Diplopia
4 Chances
Notas iniciais
A enfermaria estava em silêncio e Arthur estava bastante bem com aquele clima. Yris ainda estava deitada, em sono profundo, tendo seus sonhos sossegadamente como fuga da realidade. Realidade dura e amarga. Sentia falta do esposo e companheiro, sentia falta de casa e de sua vida normal. Arthur havia levado seus problemas para ela e agora fazia parte daquele mundo.
Não recebeu visita alguma, pois não tinha ninguém que se importasse com ela, afinal seu nome estava sujo. Arthur ouvira muito bem a palavra “adúltera” ser esbravejada por Riston durante a briga e aquilo era uma palavra forte. Porém precisava saber o motivo, já que ficou com a moça – apossado do corpo do marido – todas as horas de sua ausência, não haveria intervalo para a moça ser adúltera. Seria algum episódio do passado? Arthur não pensou que Yris seria capaz de traição.
Mas lembrou-se da noite passada. A agarrou no porão logo depois de Riston ser morto e antes de ter sua casa incendiada. Por vezes pensava se Yris não alimentava o mesmo desejo desde criança em ter Arthur com ela, pois ao menos o beijo eles fizeram juntos, em um cômodo isolado do orfanato. Para ele a jovem havia cedido muito fácil depois de perder alguém com quem viveu alguns anos. Sentia-se amado da mesma forma que a amava.
Levantou-se da cadeira que já estava demasiada aquecida, já que Arthur ficou horas ali esperando que Yris acordasse, mas até então nada. Saiu daquela ala e foi para a que Ardan estava. Antes de empurrar a porta sentiu a maçaneta ser girada e se afastou. Um homem, um pouco mais velho que Arthur, saiu sorrindo. Os cabelos ruivos delicadamente cortados e uma barba muito bem-feita, tinha a pele clara e os olhos castanhos. Não o conhecia. Deixou que passasse e entrou no quarto.
Não era tão espaçoso quanto o que Yris estava, tinha duas janelas de proporções médias e um teto abobado. Ardan estava na cama com a perna enfaixada. Seu cabelo estava solto – uma raridade – e aquilo o fazia ficar demasiado diferente. Era um jovem bonito, Arthur confessava. Algo dentro de si temeu que Yris pudesse se apaixonar por ele. Como estava sendo tolo, parecia que não conseguia controlar a própria mente. Ardan nunca faria aquilo.
— Espero que esteja bem, amigo – Arthur sentou-se em uma cadeira que julgou estar, minutos atrás, ocupada pelo homem. Estava bastante próxima da cama. – Agora preciso saber como ganhou esse ferimento.
— Estava voltando da minha caminhada, meu caro Arthur. Foi quando eu vi a fumaça e corri para ver onde era o fogo. Fiquei perplexo quando vi nossa casa em chamas e mais ainda em saber que Yris e você pudessem estar dormindo. E eu o vi – Ardan deu um sorrisinho. – Ele estava lá, encapuzado, sabia que era ele. Peguei minha faca e não hesitei em tentar mata-lo, Arthur. Mas como sou péssimo em manusear uma faca, acabei levando esse corte e ele fugiu.
— Ele poderia ter te matado, seu tolo.
— Então nós dois iríamos morrer juntos, pois eu daria um jeito de mata-lo por me matar e mata-lo por colocar fogo na casa. Espero que tenha entendido – Ardan sorriu e Arthur não resistiu. Estavam felizes com toda aquela tragédia? Não. Estavam felizes pois estavam vivos. – Maldito seja ele. E como pagaremos a estadia aqui na enfermaria?
— Dei o restante do nosso dinheiro como uma entrada e o curandeiro disse que eu poderia terminar de pagá-lo quando conseguisse juntar moedas o suficiente. Também tenho uma pergunta. Quem era o homem que saiu antes de eu entrar?
— Ah, ele entrou enganado. Disse que queria visitar uma – Ardan ficou pensativo. – Uma idosa que estava em um dos quartos, não sei quem é, meu caro. E essa perna? Consigo ver a mancha negra.
