William apertou as mãos no volante e seguiu para a sede da fundação Multicores se odiando por ter que esperar alguns dias para ir lá. Tinha combinado com Joel que a única maneira de tentar desvendar o autor do rosto do homem que saia oculto pela madrugada pós — crime era tentar reconstruir o seu retrato falado com os membros da fundação.

Precisava mais do que nunca tentar desvendar logo esse mistério. Primeiro por que ele se sentia em dívida com a duquesa. Tinha prometido ajudá-la e ainda se culpava por não ter feito o suficiente. Além do que as pistas estavam vindo com mais força agora e se não seguissem em frente com agilidade tudo poderia ir por água abaixo.

Em segundo lugar havia também a preocupação com a princesa. Se Tom tivesse mesmo envolvido com os crimes, ela também poderia estar correndo risco e tudo que ele menos queria era que ela sofresse. Antes poderia dizer que tinha uma certa atração por ela. A achava uma mulher linda e que certamente ele queria se aproximar. Ela era um desafio interessante. Porém, agora, era bem mais do que isso. Não sabia bem que tipo de sentimento poderia ser descrito, mas Renesme agora era outro nível para ele.

É claro que Joel poderia estar exagerando em se firmar na ideia de Tom estar envolvido. Havia sim algumas coisas a favor para a teoria do policial. Mas ainda assim parecia algo meio inacreditável para o jornalista. O palácio poderia ser tão ingênuo em contratar alguém com poucas referencias e tão suspeito também?

Parou o carro em frente à fundação e desce com o seu tablet. Natasha pareceu surpresa ao vê-lo ali. Talvez pelo fato de ela estar desacreditada mesmo no fato dele realmente se interessar em escrever sobre Elton. William seguiu até a porta com um sorriso confiante. Ele estivera tão envolvido nesse caso que talvez ele acabasse mesmo escrevendo o tal livro.

— Olá! Parece surpresa ao me ver.

— Na verdade estou sim. Não pensei que estivesse mesmo falando sério.

— E por que não estaria?

— Precisa de algo mais?

— Sim, da sua memória.

— Ok...

— Posso entrar?

Natasha se afastou e estendeu a mão para a entrada. William sorriu novamente e seguiu pelos corredores acompanhado pela velha amiga de Elton. Ambos pararam na mesma sala em que estiveram conversando anteriormente. Natasha ainda o olhava desconfiada.

— Devo lhe dizer que sai daqui naquele outro dia com a eminência de ir mais afundo sobre aquele cara que entrou aqui poucos meses antes da morte de Elton.

— Sim...

— Como lhe disse anteriormente, o caso do seu amigo sempre me interessou muito e nunca saiu da minha cabeça que havia outras possibilidades de a gente descobrir o que aconteceu.

— Acredite. Nós tentamos por conta própria. Esse cara mesmo que eu te falei, a gente até tinha suspeitado dele e de outros que pisaram por aqui. Mas toda vez encontrávamos apenas pontas soltas. Quem matou Elton fez um serviço bem feito.

— E é ai que você se engana. Não existe crime perfeito. Eu fui atrás, com um colega policial, das imagens de trânsito das ruas próximas a da escola e encontrei coisas bem interessantes. Veja!

William pegou o tablet e selecionou os vídeos com as filmagens de transito com a hora exata em que o jip passa e sai pela rua principal e a do misterioso homem saindo à francesa pela outra rua e entregou a Natasha. Ela olhava tudo com muita surpresa. Foi e voltou os vídeos várias vezes. Por fim, o jornalista pôde ver um olhar mais esperançoso na mulher em sua frente.

— Como? – Natasha perguntou impressionada.

— Essas imagens são do exato dia em que a escola de vocês foi atacada. Ao que tudo indica esse jipe estava levando as pessoas que cometeram aquele crime monstruoso na instituição. Acredito que possam ser pessoas ligadas ao "Águias da Nação" ou algum desses movimentos associados a Bono Donnalson.

— Nós também. Sempre pensamos nisso. Eles sempre se meteram em confusão com a gente. Chegamos até a denunciá-los contra outros crimes homofóbicos que eles tinham cometido. Eles só podem estar envolvidos na morte de Elton.

— Sem dúvida. Assim como Bono Donnalson. Sei que isso pode ser um pouco pesado, mas esse grupo é formado com as ideias que ele prega. Mas para provarmos isso precisamos descobrir que é esse cara que saiu sozinho pela outra rua.

— Muito esquisito mesmo. Por que ele saiu antes dos outros? Ele parecia assustado. Não será alguém que teria visto o crime e resolveu sair antes que sobrasse para ele?

— Pode ser sim. Mas também pode ser alguém que esteve participando do crime e resolveu sair antes do esperado.

— Mas por quê?

— Isso também teremos que descobrir. Esse cara é importante demais para nós.

— E como vamos saber quem ele é?

— É por isso que eu vim aqui. Tiramos um print da imagem do rosto dele e quero saber se por caso você o reconhece ou ao menos me ajude a montar um retrato falado daquele cara que se associou aqui por último.

