Dinastia 2: A Coroa de Espinhos
64 Capítulo 64
27 de Outubro de 2046
Renesme observava o céu através da grande janela de um dos quartos de Brocken Hall. O dia não poderia estar mais lindo! O sol brilhava e havia poucas nuvens. Ela temeu tanto que viesse a chover e estragasse todos os seus planos de se casar ao ar livre. Mas parecia mesmo que Deus conspirava a favor.
Sua tia Alice caminhava em sua direção com o seu vestido de noiva. Diferente da outra vez, ela agora sorria em satisfação. Era tão bom sentir-se tranquila e ter a sensação que tudo estava entrando nos eixos!
— Achei tão lindo você ter escolhido o vestido da mamãe para se casar.
— Ela merecia essa homenagem, e além do que, eu adoro estilos antigos.
Dentre vários modelos que ela poderia ter escolhido para esse momento, Renesme achou que nada mais justo em fazer uma homenagem a uma de suas pessoas favoritas. Quando pensava em sua vó só sentia uma imensa gratidão pela pessoa que ela era. É claro que havia sentindo um tanto chateada pelo fato dela ter colaborado com o seu casamento com Alec, mas tinha deixado isso no passado. Esme Cullen era uma guerreira, uma fortaleza, uma leoa que certamente tentaria fazer qualquer coisa para proteger a sua família e a instituição que ela aprendeu não só servir, mas também amar. Então, ela compreendia tudo.
Também havia o fato de que Esme fora sua segunda mãe. Não tinha convivido muito com sua avó materna e a pessoa que sempre estivera ali pra ela quando Bella não estava era a rainha. Agora, nos seus primeiros meses de gravidez, Esme estava sendo o apoio que ela precisava.
Por isso, ao ver o vestido branco, vintage, reto, com ombreiras e mangas compridas assinado por Norman Hartnell, que sua avó utilizara em um evento nos anos 90 não teve dúvida. Seria ele o escolhido. É claro que Alice tivera que fazer alguns ajustes e ele teve que passar por um processo químico para que voltasse a sua tonalidade original, mas fora isso Renesme não permitiu que grandes mudanças fossem feitas. A escolha sentimental foi realmente perfeita para um casamento real tão único e discreto.
— Desculpa tia por você mais uma vez ter que fazer alterações no meu vestido de noiva.
— Dessa vez é para uma boa causa, não é? Minha sobrinha neta precisa de espaço para crescer.
— Quero ver a sua cara se vier um menino.
— Vai ser uma menina, vai por mim! Nunca errei o sexo de nenhum bebê da família até agora.
Renesme teve que concordar. Alice era uma verdadeira bruxa! Depois de William, ela tinha sido a primeira a descobrir a sua gravidez. Estavam ambas acompanhadas de Esme em um café da manhã desses e ela sentiu que sua tia não tirava os olhos de cima dela.
— É melhor você revelar logo ao seu pai que está grávida antes que as coisas piorem.
A princesa ficou assustada com aquele comentário e Esme olhou para Renesme em busca de uma resposta, mas o que mais ela poderia dizer a não ser que sim?
Passada a supressa, ela ficou extremamente grata pelo apoio das duas na hora de dizer a Edward que ele seria avô e quando precisou pedir permissão para que pudesse se casar novamente.
Parecia louco imaginar que uma mulher de 34 anos teria que pedir ao pai para se casar, mas era assim que funcionava o jogo. Renesme era a primeira na linha de sucessão e o rei tinha que aprovar muitas de suas decisões, incluindo o casamento. Ela passou um tempo pensando em todos os argumentos necessários antes de marcar uma reunião com Edward. Sabia que não seria nada fácil a conversa que teria com ele, muitos aspectos novos estavam na jogada e tinha ciência da crise que seria lá fora se as pessoas soubessem que ela estava se casando novamente, estando grávida e com um homem que já havia sido rotulado de diversos adjetivos negativos. Tudo tinha que ser tratado com muito cuidado.
Jamais esqueceria a expressão que ele fez quando anunciou que William a tinha pedido em casamento e ela havia aceitado. Renesme não entendia bem com era o problema de seu pai com o seu noivo para justificar aquela cara.
Edward cruzou os braços e depois que viu a filha lhe derramar todos os porquês que iria se casar com William resolveu enfim falar o que pensava. Particularmente, ele não tinha nada contra o jornalista. Estava extremamente grato por tudo que ele tinha feito para a descoberta dos culpados do assassinato de Bella e especialmente por devolver o sorriso ao rosto de sua filha. Ele a amava e era isso que importava, porém, haviam algumas barreiras a serem consideradas. Edward preferia que os dois ficassem no escuro por um tempo até acalmar à situação.
