Dinastia 2: A Coroa de Espinhos
65 Capítulo 65
22 de Maio de 2047
Renesme começou a sentir o calor do sol em seu rosto e a claridade começar a adentrar os seus olhos fechados. Foi abrindo-os devagar para se acostumar com a luz e a primeira visão que teve foi de William sentado em sua frente, embalando um pacotinho rosa. Ela sorriu com essa bela imagem. Ele estava tão absorto ao sussurrar para o pequeno bebê que nem percebeu que ela havia acordado. De repente, uma sensação tão boa encheu o seu peito. Ela queria tanto capturar esse momento para nunca esquecê-lo.
— Ora se não temos o papai mais coruja de todos! – Renesme disse baixinho enquanto se colocava na posição sentada.
— Como um bebê tão pequeno pode roubar a gente assim dessa forma?
— Se acostume. É só o começo.
— Eu bem sei.
A princesa podia se orgulhar de ter tido uma gravidez relativamente tranquila. Tinha trabalhado praticamente até os nove meses, apesar das intensas recomendações de seu pai, que havia até obrigado toda a sua equipe a reduzir as atividades dela. Dentro do escritório a chamavam de “Super Renesme” e ela apenas sorria. Sim, desde que assumira suas funções de vez como princesa herdeira, ela sempre teve uma postura um tanto “workaholic”. Não queria ter que parar principalmente enquanto estava tão envolvida nos seus projetos com o “Youngs Together”. Ela mesma fazia questão de dar aulas de dança e desenho para as crianças nos centros de arte. Nada a fazia sentir-se melhor.
Teve a sorte também de não se sentir tão esgotada como muitas grávidas comuns. William vivia brincando que teriam um bebê abençoado por que ele não teve que levantar no meio da noite em plena propriedade rural para conseguir uma fruta fora da estação, ou teve crises de ansiedade só com a possibilidade de ter chegado a hora e depois confirmarem que era apenas um alarme falso. Renesme sofria apenas com as suas mudanças de humor. Uma hora ele sabia que ela estaria rindo de nada específico ou outras vezes se agarrava no choro por qualquer motivo banal.
William particularmente amou os meses de gravidez de Renesme. Quando Helen estava esperando Katlyn, ele não pôde estar muito ao lado dela e a experiência não tinha sido tão tranquila como foi dessa vez. Ele fez questão de estar sempre presente e fazer inúmeros registros. Tinha sido seu pacto com Renesme, não só guardariam lembranças, mas deixariam algumas fotos e vídeos de momentos especiais registrados para lembrarem pra sempre. Então, não era incomum vê-lo com o celular ou uma câmera presente a cada instante.
Simplesmente amou todas as vezes que pôde se deitar na cama ao lado de Renesme a noite e acariciar a sua crescente barriga. Papeava amenidades com o neném e às vezes contava-lhe algumas histórias. Renesme apenas sorria. Qualquer pessoa que o visse o chamaria de bobo, mas ele mesmo amava o vínculo que estava criando com aquela criança. Quando ela estava muito agitada, William falava qualquer coisa e logo via a barriga parar de se mover. Era algo realmente impressionante!
Renesme também estava apaixonada pela ideia de ser mãe. À medida que os meses foram passando e sua barriga foi crescendo, parecia que tudo dentro dela embarcou na ideia da maternidade. Adorava ir a lojas de bebê e comprar várias coisinhas fofas, mesmo não sabendo o sexo da criança que esperava, fez questão de montar um enxoval que não obedecesse a padrões. Cores neutras, tintas veganas, nada de brinquedos selecionados por gênero, queria liberdade. Várias vezes se viu pegando em sua barriga e conversando com o seu neném e já soube que ele ou ela seria alguém que gostava de papear. Sua única ansiedade era saber como o bebê seria fisicamente, até já tinha tentando desenhar o seu rosto, juntando expressões dela e de William quando crianças para tentar prever algo. No final, ele prevalecera. A filha deles era a cópia feminina de se pai.
— Deixe me segurá-la um pouco.
William levantou-se com o bebê nos braços e Renesme se afastou para que ele pudesse se sentar ao seu lado na cama. A princesa acolheu a sua pequena em seus braços e aspirou o seu cheirinho gostoso. Mais uma vez ela pensou em sua mãe, tinha pensado tanto nela no seu período de gravidez! Queria poder nesse minuto conversar com ela. Entendia agora a magnitude do amor dela. Jamais poderia colocar em palavras o que sentia pela sua filha, era um sentimento tão profundo, doce, terno e inigualável, algo tão grande que sabia que não se equiparia a nenhum outro sentimento. Isso a aproximava ainda mais de Bella.
