Disappear

1 Capítulo Único


Notas iniciais
*Leiam com a música da nota final ou com alguma triste.
Essa one foi tão espontânea que eu me espantei, de verdade.
Estou começando a gostar de NejiHina só agora, então é um grande passo ter escrito essa one (que era pra ter ficado menor, mas me empolguei) haha
Faz tempo que não escrevo drama, mas ok KKKKKKKKK
Essa one surgiu pq eu estava caçando alguma música pra eu poder usar como inspiração pra minha GaaHina, e então achei essa, Disappear, e pensei 'pqp, tenho que escrever algo com ela' e o primeiro casal que me veio foi NejiHina -w-
É isso, o link tá lá nas notas sz vc só vai conseguir sentir essa one se estiver ouvindo algo triste, vai por mim hauahauhau espero que vcs gostem -w-

Boa Leitura!

Disappear

Capítulo Único

Hinata colocou a bolsa sobre a mesa, arrumando a saia preta que contornava suas pernas. Soltou seu cabelo, antes preso num coque, aliviada por estar em casa. Abriu as janelas da cozinha e da sala, os únicos cômodos no primeiro andar da casa. Ainda assim, o ar parecia preso na sua garganta, mas ela sabia o porquê.

Nenhuma janela aberta iria resolver sua falta de ar. Sentou-se sobre a mesa da cozinha, batucando as unhas levemente contra a madeira, um ritmo perfeito com os batimentos de seu coração. Então, como se fosse só uma criança, ela se deitou, fechando os olhos e desejando desaparecer naquele momento. A bolsa estava na altura dos seus olhos, mas mesmo se ela tivesse a derrubando, não se importaria. Seu cabelo se espalhava pela superfície. Respirou fundo, piscando quando ouviu passos.

- Você parece mais jovem. – Ouviu aquela voz já conhecida, só que daquela vez parecia mais fria do que o normal. Virou-se na mesa, ainda deitada, para poder olhar para ele, que permaneceu parado na porta.

Não, ela não estava mais jovem. Havia o começo dos pés de galinha bem ali e dois meses atrás eles haviam encontrado, juntos, três fios de cabelo branco em cada. Dois meses atrás... Hinata fechou os olhos, recordando. Mas não sorriu, como faria sempre. Até que teve certa vontade, mas não o fez.

- Você parece mais mal humorado... – Foi o que respondeu, num sussurro tão baixo, que ela tinha certeza que ele não havia ouvido. Pode ouvir os passos dele indo até a geladeira, abrindo e pegando qualquer coisa.

- Eu estou aqui, Hinata. – Ouviu a voz dele de novo, no que pareceu ser horas depois. Na verdade foram só minutos. Hinata abriu os olhos, encarando aqueles que eram tão parecidos com os seus.

- Eu estou te vendo.

- Não, não está. – As sobrancelhas deles se juntaram, enrugando a testa. Oh, Hinata gostava daquilo. Realmente gostava.

Gostava tanto, que se sentou, ainda na mesa, para analisá-lo melhor. Neji estava ali, dois palmos distante, mas parecia muito longe. Havia uma parede grossa entre eles, uma parede invisível, mas que parecia indestrutível naquele momento. Quando Hinata percebeu, seus olhos já estavam cheios de água, a boca tremia e as bochechas ferviam. Ela começou a chorar, depois de levar uma mão só até o rosto, cobrindo-o totalmente. Antigamente, naquelas condições, ele lhe abraçaria e botaria a cabeça dela contra o ombro forte e masculino dele.

Neji não emitiu nenhum som. Mas ele permanecia ali, pois Hinata ainda sentia o calor do corpo dele, mesmo que sua presença fosse gelada.

- Quer saber? Eu não vou ficar aqui. Não vou te ouvir chorando.

- Nós acabamos? – Ela grunhiu no choro, num tom quase indecifrável, isso se ele não lhe conhecesse tão bem.

O homem não respondeu, apenas a respiração dele se fez presente. Hinata imaginava que ele estava na porta, mas de costas e chorando, não podia ver nada.

- Você acabou.

-

O carro estacionou na ruazinha de pedra, que logo se transformava em areia. Hinata olhou sua figura no retrovisor, puxando uma ou outra mecha do cabelo para frente ou para trás. Ficou em silêncio por um momento, curtindo a felicidade da solidão. Era fim de tarde, o sol já ia abaixando, como se o mar o sugasse. Era uma cena bonita, ela gostava.

Então desceu do carro, sentindo o pano tênue da sua saída de praia longa e transparente, num tom que lembrava seu próprio cabelo, batendo nas pernas. Senti-se leve como aquele tecido, enquanto pisava na areia fofa e quase branca. Não foi uma surpresa encontrar aquela pessoa ali, sentada na própria areia, admirando o horizonte. Era verdade que eles sempre fizeram isso juntos – quando ainda estavam juntos.

