Diorama Of Shining Hearts
8 Kiyomura Sakura Parte III. Torradas, Flores e Maçã
Notas iniciais
Será que vou sorrir como naquele dia?"
Novamente, deitei em minha cama e simplesmente desmaiei. Nem banho tomei. Estava muito cansada.
Não conseguia explicar o que estava acontecendo comigo; eu me sentia bem, mas me sentia mal. Era uma mistura dos dois, e de muitas outras coisas.
Não vi quando meus pais chegaram. Mas quando acordei, eles ainda não estavam lá. Não temos uma relação muito proxima.
A primeira coisa que fiz foi examinar meus braços, procurando por arranhões ou cerejas sangrentas. Eu parecia curada. Depois, tomei um bom banho para compensar o dia anterior. As escoriações do dia anterior já estavam bem melhores e a ardencia havia sumido.
Vesti meu uniforme sobressalente, já que aquele estava muito sujo. Apanhei duas torras; uma para mim e outra para Melody e finalmente saímos.
– Dormiu bem? – a fada perguntou, de boca cheia
– Como uma pedra. Essas coisas estão me cansando muito.
– Sinto muito. Logo você se acostuma, sabe? – ela voava incomodada, desviando das petalas das flores
– Eu espero.
Nossa escola era bem grande. Um prédio central com um enorme relogio do topo, e mais dois, um de cada lado, na horizontal. Varios arbustos e árvores floridos, e uma fonte que jorrava água no centro de tudo. Algo realmente bonito.
– Ryuu-chan! – Sakura-chan gritou ao lado da fonte, acenando as mãos – Bom dia!
Corri até ela e desejei bom dia para os irmãos Morino que também estavam lá.
– Nossa... Aconteceu alguma coisa? – questionou Mingo-kun, sempre preocupado – Você parece cansada...
– São seus pais de novo? – Sakura-chan perguntou
– Não. São só uns... Problemas pessoais. Eles me cansam muito.
– Entendo... – Ringo acenou com a cabeça positivamente – Espero que esses “problemas pessoais” passem logo. É ruim ficar desse jeito.
– Com certeza. – a fadinha adicionou, com a boca cheia de torrada, mas ninguém pareceu ouvir
– Então, vamos? O sinal já vai bater. – Sakura-chan propôs, e assim fizemos.
Morino Ringo era baixa, de cabelos castanhos que desciam até às costas, formando ondas. Era uma bolsista, assim como eu, e não era muito simpatica. Talvez até fosse, mas seu olhar emotivo lhe dava um ar de prepotencia, e não fraqueza. Nunca entendi isso.
Ringo e Mingo-kun seguiram para sua sala e Sakura-chan e eu para a nossa. Todos os alunos já estavam lá, e o professor de matematica chegou rapidamente. Levantamo-nos, curvamo-nos e sentamo-nos novamente, e a aula começou.
Mirei o chão onde meu suposto sangue cheio de cerejas gotejou no outro dia. Tudo passou como um flash, e pareceu um sonho. Ainda me lembrava do olhar perplexo de Sakura-chan, olhando as bolotas redondas cairem do corte.
E como deveria estar Sorano-san? Pensei.
– Sorano-san, assim como você, já está melhor. – a fada respondeu, como se lesse meus pensamentos
– Mesmo? Então o remedio funcionou?
– Ele sempre funciona.
Soltei um riso leve e meneei a cabeça para o lado de Sakura-chan. Estava me fitava com olhar curioso e deu um meio sorriso. Com certeza me ouviu sussurrando.
No intervalo, Morino Ringo e Mingo-kun almoçaram conosco. Pensando bem, não me lembro de ser tão proxima de Morino Ringo. Eu finalmente havia descoberto como me sentia, essa coisa de estar tudo bem, mas ao mesmo tempo, não. Mas eu não sabia responder se essa não era minha vida, ou se essa não era eu.
Conversamos sobre o cantor do momento, um tal de Takahashi Hiro. Só mais um engomadinho, com um talento falso, que mais cedo ou mais tarde se tornaria ator e faria um programa de variedades.
– Sorano-san está vindo. – ouvi a voz da fadinha ecoar em minha mente.
