Dinastia 3: A Rainha de Copas
30 Capítulo 30
- Temos a sorte de afirmar que em nossa História tivemos muitas mulheres exemplo, que se afirmaram como capazes de governar um país, que mostraram sua força e afirmação, mesmo com o machismo reinante na nossa sociedade. Eu poderia passar muito tempo falando de todas elas, mas hoje destaco aqui Esme Cullen, que homenagearemos nessa augusta casa pelos seus noventa anos, que serão em breve completados. Ela nasceu em uma família simples e que poderia ser a nossa. Os valores que recebeu formou uma jovem obstinada e capaz de lutar pelos seus objetivos. O destino a fez conhecer o seu grande amor, que com ele veio a vida na realeza, a maternidade e um relacionamento conjugal. Mesmo estando sob os holofotes, não deixou-se subir a cabeça, usou sua evidência para os seus projetos sociais que ajudaram a tornar esse país um lugar melhor. Quando a vemos em nossa frente, nos orgulhamos e com certeza nos espelhamos como um bom exemplo a ser seguido.
Uma salva de palmas preencheu todo o ambiente. Esme observava uma das vereadoras falar ao seu respeito no púlpito com certa anestesia. Nunca gostou de ser posta em uma posição superior. Nem nos seus maiores momentos de glória tinha se colocado em um pedestal. Parecia que tudo aquilo era algo para preencher protocolo, que lhe era distante. Seu neto, Pietro, que a acompanhou até o parlamento nessa cerimônia de homenagem, encostou a cabeça em seu ombro e a rainha manteve o sorriso. Mas tudo aquilo parecia que era para outra pessoa e não para si mesma.
A Vereadora continuou o seu discurso e Esme desviou o seu olhar para o telão. Imagens antigas da sua coroação eram exibidas. O dia lá fora estava ensolarado. Estava quente para um fim de Julho. Os raios entravam pelas frestas das grandes janelas e fazia com que as imagens exibidas ficassem ainda mais velhas.
A abadia naquele janeiro de 2000 estava abarrotada. Carlisle fez questão de convidar também, além dos convidados usuais para aquele tipo de cerimônia, os representantes das instituições sociais que eles ajudavam. Isso deu um grande frescor entre um público majoritariamente político e da corte.
Roupas elegantes e brilhantes cercavam o ambiente. A decoração não conseguia remeter a chegada de um novo milênio, na verdade, parecia uma festa medieval. Enquanto olhava para a filmagem, sua memória ia resgatando flashes daquele dia. Não se lembrava de ter tido qualquer interferência nesses detalhes.
Havia um misto de emoções quando se remetia àquele dia. Primeiro, havia uma sensação muito forte de trinfo que nunca conseguiu revelar para ninguém. Durante os dezoito anos em que esteve na realeza como duquesa se sentia um tanto oprimida. Tinha muitos planos, mas poucos conseguiam ver a luz do dia. Detestava ter que sempre estar pedindo permissão aos seus sogros para tudo. Um pouco de autossuficiência lhe era mais do que necessário. Por isso, mesmo que fosse horrível ter que admitir, era bom estar no comando.
Olhava para aqueles narizes empinados nas fileiras da frente da Abadia, os mesmos que fizeram careta e a desprezaram nesses anos todos, agora viam onde aquela “caipira” do interior estava. E adivinha? Os filhos dela também estavam na linha sucessória e eles não. Essa ideia era revigorante.
No entanto, também havia um peso em seus ombros. Ser rainha significava mais do que usar uma coroa elegante. Significava responsabilidade, sacrifício e, por vezes, solidão. Então, quando a imagem da coroação lhe vinha a mente, esse era o sentimento que prevalecia.
— Hoje, celebramos não apenas os 90 anos de nossa querida rainha mãe, mas também seu legado, que é imensurável. — continuou a deputada em um tom solene.
- Aquele dia foi tão bonito vovó. – Pietro sussurrou ao seu lado referindo-se a coroação. – Parecia que tudo conspirava a favor.
- Acho que conspirava. Na coroação do seu tio, estávamos ainda sentidos com tantas perdas. O clima estava pesado.
- Verdade. Apesar de que em toda coroação haverá a perda de alguém.
Era uma afirmativa verdadeira. Por mais que aquelas imagens mostrassem os rostos ansiosos da multidão, o som das cornetas, muito brilho e sorrisos, todo início tinha partido de um fim.
Olhou novamente para si mesma no telão. O toque suave da coroa em sua cabeça, a beleza do vestido adornado com pérolas e a sensação do símbolo de autoridade pesando sobre seus ombros, só a fazia lembrar-se do seu coração acelerado, das inseguranças que sentiu naquele dia. Ser uma rainha significava ser observada por todos, e enquanto todos aplaudiam, ela estava ciente de que a verdadeira batalha começava ali. O mundo estava mudando rapidamente e ela precisava se adaptar. Havia muitas expectativas a cumprir, não apenas como rainha, mas também como esposa e mãe.