Na verdade, o rei sabia que aquele momento aconteceria uma hora ou outra. Estava mais preocupado com as consequências que viriam depois que ele deixasse que aquela união acontecesse. Um casamento na realeza não era brincadeira. Ele temia pelo tanto que eles sofreriam com a rejeição que teriam na imprensa e por parte do povo também. Edward tinha noção do quanto à filha e seu noivo estampavam revistas e notícias ultimamente, seria bem pior após o casamento. William tinha se mantido forte, mas até quando iria durar?
— Renesme por tudo que está me dizendo agora, qualquer coisa que eu venha a lhe dizer será mal interpretado. Eu entendo a chateação que tem por mim e sinto muito que não tenhamos resolvido isso.
— Não é sobre esse assunto que estou falando.
— Eu sei, mas é que você acabou de me acusar de mil coisas que eu nem mesmo falei e parece bem decidida em se casar com ele e então por que veio até mim?
— Você sabe que eu preciso de sua permissão. Regras são regras.
Edward assentiu e manteve-se austero. Agora ela tinha chegado ao ponto certo.
— Estão nas regras. Isso! Sabe que existem diversas complicações para que essa união aconteça, não é?
— Eu sei. Mas convenhamos que eu já andei quebrando algumas também. Tudo que temos que levar em consideração são algumas mudanças que devem ser feitas.
— Tem certeza que é a melhor hora para se casarem? Por que eu venho acompanhando os jornais e particularmente não venho gostando da repercussão que vem tendo para nós como instituição a maneira que está sendo encarado o relacionamento de vocês dois.
Renesme agora estava vermelha e emburrou a cara. Ele via que ela estava um tanto estranha parecia mais irritadiça do que o normal, o que não era muito o tipo de comportamento que ela costumava ter e por isso manteve o tom tranquilo.
— Que culpa temos disso? Não podemos controlar o que essa mídia marrom vem publicando.
— Exato! Olhe bem. – Edward falou medindo as palavras antes que a filha pudesse ter um colapso. – William é divorciado, claramente parcial politicamente falando e muito mais velho que você. Acha que ele se encaixaria por aqui? Você sabe que não tratará apenas de uma união romântica, não é? Ele também se casará com a monarquia belgã.
— Vejo que você é um consumidor assíduo de tabloides. Está até falando como eles.
— Renesme, entenda que não é a minha opinião que deve ser levada em conta, mas sim todo o resto.
A princesa respirou fundo e tentou se acalmar, seu humor estava meio descontrolado por conta dos hormônios e isso claramente não estava ajudando. Sabia desde o princípio que não seria uma conversa fácil. Queria muito que seu pai tivesse aceitado numa boa de primeira ao invés de estar tendo essa desgastante conversa. Era hora agora de usar o seu último argumento.
— Eu estou grávida!
Edward ouviu aquilo com espanto. O seu primeiro pensamento, depois do impacto dessa notícia inesperada, foi emoção por se dar conta que iria ser avô. Passou em sua mente um filme com todos os momentos de sua filha, sua primogênita, seu bebê que teria agora outro bebê. Como o tempo era traiçoeiro e fez chegar aquele ponto tão rapidamente!
— Eu vim aqui com a esperança que você aceitaria William como meu noivo e futuro marido com maior prazer. Era uma esperança boba, mas era o que eu esperava que acontecesse. Eu pensei que finalmente você tinha compreendido o quanto eu sofri com as suas decisões ruins com relação a mim. Estava pronta para começarmos a curar as nossas feridas. Ele finalmente vai reconhecer que eu mereço ser feliz, mas não... Aceite o meu casamento pelo menos para não passarmos pela vergonha de termos uma criança fora do sagrado valor da família tradicional que essa instituição tanto preza.
Edward ainda estava sem palavras. Renesme, agora chorando, apenas se levantou e saiu do escritório sem ter a conclusão de sua conversa com o pai. Foi ai que Esme entrou na situação. Ela via claramente que não havia uma boa comunicação entre Edward e seus filhos. Eles simplesmente não se entendiam mais e ela sentiu-se na obrigação de dar “uma mãozinha”.
