Diplopia
2 Escolhas
Notas iniciais
Arthur despertou naquela manhã quando sentiu o frio cortante bater em seu corpo seminu e percebeu que Ardan havia deixado a janela aberta. Este encontrava-se ao seu lado, roncando tão tranquilamente que os muros de Farfália poderiam cair que ele continuaria no mesmo estado. Levantou-se ainda sonolento em busca de fósforos para ascender as velas apagadas, ao menos elas os aqueceriam naquele inverno.
A quarto se iluminou e o calor dispersou o frio. Ardan continuava imóvel com toda aquela luz batendo em seus olhos. Arthur o invejou. Havia tantas noites que ele passava com os olhos abertos, pensando na vida e imaginando seu futuro na cidade. Por vezes tinha em mente que deveria viver o presente e esquecer do futuro, pois ele é incerto para todos nós, dependendo do que faríamos no agora.
Foi até a janela para ver as ruas movimentadas de Raltoor – a região mais precária de Farfália. As casas eram todas próximas, quase que miscigenadas (também haviam bastante desse tipo) e seus moradores variavam muito de costume. As ruas eram estreitas, mas o suficiente para que pessoas e carroças compartilhassem a mesma via, sem precisar de ficar parado para que elas passassem. Em Raltoor as pessoas geralmente são unidas e são elas que vão para as ruas para rebeliões – principalmente quando Farfália havia proibido a pesca nos lagos próximos.
Arthur se sentia estranho, mas também mais liberto. Era como se ele houvesse finalmente realizado o que deveria ser feito e pensado durante muitos anos. Assimilou aquilo ao fato de perder a virgindade com a moça pela qual se apaixonou no passado, mas teve de usar um outro corpo para o ato. Mas então ele não havia perdido a virgindade, pois seu corpo ainda continuava intacto. Entretanto ele sentiu aquele prazer que nunca conseguiu quando estava sozinho e isso valeu, pois havia possuído a jovem como sempre quis.
O ronco de Ardan não o incomodava, muito menos era motivo para perder o sono. Ele era um irmão para Arthur. Desde, pelo que consegue afirmar, os cincos anos de idade eles se conheciam. Partilhavam um sentimento único: solidão. Usaram disso como estratégia e se solidificaram irmãos, estariam sempre juntos até a idade adulta, onde cada um seguiria sua vida e formaria sua família. Porém, agora que Arthur tem vinte anos e Ardan vinte e dois, ainda continuavam juntos, apenas eles em uma casa precária na região mais precária de uma das cidades mais poderosas do continente.
Ardan sempre o ajudou quando transferia de corpos. Tinha o objetivo de amarrar Arthur com as correntes para que quando o alvo chegasse naquele corpo, estaria impossibilitado de mover-se. O alimentava e ficava de olho para que não tentasse machucar o corpo de Arthur, mas se insistisse em lutar contra as correntes Ardan não hesitava a fazê-lo adormecer. Ficava daquela forma durante vinte e quatro horas até que o amigo retornasse ao seu próprio corpo.
Antes mesmo de acontecer Arthur ouviu os passos de fora da casa – mesmo que pudesse ser de qualquer um – e quando virou de costas para ir até a porta a ouviu sendo empurrada estrondosamente. Ardan naquele instante deu um pulo enorme na cama ao ponto de cair dela e olhar com uma expressão confusa para o amigo, que estava em pé próximo da janela. Retirou uma faca que sempre escondia debaixo da cama e levantou-se de prontidão.
— Quem está aí? Você não pode arrombar a casa dos outros, meu caro – Ardan proferiu se encostando na parede com a ponta da faca sempre na horizontal, poderia muito também enfiá-la no abdômen do intruso se fosse necessário. – Vai embora!
Naquele momento a maçaneta da porta do quarto estava girando e Arthur também apanhou uma faca que escondia no armário de roupas. Era metálica e pontiaguda, com dizeres desconhecidos encravados no gume. A porta se abriu e ele viu um homem alto e magro, com um capuz lhe cobrindo o rosto.