Várias vezes se pegou pensando como teria sido tê-la ali por perto. Ficou imaginando correndo, como fazia quando era apenas uma menina, e dizendo: “Mãe, você vai ser vovó!” ou nos dias em que ela sofria com o peso da barriga, ela estaria ali lhe dando colo. Nunca sentiu tanto a falta dela!
— Como podemos fazer algo assim tão perfeito, William? – ela perguntou baixinho.
— O mérito aqui é todo seu, meu pardal. Você fez a maior parte do trabalho.
— Verdade, não? Eu devia-lhe mandar para a forca, sabia? Você só ficou com a parte prazerosa enquanto eu senti a pior das dores. – falou brincando.
— Desculpe, meu bem. Mas quem iria satisfazer os seus desejos, hum?
— Você é um safado!
Renesme se aproximou do rosto de William com um sorriso maroto e deu-lhe um selinho demorado.
— Como você está se sentindo?
— Um pouco dolorida ainda, mas tenho certeza que isso é absolutamente normal.
— Quer que eu chame uma enfermeira para lhe dar algo?
— Não precisa. – Renesme falou segurando o braço do marido. – Apenas fique conosco.
— Ok. Apenas lhe digo que se pudesse, eu tinha compartilhado um pouco da dor com você.
— Você é um fofo, amor, mas sabemos que não aguentaria.
William gargalhou e beijou a testa de Renesme. Com certeza, ela poderia dizer que pagou todos os seus pecados durante o parto. Se sua gravidez foi tranquila, a hora do nascimento foi completamente dolorosa. Na hora, pensou ironicamente que só poderia ser um castigo por ter planejado tanto esse momento.
Quando faltou um mês para a data estimada já tinha todos os planos em sua mente. Iria passar as últimas semanas restantes de gravidez no palácio de Belgravia e iria ter o seu bebê naturalmente no Saint Claire Hospital. Jamais passou em sua mente que daria a luz em outro lugar. Seria o seu primeiro filho e ela queria participar de todas as tradições. Seu parto seria no mesmo lugar em que nasceu e pousaria com sua nova família nos famosos batentes para todos verem. Seria a primeira aparição do seu bebê para o mundo, igual como foi com todos antes dele.
Mas na noite anterior ao nascimento, tudo saiu fora do controle da perfeccionista princesa. Renesme também não pôde dizer que estava surpresa quando sua bolsa estourou na madrugada. Tinha ido dormir com uma sensação ruim, sua barriga estava dura e sentia umas cólicas. Ela achou tudo natural e não disse a William de sua situação. Na verdade, o bebê atrasara duas semanas da data prevista. Ela tentava colocar na cabeça que o neném viria quando estivesse pronto, mas não negava que aquelas duas últimas semanas tinham sido as mais cansativas. Pela primeira vez sentiu-se inchada demais e extremamente desconfortável com sua imensa barriga. Então, meio era que um alívio começar a sentir as primeiras contrações.
Eram quatro da manhã quando sentiu os lençóis molhados em suas pernas e entendeu tudo. William dormia tranquilamente ao seu lado, mas quase caiu da cama quando Renesme lhe comunicou que a hora chegara.
— Ok, baby, só respira.
E Renesme apenas sorria. Ainda não sentia dor o suficiente. Ela apenas levantou-se e tomou um banho, enquanto William a esperava extremamente preocupado. Já tinha colocado a bolsa dela e do bebê no carro, havia dado um toque a médica que cuidara do pré-natal de Renesme e quando ela saiu do banheiro, só a pegou no colo para levá-la ao hospital. No carro, ela sentiu as dores aumentarem e isso o deixava mais agoniado.
— Não avisamos o Wyatt.
— Aviso no hospital. Agora só pense que vai ficar tudo bem.
— Eu sei. Ai! Dirija mais devagar!
— É a primeira grávida que eu escuto dizer isso.
Ela não sorriu. As dores estavam aumentando.
— Calma, ok? Estamos chegando.
A vantagem de dirigir durante a madrugada era que não havia transito, então não levou muito tempo até darem entrada secretamente no Saint Claire. Isso permitiu que William preenchesse a ficha do hospital e avisasse a todos que o novo membro da família real estava finalmente chegando. Renesme ficou exatamente duas horas e meia esperando a sua dilatação ficar completa e teve certeza que nunca esperou tanto. A dor era imensa e ficou com medo de acontecer com ela o mesmo que acontecera com Bella em seu nascimento. Não queria uma cesariana sofrida quanto foi a de sua mãe, então foi um verdadeiro alívio quando a médica a mandou para a sala de parto.
— Você vai conseguir, meu bem. Apenas pense no nosso bebê chegando.
— E se eu não conseguir?
— Você vai por que é a mulher mais corajosa que eu conheço. Aguente firme e empurre!