— Tente sair de uma casa em chamas carregando sua amada sem ao menos queimar um cabelo da perna, Ardan. Não é fácil.
Arthur decidiu que Ardan precisava descansar da dor que sentia. Estava bastante bem, pois só havia se queimado, nada que uma pomada de ervas verdes não resolvesse. Foi até a ala de Yris, mas ainda continuava adormecida. Era bom saber que ela estava daquela forma, assim não precisava enxergar a realidade que se passava no exterior de seu corpo.
Arthur foi até um armário de roupas usadas – fornecidas pelo curandeiro. Vestiu uma roupa qualquer de tamanho diferente do seu, de modo que ficou demasiada larga na peça superior e apertada na inferior. Aquilo não o incomodava. Prendeu o cabelo esbranquiçado, mas depois decidiu deixa-lo solto.
Estava frio! Assim que deixou a enfermaria notou que as ruas estavam movimentadas novamente e decidiu seguir um rumo qualquer apenas para dispersar os últimos acontecimentos. Era uma tarefa árdua acreditar que sua vida havia dado voltas de forma tão repentina e mesclado momentos bons com tragédias.
Enquanto descia uma rua íngreme rumando para o que havia restado de sua casa, pensou em tudo que havia metido Ardan e Yris. Não tinha culpa de sua habilidade ter chamado a atenção de Sarph e muito menos lhe interessava como este havia descoberto tudo da sua vida. Ele só sabia e ponto final. Remoer ideias que não levariam a nada deixava Arthur cansado e lhe causava dores de cabeça.
Lá estava a casa. A construção caída ao chão com as toras de madeiras incineradas e negras. Nada havia restado de sua cama, afinal, quase nada era possível observar como antes. Não havia sobrado quase nada. Como Sarph havia conseguido aquilo o deixava intrigado e mais confuso. Já ouviu falar de piromantes e amedrontou em pensar que Sarph tinha tal capacidade. Temeu que morresse queimado.
Entrou dentro da casa sentindo uma dor no peito. Algumas paredes ainda estavam de pé com várias manchas negras cobrindo-as e o teto todo havia desabado. Não existia mais móveis. Era tudo cinza. Andou mais adiante e viu o porão descoberto à mostra as correntes que ele já havia sentido várias vezes. Imaginou Yris morta ali dentro ao lado de seu próprio corpo. Se Ardan não houvesse gritado Arthur só sairia quando visse as chamas entrando, uma vez que a respiração ofegante dele e de Yris diminuía o barulho do crepitar do fogo.
— É difícil descer pela garganta a ideia de que tudo que você tinha virou pó, não é, meu jovem?
O homem havia chegado afastando algumas toras com os pés para que passasse pela destruição. Era baixo, gordo, branco e tinha o cabelo negro. Não era um homem atraente e o julgava de Ély. Não pela estatura ou fisionomia, mas pelo traje que usava. Era uma roupa mais delicada e trabalhada e Arthur não conseguira ver ao menos um buraco roído por ratos. Poderia ser de Melfin, mas ainda persistia na sua ideia.
— Quem é você? – Arthur fixou seu olhar no dele e logo pôs-se a observar o restante da casa novamente. Destruição.
— Ora, apenas um homem. Um homem com o coração em decomposição, se é que me entende.
— Não sou curandeiro! – Arthur disse ríspido. Ele agia tão misteriosamente que temeu que fosse algum aliado de Sarph.
— Não seja idiota! – O gordo se aproximou ainda mais de Arthur, receando sujar sua veste tão delicada com todas aquelas cinzas. – Estou com o coração partido! Você já amou alguém e essa pessoa pareceu não demonstrar o mesmo?
Yris. Ela veio em sua cabeça como quando ascende um fósforo. Rápido e poderoso. Quente. A amou por tanto tempo sem que ela percebesse – se era realmente isso que ela pensava. Pareceu à Arthur, de instante, que ele o conhecia e soubesse de seus desejos. Dizer aquilo demonstrava que o gordo sabia toda a verdade do amor de Arthur por Yris. Como era tolo. Tudo relacionado a amor Arthur já direcionava seus pensamentos para si mesmo.