O som das palmas lhe tirou de seus devaneios novamente. A vereadora havia encerrado o seu discurso e agora a esperava com um buquê de flores. Esme imaginava como iria chegar lá para receber sem tropeçar, mas o seu neto foi mais rápido ao servir-lhe de apoio. Os dois seguiram devagar. Mais uma vez ela sentia falta de sua mobilidade natural. Suas pernas lentas só a fazia lembrar-se de sua velhice.
Sean Renard entrou em seu campo de visão enquanto subia na parte alta. Admirava-se dele ter permanecido tão calado durante quase toda a cerimônia de homenagem. Devia ter sido um acordo entre ele e os parlamentares para não associarem seu cargo de primeiro ministro ao fato de ser neto postiço da rainha mãe. O que justificava também a ausência de sua neta, Marlowe.
Esme recebeu as flores da vereadora e esperou que tirassem a foto. Sean veio, enfim, até ela e deu lhe alguns beijinhos no rosto. Essa intimidade ele não deixou de ter, embora fosse estritamente proibido entre membros da família real. Era permitida apenas uma reverência e nada mais. Então, esse ato de teimosia e quebra de protocolos, a fez concluir que não a era a vontade dele não ser o destaque naquela manhã.
- Majestade, gostaria de expressar algumas palavras. Prometo que serei rápido.
É claro que ele falaria. Não ousaria passar por aquele momento importante sem algum discurso. Esme sorriu amarelo e mais uma vez entrou no modo automático, que aprendera a usar durante anos em sua vida pública. Alternava entre olhar para ele e para a plateia formada não só por políticos. O plenário estava cheio. Não lembrava de tantas pessoas presentes em sessões normais. Mas a política não era mesmo algo interessante, não é? Só não sabia que uma senhora de 89 anos seria.
- Me emociono ao me dar conta que essa é a primeira vez na História de Belgonia que temos uma rainha tão longeva em nossa presença e que felizmente podemos homenageá-la.
Aquela fala de Sean a despertou. Esme realmente se deu conta que nenhuma outra rainha tinha chegado aos noventa anos. Sentiu um arrepio. Ao longo dos anos, teve que defender seu país e sua família, enfrentar escândalos e períodos que achou que seria sem saída e, muitas vezes, sacrificar sua própria felicidade pelo bem maior. Toda aquela experiência, por que por mais que tivesse havido tempos de tranquilidade e momentos felizes, estar no trono era sempre como estar com uma bomba prestes a estourar. Tudo aquilo lhe doía e sentia que talvez muito em breve acabaria. Por que tudo na vida era findável, assim como a si mesma.
Sean Renard cumpriu mesmo a sua promessa de ser breve. Logo vários olhares se dirigiam a ela. Isso significava que estava na hora de seu discurso de agradecimento. O silêncio reinou quando ela subiu ao púlpito.
- Queridos amigos e cidadãos deste país, hoje, enquanto olho para trás, vejo não apenas os desafios, mas também as bênçãos. — começou Esme, sua voz firme, mas suave. — Ser rainha é uma jornada que eu nunca imaginaria quando era jovem. Há alegrias, há tristezas, e ambas moldam quem somos. Acredito que fui abençoada por ter uma família que sempre foi meu ponto de apoio e um público tão caloroso e fiel que acreditou em mim e em meu marido. Os deveres reais podem ser solitários, mas sempre busquei fortalecer nosso país, mesmo que às vezes isso significasse fazer sacrifícios pessoais. Isso não pesa por que foi o que eu prometi nesse mesmo dia em que está sendo exibido no telão as imagens. Eu prometi servir a esse país até o meu coração parar de bater. Então, dos meus quase noventa anos, sessenta e sete foram de deveres ao trono.
. A multidão ouvia cada palavra. Os rostos expressavam admiração, respeito e compreensão. Os jovens presentes, em particular, absorviam tudo como se fossem lições para o futuro. Ficar de pé ali e perceber que Anne tinha enfrentado seus próprios demônios, enquanto ainda levava amor e bondade ao povo, era inspirador.
- O que mais eu aprendi é que, no final do dia, todos nós somos humanos. Admiro aqueles que enfrentaram suas lutas diárias com coragem, seja em casa ou no trabalho. A resiliência que vi ao longo dos anos é algo que me inspira a continuar. Cada desafio enfrentado ao lado de meu querido marido valeu a pena. O legado que deixamos não é medido apenas pelas coroas e títulos, mas pelo amor e compaixão que oferecemos uns aos outros. O futuro é promissor, e confio na nova geração que se levantará para enfrentar seus próprios desafios e criar um mundo melhor. Então, posso dizer que vou me preparando para me despedir dessa grande jornada, mas ainda com a promessa que até o fim dos meus dias, o povo de Belgonia será, como sempre foi, o objeto de minha gratidão e prioridade. Obrigada.