William, desde o início, fez questão de estar presente na hora do nascimento. Tinha se arrependido amargamente de não ter estado perto quando Katlyn nasceu e queria estar presente agora no seu segundo filho ou filha. Ele sentia Renesme apertando sua mão com força e ele tentava passar-lhe boas energias e força. De repente, houve um som delicioso a soar e que atingiu em cheio o seu coração. Era um choro de bebê. O neném deles.
— É uma menina! – a médica falou segurando a criança ensanguentada em seus braços. – Sete e meia da manhã. Marquem a hora, por favor.
Renesme desabou sobre a maca, sentindo um alívio misturado com emoção. William já sentia as lágrimas formarem em seus olhos. Foi até a filha para observá-la de perto e atestou o quanto ela era linda. Cortou o cordão umbilical e a segurou nos braços pela primeira vez. Não havia como descrever o tamanho de seu amor naquele momento. A princesa queria guardar para sempre a cena de seu marido com sua pequena bebê em seus braços e as lágrimas escorrendo pelo seu rosto. Ele entregou a filha para Renesme e beijou os seus lábios suavemente, sussurrando em uma voz ainda mais rouca que o normal:
— Nós temos uma menina, meu pardal.
— Sim, uma menina muito linda!
A primeira coisa que Renesme fez foi conferir a filha. Queria memorizar aquele rostinho pequeno. Pegar em suas mãozinhas, cinco dedos em cada uma, dois pezinhos perfeitos, tudo estava no lugar. Aconchegou o bebê ainda mais em seu peito e quando virou levemente o rosto, teve a visão mais perfeita de todas. Foi muito rápido e quase surreal, mas nítido como qualquer coisa naquela sala. Ela viu Bella em pé ao fundo. Quis dizer algo, chamar William, mas não houve tempo. A sua mãe apenas sorriu para ela, como aqueles belos sorrisos que estampavam o rosto dela nos momentos mais felizes, e sumiu diante de seus olhos. Renesme sentiu um aperto no peito, mas sentiu que ela tinha sido abençoada.
— Quando podemos começar a chamá-la de Isabella? – William perguntou horas depois.
— A partir de sempre. Não há nome melhor, não é?
— Não. Sua mãe merece essa homenagem.
— Com certeza! E o segundo nome?
— Grace.
— Como a Grace Kelly? Ótimo nome para uma futura rainha!
— Duas grandes mulheres e tenho que confessar... Eu sempre fui um grande fã da Grace.
— Eu saquei que você tinha uma queda por ela.
— Não mais do que por você.
Ambos sorriram e voltaram em seguida a sua atenção para a pequena Isabella adormecida nos braços de Renesme. Ela sentia como se tivesse num sonho. Estava tão feliz que queria gritar para todos e exibir o motivo de sua felicidade. Então, se deu conta que já devia ter um monte de gente lá fora ansioso para conhecer o pequeno bebê. Já devia haver mil planos para ela, mesmo tendo nascido apenas algumas horas atrás. Fazer parte da realeza e era bizarro!
— Como estão as coisas lá fora? – perguntou a William.
— Até onde sei, as pessoas estão chegando e se amontoando em frente ao hospital. Ouvi os sinos da Abadia, então já deve ter sido anunciado para todos. Eu não olhei a internet. Fiquei com a nossa Bebela o tempo inteiro.
Renesme assentiu pensando em como as pessoas reagiriam. Muitos não encararam muito bem o seu casamento com William, mas impressionantemente a euforia foi grande quando ela anunciou a gravidez. Definitivamente os belgão gostavam de um bebê real.
Havia tido todo um plano de ação para que ninguém percebesse nada a cerca da gravidez da princesa. Ela agradeceu aos céus por não ter tido muita barriga até os cinco meses. Somente quando realmente começou a ficar perceptivo é que resolveram que era de revelar para todos. Não disseram de quanto tempo ela estava, mas pela tradição de só soltar a informação no terceiro mês, eles deixaram as pessoas pensarem o que quiserem.
Em todos os eventos que ela ia recebia muito carinho. Recebeu muitas flores, ursinhos e roupinhas. Guardou tudo com muito carinho. William e ela se divertiam com as apostas que faziam em torno do bebê, eles mesmos entravam na brincadeira e faziam anonimamente os seus palpites. Agora, ela esperava que todos amassem a sua filha com o mesmo carinho que receberam a notícia de sua chegada.
— Se deu conta que teremos duas rainhas em sequência? Estou muito feliz por termos uma Isabella e não um Carlisle.
— Eu também estou. Apesar de ser uma grande responsabilidade jogada em ombros tão pequenos. Tenho plena noção de como será a partir de agora e não quero de jeito nenhum que a história de repita.
— Não vai. Temos que ser altivos, Renesme.
— Com certeza. Eu vou começar a fazer mudanças naquele lugar. Chegou a hora de ditar um pouco as regras.
William concordou. Duas batidas leves na porta chamaram a atenção deles. A enfermeira surgiu na porta, sem adentrar no recinto por inteiro.