— Fale logo o que quer aqui, por gentileza.
— Pensei que para um assassino de aluguel você seria um pouco mais convidativo com seus clientes.
— Oh! Não vai esperar que eu lhe chame para um chá, não é mesmo? Como pode ver não tenho mais nada. O que quer?
O gordo fingiu não ouvir a resposta de Arthur. Andou mais adiante pelo chão negro e tocou a parede. O pó negro grudou em seus dedos deixando suas digitais visíveis. Nada nele fazia sentido. Virou-se para aquele que faria a justiça por si.
— Havia viajado para além de Farfália à negócios. Ficaria durante três dias em um barco e mais sete em terra firme. Eu voltaria para cá muito depois se não fosse por um imprevisto. Tivemos de mudar nossa rota e isso resultou em voltar para casa alguns dias antes. Cheguei em casa praticamente louco para beijá-la, mas eu acabei vendo-a encima de outro homem.
O gordo esmurrou a parede fazendo-a estremecer e uma breve cortina negra espalhar. Havia sido traído e aquilo pesava seu coração. Arthur já imaginava o que ele teria de fazer e não sabia se tinha cabeça para aquilo, não naquele dia.
— O que têm para me dar em troca?
— Uma das minhas casas em Raltoor. Não fica muito distante daqui e posso afirmar que ela é melhor do que essa pocilga aqui. Se matá-lo você terá a recompensa. Afinal, não está em condição de pensar a respeito, não é?
— Quem é ele?
— Korin Goudi, de Ély. Mora duas casas ao lado da minha. É um sujeito bastante atraente e será difícil não o reconhecer.
Arthur ficou pensativo. Aceitar aquele trabalho exigiria várias coisas que estavam impossibilitadas naquele momento. O porão e as correntes já eram inutilizáveis e Ardan encontrava-se acamado por um tempo. Ter seu corpo controlado por Korin poderia prejudicar Arthur, além de correr risco de acontecer alguma tragédia. Estaria mais vulnerável a uma provável visita de Sarph. Deveria pensar e o gordo parecia não estar com paciência o suficiente.
Poderia se trancar em um cômodo e esconder a chave em algum lugar onde saberia quando voltasse para seu corpo e então destrancar a porta, sendo que após isso Korin já estaria morto. Poderia se visitar e garantir que ele não tentaria se mutilar ou algo do tipo e encerraria sua vida logo depois, em um curto período de tempo.
Pensar em como o mataria também lhe deixava preocupado. Se atiraria da torre de vigília como fizera com Riston ou simplesmente encontraria um meio diferente? Arthur estava confuso. Pensou em Yris, ainda deitada, mas que provavelmente já havia acordado e estava se alimentando. Também pensou no amigo, cujo espírito forte o faria levantar antes que o curandeiro o liberasse definitivamente. Como proceder? Arthur simplesmente não tinha escolha.
— Me leve até a casa dele.
O gordo deu um sorriso e tratou de sair das ruínas da casa de Arthur. Abanou seu traje muito bem costurado para que as cinzas saíssem e pudesse caminhar por Raltoor com dignidade. Arthur emparelhou com ele assim que começaram a andar pelas ruas frias e tratou de outra vez dizer para o assassino de aluguel o que havia acontecido. Arthur estava infeliz, pois toda aquela história o fazia pensar em Yris. Adúltera, disse Riston antes de larga-la na rua como alguém que abandona um cão.
O gordo havia finalmente dito seu nome: Jormie Skalter. Arthur tratou de marcar aquele nome em sua memória e fez questão de tocá-lo colocando sua mão nas costas dele, como um gesto amigável. Jormie o olhou com reprovação, mas era algo que Arthur fazia como precaução.
Todas as vezes, quando alguém contratasse Arthur para um crime ele fazia questão de saber o nome e tocar – já que a transferência precisa desses dois fatores. Arthur via isso como uma possível futura justiça. Caso ele acabasse assassinando algum inocente em que o contratante havia dito como mentira Arthur sentia-se na obrigação de levar o contratante à morte. Era uma regra que Arthur nunca usou. Não tinha nexo e possivelmente ninguém mandaria matar outro por ser um inocente, mas Arthur precisava acreditar que tinha o poder de fazer aquilo para se sentir bem após matar alguém.