— Certo.

William pegou o tablet de volta e colocou na imagem restaurada que fez do rapaz desconhecido e mostrou a Natasha. Ela olhava com curiosidade e avidez. Era um misto de reconhecimento e mistério ao mesmo tempo. O jornalista a viu franzir a testa e ver a imagem de vários ângulos. Parecia tão em dúvida quanto ele e Joel.

— Não tem uma imagem melhor que essa?

— Infelizmente não.

Natasha se recostou na cadeira e olhou novamente para o rosto do homem na imagem.

— Parece que eu o conheço de algum lugar.

— Foi exatamente o que eu pensei.

— Deus! Quem é esse homem? – Natasha se perguntou ainda intrigada.

— Podemos partir para a descrição do homem que se filiou a fundação?

— Sim. Acho melhor.

William pegou o seu bloco de papel e tentou desenhar da maneira como Natasha o descrevia e se arrependeu amargamente por ter reusado a ajuda de Joel. Ele não era tão bom desenhista assim e isso poderia atrapalhar no reconhecimento. Seguiu desenhando, mas por fim saiu mais um rosto não tão perfeito quanto deveria e com muitas precisões faltando. Natasha obviamente acabou não achando muito parecido com aquele que ela havia conhecido.

— E se eu te mostrar a foto de uma pessoa? Será que você poderia reconhecê-la?

— Claro! Tanto que seja melhor do que esse seu desenho.

O jornalista não pôde deixar de dar um sorriso e caçou no seu tablet alguma imagem de Tom para mostrá-la. Havia a possibilidade sim de Tom e o homem das filmagens não serem a mesma pessoa, mas ele precisava arriscar ao menos e principalmente ter ou não ideia se o segurança da princesa podia estar envolvido em algo suspeito. Para felicidade dele, logo quando Natasha bateu os olhos no roto de Tom foi capaz de reconhecê-lo.

— Eu sei quem é esse cara! É exatamente dele em que estamos falando. Foi ele que se associou a fundação pouco tempo antes da morte de Elton.

William sorriu em animação. Não era que Joel não tinha mesmo um bom extinto farejador?

Do outro lado da cidade, Renesme se dirigia ao aeroporto acompanhada de Henry. Estava com uma sensação estranha. Parecia que tudo estava fora do lugar. Olhava para Tom no banco de trás e via a sua expressão séria. Sabia que alguma coisa o incomodava e que ele provavelmente não contaria para ela. Nunca ele fazia isso, o que a irritava bastante. Porém, não iria pertubá-lo. Se ele quisesse contar, ela o ouviria.

Seguiu dirigindo até o aeroporto ouvindo Henry tagarelar sobre um monte de coisa que ela não prestou muita atenção. Tudo parecia estranho. Nada estava no lugar. Lembrava que nos anos anteriores, datas como a daquele dia, semana santa, natal, National Day, eram muito celebradas pelo seu avô. Ele sempre fizera questão de manter todos muito focados e juntos no sentido da data. Tudo acabava sendo uma grande festa, mas agora...

— Não está notando que tudo está fora do lugar? – Renesme perguntou chamando atenção não só de Henry, mas de Tom que parecia ter sido desperto de um transe.

— Eu sei do que está falando. Uma hora dessas estaríamos todos pensando num bom vinho e naquele chocolate. Vovô sabia dar uma festa.

— Ele fazia questão disso. Tudo virava uma tradição de família.

— Os tempos mudam, não é?

— Lamento pela decição de papai contra Marlowe. – Renesme disparou.

— Eu também. Não queria ter passar essa data sem a presença dela. Basta o que já perdemos. Mas, enfim. Eu entendo o tio Edward também.

— Eu não queria que tivesse que ser assim. Ela deve estar arrassada.

— Está. Imagina! Logo ela que fazia tanta questão de ser parte da realeza. Perder uma data como essa é como matá-la.

— Acha que ela gosta mesmo de Renard?

— No início eu achava que não. Marlowe sabe ser caprichosa quando quer, mas agora com a gravidez... Acho que ela caiu na própria rede.

— Ela está grávida? – Renesme perguntou surpresa.

— Está. Não se preocupe. Ela ia contar hoje para todos, mas ela foi pega de supresa.

— Nossa! Agora me sinto ainda pior por a nossa família está se partindo num momento como esse. Imagina! O primeiro bisneto ou bisneta dos nossos avós!

— Ele ou ela continuará sendo bisneto ou bisneta dos nossos avós, mesmo com Marlowe estando dissassociada da família real. Infelizmente não podemos ter tudo.

— Não. Infelizmente. – Renesme falou olhando para Tom pelo retrovisor e encontrando o olhar dele em troca. Era exatamente essa escolha que ela teria que fazer em breve também.

Seguiu pensando nisso até parar no estacionamento do aeroporto. Anthony chegaria junto com a sua nova namorada que ela estava bem curiosa para conhecer. Sabia que o irmão ainda estava se dando esse trabalho por causa dela. Renesme entendia o descontentamento dele que era um pouco dela também. A diferença é que ela não pretendia ser tão extrema em suas decisões. Por Anthony, ele nunca mais voltaria a pisar em Belgonia. Continuaria o que estivesse fazendo em Londres numa vida completamente fora dos padrões da realeza. Um sonho impossível para Renesme.