— Alteza, sua majestade está aqui fora. Está se sentindo bem para recebê-lo?
Renesme olhou para a filha desconcertada. William tocou o rosto dela para fazê-la olhar para ele e lhe lançou aquele olhar forte que tinha.
— Ela vai recebê-lo em instantes. – falou para a enfermeira sem tirar os olhos da esposa.
— Faça as pazes com seu pai, meu bem. – William falou depois que voltaram a ficar sozinhos. – Estamos começando uma nova vida e não é bom termos esses desacordos com uma pessoa tão importante. Nossa Bebela merece conviver de boa com o único avô vivo que ela tem.
— Sim, você está certo. Eu também acho que agora é o momento de eu e ele nos resolvermos. Até mesmo para o nosso próprio bem.
— Eu vou voltar ao palácio por alguns instantes. Mas se precisar, por favor, me ligue.
— Vá, você precisa descansar também.
William inclinou-se e beijou a testa de sua pequena e os lábios de Renesme e se dirigiu a porta do quarto. Na saída, inevitavelmente encontrou-se com o seu sogro. O relacionamento dos dois era um tanto formal. Não conviviam muito, apenas quando necessário e quando isso acontecia, Edward não mostrava muita afabilidade. Então, ali naquele momento não sabia o que esperar, mas o rei estendeu-lhe a mão e até esboçou um sorriso.
— Meus parabéns William! Eu sei o quão maravilhoso é esse momento na vida de um homem.
— Obrigado. Você também está de parabéns, vovô. Sua neta é o bebê mais lindo de todos!
Edward sorriu largamente e William até pôde notar uma certa emoção. É claro que ele estaria assim. Não imaginava que o rei estaria infeliz com a chegada de sua primeira neta. Pelo que conviveu ao lado da família real no passado, o via como um cara extremamente ligado aos seus. Aquele homem em sua frente estava apenas quebrado e ele sabia bem como era estar assim. Por isso esperava sinceramente que ele encontrasse a felicidade novamente.
Quando o rei entrou no quarto a primeira visão que teve foi da filha segurando o seu bebê nos braços. Era uma cena tão linda de se ver e ao mesmo tempo tão inacreditável! Imediatamente ele remeteu-se há 34 anos atrás. Bella com a pequena menina deles. Renesme era o neném mais lindo do mundo, a mesma descrição que William tinha acabado de fazer. Agora aquela mesma bebezinha que ele segurara, que se orgulhara ao longo dos anos, que pegara nos braços e a viu crescer tinha acabado de ser mãe. Não havia nada mais surreal do que aquilo. Ficou até desconcertado. Nunca foi tão bom com palavras e agora nervoso, seria pior ainda.
— Olá papai. – Renesme o saudou baixinho.
— Oi... É uma menina. – falou se referindo a neta.
— É.
Renesme não lembrava de ver o pai tão desconcertado antes. Certo que ele não era tão bom em lidar com situações difíceis. Nunca fora tão carinhoso como William era com Katlyn e agora com o bebê, mas sempre fora muito presente. Adorava as conversas que tinha com ele. Era tão inteligente, parecia que tinha todo o conhecimento do mundo. Ela tinha uma noção dos pais como um complemento para ela. Bella vinha o apoio e o afago, Edward era o seu lado intelectual, o conselheiro, e agora não podia reconhecê-lo.
— Não se preocupe com nada, Ness. Tudo está sob controle. Todos pensam que o bebê é prematuro. Pedi a doutora para dizer isso, que a criança tinha vindo antes da hora e estava em observação. Sei que é errado mentir dessa forma, mas...
— Pai, você não quer segurar a sua neta?
Edward parou naquele momento e ficou sem palavras. Como ele estava sendo idiota naquele momento. O que o povo lá fora estava pensando não importava, estava diante de um grande acontecimento em sua vida e na de sua filha.
— Posso? Será que eu ainda sei segurar um bebê?
— Claro que sabe. Essas coisas não se esquece.
Ele se aproximou da cama devagar, quase que com medo de que tudo não passasse de uma miragem e tentou segurar a pequena menina da melhor forma que pôde. De repente teve a mesma sensação de quando segurou Renesme pela primeira vez. Tinha medo de derrubá-la, mas ali estava, ela tinha se encaixado perfeitamente em seus braços como a mãe dela tinha antes. O seu coração agora estava mole e já sentia-se preso aquele bebê. Talvez tenha sido essa a missão dela. Unir a família como Renesme uniu uma vez atrás.
— Ela é a cara do William.
— Mas é claro! Ele é pai dela.
Sim, com certeza. Estava sendo idiota mais uma vez. Lembrou-se de Bella quando ela dizia que era apenas uma fazedora de seus clones. Renesme se parecia muito com ele assim como aquele bebê se parecia com o pai dela.