— Aceite, meu filho. Dê a sua permissão e chame William aqui para tratar os termos mais importantes. Vai ser bom para Renesme e para todo mundo.
A princesa soube que seu pai tinha dado a sua permissão para o casamento acontecer por que havia saído uma nota oficial do palácio e nela alguns termos já haviam sido determinados. Seria uma união civil, ela já esperava por isso já que ambos já tinham sido casados na Igreja, e que o casamento ocorreria no fim de outubro. A princesa atribuiu esses planos a sua avó que sabia que ela tinha que se casar antes que todos desconfiassem de sua gravidez. Com certeza um plano iria ser bolado.
William foi chamado ao palácio para conversar com Edward e com a rainha mãe a cerca de como seria o casamento e o pós. Ele tinha ficado extremamente chateado com o fato de que Renesme não tinha conseguido se entender com o pai e que a permissão tinha sido dada, aparentemente, só por conta da gravidez. Com sinceridade, queria entrar para a família num clima mais agradável. Claramente não estava sendo possível e era o que tinham para o momento.
Renesme estava estressada e ele não queria que ela sofresse mais. Então, no dia em que acertariam os termos do casamento estava disposto a aceitar o que fosse para que tudo se resolvesse logo e essa novela tivesse um fim menos desagradável.
O que encontrou por lá não lhe surpreendeu nem um pouco. Sabia que era comum estarem advogados, os membros sêniors e uma série de burocracia para a assinatura de um contrato nupcial.
— Você não terá um advogado aqui agora? – Edward perguntou surpreso.
— Não majestade. Estou disposto a aceitar quaisquer condições.
Edward assentiu e organizou os papéis em sua frente.
— William, vou direto ao ponto. – o rei iniciou. — O único empecilho que temos por aqui é o fato de seu envolvimento político em alguns casos. Você entende que não podemos nos manifestar publicamente sobre assuntos polêmicos, não é?
— Eu sei. Olha, eu não trabalho mais para o “The Globe” e vou agora me concentrar em outras coisas. Estou numa idade que quero descanso. Vou deixar o meu passado pra trás e me dedicar apenas a minha vida com Renesme e o nosso filho.
— E estaria disposto a assinar esse compromisso caso coloquemos no contrato nupcial.
— Claro! Já assinei antes, não foi?
— Outra questão é que esse bebê terá que ser prematuro para todos além de nós. Não vamos poder, em hipótese alguma, revelar que Renesme está grávida pelo menos até o tempo necessário. Para fora dessa sala não há gravidez até que a revelemos. Se esse bebê for descoberto agora ele vai ser considerado “bastardo” e ficará fora da linha sucessória por conta da legislação real. Estamos passando por cima dessa regra devido às circunstâncias.
— Entendo. Da minha boca nada sairá. Só publicarei em minhas redes ou só falarei algo se for previamente acordado entre nós.
— Tudo que vier falar a respeito de minha filha ou da família real terá que ser com a nossa permissão.
Renesme se revirou na cadeira e William acariciou a mão dela.
— Totalmente de acordo.
— Outra cláusula que pode ser difícil é que, embora seja costume que os filhos venham herdar o nome de seus pais, por aqui não vai poder isso ocorrer. As crianças terão que ter o sobrenome da dinastia, no caso “Cullen” e não “Lamb”. Podemos abrir uma exceção para o segundo filho em diante ter o acréscimo de seu sobrenome.
— Que grande honra! – William falou com um leve tom de ironia. – Eu nem gostava mesmo do nome “Lamb”! Perdão Majestade, eu já sei de todos os termos. Separação de bens, a obrigatoriedade de no mínimo dois herdeiros para a coroa, tudo isso estou aceitando. Quero que haja mesmo um acordo tranquilo. Agora quero que saibam de antemão é que eu não tenho interesse em me juntar à “firma”.
Todos olharam espantados para William, incluindo Renesme. Ele não a tinha comunicado nada a cerca de sua participação na vida dentro da realeza, porém entendia completamente. William não gostava dos protocolos e muito menos do modo de sobrevivência da monarquia. Ela mesma não conseguia vê-lo dentro do sistema por mais que ele tivesse sendo muito solícito.
— Como assim? – perguntou Edward.
— Eu quero que fique claro o seguinte, estarei entrando para a família Cullen e não para a monarquia Belgã. Não quero servir a instituição, continuarei trabalhando na minha profissão, serei apenas o marido da princesa e o pai orgulhoso de nossos filhos. Estarei presente apenas quando ela precisar de mim.