— Não acredito que o pirralho desencalhou! – Henry brincou. – Achei que ele fosse contra relacionamentos tradicionais.

— Ele era até conhecer Ashley. Eu sempre disse a ele que no dia que ele encontrasse a pessoa certa, ele desistiria dessas bobagens. O amor sempre muda a gente.

Renesme olhou novamente para Tom e ele permanecia a seguindo com uma certa distancia e em silêncio. A princesa estava se mordendo para perguntar o que estava acontecendo, porém se conteve. Não era o momento. Anthony e uma bela mulher loira já se aproximavam.

Renesme acabou tendo uma certa surpresa ao ver a sua cunhada. Anthony sempre fora averso a padrões. Suas namoradas tinham um ar de rebeldes ou completamente fora da caixinha real. Ele já até tinha namorado homens, escondido, é claro. Não acreditava que isso iria pegar bem na Instituição. Os tempos haviam passado, mas os valores nem tanto. A princesa às vezes pensava que o irmão queria mesmo era um bom desafio, ter o prazer de descobrir tudo. Ele mesmo dizia que não gostava de ser colocado em rótulos. Porém, Ashley encaixava em todos os itens da lista do palácio até o momento. Curioso!

— Maninho! – Renesme acenou com animação.

— Hey!

— Olá tampinha! Quer dizer você está bem diferente agora, não sei bem por que... – Henry provocou.

— Só não vou te dar o dedo do meio, Henry, por que estamos em público.

— E você deve ser Ashley? – Perguntou Renesme.

Ashley sorriu e tentou fazer uma reverência desajeitada. Ela parecia mais do que encantada com tudo em sua volta. A princesa podia sentir o ânimo dela, todos ficavam assim quando se tratava de realeza.

— É um prazer em conhecê-los, altezas.

— Não se preocupe. Eu não sou príncipe. – afirmou Henry. – A princesa aqui é esta e é a parte legal da família.

Renesme balançou a cabeça e estendeu a mão para Ashley que a apertou com fervor.

— Sou Renesme. Sua cunhada, espero.

— Eu também espero. – Ashley respondeu enquanto trocava olhares com Anthony.

— Acho melhor sairmos daqui, não? – Anthony falou com as bochechas coradas. — As pessoas já estão desconfiando que somos nós e daqui a pouco vira um inferno.

— Você tem razão. Vamos para o carro.

Seguiram todos até o veiculo com uma Ashley muito animada. Ela observava tudo ao redor com tanta curiosidade que lembrava até uma criança que ia a Disney pela primeira vez. Renesme imaginou que devia mesmo ser surreal estar ao lado de membros da realeza em carne e osso. Para quem via de fora era tudo muito mágico.

— Quer saber? Vamos passar o dia hoje na fazenda do padrinho Jacob. – Renesme sugeriu enquanto ajudava Tom com as bagagens. – Não acham uma boa ideia?

— Eu acho uma ótima ideia! – concordou Anthony. – Você vai adorar o sítio do tio Jacob, Ashley. Lá tem uma piscina natural excelente e cavalos.

— Maravilha! Quero conhecer tudo.

— Ligue para Marlowe, Henry, por favor. Acho que podemos fazer uma reunião de primos. O que acha?

— Muito bem! Ligarei para ela. Acho que vai gostar.

— Combinado, então!

Tom esperou que todos entrassem no carro para falar com Renesme do lado de fora.

— Desculpe Renesme, mas não vou poder acompanhá-los até a fazenda hoje. Tenho algo importante para resolver. Me permite?

— Claro... – A princesa concordou com desconfiança.

Renesme então seguiu dirigindo até o palácio e agradecendo aos céus por Henry não deixar o papo morrer e encantar ao máximo Ashley com as histórias de família. Pois ela mesma estava mais interessada em saber que algo de tão importante havia para Tom resolver. Em sua cabeça passavam mil possibilidades, mas nenhuma delas parecia muito possível. Ela não conhecia Tom o suficiente para supor facilmente e isso a irritava.

Ela pensava sobre isso quando estacionou em frente ao palácio. Sua única distração foi Ashley mais encantada do que já estava. A modelo observava a faixada do prédio impressionada e ainda mais ao ver os seguranças, modormo e tudo que o palácio podia oferecer.

— Como eu devo agir? – perguntou ela a Anthony.

— Ninguém vai cobrar nada de você. – respondeu ele.

— Sejam bem- vindos, altezas. – saudou o mordomo no sagão.

— Olá Frederick! Como estão as coisas? – questionou Anthony com simpatia.

— Tudo em ordem, senhor. Seu pai o espera no escritório. Ele me perguntou várias vezes pela sua chegada. Acho que quer vê-lo com urgência.

Renesme voltou-se para o irmão e passou a mão pelo ombro dele e disse baixinho:

— Vá vê-lo na paz, ok? Apresente Ashley. Acho que ele vai gostar de conhecê-la.