Ao sair da câmara, pela primeira vez em muito tempo, ela sentiu-se realmente realizada. O que começou como uma jovem de sonhos e incertezas, havia se transformado em uma vida cheia de amor, luta e inesquecíveis lembranças. Ela olhou para o horizonte e admirou o céu azul e limpo. Esme sabia que, mesmo em um mundo em constante mudança, o amor e a compaixão sempre permaneceriam como o verdadeiro fundamento de sua história. E, assim, ela estaria pronta para enfrentar o que quer que o futuro reservasse, com a força que sempre carregara em seu coração.
Esme: Sua Verdadeira História – Capítulo 30: O dia em que virei rainha
Os dias que sucederam a morte de Pierino foram um verdadeiro turbilhão. Para falar a verdade, não tivemos muito tempo para vivenciar o luto. Na segunda – feira após enterro, já foi consagrado um novo, no caso Carlisle, o meu marido.
Era um rito de passagem bizarro, porém, o país não podia ficar sem um monarca. Era preciso toda a cerimonia de anunciação para que desse início ao período de transição até a coroação.
Logo cedinho ouvimos os sinos da Abadia tocarem. Abri os olhos e levantei até a janela para ver o mundo lá fora. O som era muito bonito, mas triste também. Lembro-me de apoiar a minha cabeça no vidro e imaginar que eu nunca tinha visto algo assim. Era uma grande novidade para boa parte da população ter uma cerimonia que anunciava a transição de monarcas.
Carlisle me acompanhou na contemplação dos sinos. Mal o relógio havia anunciado às seis da manhã e o nosso corpo cansado já teve que ficar de pé.
Depois do enterro, ficamos conversando por horas com os nossos filhos. Era engraçado, que precisou que alguém morresse para que pudéssemos estar algumas horas juntos, como há muito não tínhamos tido essa oportunidade. Formos dormir tarde. Na verdade, essa palavra é um eufemismo. Carlisle chorou muito e desabafou tudo que podia quando ficamos sozinhos. Diante das crianças, ele tentou se manter firme. Agora era essa a postura que todos esperavam dele. O país queria alguém forte para dar continuidade aos trabalhos.
Nos aprontamos e seguimos para o parlamento. Lá encontramos todos os deputados e primeiros ministros das últimas décadas presentes. Eu estava nervosa, mas sabia que Carlisle estava mais. Tudo havia se tornado realidade e agora?
- É como se fosse uma invasão, sabe? Papai tá impregnado em qualquer parte desse palácio. Simplesmente me sinto um impostor. – Carlisle falou para mim na noite anterior.
- Não temos escapatória. Vamos aceitando essa ideia aos poucos.
- Passei muito tempo pensando em como esse dia seria. Eu tinha muitos planos e metas, mas agora... O valentão virou um meninote com medo do escuro.
Fui até o meu marido, uni as nossas mãos e as nossas testas, quase como um beijo, falei:
- Vamos descobrir como sermos rei e rainha desse lugar assim como descobrimos ser pais, namorados, conjugues. É mais uma aventura que teremos juntos.
Mas no dia seguinte lá estava eu feito uma “vara verde”. O coração parecia que ia sair pela boca. A minha cabeça criava mil teorias absurdas de tudo que poderia dar errado. Tentei afastar esses maus pensamentos mantendo o sorriso e me mantendo próximo a Carlisle sempre que podia. Eu tinha que ser forte por ele também.
Nesse dia era só a proclamação, havia mais por vir. Era apenas uma amostra grátis. O primeiro ministro anunciou que éramos agora os novos monarcas regentes do país e repetiu quase todos os meus pensamentos. Assinamos alguns documentos e Carlisle encerrou com um discurso meio improvisado, prometendo devoção a monarquia até o fim dos seus dias e modernizá-la para a chegada do novo milênio.
Essa foi a nossa meta durante o mês e alguns dias do período de transição antes da coroação. Iriamos oficialmente receber a coroa em janeiro de 2000, na mesma época em que uma nova década nasceria. Tudo tinha que ser novo, não vai escapatória.
Montamos uma nova equipe e erguemos as mangas para preparar o nosso reinado. Carlisle fez questão de mandar criar um site para o palácio. Foi um escândalo! Internet ainda era algo a ser desbravado. Poucos Belgãos tinham computador em casa, mas todas as instituições estavam aderindo ao desconhecido. Carlisle sabia que um dia a vida seria online e queria a maior proximidade possível com os seus súditos.