— Está me dizendo que quer apenas exercer o papel de marido e não o de membro sênior da realeza.
— Exato! Olha, pra ser sincero, eu sei bem que por aqui as pessoas não me veem com bons olhos e eu entendo completamente. Não quero discutir e quebrar padrões estabelecidos há anos. Nem eu me encaixaria bem no sistema, então eu estou saindo antes de entrar e vocês não terão nenhum problema se quer comigo. Permanecerei o visconde de Gotland, o título que herdei do meu pai, não quero segurança paga pelo estado e não preciso do dinheiro do fundo real. Quero continuar com a minha liberdade.
— Mas você sabe que isso acabará vindo de qualquer forma, não é? Renesme e meus netos continuarão a ter a segurança e o dinheiro financiado pelo Estado.
— Será deles e não meu.
Sem mais nada a dizer, Edward aceitou os termos de William. Na verdade seria um alívio não ter que ter obrigações com ele. A reunião terminou e todos saíram do recinto em concordância em todos os termos. O contrato seria feito e assinado para darem-se assim os proclames do casamento. Renesme não pôde deixar de ficar irritada com a maneira como tudo havia ocorrido. Seu pai parecia querer podar William de todas as formas. Só de mal decidiu que sua residência oficial após o casamento seria Brocken Hall e eles que dessem seus pulos.
Passada a semana inicial de acordos pré-nupciais tudo ficou mais tranquilo. A princesa chamou a nova fotógrafa de seu escritório, Trudy Crain, para tirar umas fotos dela e de William para mostrarem ao mundo a felicidade dos dois. Todos os registros tinham estampado exatamente isso, o sentimento de cumplicidade e muito amor entre eles. Renesme escolheu a melhor delas, uma em que caminhavam sorridentes pelos campos de Brocken Hall para estampar os cartões de noivado e suas redes sociais como uma resposta para toda a crítica que recebiam dos tabloides. Além de também cederem uma entrevista a TVI esclarecendo algumas histórias que haviam sido inventadas antes pela imprensa e criando algumas outras para dar satisfação ao público. Por que nem tudo precisava ser contado exatamente como havia acontecido. Renesme queria ter total controle sob a narrativa sobre sua vida pessoal.
Ambos se concentraram também em fazer umas reformas em Brocken Hall. William fez questão que Renesme ficasse a vontade para deixar o grande casarão mais a sua cara e ela particularmente estava se divertindo muito com isso. Sempre viveu no palácio de Belgravia, onde nada poderia ser mudado por que tudo ali era patrimônio público, mas agora ela iria finalmente ter um lugar para ela, sua casa, onde seria feliz de verdade com sua nova família que estava nascendo.
— Onde está a minha Ness? – Renesme ouviu a voz de Esme entrando no quarto. – Oh Deus! Como você está linda!
A princesa quase derramou as primeiras lágrimas ao ver que a sua avó também estava emocionada ao vê-la.
— Espero que eu não tenha estragado o seu vestido.
— Ele está melhor agora, acredite.
Esme pegou o lenço para limpar algumas lágrimas sorrateiras enquanto observava a neta mais de perto, pegou as mãos dela e as beijou com carinho.
— Eu quero que você seja infinitamente feliz ao lado de William. Jamais vou me perdoar por ter ajudado a colocá-la ao lado de Alec naquela época. Deus! Se eu pudesse voltar atrás com certeza eu teria procurado ter sido mais esperta e percebido os planos de Aro.
— São águas passadas, vó. Agora eu só quero pensar no futuro. – Renesme falou enquanto acariciava a barriga de dois meses de gravidez.
— Sim, com certeza, e esse anjinho vai ser muito mimado pela bisa.
— Eu te amo vó!
— Também te amo, querida.
Renesme desceu do pequeno púlpito e abraçou Esme carinhosamente.
— Isso está parecendo final de filme! – Alice falou enquanto se juntava ao abraço. – Estamos ficando velhas, mãe, dá pra acreditar que essa menina que nós vimos crescer já está tendo um neném?
— Ainda lembro do dia que Bella anunciou que estava grávida de você. – Esme disse a Renesme. — Não sei se sabe, mas seu pai e eu não estávamos muito bem na época e você veio para trazer união para a nossa família novamente.
— E esse bebê também trará. – Declarou Alice. – O cabeça dura do meu irmão vai voltar a se entender com você e Tony.