— É que eu tinha uma leve esperança que ela se parecesse com você quando tinha essa idade.
Renesme sentiu-se tocada com aquela fala do pai. Sabia que ele estava perdido e tentava se encontrar. Sentia que ele queria voltar no tempo, naqueles bons em que tudo estava no lugar, que podiam sorrir e viver em paz. Somente os quatro e nenhuma interferência. Imaginava que para todo pai devia ser difícil ver os seus filhos, especialmente as filhas, crescerem e deixarem de ser exclusivamente seus. Poderia ser essa ser a sensação que seu pai sentia agora.
— Já sabem o nome que vão dar a ela?
— Isabella como a mamãe.
O rei sentiu uma fisgada no coração. Já imaginava que Renesme fosse homenagear Bella. Mas ouvir isso de sua boca como uma confirmação era tocante. Mais uma vez desejou profundamente que ela estivesse ali com ele. O que diria? Estaria emocionada como ele, tomaria o seu lado leoa como sempre ficava quando referia-se aos seus filhos. Seria uma vó incrível! Aquela criança teria muita sorte e era muito duro saber que ela não a conheceria.
— Sua mãe jamais permitiria que a nomeasse dessa forma. – Edward falou rindo. – Diria que existem nomes melhores.
— Sim, provavelmente diria isso mesmo. – Renesme sorriu também. – Mas não tinha como ser diferente.
— Não tinha.
Renesme então lembrou-se da visão que teve. Ficou pensando se não tinha sido um sonho bom, mas não podia. Se pudesse levantar na hora, provavelmente tocaria nela por que ela estava muito real em sua frente e ao mesmo tempo não. Bella e seus segredos. Sabia que ela nunca estaria longe. Veio se despedir, pensou. Mas não poderia ser, por que a princesa jamais a deixaria longe de seus pensamentos.
— Pai, ela veio me ver.
Edward franziu a testa sem entender.
— Eu a vi logo depois que o bebê nasceu. Foi uma visão tão linda! Tão real!
O rei colocou a neta no berço e se aproximou mais da cama, sentando na ponta dela. Ele nunca foi muito ligado à religião. Era católico por tradição e obrigação, mas nunca teve sua espiritualidade muito aflorada. Mas desde que Bella se foi, ele tinha estudado muito sobre a teoria espírita. E chegou até a pedir, que se tudo aquilo fosse real, sua esposa poderia aparecer para ele. Queria tanto um sinal dela e nada. Agora ouvindo isso, era como uma resposta.
— Como ela estava?
— Ela estava bem. Jovem, como se tivesse alguns anos a menos do que tinha quando partiu. O sorriso dela era tão doce! Parecia em paz.
— Que bom! – Edward agora chorava. Renesme não o via assim desde o funeral. Sentiu pena dele e dela também por terem sido privados da pessoa mais importante de suas vidas. – Eu queria tanto vê-la, sabe? Ao menos pela última vez.
— Eu também queria que ela estivesse aqui. Deus! Senti tanta falta dela nesses nove meses de gravidez e vou continuar sentindo agora após o nascimento da minha filha. Tenho certeza que ela não sairia do meu lado.
— Não iria mesmo. Porém, Ness, eu quero ser o melhor avô para a pequena Isabella. Eu vou cumprir o meu papel e o de Bella. Por favor, me permita isso.
— Claro pai! Eu quero que esqueçamos de tudo que aconteceu e recomecemos do zero.
— É o que mais desejo, filha.
Renesme estendeu os braços e depois de muito tempo abraçou o pai de verdade. Não foi qualquer abraço, foi um realmente verdadeiro, como quando era criança e corria para os braços dele. Ela agora sentia-se tão em paz por ter tido a iniciativa desse gesto. As feridas não tinham sido totalmente curadas, mas ela esperava que fossem cicatrizadas com o tempo. Errar era humano e ela jamais poderia julgá-lo, sabia, no fundo, que ele jamais teria feito nada contra ela se não tivesse sido levado pelas circunstâncias. Aro foi o vilão, Bono foi o inimigo e eles não mereciam continuar brigados por causa disso.
Meses se passaram e Renesme atestou que a promessa do pai se cumpriu. Aliais, a pequena “Bebela”, como passou a ser chamada por todos na família, tinha as melhores figuras masculinas ao seu lado, completamente absortos nela e aos seus pés. Edward amava a neta. Sempre fazia questão que a filha a trouxesse sempre que vinha ao palácio de Belgravia. Tocava piano para ela, lhe contava histórias e a menina parecia amar ouvi-lo. Dois geminianos se entendiam.
Charlie também ganhara um conforto maior ao lado da bisneta. Antony e Renesme fizeram de tudo para ficarem o mais próximo possível de seu velho avô. Estar perto dele era como estar perto de Bella e a sensação era muito boa para ambos. O velho Swan amava William também. Os dois sempre iam pescar juntos no lago de Brocken Hall e passavam horas para voltar sem peixe nenhum. Renesme apenas sorria.