O polegar chegou repentinamente no dedo anelar, onde ainda estava o anel dourado como o sol. Acariciou o objeto, ouvindo o som das ondas. Pensou se deveria se aproximar, já o fazendo.

- Hinata?

Ela se assustou por um momento, mas balançou a cabeça, Neji sempre sabia quando ela estava perto, era uma das coisas comuns no casamento deles.

- Hey, como você está? – Perguntou baixinho, parando do lado dele, ainda em pé. Então se sentou, com um espaço saudável entre os dois.

- Bem, eu acho. – Virou seu rosto para ela. Já haviam bons quatros meses desde aquele dia na cozinha, mas o rosto duro e masculino dele permanecia o mesmo. Assim como os olhos brancos, quase como a areia. Hinata piscou, lembrando que o beijo dele era salgado. – E você?

- Confiante. – Foi o que respondeu, sem saber o que aquilo significava. Ele também não sabia, então permaneceu quieto. Eles ficariam assim, quando Hinata cortou o silêncio com um grande suspiro. – Quando eu penso sobre aquilo, eu vejo que nunca estive presente. Digo, quando nosso casamento estava desmoronando. Na verdade, eu não me importei. Eu achei que isso ia passar.

As ondas quebraram, o silêncio veio de forma angustiante, mas eles já haviam se acostumado.

- Provavelmente eu sempre estive pronto para isso. – Esse comentário fez com que ambos, de formas diferentes, soltassem um sorriso triste.

- Quando eu... Quando eu penso mais, eu vejo que nunca dividi os problemas com você. Mesmo a minha felicidade, eu compartilhei pouco. – Ela parou de olhar para o horizonte, mirando o chão. Os dedos do pé se retraíram. – Mas Neji, às vezes eu percebia, como percebo agora, que você estava do meu lado, mas quando eu tentava te sentir, quando eu tentava alcançar você...

- Você desaparecia. – Ele completou, a olhando significantemente. Hinata arregalou levemente os olhos já chorosos, olhando-o também.

Todo aquele tempo, Neji sempre soube. Pois para ele era o mesmo.

Ambos ficaram quietos, mas daquela vez o silêncio estava cheio de coisas. Coisas que eles nunca diriam, na verdade.

- O que eu sabia quando começamos nossa história, essas coisas estão desaparecendo agora. – Hinata foi quem tomou a dianteira outra vez, mas agora ela não queria resposta nenhuma dele. – Eu deveria ter tentado mais, Neji, eu sei. Por muito tempo, o que me distraiu e me manteve forte foi pensar no seu rosto ou na sua voz, mas, como eu falei, está tudo desaparecendo. Desaparecendo como você, desaparecendo como eu sei que estou aos seus olhos. – Ela fixou seus olhos nos dele, como não fazia há muito tempo. Ele agarrou a mão esquerda dela, segurando com força.

- Ouça, Hina, eu nunca fui tão sincero, além do dia que te pedi em casamento. – Ele estava profundamente sério, e isso a comoveu de uma maneira muito estranha. – Me desculpa, por tudo ter acabado. Eu também não estive lá quando você precisou, e muito menos me importei. Eu não partilhei nada e nosso casamento se desgastou. Somos ambos culpados, mas quem merece desculpas é você.

Em muitos anos, Hinata nunca o vira falar tanto. Lágrimas tranquilas começaram a descer por seu rosto claro. Puxou levemente a mão das dele, e retirou o anel do dedo anelar. Puxou as mãos dele e colocou o objeto no meio, fechando-as logo depois.

- Guarde para você, como a prova que eu te amei como uma louca, e como a prova que eu ainda estou aqui, que eu não desapareci. – Murmurou, respirando fundo e com um alivio que não sentia em muito tempo. Sentiu que Neji ia respondê-la, mas balançou a cabeça, para que ele ficasse quieto. – A prova que você não desapareceu está no meu coração e na nossa filha. Isso é o suficiente para mim.

E ele se calou, apertando com tamanha força o anel na palma da mão, que provavelmente uma marca ficaria ali. Assistiu Hinata se levantar, ainda com a saída de praia, andar até o mar como se fosse uma pluma.

Ela se enterrou na água como se fosse areia, mergulhando como se fosse uma sereia, sentindo como se recuperasse o tato. Quando levantou da água, passando a mão nos cabelos, a única coisa que havia desaparecido em tudo aquilo, era o sentimento de angustia que a invadira desde o começo do término deles.

Ela era uma nova mulher agora, muito melhor do que antes.

Notas finais
Música, já com a legenda: https://www.youtube.com/watch?v=bFxUccefkHU
Sim, as falas da Hina foram a letra KKKKKKKKK enfim, acho que essa é uma one real. As pessoas podem se amar muito algum tempo, mas muitas vezes isso não dura para sempre ;D
Me desculpe se o Neji ficou muito fora dele, foi oq consegui fazer kkkkkkkkkk
Espero que tenham gostado, um beijão sz
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!