Essa foi só uma das mudanças. Eu e Carlisle nunca gostamos de estarmos sob um pedestal. Sairíamos mais nas ruas, criaríamos projetos sociais à custa do fundo real e manteríamos um contato direto com a imprensa. Algumas caras feias eram perceptíveis enquanto falávamos, mas pela primeira vez não houve discussões acaloradas. A grande mestra e coronel estavam fora da jogada. Éramos os novos “donos da bola”. Nossa vontade teria que ser feita.
Elizabeth não se fez presente em nenhuma das reuniões da equipe de transição. Estava alheia em seu luto. Só comparecia as refeições ao nosso lado. Era uma mulher diferente. Pela primeira vez, confesso que a vi sem a máscara de general. Sua valentia tinha ido embora com seu marido. Eu entendia a sua dor, apesar de hoje é que sei como é perder um parceiro de vida. Naquele momento tudo tinha ficado por terra, a nossa inimizade, nossos valores contrários. Depois de anos assombrada com a presença vivaz dela, agora a via apenas como uma mulher. Alguém que eu queria me inspirar nas suas qualidades. Afinal de contas ela sempre seria a rainha daquele lugar.
Porém, durante os quatro anos que ela ainda esteve conosco viva, tivemos pouco contato. Os nossos inúmeros compromissos nos afastou até de nossos filhos, imagine dela. Uma pena, pois tanto eu quanto Carlisle poderíamos ter nos resolvido com ela de uma melhor maneira.
Entretanto, nunca a deixamos de lado. Na coroação ela teve destaque como a “Rainha Mãe” que era. Fizemos questão de incentivá-la a organizar toda a cerimônia, a primeira que seria televisionada, e ela fez tudo magnificamente de bom grado.
Tudo foi grandioso e lindo. Protocolado até o fio do cabelo, mas o que não era na monarquia? Vesti meu vestido branco, simbolizando a pureza, sem ainda acreditar que iria por uma coroa na cabeça naquela manhã. Carlisle e eu tínhamos passado dias ensaiando. Lembro o quanto a coroa de São Jorge era pesada. Alice, ainda criança nessa época, nos ajudava a andar equilibrando-a em nossa cabeça. Ela sorria gostoso com a nossa pose desajeitada. Fazer o que? Eu tinha medo de qualquer movimento e quebrar o pescoço. Mas sobrevivemos.
A caminho da Abadia, Carlisle e eu não desgrudamos as nossas mãos. Com a outra acenávamos para a multidão calorosa nas ruas. As expectativas eram altas. Tínhamos medo de estragar tudo, de sermos uma completa fraude. Aquelas pessoas sempre foram tão amorosas conosco, acompanharam toda a nossa trajetória até ali e esperavam tanto! Tínhamos receio de que esses anseios todos fossem quebrados. Por isso, meu sorriso era quase como um pedido de desculpa antecipado se os decepcionássemos.
Respirei fundo ao descer do carro. “Calma”, pensei e respirei fundo. Quebramos o protocolo ao entrarmos juntos na abadia de mãos dadas. Mas logo tivemos que nos separar. Carlisle seguia na frente com seu séquito e eu logo atrás. Segui olhando para frente com medo de vomitar de tão nervosa. Minhas mãos tremiam e meu coração estava acelerado. Em um momento achei que iria enfartar. Na minha cabeça eu tentava repetir todo o protocolo da cerimonia para me distrair e não morrer ali.
Sentamos e em quase toda a cerimonia não olhamos um para o outro. Eu não conseguia mexer nem um músculo. Sabia que Carlisle sentia o mesmo, mas manteve-se firme. Todos os olhares estavam na gente e nos amedrontava pelo peso da responsabilidade. Quando nos casamos, estávamos com o coração leve, então sabíamos que daria certo por que nos amávamos. Ali era um tiro no escuro.
Mas não podíamos decepcionar. Fizemos a nossa promessa com as mãos na Bíblia e Carlisle foi urgido com óleo sagrado, protegido pelos olhares do público. Quando a coroa foi colocada em sua cabeça senti orgulho. Ela coube tão bem. Nem precisou de ajustes. Rezava a lenda que a coroa escolhia o seu dono, assim como a espada de Merlin, ele sempre foi o escolhido. Era a sua sina.
Da mesma forma que seria a minha. Após, ele próprio se tornar rei, me coroou como sua consorte. Nossos olhos se encontraram. Os dele estavam cheios de lágrimas. Dos seus lábios saiu um quase inaudível “Eu te amo” enquanto colocava a coroa na minha cabeça. O peso da coroa é mais forte do que o do reinado.
Mais tarde, na porta da Igreja, acenamos para as pessoas que gritavam com fervor. Carlisle apertou a minha mão e pela primeira vez senti um alivio. “Vencemos. Estamos aqui. Demos a volta por cima aos obstáculos. Acabou.”. Mas eu estava enganada. Não era o fim e sim o começo.
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