“Bebela” também tinha com certeza o melhor pai do mundo. William não se desgrudou da filha desde o minuto que ela nasceu. Fazia questão de fazer tudo por ela. Trocava fraldas, dava banho, amamentava na mamadeira, religiosamente se levantava cedo para que pudessem passear juntos para que a bebê pegasse os primeiros raios da manhã. Renesme achava tudo muito fofo! Registrava tudo e os dois se divertiam montando um álbum digital com todas as fases da filha, que havia se tornando um verdadeiro livro com tudo que William tinha escrito sobre a menina.
A princesa sorria ao ver o marido fazer um malabarismo enorme para morder o pão. O bebê tentava chamar a atenção dele a qualquer custo. Tudo se resolveria se William não insistisse em tomar o café da manhã segurando a filha.
— Comeria melhor se ela estivesse na cadeirinha.
— Eu posso comer perfeitamente com uma mão.
— Você é um teimoso, sabia? Essa menina vai ser a mais mimada de Belgonia!
— Uma coisa eu aprendi com a experiência que tive nesses anos todos, crianças crescem rápido demais. E assim, enquanto Bebela for pequena, vou segurá-la muito por que um dia a colocarei no chão e nunca mais poderei pegá-la novamente.
Renesme teve que concordar. Poucos meses haviam passado e parecia que sua filha já era uma outra criança. Não podia culpá-lo, principalmente por que sabia que William gostava de ser carinhoso. Tinha sido assim com Katlyn e com Bebela não era diferente. O vínculo entre os dois era muito forte.
— Papa! – a menina disse colocando um pedaço de pão na boca do pai. William e Renesme pararam por alguns instantes.
— Eu ouvi um papa? – perguntou ele.
— Acho que sim.
— Yes! – comemorou jogando a filha no ar e a pegando de volta. Era a primeira palavra que ela falava – O papa te ama tanto!
Com o passar dos meses, a princesa sentiu que nunca esteve tão bem consigo mesma e com o universo ao seu redor. Não era eufemismo pensar dessa forma. Parecia que os dois anos mais sofridos de sua vida tinha sido uma prova de fogo para prepará-la para o que viria a seguir. Não que tivesse livre de desafios, mas que agora ela se sentia mais forte para as batalhas. Sentia-se renovada.
Enquanto observava o crescimento da filha, pensava que tinha ela mesma se preparado a sua vida inteira para o momento em que viveria agora como a princesa herdeira e futura rainha. O seu perfeccionismo constante procurou aprender tudo como se o futuro fosse um resultado final de uma receita pré-estabelecida. Como ela batalhou para ser perfeita, para que se sentisse verdadeiramente digna daquela missão.
O que ela não percebia era que ela precisava se encontrar consigo mesma. Entender quem era e saber que tinha todos os apetrechos necessários para a sua grande tarefa. Tinha que começar a confiar mais nas suas habilidades e conhecer a força que estava guardada dentro dela o tempo inteiro. Então, olhando para trás, nas devidas proporções, sentia-se grata pelas dificuldades que enfrentou, pois a tornou a mulher que ela sempre buscou ser.
Estava grata também por perceber que a sua Isabella um dia encararia a sua missão com muito mais facilidade que ela ou seu avô. Enquanto a via brincando com sua irmã mais velha, enxergava uma personalidade forte, uma inteligência impressionante e uma liderança nata. Katlyn se aproximou da madrasta e disse: “essa menina nasceu com os dois pés chutando a porta.”. A princesa sorria e esperava que o futuro de sua menina fosse brilhante, que fizesse a diferença necessária, orgulhando aquela primeira Isabella.
Renesme pensava sempre na mãe. Nada que fazia era sem lembrar-se dela. Pegou o diário de Bella certa vez e viu uma passagem que cortou o seu coração.
31 de janeiro de 2045
Sinto-me quebrada, decepcionada e se pudesse desapareceria, desistiria de tudo. A dor que eu estou sentindo é tão grande que não consigo parar de pensar. Tinha que escrever aqui para ao menos tentar tirar isso do meu peito.
Ao mesmo tempo estou cansada. Terrivelmente exausta! Parece que nos últimos tempos, eu tenho que fazer um grande esforço, tenho que gritar para as pessoas me ouvirem. Mas é como lutar contra a maré. Não dá para vencer um batalhão de pessoas que vão contra mim. Não há como vencer a grande onda.