Anthony revirou os olhos e segurou as mãos de sua namorada e a arrastou para o antigo escritório de seu avô. Não queria ter que encontrar Edward agora, mas se era assim que tinha que ser, não queria demorar mais.

Não deixou de sentir um certo apreço ao passar pelos corredores que levavam ao escritório. Aquilo tudo lembrava tanto o seu avô que até parecia que ao abrir as grandes portas de mogno, ele estaria o esperando do outro lado. Porém a visão que teve foi de seu pai com uma cara fechada, como sempre.

Ashley fez uma reverência rápida, mas Anthony não se preocupou com isso. Seguiu para mais perto do pai firmemente.

— É bom vê-lo, filho!

Anthony apenas assentiu e colocou Ashley em sua frente.

— Pai, essa é a minha namorada, Ashley Hearn.

— É um prazer, senh...

Edward não deixou que ela completasse a frase, apenas apertou a sua mão e foi em direção ao filho.

— Quero conversar com você urgente!

— Mas eu não quero. Fale com Ashley direito e depois, em outro momento, podemos conversar.

— Não podemos esperar muito tempo. – Edward virou-se para Ashely e falou: — Vou pedir que lhe acompanhem ao seu quarto.

Ashley nada disse, apenas assentiu e seguiu o sogro até a porta do escritório para depois ser levada aos seus aposentos. Anthony olhava para aquilo tudo horrorizado.

— Desculpe, mas não tenho nada pra conversar com você. Não com essa sua educação fenomenal.

— Anthony!

O caçula do rei apenas deu as costas e saiu do escritório deixando o pai furioso para trás. Renesme que observava tudo do sagão entendeu que mais uma vez o clima havia esquentado para os dois e se entristeceu com isso.

— É melhor irmos logo para a fazenda. Eu não fico nem mais um minuto aqui no palácio.

Renesme apenas assentiu tentando imaginar o que teria acontecido nos poucos segundos dentro do escritório de seu pai. Sua família estava mesmo revirada de cabeça para baixo.

Aro olhava para os inumeros jornais de Belgonia em sua frente e sorria animado. Tudo estava transcorrendo exatamanente como ele esatav planejando. Alec olhava para o pai e sentia como se estivesse num grande jogo de xadrez e com certeza o principe regente de Volterra já tinha todos os movimentos estratégicos planejados.

— Alec tudo está saindo perfeitamente bem. Não duvido nada que ainda este mês o rei oficialize o seu casamento com a princesa.

— Bom, eu gostaria de saber em que parte fui consultado nessa história.

— E nem precisa. Seria maluco se recusasse uma proposta dessas! O que você faz aqui, além de estar o dia inteiro com aquelas plantas? Lendo livros ou fazendo um monte de nada o dia inteiro? Você não tem o que palpitar. É um principe e tem que fazer o que lhe mandam.

Alec sentiu as palavras do pai com força, tanto que acabou se inclinando para trás, como se tivesse recebido um grande soco. O olhar de aro era ferrenho e ele permaneceu calado, como sempre fazia. Não podia ir contra ele. Na verdade, tudo que falara era verdade. Ele nunca teve muita perspectiva e tinha suas contas pagas pelo pai. Sua única esperança era que Renesme fizesse algo.

— Andei investindo com força em Belgonia. Você precisa ver como as pessoas lá estão desesperadas por dinheiro. Molhei a mão das pessoas certas e verá como nenhum daqueles políticos vai ser burro em discordar do casamento de vocês. Todos me querem lá injetando dinheiro em negócios lucrativos.

— Parece que você pensou em tudo, não é? Só não contou com a possibilidade da princesa bater o pé e se recusar a ficar noiva.

— Ela não terá escolha e nem a família real.

— O que eles precisam no momento é de dinheiro circulando no país e manter a imagem. Aquele tal de Donnalson está quebrando eles e agora que aquela sobrinha do rei resolveu se envolver com o prefeito causando o maior escandalo, a única saída é apressar o casamento da princesa para abafar as coisas.

— Por que está tão interessado em Bolgonia? Não seria mais negócio investir contra Anthonius e garantir o seu trono aqui?

Aro coçou o queixo e olhou para o filho com segurança. Sempre diziam que era melhor ter um passarinho na mão do que dois voando, ele não concordava. Iria garantir que os dois comessem em sua mão. Soube pelos bastidores dos corredores do palácio que Jane estava de olho em seu sobrinho interesseiro. Não se irritou com isso. Pelo contrário, se orgulhou de sua filha. Ela sim tinha puxado sua astúcia. Diferente do “pamonha” do seu irmão gêmeo que era tão sem ação quanto uma planta. Se ela conseguisse ficar com Anthonius não perderia o trono de Volterra, seria uma saída, mesmo sabendo que o processo para o reconhecimento dele na linha sucessória não iria dar em nada no final. Ele jogaria sujo, se houver a necessidade, para manchar a imagem do sobrinho.