A princesa assentiu com um sorriso amarelo. Ela também era culpada pelo relacionamento não voltar a ser amigável. Tinha algumas mágoas guardadas, esperava que o tempo curasse, mas estava um tanto difícil dar o primeiro passo para a reconciliação no momento. Sabia que acabariam brigando, o que ela realmente não queria. Agora só desejava paz.
A porta se abriu novamente e Katlyn entrou com dois lindos buquês de flores, um menor e outro maior.
— Nossa papai vai cair duro quando lhe ver!
— Tomara que ele fique duro mesmo. – brincou Alice e Renesme olhou feio pra ela. — Como ele está? Você o viu? – mudou de assunto.
— Ele está um gato!
— Ele sempre foi gato, meu bem. Foi por isso que eu me apaixonei por ele. – Renesme piscou e em seguida beijou a bochecha da enteada. – E essas flores? Foram as que colhemos nessa manhã?
— São sim. A tia Rosalie me ajudou a fazer os buquês. Esse é seu e esse é meu.
— Ficaram lindas! Tia Rosalie é muito caprichosa!
— Ela é um amor e a netinha dela também. Mal vejo a hora da minha irmãzinha nascer!
— Tá vendo essa garota sabe das coisas! – afirmou Alice.
— Lá vem vocês duas! – Renesme balançou a cabeça.
Ela e William tentavam não criar expectativas para nenhum dos sexos. Tinha certeza de que independente do gênero iriam amar a criança de qualquer forma. Estava quase aceitando a opção em descobrir quando o bebê nascesse, embora a ansiedade de todos fosse gigante.
— Altezas, majestade, acredito que já esteja na hora de iniciarmos a cerimônia. — Isa Hackett, a nova secretária de Renesme, falou ao entrar no recinto.
— Sim é verdade. – concordou Renesme. – Estamos descendo.
Estava tudo planejado para ser totalmente diferente de um casamento real comum. Renesme tinha se divertido tanto planejando o casamento de Antony e Ashley no ano anterior e isso a tinha inspirado para o seu próprio. Ela e William já tinham se casado anteriormente e agora queriam algo mais íntimo, mais romântico. O lugar mais representativo para a cerimônia seria Brocken Hall, onde os dois viveram os momentos mais felizes de seu relacionamento até aqui.
Seria algo realmente pequeno, poucos convidados, apenas os essenciais estariam presentes na cerimônia civil e na festa em seguida. Renesme também seguiu a ideia de seu irmão em pedir que ninguém da família real usassem uniformes e adereços que simbolizassem seus títulos monárquicos e que o restante dos convidados se sentissem a vontade para virem sem aquelas complicadas roupas de gala. Nada de protocolos naquele dia! Quem estava casando não era a princesa e sim a mulher.
A única coisa que não pôde escapar foi da transmissão do casamento. Como ela era a princesa herdeira, é claro que tudo em sua vida tinha que ser público, mesmo que a cerimônia tivesse sido financiada em sua maioria por recursos próprios dela e de William e não dos impostos. Ela tinha conseguido se livrar das emissoras de TVs, mas haveriam assessores seus captando todos os detalhes que seria transmitido ao vivo em suas redes sociais oficiais.
O coral começou a cantar a música “Stand by me” no minuto que ela pôs os pés no grande tapete vermelho estendido na grama verde. Dessa vez, ela preferiu quebrar as tradições e caminhou sozinha em direção ao altar. Ela conseguia ver William de pé ainda longe dela. Para evitar a emoção, começou a olhar aos arredores enquanto fazia o percurso. Tudo estava absolutamente perfeito! Apesar de ser outono e as folhas varrerem o chão. Ela quis aproveitar tudo, queria que o lugar da cerimônia tivesse brotando da terra. Brocken Hall tinha um dos jardins mais bonitos de Belgonia e se encaixaria bem na ideia do romance. As flores alaranjadas só ajudaram a dar o tom certo.
As pessoas em sua volta sorriam e quando viu Antony no altar piscando para ela, sussurrando um “você está linda!”, soube que estava perto. Olhou mais atentamente e lá estava, seu irmão e Ashley como seus padrinhos, Henry e Emma, irmã de William, como padrinhos dele no altar. Ela focou nos olhos naquele que mais a interessava e viu que estavam cheios de lágrimas. Bem que queria abraçá-lo e dizer que também estava emocionada, mas continuou caminhando devagar até alcançar a mão dele estendida. Quando elas se tocaram, ela sentiu o calor gostoso que sempre sentia e finalmente soube que estava em casa.