Quando me casei e entrei para a realeza, eu tinha tantos planos! Sonhava feito uma boba. Queria realizar grandes projetos. Mudanças reais, arregaçar as mangas de verdade para vencer os inúmeros problemas que existem ao nosso redor. Me sinto uma idiota agora ao verbalizar isso. Eu sei que eu não seria a grande heroína no fim do dia que voltou pra casa com todos os desafios saciados. Mas eu queria ao menos saber que estava tentando fazer o meu trabalho da melhor forma possível e ser reconhecida por isso.
Mas é claro que ninguém deseja isso. Todos querem que eu seja apenas a esposa do príncipe, sempre bela, doce e calada. Por que se abrir a boca estraga. Você não pode ser revolucionária. Nem importante você é! Apenas faça o seu papel, seja o adorno de ouro que queremos. Argh!
Nunca tive chance! Essa é a grande verdade. Tudo desde o início foi uma grande ilusão. Começo a me questionar a minha existência. Papai sempre falava em Deus, apesar de não ser muito religioso, dizia que tínhamos uma missão a cumprir por aqui. Então, qual seria a minha? Todos os dias a minha vida se resume em acordar, trabalhar e voltar a dormir. Mas será que até o trabalho que faço vale a pena? Qual a minha serventia? Como tentar mudar se me boicotam o tempo inteiro? Não importa o que eu faça que nunca gerará o resultado que eu esperei. Isso dói! Dói demais ter que ser arrastada a esse grande círculo vicioso de tentar e nunca conseguir.
Me sinto idiota toda vez que acontece algo que reascende as minhas esperanças. Por me permitir sonhar. Às vezes penso em largar a toalha, mas o que fazer com essa chama que está acessa em mim?
Renesme usou esse desabafo da mãe para tentar fazer as mudanças necessárias. Reuniu-se com o pai e fez um monte alteração necessária dentro do palácio. Tornou-se mais ativa das coisas que acontecia. Se conectava diretamente com o que as pessoas esperavam dela e com os conselheiros diziam no palácio. Não queria que ninguém interferisse mais na sua vida a ponto de ela mesma não saber o que estava vivendo. Agora ela mostrava quem estava no comando. Queria transformar o brand da instituição mais forte do que podia. Bella era o norte. A família Real não seria mais apenas representativa, o símbolo cultural do país, agora também era sinônimo de trabalhos voluntários e sociais.
William podia dizer que estava extremamente orgulhoso de sua esposa. Tinha visto a lagarta sair do casulo e transformar-se numa linda borboleta. Ele permaneceu em segundo plano quando se tratava de assuntos de Estado, embora seu conselho gentil ainda fosse procurado por Renesme com frequência. Mas ele não impôs e nem insistiu. Ela era perfeitamente capaz comandar tudo da melhor forma, ele sabia disso. Seu papel principal agora era o de pai e marido, e por isso era abençoado. A melhor coisa de seu dia era saber que depois de uma longa jornada diária de trabalho, abriria a porta e veria certamente a sua bela esposa com um coque na cabeça e um notebook em suas pernas, tão concentrada em alguma coisa sobre o trabalho que podia esquecer-se de tudo em volta. Ele adora vê-la ali, era como a consagração de um grande sonho.
— Você fica tão sexy quando está trabalhando, amor.
Renesme sorria e William se enroscava nela na cama. Ela precisava dele, assim como ele próprio. O desejo dele nunca foi diminuído e nem o dela, embora já tivessem tido o seu segundo bebê, um menino, Carl, como o apelido do velho rei falecido. Ele tinha nascido apenas um ano e cinco meses após sua irmã. Agora com certeza a casa estava mais agitada e os dois faziam malabarismos para conciliarem seus trabalhos e a vida doméstica com as crianças, mas ainda sim, no fim do dia, encontravam tempo para estarem juntos.
Agora, cinco anos após o falecimento de Bella, Renesme poderia se orgulhar de ter realizado um dos grandes sonhos dela, a construção do centro social, artístico e esportístico. Foi uma luta dela, de Antony e Henry junto ao “Youngs Together”. Agora os três estavam mais engajados do que nunca. O filho de Emmett na parte dos esportes, Antony na música e na fotografia e Renesme na dança e nos desenhos. Eles mesmos se organizavam para dar aulas aos jovens e crianças carentes sempre que podiam.
Para celebrar a idealizadora do projeto, a princesa fez questão de realizar uma grande culminância na data de morte de Bella. Essa data agora, para os seus familiares, significava a eternização dela e não mais sofrimento. Edward tinha mandado construir no centro uma estátua em homenagem a ela e Renesme organizou todas as apresentações. Katlyn e Antony, que se aproximaram devido ao gosto de ambos por fotografias, iriam expor seus trabalhos. A princesa ensaiou muitas danças com as crianças com as músicas preferidas de sua mãe e ela mesma também deixaria a timidez de lado e faria uma apresentação. Seria no encerramento da culminância. Ela estava nervosa, é claro! Nunca tinha se apresentado para um grande público desde a infância. Tentou lembrar-se daquela época. A dança começava com passos de balé e terminava num passo de dança agitado.