Mas Belgonia lhe atraia. Seria um sonho comandar aquele país. Tinha certeza que isso se realizaria. Mexeria todos os pauzinhos para manter todos da família presos a ele e então teria todo o poder para si. Sabia que estava a um passo disso. Mantinha seus informantes no palácio e tinha ouvido dizer que agora o filho mais novo do rei andava querendo cair fora. Menos um, pensou Aro. Mas tudo se encaminhava para uma desestruturação familiar. Tudo que menos poderia acontecer agora diante de tamanha crise economica, e uma ferrenha disputa política.

Aro sabia que a estratégia era manter a imagem de família de margarina e provedora dos pobres e oprimidos para levantar a moral da instituição para que esta se mantesse firme diante dos ataques de Bono. Tinha certeza que conseguiria isso após o casamento de Alec com a princesa. Salvaria a monarquia Belgã e todos ficariam em dívida com ele.

— Anthonius não irá a lugar nenhum. Belgonia parece ser um bom investimento no momento. Vou aguardar apenas mais alguns dias pela resposta do palácio e então vou fechar o cerco.

— Sua autoconfiança me impressiona!

— Não se preocupe, Alec, tudo que aconteceu ou que venha a acontecer naquele palácio é de minha vontade. Tenho olhos, mãos, braços e pernas em todos os lugares.

Aro passou pelo filho tocando o ombro dele. Alec abaixou a cabeça com desilusão sentindo todo o peso da mão de seu pai. Não entendia de onde tinha vindo tanta sede de poder que Aro tinha. Não duvidava que ele poderia mover montanhas para ter tudo que queria e sabia que nada que fizesse poderia barrá-lo. Ninguém poderia quando ele estava determinado. Só lhe restava dar como certo o seu casamento com a princesa.

Renesme olhou para a farta mesa posta nos belos jardins do sítio de seu padrinho e sentiu uma imensa paz. Sua mãe adorava esse tipo de programa num ferido ou em um domingo qualquer. Ver seu avô, padrinho, tinha postiça, irmão, primos reunidos num só lugar falando alto e com sorriso no rosto era reconfortante diante de tantos meses sombrios.

— Poderiamos fazer isso mais vezes, sabia? – comentou ela com todos. – Tinha esquecido como era gostoso estar assim com vocês.

— Para mim é um prazer! – afirmou Charlie. – Acredito que vocês esquecem que tem outro avô.

— Não é nada disso, vô. – Anthony tratou de discordar. – Eu me considero mais Swan do que nunca.

— É mesmo?

— Sim. Mamãe está muito viva em mim.

— Em todos nós, na verdade. – corrigiu Renesme. – Acho que o que ela mais queria no momento é nos ver em paz com todos. – ela completou olhando de esguelha para o irmão.

— Eu via notícias sobre sua mãe, Anthony, e juntando com o que me contava, acho que ela devia ser uma pessoa maravilhosa! – afirmou Ashley.

— E ela era. – concordou Charlie. — Eu tenho muito orgulho da filha que tive. — O meu único consolo é pensar que sua mãe tinha uma missão muito importante a cumprir. Só os bons morrem logo.

Renesme sentiu a voz do avô embargar. Nunca tinha visto ele demonstrar fragilidade. Por ter sido um policial, sempre gostara de passar frieza, mas depois que Bella se fora, tudo nele desmoronara. Nem gostava de lembrar de quando foram informados que ela tinha sofrido morte cerebral. Charlie e Edward foram um dos poucos que não quiseram acreditar que ela não voltaria e que o melhor seria desligar os aparelhos e fazer valer a vontade dela de doar os órgãos. Os dois ficaram ao lado dela até o último minuto.

— Por isso que eu peço, não deixem o legado dela morrer.

— Não vamos, vô. Seremos mais Swan e menos Cullen. — Anthony falou em um tom rebelde.

O silêncio se instalou entre todos na mesa. Jacob começou a retirar os pratos da mesa e tentou mudar de assunto rapidamente. Não queria que Charlie, principalmente, ficasse ainda mais deprimido. Sabia o quanto todos ainda estavam muito abalados.

— Estou feliz em ver vocês assim tão apaixonados! – ele falou para Anthony e Ashley. – Está perparada para se tornar um membro da realeza?

— Eu não sei... – ela falou olhando para Anthony e não querendo ser desagradável. — É tudo tão surreal! Me sinto num conto de fadas!

— Bem, não é tão mágico como você pensa. Se relacionar com alguém da realeza é dar adeus à vida própria e assinar de vez um contrato permanente com a firma. Não pode haver emoções, apenas estratérgia. – Marlowe falou.

Renesme sentiu que as palavras de ressentimento eram mais para ela mesma do que para Ashley. Marlowe sempre se sentiu a estrategista e que teria uma carta na mão para tudo e agora estava percebendo que estava perdendo por conta de impulso que ela tentara evitar antes. A princesa sabia que ela de alguma forma estava certa para estar dentro nessa vida dupla tinha que haver duas narrativas, a real e a imaginária para aqueles que observavam de fora. Ela estremeceu com isso. Estava prestes a tomar a decisão mais impulsiva de sua vida.