— Você está maravilhosa! Maravilhosa! – William falou baixinho para ela.
— Obrigada, meu amor.
Eles se viraram para a juíza para que ela começasse a cerimônia e em nenhum momento soltaram a mão um do outro. Geralmente as noivas costumavam ficar nervosas em seus casamentos. Ela mesma tinha se sentido horrível na primeira vez que se casou, mas agora só sentia paz. Uma calma tão absurda que nem dava para acreditar. Enquanto os proclames aconteciam, ela de vez em quando trocava olhares e sorrisos com William e via que ele também estava pleno, feliz e esquecia todo o resto ao redor.
— William John Lamb é por livre e espontânea vontade que você aceita Renesme Carlie Cullen como sua legítima esposa?
— Sim.
— Renesme Carlie Cullen é por livre e espontânea vontade que você aceita William John Lamb como seu legítimo esposo?
— Sim.
— Por assim sendo, agora vocês trocarão as alianças como um sinal de união e confirmação dos votos aqui declarados.
Katlyn se aproximou do altar e entregou as alianças para o padre abençoá-las. Renesme sabia que não poderia se casar na Igreja, mas pediu encarecidamente ao pároco de Genove para abençoar as alianças e a união dos dois. Ela bem sabia que seria um pedido difícil devido ao fato da Igreja Católica não permitir que dois divorciados se casassem novamente e a família real seguiam firmemente esses valores. Mas ela tinha sido criada dentro da religião e não seria nada justo não ter a benção simbólica num momento tão importante como aquele. A princesa ficou extremamente grata quando ele a compreendeu e aceitou o pedido para estar ali naquela tarde.
— Gostaria de dizer que estou extremamente tocado em estar aqui hoje e dar as bênçãos a essa união. Quando a sua alteza me procurou pedindo que eu estivesse aqui fazendo essa ligação entre eles e Deus, eu vi em seus olhos alguém que realmente está apaixonada e que está certa da escolha que fez. Aceitei o pedido com muito prazer sabe por quê? Diferente do que dizem por ai, de todas as coisas ruins que são vinculadas, eu só vejo nesse momento o mais puro sentimento aqui presente. Estou diante de duas pessoas que realmente se amam e é isso que importa. Em João, capítulo 4, versículos 7 e 8, está escrito: “Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor é de Deus, e qualquer um que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor.”. Então por isso eu peço ao pai maior que abençoe a vida desse casal, que lhes deem muitas felicidades, muita força para suportar as dificuldades, perseverança e fé por que amor eu vejo que existe muito e Deus não há de lhes faltar enquanto esse sentimento viver.
Renesme agora derramava algumas lágrimas que tinha segurado até agora. Aquele momento era o ápice. Não porque acreditava que o melhor final feliz para uma mulher era o casamento romântico, mas por que estava, pela primeira vez, realmente feliz. Estar ali se casando com William depois de tudo que tiveram que enfrentar seja em suas batalhas conjuntas ou em suas vidas separadas, aquele momento era de vitória e uma resposta para todos que torceram contra.
— Ó Deus, que fizestes várias alianças com os homens através de Noé, Abraão, Moisés, prometendo-lhes proteção carinhosa e dando-lhes a missão de formar, no vosso amor, o vosso povo, para o nascimento do vosso Filho Jesus Cristo, abençoai agora estas alianças que William e Renesme vão usar. Fazei que elas sejam o sinal da promessa mútua de proteção, fidelidade e uma lembrança contínua da missão que receberam de Vós: preparar um ambiente humano e cheio de amor para testemunhar a vossa presença no mundo. Por Cristo, Nosso Senhor.
O padre benzeu as alianças e entregou ao casal em sua frente. William pegou as mãos trêmulas de Renesme e posicionou o anel em sua mão esquerda.
— Renesme Carlie receba essa aliança como sinal do meu amor e da minha fidelidade. – repetiu William a frase mais famosa do mundo e seguida beijou carinhosamente a mão da princesa, onde a aliança agora estava depositada.
— William John receba essa aliança como sinal do meu amor e da minha fidelidade. – falou Renesme repetindo o mesmo gesto de seu amado.
— E agora pelos poderes concedidos a mim, eu vos declaro marido e mulher. – falou a juíza encerrando a cerimônia.