– Nós podemos falar assim? – pensei imediatamente, olhando para ela
– Podemos sim. – ela respondeu, mirando a porta – Eu não confio nesses irmãos Morino, por isso resolvi falar assim.
Revirei os olhos e, da porta, avistei as maria-chiquinhas louras de Sorano-san. Luna flutuava ao seu lado, mastigando um pedaço de pêra.
– Kuzuryuu-kun? – ela disse, se aproximando – Podemos conversar?
Respondi que sim, e nos encaminhamos para a sala dos professores.
– Como você está? Melhorou?
– Melhorei sim. Tive alguns enjôos, mas depois fiquei bem.
– Tivemos um relatorio de uma Dimensão Restrita que foi aberta ontem, perto de sua casa. Foi você, Kuzuryuu-kun? – ela perguntou, em tom suave
– Sim, foi sim. Foi uma Mistress de Primeira Magnitude. Acho que correu tudo bem.
– Sim, sim. – ela assentiu para si mesma, mordendo o labio inferior. Parecia estar hesitante, e fora da sua zona de conforto – Você tem se encontrado com ela? Diorama Apple?
– Apple...? – repeti, me lembrando dos eventos anteriores – Sim... Ela apareu ontem, na Dimensão Restrita.
– Entendo... – ela se recostou na cadeira, cruzando as pernas – Há muita rivalidade entre nós. Somos uma verdadeira empresa e, quem derrota mais Shadows ganha um bonus; uma folga. Portanto, não ouça o que ela tem a dizer. Nem fique muito tempo perto dela. Vá embora o mais rapido possivel.
– Mas por quê? Você a conhece?
– Conheço o bastante para dizer que ela pode ser hostil. – respondeu, recuperando seu leve sorriso
– Alias... Ela disse que eu faço jus ao meu nome... O que ela quis dizer com isso?
Sorano-san suspirou, pousando a mão em meu ombro.
– Não dê ouvidos. – declarou, olhando em meus olhos – Não acredite no que ela fale.
Pouco tempo depois o sinal tocou, e o periodo se seguiu normalmente. Sakura-chan seguiu para as atividades do clube, assim como Morino Ringo e Mingo-kun. Eu andei calmamente pelas ruas, forradas por flores de cerejeira. A mesma sensação que me acompanhou desde o começo da semana, me acompanha agora.
Tudo era tão surreal e confuso, e perigoso e, poro algum motivo, me deixava assustada. Como aquele arrepio que sentimos na nuca quando estamos sendo observados.
Me virei para trás num movimento brusco quando senti um dos arrepios ainda mais forte. Contemplei o caminho já percorrido e não havia nada, nem ninguém. Essas paisagens estavam se tornando cada vez mais constantes e, geralmente, quando não havia nada, havia um Shadow.
– Está tudo bem, Diorama? – a fadinha perguntou, voando para meu campo de visão
– Eu não sei... Eu estou muito cansada... – ela permaneceu em silencio, então eu continuei – Será que é certo mesmo tudo isso? Por que eu sinto que estou fazendo algo ruim, e que logo serei punida por isso?
– Como assim, Diorama? – ela me olhou, perplexa – Nunca me disse que sentia isso...
– Eu mesma não tenho certeza do que estou sentindo... É algo tão ruim. – senti algo quente e molhado escorrer pelas bochechas, e eu não entendia nada – Como se eu estivesse cometendo um erro imperdoavel e... Isso é tão estranho! É estranho porque, se tornar uma garota magica é o sonho de toda garotinha. Até eu mesma gostaria de lutar contra o mal, num vestido aprumado e rosa, mas então...
– Então...?
– Por que dói tanto? – perguntei. Não pude impedir as lagrimas que vieram a seguir – Por que parece que estou perdendo algo importante, e para sempre?
Agarrei-me à minha maleta por falta de ter quem abraçar. Quando foi que eu comecei a me sentir tão sozinha? Ou eu sempre estive sozinha e nunca havia percebido?
Mirei o caminho uma última vez. Ignorando a macieira que parecia estar me seguindo desde o começo daquele caminho, virei-me e continuei meu caminho.
Notas finais
Espero que estejam gostando ♥
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