— Bom, por que agora não vamos dar umas cavalgadas? – Sugeriu Henry, mais uma vez salvando a situação.

A princesa deixou que todos saissem para ter uma conversa às sós com a sua prima. Aproximou-se devagarinho de Marlowe que observava a diversão dos primos de longe e tocou o ombro dela.

— Vou te fazer companhia.

— Pensei que seria a primeira a correr para pegar um cavalo. Sempre foi louca por eles.

— É, mas agora eu quero ficar perto de você.

Marlowe sorriu e amabas sentaram na grama macia, a observar a paisagem do sol alaranjado no horizonte que começava a se formar.

— Eu sinto muito pela decisão do papai. Não queria que tivesse sido assim.

— Nem eu. Tentei conversar, mas acho que ele não está interessado. Ok! Eu entendo a situação.

— Não vamos nos afastar de você, quer dizer, de vocês. – a princesa falou tocando a barriga da prima.

— Obrigada. Isso significa muito. Eu sei que vocês me vêem como uma interesseira, mas a minha família é o que mais importa pra mim. No fundo, eu acho que eu só queria um pouco mais de atenção, sabe?

— Os nossos avós sempre foram loucos por você e por todos os nossos primos.

— É, mas eu queria bem mais do que isso. Fiz de tudo para me aproximar para mudar a minha realidade lá dentro e ai por um tris eu perco tudo.

— Mas será que vale mesmo a pena, Marlowe. Anthony tem razão. Estar lá dentro é pesado demais. Dominador demais.

— Valia pra mim.

— Então se arrepende de ter ficado noiva de Renard?

— Não. Eu gosto dele e quero ter uma família legar para o meu bebê. Hoje analiso as coisas de forma mais diferenciada. Vi que o sentimento conta mais.

Renesme olhou bem para a prima e tentou se decidir se contaria a ela sobre o seu namoro com Tom. Queria ter uma opinião de fora sobre a sua decisão de assumi-lo. Mas também queria garantir que ela não contaria para todos imediatamente e estraguasse tudo.

— Eu fiquei feliz com a sua decisão de ficar noiva de Renard. Achei corajoso e me inspirou muito, confesso.

Marlowe olhou surpresa para a prima. Não esperava uma revelação dessas.

— Então, está me dizendo que tem alguém... E se escondeu por todo esse tempo é por que ele não é bem o que esperam de um noivo para você, estou errada?

Renesme respirou fundo, mordeu os lábios e olhou mais uma vez para o horizonte. Odiava essa imposição que lhe caia sob os ombros. Ter que encontrar a pessoa perfeita, mas nunca o que ela desejaria.

— Digamos que sim e eu estou disposta a assumi-lo.

— Isso é realmente uma grande surpresa! Fico feliz que tenha encontrado a pessoa que lhe faz feliz.

— Eu também. Estou certa que finalmente encontrei alguém que me faz ir mais longe, sabe? Que mexe comigo a ponto de...

— Fazer loucuras. Sei bem, não é a toa que estou com esse nenem bem aqui. – Marlowe falou acariciando a barriga. – Mas eu tenho que lhe perguntar, tem mesmo certeza que vai enfrentar tudo por ele? Quer dizer, eu não o conheço, deve saber bem mais do que eu, mas é muito diferente as consequências de minha escolha, de Henry, ou até mesmo Anthony com relação a sua.

— O homem com quem eu me casar terá que ser o futuro consorte do país, eu sei bem disso. Passei anos da minha vida pensando nisso e deixei passar muita coisa com medo de represálias, de sofrer as consequências. Eu deixei que os outros resolvessem tudo por mim por causa disso, mas agora é diferente. Eu cansei de ser a pssiva nessa história.

— Muito me admira a sua coragem. É muito bom se deixar levar pelo coração, ás vezes, mas tenha cuidado. Lá dentro é preciso estratérgia e estar apto a tomar decisões difíceis. Só espero que você não venha a sofrer tudo que eu tenho sofrido. Por que você sabe, no seu caso a punição também é mais severa.

Marlowe tocou o braço da prima e Renesme sentiu as palavras dela. Seriam mesmo capazes de excluí-la de sua família? A mandariam escolher entre Tom e a instituição? Estava disposta a pagar pra ver.

Joel não pôde deixar de bater os pés no chão enquanto esperava o momento que entraria no escritório para falar com o agora rei Edward. Sua ansiedade o fazia quase sentir dores que sabia que não vinha de problemas físicos. Respira! Pensou consigo mesmo.

— O senhor já pode entrar. – disse o funcionário em sua frente.

O policial assentiu e respirou fundo mais uma vez. Tinha que se controlar. O assunto era sério e tinha que agir com cautela. Seguiu andando a poucos passos até o interior do escritório. Era a primeira vez que entrava ali. Todas as vezes que estivera com Edward tinha sido no apartamento dele ou no andar de cima do palácio. Aquele ambiente parecia muito mais sério e quase saído de um livro de História.

