Vamos mandar uma psiquiatra vir aqui só para conversar, queremos entender por que fez isso.
Não respondi, e em seguida uma mulher com o mesmo jaleco do homem, com cabelo castanho-escuro preso em um rabo de cavalo e óculos vermelhos entrou. Pegou uma cadeira, e sentou-se perto dos meus pés. O médico iria deixar-nos a sós.
Fui bem simples, eu disse que meu nome é Elise, minha idade, etc, até que veio a pergunta “por que você se jogou do prédio, Elise?”.
Bom, eu não sabia o que responder. Eram tantas coisas na minha cabeça. Eu era apenas uma pessoa normal, tinha dois amigos, vivia minha vida, mas as coisas mudaram com a entrada de uma quarta pessoa em nossa rotina. Eu não sabia, mas tinha mudado aos poucos, e os outros percebiam isso, mas não me contavam. Simplesmente porque sou infantil. Contei sobre a discussão, sobre as decisões irracionais que tomei que propaguei sobre Andressa, contei sobre o jeito absurdo de superproteção que tenho. Sobre querer ser dona da vida dos outros, enquanto a minha é uma bagunça. Algumas lágrimas escorriam enquanto contava, afinal, eu destruí uma amizade. Eu destruí minha família quando nasci.
Eu não devia ter nascido.
Eu nunca me senti 100% feliz. Absolutamente nunca! Eram coisas momentâneas, nada reais. E seria por isso que eu estragava a dos outros? Eu já sabia que mais coisas ruins iriam acontecer, eu tinha certeza.
Passou algumas semanas e fui liberada, então, Andressa veio me visitar. Ela contou-me sobre o artigo pré-suicida que escrevi, eu me senti realmente arrependida e muito mal. Contou-me que seu namoro terminou o que não me ajudou em nada. Conversamos por horas, ela me dizia estar triste por algo que aconteceu, mas eu não tinha reações. Eu me sentia mal por ela, porque éramos amigas. Eu fiquei amiga dela e depois lhe dei essa facada nas costas, eu não sou assim. Eu mudei. Três palavras definiriam o que realmente aconteceu.
Ignorância. Raiva. Orgulho.
Meu jeito ignorante de ser deixava ele desconfortável, ele falava isso a ela. Eu sei. Eu nunca entendi porque ele escondia coisas. Claro, ele tinha seus motivos e eu deveria respeitá-los, mas ainda sim, doía. Eu não fui uma boa amiga.
Minha raiva momentânea. Eu não procurei o auxílio dela, como ela fez tantas vezes. Eu estava possessa, não era eu mesma. NÃO ERA ELISE LETCHANCOVSKI ALI. Era uma pessoa fria, egoísta, que só pensava nela mesma, e por estar totalmente ciente de que não havia falhas o engenhoso plano de suicídio, eu esvaziei tudo que estava armazenado aqui dentro, tudo que a raiva causou todas as coisas boas que transformei em ruins. Eu sou um monstro.
Orgulho. Qualquer pessoa pensaria “ah, mas você faz isso porque gosta dele” não. Não é isso. Eu me PREOCUPO. Não GOSTO. É diferente. E mesmo que ele repetisse milhões de vezes, eu nunca mais acreditaria que ele é a mesma pessoa. Que não iria trocar os amigos, desde que me foram revelados algumas coisas. Esse orgulho besta que o ser humano carrega consigo, ele, simplesmente o afasta da felicidade.
E eu fui para o buraco junto do meu orgulho. Eu só queria morrer. Andressa achava que eu a considerava manipuladora, uma pessoa ruim. Não era verdade. Eu achei tanto que causava problemas a eles, que falhei na minha função como amiga, eu precisava me afastar, para sempre, mas deu tudo tão errado!
Eu não tenho descrever o futuro, não tenho mesmo. Não sei se Andressa vai continuar a falar comigo, não sei como será o convívio com ele daqui pra frente. Não sei como lidar com o monstro de sete cabeças que criei. Mas eu queria pedir desculpa com esse novo artigo que estou a escrever. Eu só quero que me perdoem. Que fiquem em paz, que sejam amigos ou até mesmo namorados novamente e que se amem muito! Porque meu tempo é curto...
Notas finais
Comente o que achou, agora se você gostou do que leu ou não, fica a critério seu. Um forte abraço e até a próxima história.
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