— Abaixem as armas! – Ordenou, mesmo sabendo que os jovens não obedeceriam. – Vim apenas para negócios.
Nem Ardan e muito menos Arthur o conhecia. Parte de seu rosto estava visível e sua pele era muito branca com algumas cicatrizes em formatos irregulares, era como se ele tivesse um dia lavado o rosto e secado com uma toalha de espinhos. Seu cabelo, quase não perceptível ao tecido, era castanho e bastante curto. Por mais que não o conhecia, ao mesmo tempo parecia à Arthur que, ao menos uma vez na sua vida, tinha olhado aqueles mesmos olhos.
— Repito, companheiro, você não pode invadir nossa casa dessa forma. Por favor, saia agora ou não terei medo de usar minha faca. – Ardan pronunciou avançando aos poucos em sentido ao desconhecido.
— Qual o seu nome? – Era a primeira pergunta que Arthur sempre fazia toda vez que encontrava alguma pessoa desconhecida. Tinha necessidade disso, pois caso precisasse ele poderia fazer a transferência com ele para saber quem realmente era.
— Você pode até me tocar, mas não saberá meu nome. Acha que me cederei a sua transferência de corpos tão fácil assim?
Arthur ficou perplexo. Ardan estava confuso. Apenas os dois sabiam da habilidade que Arthur tinha e sempre tiveram segurança total acerca disso. Imaginou se realmente as pessoas com as quais trocava de corpo, quando voltasse ao original, não tinham lembrança nenhuma das últimas vinte quatro horas em que se encontravam amarradas no porão da casa. Ele seria algum alvo que conseguiu se lembrar?
Tudo estava muito confuso. Como havia chegado de forma tão brutal na casa e desarmado – até onde Arthur sabia. Nada estava fazendo sentido. Mas aqueles olhos, aqueles olhos eram familiares, sabia que tinha olhado para eles no passado, mas não conseguia identificar. Se ele retirasse o capuz e revelasse seu rosto, talvez alguma lembrança seria despertada.
— Pode me chamar de Sarph e eu tenho uma tarefa para você. – Apontou os dedos tortos para Arthur.
Toda aquela cena para uma simples tarefa? Arthur não conseguiu acreditar naquele instante. Geralmente quando recebia as missões de assassino de aluguel era em um lugar mais reservado e longe das autoridades ou quem pudesse ouvir. Ali, em Raltoor, logo ali onde as casas são tão aglomeradas, qualquer um que estivesse passando perto da casa poderia ouvir a conversa.
— Não podemos conversar sobre isso aqui – Arthur proferiu guardando sua faca, pois sabia que aquelas pessoas que lhe davam aquele tipo de tarefa em troca de moedas, não tentaria mata-lo. Afinal, se quisesse fazer isso teria invadido a casa durante a noite. – Já deixei bem claro para meus outros clientes que o ideal é nos encontrarmos na floresta para que me passe todas as coordenadas. Afinal, como sabe do que sou capaz?
— Não seja ridículo! – O desconhecido esbravejou de tal forma que Ardan se recusava a baixar sua guarda como Arthur fizera. – Não seja idiota! Essa será a última vez que terá que matar alguém em troca de moedas, para que saia de Raltoor e vá para Melfin ou quem sabe para Ély. Eu sou a chance de você sair desta miséria e ir para uma região que reluz como ouro. Eu sou o passaporte dessa sua vida medíocre de matança para uma vida em que não precisa se preocupar em trocar de corpo para realizar seus desejos.
As palavras entraram no ouvido de Arthur como flechas atravessam um crânio. Estava com medo de seu dom ser revelado em um trombone e acabar sendo preso por misticismo pelas próprias mãos do rei. Nenhum cliente sabia como Arthur matava, mas no outro dia a noticio de que o alvo estava morto tomava conta por toda Farfália.