Ély se aproximou após caminharem um bom tempo. As casas eram mais espaçosas e elevadas, com quintais extensos e plantações por todo lugar. As ruas tinham espaços o suficiente para pedestres e carroças transitarem, assim como em Melfin. Porém, o que mais chamava a atenção de Arthur era estar muito próximo do castelo. Erguia-se, majestoso como sempre, com suas janelas reluzindo com os raios do sol. Lá estava os alvos de Sarph e Arthur decidiu não pensar neles, por enquanto.
— Ali – Jormie inclinou a cabeça para uma casa na esquina. – Te encontro em dois dias para recompensá-lo.
O gordo sumiu entre um beco em que estavam próximo. Arthur estava frio como o clima daqueles dias em Farfália. Lá estava a casa, de dois andares e com direito a um suposto sótão. Era diferente se comparada com as de Melfin e parecia uma mansão perante as de Raltoor. Entretanto não se comparava com o castelo que se erguia logo adiante.
Arthur caminhou mais um pouco pela rua. Seu traje era muito simples comparado as pessoas que transitavam pela rua naquele instante. Conseguia distinguir os olhares irônico lhe açoitando pelas costas, mas decidiu focar em Korin.
Chegou na frente da casa, abriu uma singela porteira e bateu na porta com três toques suaves. Uma voz masculina forte gritou do interior dizendo para que aguardasse um instante. Arthur estava frio. A porta abriu e um jovem louro apareceu. Estava enrolado em um tecido – havia acabo de sair do banho. De pele branca e os olhos azuis, Jormie estava certo quando disse que ele era bastante atraente. Aquela beleza havia, desnecessariamente, furtado o prazer da amada do Skalter. Arthur precisava fazer como pedido.
— Oh, desculpe-me – Korin sorriu para um Arthur que também sorria, porém de forma falsa. – Eu lhe conheço?
— Ah, não, não me conhece. A propósito, sou Evan. – Arthur estendeu a mão para que Korin a apertasse, mas ele recusou.
— Desculpe, é que estou com as mãos molhadas – Korin sorriu novamente fixando seu olhar no de Arthur.
Era a primeira vez que alguém não lhe dava a mão para cumprimentar. Arthur imaginou que seria difícil, mas um toque era algo tão simples. Poderia simplesmente esbarrar nele e pedir desculpas, ou quem sabe apanhar uma mera pedra e fazer com que Korin a pegasse. Estaria pronto e já poderia fazer a transferência.
— Não me importaria, meu caro – Arthur decidiu usar os trejeitos e a fala de Ardan. – Mas meus pais sempre me ensinaram a cumprimentar uma pessoa antes de prosseguir conversa com ela. Não queria deixar isso passar em vão e que eles estejam bem no pós-morte.
— Ah, me desculpa – Korin esticou as mãos e mesmo com elas molhadas Arthur a apertou. Pronto. – Você não deve ser Farfália, não é mesmo? Parece ter um costume próprio. Afinal, quem é você mesmo?
— Eu meio que estou perdido por aqui. Soube de um tal Jormie que está com umas casas à venda em Raltoor e estou bastante interessado. Afinal, me desculpe se estou lhe incomodando, mas é praticamente a primeira vez que visito Ély.
— O Skalter? Hm. Ele mora aqui nesta rua mesmo, bem ali — Apontou seu dedo esbranquiçado para uma casa mais abaixo. – O vi saindo um tempo atrás, mas acho que encontrará Mellorie por lá. A esposa dele.
Korin a conhecia para saber seu nome. Jormie falava a verdade e agora só restava a Arthur ir para a enfermaria e meia noite transferir para Korin e pensar em como mata-lo. Pronto. Ele já poderia ser considerado morto.
Não tardou para que Arthur retomasse para a rua e passasse enfrente a casa de Jormie, mas não parando para visita-lo. Voltou para Raltoor rapidamente e assim que adentrou na enfermaria coincidiu com o mesmo homem que havia visto saindo do quarto em que Ardan estava.
