Direito de Amar

1 Como tudo começou


Desde janeiro trabalho na Müller, uma companhia farmacêutica alemã. Sou secretaria de Cora Hensler , chefe da sucursal aqui de Madrid e, embora eu goste do meu emprego, muitas vezes me sinto explorada.
Minha chefe é uma mala.
Já pensei por inúmeras vezes pedir demissão *Suspiro* mas depois eu lembro que arrumar um outro emprego como esse seria difícil, então eu teria que aguentar Cora... De qualquer jeito eu também precisava do dinheiro, mesmo não ganhando o suficiente para o tratamento da minha mãe, o que eu ganhava já ajudava em alguma coisa dentro de casa.
Descobrimos a doença da minha mãe no comecinho do ano passado, quando um dia ela acordou com um formigamento no braço esquerdo e com a visão turva. Como eu ainda moro com ela, a levei no médico imediatamente, preocupada com o estado em que se encontrava, e lá fizeram uma tomografia, além de uma bateria de exames. Em menos de 15 dias recebemos o diagnóstico. Ela estava com esclerose múltipla. Ficamos desestruturadas com aquela notícia, jamais me passou pela cabeça que poderia ser tão grave. Minha mãe ficou desesperada, tadinha, eu sabia que existia um tratamento, mas era de alto custo, e as medicações giram em torno de 5 mil por mês.
As dificuldades que encontramos em nossa vida é o mesmo que escalar uma montanha. São caminhos com obstáculos que precisam ser removidos de nossa frente para uma caminhada de equilíbrio. Naquele momento eu olhei pro médico, olhei pra minha mãe e sabia que ela precisaria de mim, agora mais do que nunca eu precisava ser forte por ela.

~Flashback On~

— Mamãe, precisamos conversar...
*Me sentei ao seu lado no sofá, com ela me olhando seriamente*

Beverly— Não estou para conversas Marcia, me deixa sozinha por favor!

— NÃO! Eu não vou te deixar sozinha, será que você ainda não percebeu? Eu tô aqui com você mãe, e juntas conseguiremos vencer essa maldita doença! *Com ela já ameaçando chorar, pego em suas mãos e a conforto*
— Se Deus encheu sua vida de obstáculos, é porque ele acredita na sua capacidade de passar por cima de cada um deles. E eu também mãe, eu acredito em você. Você é forte! *No mesmo instante, a emoção tomou conta daquele momento. Nos abraçamos e choramos tudo o que tínhamo pra chorar*

Beverly— O que me preocupa é que não temos tanto dinheiro pra esse tratamento minha filha... E se... E se eu perder minhas coordenações motoras? Sabe quanto custa uma fisioterapia?

— Não se preocupe com dinheiro mãe, e vou dar um jeito.

Beverly— Mais como Marcia?

— Bom, eu... Eu tenho minhas economias... Não se preocupe dona Beverly *Sorrio pra ela*
— Vai dar tudo certo! *Suspiro e a puxo para um abraço*

~Flashback Off~

São 23h30... Tarde pra caramba!
Quando por fim termino a pilha de trabalho que minha "querida" chefe me encarregou de fazer, deixo os relatórios na mesa dela e volto à minha. Pego minha bolsa, meu casaco e cachecol e vou embora sem olhar para trás. Saio da empresa e vou direto para o Chelsea Cabaret Madrid. Quando cheguei na boate a primeira coisa que fiz foi olhar a hora, já eram 00h40, o que significava que eu estava 40 min atrasada. Fui andando até ao camarim e olhando ao redor pra ver se Johnny estava na casa hoje, que por sinal estava cheia.

~No Camarim~

Camila— Meu Deus Marcia, pensei que não viria hoje... Johnny está possesso atrás de você!

— Ele está aí?

Camila— Claro que sim! *Falei passando meu batom vermelho vibrante*— Ai amiga, eu tentei te dar cobertura, mas não deu pra enrolar ele por muito tempo não... Você sabe como o chefinho é, desconfiado que só

— Obrigada Mila... Fico te devendo uma *Sorri pra ela num gesto de agradecimento, pois Camila sempre me ajudava. Sabia que ela se arriscava demais por mim, o que poderia acabar trazendo problemas para nós duas com Johnny (Nosso cafetão e dono da boate)

Camila— De nada, Rubi... *Sorrio pra ela*— Agora vamos trabalhar, anda... Antes que o Johnny apareça aqui...

Camila mal termina de falar e a figura de Johnny se concretiza bem na nossa frente. Como ele apareceu ali do nada sem vermos ele entrando eu não sei, só sei que ele me olhava com fúria nos olhos.

— Johnny, eu... *Ele me interrompe*

Jhonny — Que bom que veio, caso contrário sofreria as consequências por me fazer perder uma grana preta *Me aproximei dela e falei segurando seu queixo*— Agora vá se trocar *Sorrio malicioso* — Parece que aquele velhote de semana passada gostou dos seus servicinhos Rubi... Vê se não demora! TEMPO É DINHEIRO, GATA! *Grito e saio batendo a porta*— TE ESPERO NO BAR!

Eu não gostava nada do que eu fazia ali todas as noites, naquele lugar horrendo. Me dava nojo. Quando eu chegava em casa e deitava minha cabeça no travesseiro a única coisa que eu conseguia pensar era em todos aqueles homens me tocando, e então as lágrimas caíam sucessivamente, até eu pegar no sono.
Sentada na penteadeira de frente pro espelho respirei fundo e comecei a fazer a maquiagem. Depois de já estar "pronta", fiz o que Johnny mandou. Fui caminhando até o bar, e lá estava o homem com quem tinha me deitado semana passada. Desde a primeira vez que o velho me viu, disse a Johnny que estava disposto a pagar a quantia que fosse para ter uma noite comigo. E Johnny, claro, interessado na grana concordou com o homem. Mais é claro que a metade da grana seria minha. Então lá fui eu... Mais uma noite, conseguir o dinheiro para os remédios da minha mãe.