A pergunta que não queria calar não era o fato de como aquele homem mudaria a vida de Arthur, mas sim como sabia de tudo aquilo. Como sabia do toque e do nome, que eram fatores cruciais para a transferência de corpos? Arthur nunca dissera nada disso para ninguém além de Ardan.
— Você é um louco – Ardan proferiu tais palavras com uma raiva contaminante. Sentiu que poderia perfurar o abdômen daquele homem para que Arthur não fosse descoberto por mais ninguém, mas depois deveriam arcar com sua morte. – Arthur, não estamos precisando tanto de dinheiro no momento. Vamos despachá-lo.
— Não seja ridículo você também, inútil. Essa é a chance de vocês e eu só preciso de uma simples morte, nada demais. Garanto que se fizerem isso poderão sair de Farfália, navegar pelo oceano em um barco próprio, conhecer outras pessoas e terras, viver em outras cidades, conhecer o mundo que está além desses muros sem serem incomodados. Poderão ter quantas mulheres quiserem por noite, elas chegaram em vocês já ajoelhadas para lhes darem prazer e poderão penetrá-las em culpa. – Assim que o desconhecido proferiu Arthur achou que estava sendo demasiado exagerado.
Arthur realmente sempre tivera o sonho, desde quando estava no orfanato, de sair de Farfália para conhecer o mundo lá fora. Ouviu, quando criança, que em outros continentes existia a mágica e seres sobrenaturais surreais. Mas a verdade era que Arthur nunca ouviu falar de alguém que tenha visto esses seres e a mágica. “Mas claro, meu querido, quando eles vão não tem vontade de voltar para cá”, a mulher que cuidava do orfanato sempre dizia isso para todos. “Um outro mundo. Quando você coloca o pé em outras terras sabe que está conhecendo o extraordinário e anseia por viver lá até o último segundo de vida”.
— O que você quer?
— Que mate todos os integrantes da família real: o rei, sua esposa, sua filha e o jovem príncipe de Farfália. Se fizer isso, terá todo o ouro que consegue imaginar. Quando matar o primeiro te entregarei uma quantia suficiente para já se mudar para outro lugar que não seja em Raltoor.
Arthur ficou imóvel sentindo apenas seu coração bater. Acabar com quatro pessoas cujo futuro de Farfália depende delas? Não conseguia imaginar matando o rei misericordioso, o qual pode ter seus defeitos, mas lutou bravamente para manter Farfália uma potência. Nem mesmo sua esposa ou seus filhos. Tiraria o coração da cidade apenas para que pudesse cruzar mares e chegar em outras terras?
Ardan sentou-se na cama encabulado. Não conseguia desviar os olhos da lâmina em suas mãos e ao mesmo tempo olhava para o desconhecido com desprezo. Que mente sã conseguiria pagar para ver quatro pessoas inocentes morrerem? O frio lhe batia nas costas nuas como a neve cai no chão num dia de inverno.
— Você terá dois dias para pensar no assunto. Caso estiver disposto encontre-se comigo na floresta mais próxima do portão sul ao meio dia – O desconhecido abriu as mangas deixando cair um líquido despercebido por Arthur e Ardan. – Caso contrário eu terei de tomar providências nada agradáveis em respeito a vocês dois.
Em uma fração de segundos o chão próximo da porta começou a pegar fogo e as chamas assumiram uma altura indesejável, chegando ao teto. Naquele instante o desconhecido havia deixado a casa sem deixar rastro algum.
Arthur rapidamente puxou a cortina de tecido grosso que estava retraída. Lançou-a em direção às chamas enquanto um Ardan desesperado pulou a janela para dar a volta na casa – já que as chamas bloqueavam a passagem para o hall da casa. Encheu um balde com água na cozinha e lançou o líquido no fogo. As chamas foram de dissipando e segundos depois só restavam cinzas, uma mancha negra no teto e um chão de madeira chamuscado.
Sentou-se na cama novamente, deitou olhando para o teto enquanto Arthur vestia alguma roupa do armário. Viu que o amigo estava ofegante. Pensou em dizer algo para ele, mas havia saído tão rapidamente da casa e deixou Ardan com uma mente toda confusa.