Edward levantou-se para receber Tom e acenou para que ele se sentasse. Joel não pôde deixar de notar a expressão cansada e até mesmo chateada do rei. Alguma coisa a mais havia acontecido.

— Joel, é sempre um prazer! Espero que tenha novidades.

— Tenho sim, majestade. — Ele falou fazendo uma breve reverência e se sentando em seguida. — Se me permite perguntar, antes de qualquer coisa, quanto o senhor sabe sobre a morte de Elton Rust?

— Sei que ele foi morto e encontrado na sisterna da casa dele. Inclusive, foi o ex- segurança de Bella que o encontrou antes mesmo da polícia.

— É mesmo? A mando da duquesa?

— Sim, Bella e ele estavam muito próximos e ela se preocupou com o sumisso dele. Mas o que isso tem haver com o caso de minha esposa?

— Bom, tudo. Você sabia que Elton recebia ameaças constantemente sob mensagens de texto que eram apagadass logo em seguida?

— Não... Então acha que a mesma pessoa que matou Elton pode ter matado Bella?

— É o que eu penso sim. Depois de encontrar evidências, como lhe falei, que a duquesa foi sim abordada antes do acidente só me fez querer descobrir mais sobre o caso de Elton. Por que se eu encontrasse algo sobre um encontraria sobre o outro.

— Com certeza. Na verdade, isso nem me surpreende muito. Eu sabia que uma hora ou outra Bella seria o alvo de quem quer que seja o assasino de Elton.

— Pelo que posso, entender, então, o senhor não gostava da aproximação dos dois.

— Não era bem isso. Eu nunca fui contra os projetos de Bella, pelo contrário, eu a incentivava muito. Mais sabia que se envolver com a Multicores, em um período conturbado como esse que vivemos iria acabar a prejudicando.

— A princesa me contou que uma das poucas discussoes que teve com a mãe foi por causa que vocês pareciam não concordar com o que ela vinha fazendo.

— Sim. Eu também tive várias com ela. Mas tudo que eu queria era que ela se tocasse do perigo. Mas Bella tinha vida própria.

— E como ela reagiu após saber da morte de Elton?

Edward coçou queixo e fez uma expressão que deu a entender ao policial que era de desprezo. Joel percebeu que o rei ainda achava que Bella podia estar exagerando. Ao mesmo tempo que expressava angustia, foram tempos difíceis.

— Foi a partir dai que Bella começou a elouquecer. Diversas vezes a vi desesperada a procura de câmaras, gravadores escondidos. Ela realmente acreditava que estava sendo perseguida.

— E você não?

— Aqui no palácio não.

Joel se ajeitou na cadeira e continuou:

— Bom, se ambos chegaram a receber ameaças pelo telefone, quem as teria mandado? Quem poderia ter o número pessoal dos dois?

— No caso de Bella apenas nós da família e poucos funcionários que trabalham para nós. Para qualquer pessoa chegar até nós tem que passar por uma série de pessoas no palácio.

— Imaginei que fosse assim. No caso de Elton também. Os amigos dele sabiam que ele tinha um alvo nas costas e não sairiam por ai entregando o número dele para qualquer um.

— Com a tecnologia que temos hoje não seria difícil descobrir.

— Sim, verdade. Mas algo nessa história me chamou atenção. Um rapaz procurou a Multicores alguns meses antes da morte de Elton e pareceu muito interessado nele. Veio com uma história que vinha de Clarence e fez um drama que despertou o carinho do ativista, mas depois do nada ele desapareceu.

— Acha que foi alguém infiltado?

— Com certeza. Ainda mais depois disso.

Joel pegou as filmagens do dia da invação da escola da fundação e mostrou ao rei. A reação dele foi exatamente à mesma de todos que nesse tempo a viram, era puro desprezo e espanto.

— Impressionante! Parece que eu conheço o rapaz que aparece nessas imagens.

— Foi o que todos pensamos.

— Mas o que garante que o rapaz está envolvido nesse infortúnio da escola.

— Tinha a probabilidade de não estar. Mas quem mais teria acesso a rotina de Elton e do pessoal da fundação? Foi uma pessoa infiltrada.

— Acha então que alguém aqui dentro está nos espionando.

— Muito provavelmente.

— É realmente estranho por que algumas coisas muito pessoais sobre Bella sairam num jornal pago por Donnalson e não sabiamos como isso poderia ter vazado.

— Qual foi o último funcionário mais próximo à duquesa que foi contratado?

— Foi o segurança de minha filha, Tom. Mas ele não trabalhava para Bella.

— Mas é proximo da princesa e isso já é um grande passo. Pensando nisso, parti para uma investigação sobre o passado dele. Você sabia que ele é filiado ao partido conservador e da fundação do "Águias da Nação"? Esse é o mesmo movimento que provavelmente foram os responsáveis pela depravação do patrimônio da escola.

Edward começou a se remexer na cadeira. Era muita informação em sua cabeça e tentava encaixar tudo, porém algumas coisas ainda estavam soltas. Como Joel poderia garantir que Tom estava por trás de tudo? Entretanto não podia deixar de sentir medo, principamente sabendo do romance dele com Renesme. Teria sido tudo proposital? Apenas para obter informações de sua filha?