William e Renesme viraram-se um para o outro. Ela disse baixinho algo como “estamos casados agora, dá pra acreditar?” e ele com o mesmo sorriso respondeu: “Yeah!”. Então, sem mais, os sorrisos divertidos se tornaram em uma serenidade terna. Trocaram olhares que diziam muito um para o outro e em câmera lenta aproximaram os seus rostos. O coração dela agora seria capaz de dar um salto, o calor que emanava do corpo dele a fazia querê-lo cada vez mais. William pincelou os seus lábios e veio-lhe do fundo de seu ser a sensação de paz, amor, um desejo tão grande de tê-lo ali com ela para sempre por que sabia que longe dele já não haveria mais felicidade. Ele bebeu o gosto de sua boca, o cheiro de sua pele, a sensação de seu corpo pressionado contra ele. Beijaram-se sem pressa e sem se importar que haviam milhares de pessoas online e presentes ali em suas costas os observando. O enlaçar de suas bocas significava libertação e a concretização de um encontro de almas. No mesmo momento, a luz do pôr do sol caiu sobre os dois dando a visão mais linda de todas.
— Eu te amo! – ela sussurrou entre os lábios dele.
— Eu mais ainda, meu lindo pardal.
Quando a bolha entre os dois foi quebrada, eles seguiram pelos corredores até o salão que havia sido reservado para a recepção do casamento. Onde os dois puderam fazer tudo que fosse mais clichê num momento como aquele. Tiraram fotos e mais fotos, receberam amigos e familiares, trocaram discursos apaixonados, brindaram, cortaram o bolo e comeram juntos na sintonia de muitos risos e aplausos dos convidados.
O DJ colocou “Can’t Take my eyes off you” para tocar e Renesme sentiu que era a deixa dos dois.
— Não é a nossa música que está tocando? Acho que chegou a hora da nossa primeira dança juntos como casados.
William olhou para Renesme e ela o conduziu até o meio do salão. À medida que ela se juntava mais a ele e o conduzia numa valsa meio desajeitada, ia o fazendo esquecer-se de tudo e somente se concentrar nela. Ele então a puxou num giro. Era a sua noite de casamento. Finalmente ele estava com a mulher que ele tanto desejara. A sensação era a mesma da letra da música, William ainda não conseguia acreditar que agora Renesme era sua esposa. Parecia realmente bom para ser verdade e ele estava verdadeiramente grato por estar vivo, tendo esse momento ao lado dela.
A princesa repetia a letra baixinho enquanto dançava. William achou que era uma das melhores visões de sua vida, seu toque enviou uma faísca para o centro de Renesme e só ela podia perceber a ternura em seus dedos enquanto ele segurava os dela. Nada sobre esta noite o interessou, exceto dançar com sua adorada esposa. Os dois continuaram abraçados um ao outro mesmo depois de a música ter chegado ao fim, até serem surpreendidos com Antony subindo ao palco.
— Quero agora cantar uma música extremamente romântica para celebrar a minha adorada irmã e meu cunhado. Eu sei que é bem cafona, mas o amor é brega mesmo. Recebam isso, meus adorados.
A princesa sorriu e aplaudiu o irmão enquanto ele ia até o piano e tocava os primeiros acordes de “I Just Called To Say I Love You” e em seguida começava a cantar de uma maneira bastante afinada para a sua mente um tanto alcoolizada.
— Não sei qual poder você tem por que eu não consigo tirar as mãos de seu corpo. – declarou William puxando Renesme para uma outra dança e todos se juntaram a eles no salão.
Seus olhos se encontraram. A mesma admiração voltou ao seu olhar atento. Seus passos melhoraram ao longo da noite, mas ele achava difícil se concentrar neles. De alguma forma, ele conseguiu carregá-la sem um emaranhado de pés, e o resto da sala desapareceu no fundo, era muito fácil entrar na bolha deles.
— Que horas podemos dar início a nossa lua de mel? – William sussurrou no ouvido de Renesme.
— Só mais uns instantes e você terá a melhor noite de sua vida na nossa cama.
— Essa já é a melhor noite da minha vida.
Os dois sorriram, William ofereceu o braço a ela e Renesme olhou em volta enquanto ele a levava de volta para Antony que já havia parado de cantar.
— Você é o melhor irmão do mundo, sabia?
— Sabia, mas é bom sempre ouvir você dizendo isso.
William olhou ao redor e teve uma surpresa ao ver sua mãe conversando com Zara numa mesa não muito longe dali. O clima não parecia tão desagradável, mas ele resolveu ir até lá. Ele viu a sobrinha lançá-lo um olhar de supressa. Ele a entendia, não tinha como não estar assim, afinal sua avó lhe rejeitara por anos e agora conversava com ela como se fossem amigas por anos.