Arthur não pensou em encontrar aquele homem que tentou incendiar sua única moradia ou que acabou o ameaçando. Precisava respirar, mesmo que o ar estivesse tão pesado devido o frio. Subiu uma rua íngreme enquanto cumprimentava, apenas um singelo gesto com a cabeça, os conhecidos. Estavam todos vivendo uma vida normal e Arthur naquela enrascada.
Quis não ter aquele dom, quis ao menos nunca ter existido ou nascido em Farfália. O homem plantou em sua cabeça a possibilidade de outras terras e aquilo mexia com a consciência de Arthur. Gostaria de ser rico e quem sabe o ouro o faria esquecer do orfanato e de seu passado conturbado. Imaginou-se ao lado de Ardan embarcando em um barco sem rumo, mas também imaginou ao lado de Yris. Assim como na infância, se ela e Arthur ainda tivessem uma conexão, até mesmo apenas por amizade, ela lhe diria o que ele teria que fazer.
Lembrou-se que no orfanato Yris sempre lhe dava conselhos. Uma vez dissera para que ele tentasse pensar que seus pais, na verdade, haviam viajado em busca de tesouro e quando voltasse buscaria Arthur para viver uma vida melhor longe de Farfália ou daquilo que lhe fazia lembrar que estava só. Disse, em uma noite, de mãos dadas, que ela permaneceria junto dele pelo resto da vida, mas parecia que apenas a promessa de Ardan havia se concretizado. Temeu que Ardan também sumisse de sua vida.
Mas naquele tempo Yris se tornara uma moça. Riston saiu do orfanato levando consigo a jovem mulher, sem esta ao menos poder negar ou se despedir de Arthur. Pensou que viveria uma vida melhor do que vivia com Riston no orfanato, nada de relação forçada ou então agressão. Pensar nela lhe causava uma dor no estômago e uma angústia no peito.
Chegou em uma praça de comércio em Raltoor. Era grande e recheada de pessoas com suas tendas que tentavam vender tudo que tinha. Havia barracas de especiarias, roupas usadas, tecidos velhos – mas que poderiam ter alguma serventia, filhotes de cães e pássaros, ovos de galinha, leite e alimentos em geral.
— Uma maçã. – Arthur pediu calmamente, mesmo que sua mente estivesse conturbada. Pagou as moedas que estavam em seu bolso e deu a primeira mordida no fruto.
Doce. Doce como Yris. Mas não queria pensar na mulher. Olhou para as pessoas que caminhavam junto de si. Como iriam agir quando soubessem que a família real estava morta? Quem se tornaria o rei se não tivesse mais nenhum descendente, sendo que estavam mortos? Qual seria o futuro de Farfália?
Estava bastante bem a cidade com seu soberano atual. Arthur poderia mudar isso para que pudesse mudar sua vida e a de Ardan, claro, não deixaria o amigo em Farfália enquanto atravessasse os mares. Jurou estar com ele para sempre.
Arriscou caminhar mais adiante pelas ruas movimentadas daquela manhã. Caminharia até Melfin e passaria próximo da casa de Riston para tentar avistar Yris. Não sabia se ela o reconheceria, mas ela teve uma pequena amostra do amor de Arthur na noite anterior. Isso já bastava para ele.
Não havia nenhuma divisão entre Melfin, Ély e Raltoor. Porém, quando sai de um e vai para outro é possível notar a diferença claramente. Melfin tinha as ruas mais limpas e as casas eram mais dispersas com direito a um quintal para quase todas elas, um varal para estender roupas, um gramado e um cercado de animais. Alguns criavam cabras para retirar o leite e poder beber toda manhã, em Raltoor, pelo contrário, as casas só eram suficientes para cercar seus moradores. Mas Arthur conhecia muito bem um homem que cuidava de uma cabra dentro de casa e até mesmo dormia em sua própria cama, sempre achou bizarro aquilo.
A rua onde Riston morava já estava próxima, pois ele conseguia reconhecer da noite anterior.