Quando as cortinas se abriram e Antony começou os primeiros acordes de piano, ela se aproximou do meio do palco, para debaixo da luz. Podia ver o pai com Bebela no colo, sua avó Esme ao lado, William com Carl e Katlyn na primeira fileira com Charlie e Ashley nas últimas cadeiras. Respirou fundo e tentou se concentrar. Fazia anos que não dançava balé e teve que ensaiar muito para pegar o ritmo novamente. Mas logo no início da apresentação ela sentia que a dança era parte de quem ela era e nunca desaprenderia.
Ao passo que a música avançava, ela ia ganhando mais confiança. Aquele apresentação era uma metáfora de si mesma. Tudo começava meio melancólico, difícil, com passos elaborados e depois, tudo se transformava em alegria. Aquela era a sua trajetória.
Ela sorriu ao ver o seu par na dança surgir no palco e segurar a sua mão. Guilherme era já um exímio dançarino. Crescido num bairro de imigrantes de Belgravia e sonhava em estar em grandes espetáculos de dança. Foi mais um jovem que pôde se profissionalizar no centro. Renesme tinha orgulho de compartilhar aquele momento com ele. Ao menos, era melhor que William. Ela sorriu ao pensar nisso. Por dias, fez seu marido de cobaia em seus ensaios. Ele ia de bom grado e isso rendia uma boa dose de diversão.
À medida que a dança ia avançando e os passos iam ficando mais agitados, as pessoas batiam palmas e sorriam. William assoviava e ela bateu o olho para ele, vendo o orgulho em seus olhos. Renesme girou e correu para os braços de Guilherme. Ele a levantou e finalizou a dança. Não poderia ter sido mais perfeito!
No fim do dia, todos estavam espalhados em torno do centro. Renesme caminhou com Carl quietinho em seus braços, era impressionante como o temperamento dele era diferente do de sua irmã, ela valia por dois e ele era sempre o mais silencioso. Parou em frente à estátua da mãe e a contemplou mais uma vez, não se cansava de fazer isso. Estava bem fiel a ela, geralmente nunca ficava igual, mas aquela tinha sido feita no capricho. Ela a tocou e deixou a mão ali. Era uma pedra, mas a energia que dava era como se Bella estivesse diante dela.
De repente, sentiu duas mãozinhas em suas pernas e sorriu. Abaixou para ficar na altura da filha. William ou Katlyn deviam estar loucos à procura dela e era engraçado como toda vez ela conseguia dobrá-los.
— Mamãe, quem é essa mulher? – Renesme se admirava como a filha sabia se expressar bem, mesmo com a pouca idade.
— Essa é a vovó Bella.
— Vovó Be! – Carl apontou para a estátua.
— Ela, não é linda, meu amor? – Renesme perguntou a filha.
— É sim. Mas essa daí não é ela.
— Não é. Isso aqui é como se fosse uma foto dela. A vovó Bella virou estrelinha e mora no céu.
— Ela brilha muito, mamãe.
— Sim, ela brilha muito.
— Ela falou com eu lá no meu quarto. – A menina disse baixinho, quase que sussurrando.
Renesme sentiu um arrepio. Se ela mesma não tivesse visto Bella, diria que era imaginação da filha.
— É mesmo? E o que ela disse?
— Que ama eu e que é minha anjinha. Meu nome é igual ao dela, né mamãe?
A princesa limpou as lágrimas que começavam a sair de seus olhos.
— Vocês duas tem o mesmo nome. – Ela beijou os cabelos castanhos cacheados da filha e sussurrou baixinho em seu ouvido. – Quando ela vier te ver diga que eu a amo.
— Mamãe, ela já sabe.
— Aí está você, sua malandrinha? – William falou quase sem fôlego enquanto se aproximava deles. – Você não consegue ficar parada num canto só?
— Não papai. Eu estava aqui vendo a vovó Bella.
William se aproximou da cintura de Renesme e viu que ela chorava. Beijou os cabelos dela e sussurrou uma palavra de conforto.
— Não chora não mamãe. A vovó Bella tá sempre viva.
— Exatamente, meu amor. – William falou enquanto pegava a filha no colo.
Renesme aconchegou mais o pequeno Carl em seus braços, já vendo que ele havia adormecido e com a mão livre abraçou o marido. Estava tão grata pela sua família e sabia que, onde Bella estivesse, perto ou longe, ela estaria sempre olhando por eles e feliz por onde tinham chegado.
— Esse garotinho já dormiu. É melhor pegarmos Katlyn e irmos para casa. Há uma longa estrada até Brocken Hall. Não quero ter que dirigir a noite.
— Sim, vamos para a nossa casa.
Eles uniram as suas mãos e andaram juntos pelo pôr do sol.
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