— A melhor amiga de Elton confirmou que fora um rapaz indêntico a Tom Frost que fora procurá-los, mas com um nome diferente, é claro.

Edward tremia diante dessa informação. Sua mente ainda tentava processar tudo, mas resolveu não arriscar. Pegou o gancho do telefone em sua mesa e discou para o chefe da segurança do palácio.

— Majestade.

— Frederick, me mande tudo que souber sobre Tom Frost e venha imediantamente conversar comigo.

— Sim, senhor.

— E tire a responsabilidade dele de proteger a minha filha, não o quero mais metido nessa função.

— Certamente, senhor.

Edward olhou assustado para Joel. Tinha que agir rápido e dessa vez fazer algo realmente concreto para manter a segurança de Renesme. Já tinha perdido Bella por sua cegueira estúpida, não poderia perder a filha também.

Tom se dirigia para o local que menos queria estar no momento. O seu celular vibrou em seu bolso, era aquele velho número de novo. Quis jogar o celular longe, mas algo o impedia. Tinha raiva de si mesmo por não conseguir. Ele apertou a tecla para atender, mas a ligação já estava terminada. Porém, a mensagem chegou. "Por que ainda não chegou?". Logo após a sua leitura a mensagem foi apagada.

Tom pensou seriamente se continuaria a ir a esses encontros. Já tinha posto em sua cabeça que o esquema não continuaria com ele. Já tinha dito isso com todas as letras, mas eles nunca o ouviam.

Parou na velha lanchonete que ficava na área pobre da cidade, onde tantas vezes fizera parte do jogo sujo e desceu do carro. Se surpreendeu ao ver que não havia ninguém o esperando lá dentro como sempre havia. Um carro estava parado com a porta aberta e ele pensou bem se realmente deveria seguir em frente. Até que um cara que ele não conhecia saiu do carro e lhe mostrou uma arma.

— Entre. — ele apenas disse.

Tom obedeceu e deixou ser levado até um beco sem saída. Pensou que tinha chegado ao fim da linha. Era isso que eles faziam de melhor. Eliminar aqueles que não os convém. Um filme passou em sua cabeça quando o carro parou e logo se surpreendeu que o próprio chefe esperava dessa vez. Sentiu-se um tolo mais uma vez por ter se deixado levar por esses ideais ridículos! Como ele não pôde deixar de perceber que não havia nada revolucionário? Que eles não queriam mudar as injustiças e sim ter mais poder?

Desceu do carro com o cano da arma apontado em suas costas. Andou até onde lhe designaram. Ficou cara a cara com o homem que por anos considerou um grande mito. Não pôde deixar de dar um sorriso.

— Quero notícias da maldita família! — Ele ordenou.

— Já disse que eu não vou mais participar do esquema.

— Não vai? — Tom o ouviu sorrir cada vez mais alto. Uma gargalhada sombria. — Não é você que decide as coisas por aqui.

— Se quiser me matar, ok! Mas eu não faço mais nenhum trabalho sujo pra você.

Tom sentiu a força da mão do seu chefe apertar o seu colarinho. Estava decidido a não revidar. Não abriria mão de sua decisão, nem que isso custasse a sua morte.

— Você acha que a princesinha vai mesmo se casar com você? É muito estúpido em imaginar isso! Se você não colaborar, eu não só acabo com você, mas com toda aquela sua família idiota, tá entendendo? Então da próxima vez que bancar o espertinho, lembre-se disso. Se eu cair, você e sua família caem também e eu quero ver se a princesinha vai querer ficar com o bandido no final.

O segurança foi arremessado contra o chão e sentiu o sangue sair de sua cabeça, em seguida foi um murro e chute atrás do outro. Eram quantro contra um e por mais que tentasse fugir, eles o pegavam de volta até que parou de revidar. Era o preço que merecia pagar. A dor que sentia não era física, mas da sua extrema estupidez de ter se envolvido em algo tão raso e imundo. Era verdade que tinha sido atingido pelo seu próprio veneno ao se apaixonar de verdade por Renesme, mas o que aquilo valeria se ela descobrisse toda a verdade?

Pensava nisso depois que foi deixado sozinho largado no chão do beco. Tentou se levantar e sentiu dor. Suas costelas estavam quebradas. Mas não desistiu, aos poucos conseguiu realizar alguns movimentos.

Não estava disposto a ceder. Protegeria a sua família mantendo todo o esquema em segredo, mas não participaria mais dele e ponto. Empurraria com a barriga em quanto desse. Levantou-se e sentiu a vista escurecer. Teria que explicar tudo aquilo e uma simples desculpa não adiantaria. Os funcionários "mor" do palácio eram espertos demais. Foi andando até o carro e agradeceu por não estar tão distante assim. Ligou-o e bateu no primeiro poste que viu. Deixou-se levar pela escuridão e torceu para alguém o encontrasse rápido. COMENTEM MUITO! PRECISO MAIS DO QUE NUNCA DA OPINIÃO DE VOCÊS.