Dirty Laundry

5 Ele,número 3/Marry You-Bruno Mars


É uma noite linda

Estamos à procura de algo idiota para fazer

Hey baby

Acho que quero me casar com você

—Reencontro de Calouros de 2016. Eu não acredito nisso.

—Não temos nada pra fazer hoje à noite, Laura. Vão até fazer uma fogueira. È nosso aniversário de dois anos de namoro... Por que não comemorar no lugar que nos conhecemos?

—Mas é tão idiota...

—E não é isso que estamos procurando?

Rimos juntos e ela me beijou, concordando. Ela mal sabia o que já estava planejado para aquela noite. Coloquei uma camisa lisa,com uma bermuda. No bolso da bermuda, a caixinha com as alianças. Eu sabia que eu deveria me casar com ela.

Será o olhar em seus olhos

Ou é esta dança empolgante?

Quem se importa, querida

Acho que quero me casar com você

Estávamos todos em volta da fogueira. Era estranho estar de volta à aquela escola, mas eu me sentia bem. Passei por tantas coisas ali dentro. E passei pela experiência mais louca da minha vida por causa das pessoas que estavam a nossa volta. Os calouros de 2016 e veteranos de 2018. Nem parecia que já haviam passado quatro anos de nossa formatura.

Laura olhava para tudo com os olhos brilhando. Suas amigas já sabiam do plano. As bexigas já estavam escondidas. Logo sairiam pra buscar. Logo uma de suas amigas começaria a cantar sua musica preferida. Estava tudo perto demais. Eu só conseguia pensar em seus olhos.

Ao tocar “New Rules” da Dua Lipa, começamos a dançar como loucos. Em volta da fogueira. O pessoal que continuava solteiro estava flertando, os casados se amando, alguns já noivos se abraçando. Logo seriamos nós. E eu não sabia o que mais me atraia: seus olhos ou o modo como dançava.

Mas quem se importa? Eu vou a pedir em casamento!

Conheço uma pequena capela na avenida onde podemos ir

[...]

Venha garota

E daí se estamos bagunçados

Tenho um bolso cheio de dinheiro que podemos gastar

Com doses de tequila

E tá valendo, garota

E eu vou a pedir em casamento, agora. Nesse momento. Alguém apagou a fogueira, e eu sabia que tinha sido seu melhor amigo, João, com a ajuda de Nicholas e Camila.

Laura tomou um susto, e eu ri. Ela me deu um tapa no ombro, enquanto eu ria dela.

—GALERA, VAMO TODO MUNDO PRA CAPELA!- Gritou Luana, outra de suas amigas, dona do aniversário em que ficamos na mesma mesa.

Eu estava tremendo. Enquanto Joyce a distraia fingindo precisar algo muito importante, eu fingia conversar com um amigo, enquanto todos íamos para a capela. Laura e Joyce ficaram para trás, como planejado.

Arrumamos tudo dentro da capela. Ingrid já estava com uma das bexigas, enquanto Luana segurava a outra. Elas riam muito, estavam muito felizes pela amiga.

Eu apenas segurava a caixinha na mão. Dei o sinal para Camila ligar no celular de Joyce, que traria Laura para dentro da capela.

Por um dos vidros quebrados da capela, mais um de nossos amigos a avistou chegando.

Era a hora. Finalmente, a hora.

Joyce abriu as portas da capela e simplesmente saiu da frente. Quando ela me viu , perto do altar, meus olhos começaram a lacrimejar. Ajoelhei-me, e de longe pude observar ela tampando a boca. Eu sabia que a surpreenderia.

—Ei, eu te amo!- Gritei, mesmo que ela ainda estivesse no meio do caminho.

—Eu te amo ainda mais!

Quando ela chegou a mim, comecei a ouvir um som de violão e uma voz leve. Era a hora, e eu nem acreditava.

Ao fundo, se ouvia: “the water is getting cold, especially when i’m smoking”. E eu finalmente pronunciei:

—Quer casar comigo?

Ela sorriu, e ao mesmo tempo começou a chorar. Pude ver Natália no fundo da capela, com Nicholas, chorando de emoção, por cima do ombro de Laura. Todos estavam emocionados, esperando a resposta.

As amigas dela soltaram as bexigas e pegaram as tequilas que eu havia dado dinheiro para que comprassem. Eram apenas segundos, enquanto Ingrid e Luana balançavam as tequilas em direção dela.

Não diga não, não, não, não, não

Só diga sim, sim, sim, sim, sim

E nós vamos, vamos, vamos, vamos

Se você estiver pronta, como eu estou

Eu estava tremendo com a caixinha aberta. Torcendo para que ela dissesse sim. Minha cabeça repetia milhares de vezes “não diga não” e “só diga sim”.

—SIM.- ela disse, pegando minha mão e me levantando.- Eu amo você.

As bexigas se estouraram num estrondo, todos gritaram e bateram palmas, enquanto eu a abraçava e a girava no ar.

Abrimos as tequilas, enchemos a cara. Eu tinha certeza que nós dois estávamos prontos.