O curandeiro cumprimentou Arthur com um gesto de cabeça e tratou de levar algumas vidraças, que estava carregando, para um cômodo da enfermaria. Foi primeiramente para o quarto de Ardan, perguntou como se sentia e percebeu que o amigo já estava andando, mas era essencial repouso por mais aquele dia.
Quando chegou no quarto de Yris ela estava sentada comendo alguns frutos que o curandeiro havia levado. Seus olhos brilharam quando viu Arthur entrando e pôs-se a parar de mastigar.
— Me desculpe – Ela começou com sua voz tão delicada como sempre. Deixou a maçã de lado e colocou suas mãos no joelho. – Nada disso teria acontecido se eu não estivesse no seu caminho aquele dia. Fui tola. Eu poderia muito bem dispensar sua ajuda e seguir minha vida. Eu poderia muito bem não ter aceitado fazer aquilo com você. Sou a culpada, Arthur.
— Será que eu posso pelo menos perguntar como você está? – Arthur sentou ao seu lado e pôs-se a cruzar as pernas. – Como está?
— Bem – Yris estava confusa, estava triste. Parecia que todo aquele espírito de bravura que Arthur conheceu no orfanato havia se extinto. – Minha respiração está mal pois acabei inspirando muita fumaça. O curandeiro disse que aquele fogo era mais tóxico do que os comuns. Disse que quem for que tenha feito aquilo utilizou alguma substância inflamável de maior toxicidade.
— Como você fala bonito – Arthur se aproximou dela, balançando seu cabelo e alisando sua bochecha lisa. – O que importa é que está aqui e está se recuperando. Esqueça o que aconteceu, tudo vai mudar. Estou fazendo um negócio com um comerciante qualquer aqui de Raltoor, conseguirei uma nova casa e você morará conosco.
— Não posso! – Yris levantou se afastando do amigo. – Você está querendo levar o problema para frente. Me recuso a ir com você, afinal Arthur, eu nunca deveria ter ido contigo. Você me persuadiu.
— Eu te persuadi? Eu simplesmente te ofereci ajuda quando você mais precisava. Eu estava lá, pronto para te estender a mão, pronto para te ajudar o que fosse possível. Eu passei todos esses anos com você em mente, eu passei toda a minha infância tentando que você me amasse da mesma forma que te amo. Eu me guardei para você, eu guardei minha virgindade somente para você. – Arthur agora estava em pé e sua voz saía em um tom mais alto que o normal. – Eu! Você me deixou lá sozinho e apenas Ardan foi meu companheiro até hoje. Eu te beijei, mas você não quis continuar nosso romance. Eu te vi sendo forçada a fazer várias coisas em Riston!
— Arthur! – Ardan apareceu.
— ELE ME USOU COMO USOU VOCÊ! Injustiça! Você me largou e agora está reclamando que eu te ajudei? Está sentindo insultada por eu ter te estendido a mão? Está se sentindo mal por ter transado comigo naquela noite? – Arthur bradava mais alto. – Você mudou, Yris! Você não é a mesma, não vejo você como antes. Você está diferente! Eu me apaixonei pelo que você era.
— Não tenho culpa! – Yris sentiu os dedos de Arthur lhe pressionando os braços. – Me larga!
Arthur estava errando como Riston fizera tanto tempo. Soltou Yris e caminhou para a janela do quarto. Estava confuso, Arthur sempre foi confuso. Como Yris poderia recusar morar com ele e Ardan em uma casa própria? Como ela tinha a capacidade para isso? Arthur não a entendia. Ele só queria tê-la por perto durante um bom tempo. Ter filhos, sair de Farfália para navegar pelos oceanos e chegar em outras terras. Precisava dela.
— Só me responda uma coisa! – Arthur virou-se para ela e não conseguiu esconder os olhos lacrimejantes. – Me diga o real motivo por Riston ter te chamado de adúltera.
Yris sentou-se novamente na cama com os olhos também cheios de água, mas se recusava a chorar diante Arthur e Ardan. Ficou pensativa. Deveria dizer a verdade.
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