— Oh querido! Eu estava contando a Zara quando fizemos a sua festa de primeiro aniversário exatamente aqui.
— É mesmo, mãe? O que acha disso Zara?
— Estou feliz em ouvir essas histórias.
— Sabe filho, eu estive refletindo. Acho que Zara poderia conviver mais conosco, não acha?
— Eu já convivo muito com ela. Mas eu acredito que você iria ganhar muito com isso.
— Eu também acho.
William olhou para o rosto da mãe e não viu nada que significasse falsidade em suas palavras, pelo contrário. Ele não sabia o que tinha dado na cabeça dela, mas agora queria recuperar o tempo perdido e se reconciliar com a neta. Aquele ambiente só poderia ter mesmo uma energia boa demais para permitir isso.
Renesme pensava o mesmo quando viu Edward e Charlie conversando tranquilamente. Ela sabia bem que o velho avô nunca gostou muito do genro, o aturava por causa de Bella e depois que ela morreu, ele tinha se esforçado para culpá-lo. Agora parecia tudo bem quando ela se aproximou. Edward lhe deu um sorriso carinhoso. Fazia tempo que ela não recebia esse gesto de seu pai.
— Parabéns, filha! De verdade, quero que seja muito feliz com William.
— Obrigada pai.
Ele estendeu os braços e ela se aproximou dele, mas ainda não tinha conseguido abraçá-lo como quando fazia em outros tempos. Edward entendeu que ainda era necessário muito mais do que uma parabenização para tudo voltar ao normal, mas desejava profundamente que isso acontecesse logo. Ele tentaria, ao menos.
— Charlie, você já soube que vou ser avô?
Charlie olhou surpreso para a neta e Jacob soltou uma gargalhada típica dele. Com os arranjos do casamento e com os exames de pré- natal, ela não tinha tido tempo de contar a eles e agora se sentia um tanto culpada.
— Sim, você vai ser bisavô. – Renesme falou enquanto acariciava discretamente a barriga ainda pequena. – Mas ainda é um segredo.
— Parabéns, meu bem. Não se esqueça de apresentá-la ao biso aqui.
— Claro que não vovô. Você vai ter todo o tempo para mimar bastante esse pequeno ou pequena aqui.
— William, você não perdeu tempo, ein? – Jacob brincou quando William se aproximou do grupo. – Não esperaram nem o casamento.
William abraçou Renesme por trás, beijou o pescoço dela e fez um carinho em sua barriga. Edward olhava para os dois e lembrou-se de Bella. Os dois eram exatamente assim, extremamente apaixonados e não se desgrudavam em nenhum momento se quer. Ele viu pela primeira vez que a filha agora estava no caminho certo. Enxergava não só romance, paixão tórrida que poderia acabar, mas também uma cumplicidade que com certeza criaria raízes e ficou feliz.
— Nós não esperamos você quer dizer.
— Já sabem o que é? – Jacob perguntou curioso
— Você parece uma velha curiosa, Jake! – Charlie falou com sua velha rabugice. – Não importa! O que interessa é que venha com saúde.
— É o que pensamos. – William concordou.
— Papai! Os fogos vão começar! – Katlyn anunciou enquanto corria até eles.
— Acho que não podemos perder esse espetáculo, meu amor. – Renesme falou no ouvido de William. – Depois a gente aproveita a deixa para subir.
— Não poderia concordar mais. – William piscou e seguiram todos para o lado de fora.
Os fogos de artificio agora estouravam pelo céu, iluminando todo ambiente. William e Renesme observavam tudo abraçados, extremamente gratos por esse momento. Por algum tempo, ficaram apenas sorrindo um para o outro. Ela encostou o rosto no peito dele de olhos fechados para se concentrar na sensação. O perfume dele nunca esteve tão doce, as batidas de seu coração nunca foram tão intensas e tão sincronizadas a de alguém antes. William a abraça e sussurra em seu ouvido.
— É apenas o começo.
— Sim, é apenas o começo.
E ambos seguem em frente de mãos dadas para a entrada do casarão para o início de uma vida nova.
COMENTEM BASTANTE E DEIXEM PERGUNTAS PARA A ESME COMO SE PUDESSEM CONVERSAR COM ELA, ISSO AJUDARÁ A CONSTRUIR A PRÓXIMA HISTÓRIA.
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