— Vaca! Vadia! – Aquela voz que bradava tão forte era bastante familiar para Arthur. – Saia daqui agora! Como ousa, como ousa? Adúltera!
Riston segurava o cabelo de Yris na mão e a jogou com tamanha violência em uma rua fria. Não só o clima era frio, mas tudo se tornara muito gélido para Arthur, que assistia a cena. As pessoas que passavam nada faziam além de observar. Os homens, por outro lado, comentavam um com os outros enquanto não paravam de fixar os olhos de um dos seios descobertos de Yris.
Sua roupa estava suja de sangue e rasgada no busto. O cabelo castanho que na noite passada estava tão lindo agora parecia todo desgastado e picado. Sua boca, que Arthur julgou tão doce, estaria amarga devido o sangue que preenchia seus lábios. E seus olhos, aqueles olhos azuis que Arthur admirou tanto, estavam rodeados por uma mancha rocha.
Arthur ficou imóvel. Assistia a cena de Yris ser chutada por Riston e esperou que este entrasse para dentro da casa e fechasse a porta. Ela estava caída, indefesa no chão, mas Arthur sabia muito bem que ela era guerreira e tinha um coração forte. Desceu a rua mancando sem nenhuma lágrima brotando de seus olhos. Naquele momento ela olhou para Arthur e o reconheceu pelos seus cabelos longos e esbranquiçados. Não disse nada.
— Sabe que pode voltar quando quiser – Arthur proferiu automaticamente quando olhou nela. Ela o reconheceu muito bem. – Voltar.
— Só por esta noite – Yris fechou os olhos e naquele momento as lágrimas saíram como uma cachoeira despeja água em um lago. – Arthur.
O porão cheirava a mofo. Sentiu as correntes geladas o abraçar e viu Ardan sentar-se na cadeira ao lado de um pedaço de queijo e uma taça de suco de uva. O viu morder o queijo enquanto o olhava nos olhos. Ardan. Além de amigo era um companheiro que poderia contar para todas as ocasiões.
— Ainda faltam dez minutos – Ardan colocou um pedaço de queijo na boca de Arthur, acorrentado. – Amanhã você deverá decidir o que fará. Eu não quero influenciá-lo a nada, Arthur.
— Pensei que poderia ao menos opinar.
— Meu caro, às vezes precisamos tomar decisões por conta própria. Devemos fazer nossas escolhas sempre pensando no futuro, pois só temos uma vida e devemos vive-la da melhor forma. – Ardan cruzou as pernas como de costume. Respirou fundo.
— Sempre sonhei em conhecer outros lugares, sair de Farfália e esquecer que tenho que matar pessoas para subir na vida. Sempre sonhei alto, Ardan – Arthur estava inquieto. – Hoje farei o que deve ser feito, desta vez eu não pedi sua opinião, pois quero fazer isso por conta própria. Matar um único homem eu faço, mas uma família?
— Já está na hora – Ardan disse consultando os ponteiros de um relógio que estava na parede. – Antes de voltar para seu corpo você pode buscar uma resposta. Matar esse homem poderá resolver muitas coisas, inclusive te ajudar a pensar na proposta. Não pediu minha opinião, mas a darei mesmo assim. Faça o que tiver de ser feito, meu caro.
Arthur ficou pensativo. Estaria prestes a matar mais uma pessoa e teria que pensar na proposta daquele homem desconhecido. Na verdade, ele não estava tão preocupado com o ouro que ganharia, mas com sua própria vida e a de Ardan. Ouviu o homem proferir muito bem que caso Arthur recusasse ele tomaria sérias providências com os dois. Temeu que matasse Ardan e morresse. Apenas o tempo diria, mas que sua vida estava como um livro aberto para Sarph estava e ele ainda não havia descoberto como.
— Vai passar do tempo, Arthur – Ardan notificou-o, pois já havia passado cinco minutos. – Decida-se.
—Riston Hug Hiperth! – Sua visão escureceu.
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