Notas iniciais
No capítulo de hoje, vocês terão um vislumbre dos primeiros dias da turnê de Edward e Bella pelas cidades de Belgonia. O nosso casal vai ter muitas responsabilidades nessa viagem, ein? Será que eles vão conseguir sair dessa? Espero que gostem do que vão ler! Bom capítulo!

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“O Príncipe Edward e Bella, a duquesa de Rochimond prometem arrasar em sua primeira turnê pelo país após o seu casamento.”

Serão 15 dias de visita a 7 cidades de Belgonia, onde o mais novo casal real irá participar de inaugurações, visitações, promover os seus trabalhos humanitários e espalhar muita expectativa para os seus súditos mais fieis.” – Jornal da VTI.

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Diário de viagem – Dia 1 e 2 (05 e 06/12/2011): Cidade de Montsaurai.

Resolvi começar a escrever nesse caderno todas as minhas experiências durante essa longa viagem. Comprei- o justamente para isso, pois uma das coisas que eu sempre quis na vida foi conhecer novos lugares, sei que não viajaremos para longe, mas muitas dessas cidades que foram selecionadas para a passagem da turnê, eu mesma desconhecia, mesmo sendo em meu país.

As expectativas são muitas! Acho que estou tão ansiosa quanto essas pessoas que vamos ver. Eu me balançava toda dentro do carro, fazendo que Edward segurasse a minha mão o tempo inteiro para me acalmar. Era uma viagem importante e dependia muito que saíssemos muito bem para a proteção de toda a família real. Eu tinha ensaiado várias vezes o que eu poderia dizer para as pessoas e para as autoridades. Passei horas estudando e pesquisando informações sobre todos os lugares que visitaríamos para ter uma ideia do que esperar. Teoricamente eu estava pronta, mas os meus nervos diziam que não.

Saímos do palácio às sete da manhã da segunda-feira. Edward até estava relaxado ao meu lado. Afinal, ele estava pagando para ficar longe de sua família depois de todo o acontecido. Do jeito que o clima estava, eu também estava bem satisfeita para respirar novos ares. Eu e ele tínhamos prometido tornar essa turnê em algo mais descontraído e com menos formalidades. Tentando encontrar também algum tempinho para curtimos um tempo saudável a sós, aproveitando os prazeres que cada cidade poderia oferecer a nós.

Montsaurai era o nosso primeiro destino. Ela fazia fronteira com Belgravia e levava apenas 15 minutos para chegar. É a maior cidade serrana de Belgonia. Além de ser mais fria do que em outros lugares do país, Montsaurai também é conhecida por seu comércio de rosas e o turismo ecológico. Um lugar perfeito para ficar aconchegado a quem se ama, pensei comigo mesma, já cheia de planos.

Nick e Ruth passaram todo o percurso nos informando a nossa agenda de hoje, porém no minuto que ultrapassamos as fronteiras foi impossível prestar atenção ao que eles diziam, pois formos recebidos por muitas pessoas que nos aguardavam na entrada da cidade. Elas gritavam, acenavam e corriam atrás do carro. Me estiquei para vê-las e fiquei impressionada. Porém, quando chegamos na rodoviária da cidade para trocarmos de carro. Mais e mais pessoas se amontoavam para nos ver. Era simplesmente fantástico! Acho que eu nunca me acostumaria com todo esse amor e dedicação das pessoas em torno de nós.

O prefeito da cidade nos recebeu e apertamos a sua mão alegremente. Sorrir era muito fácil diante de tanto êxtase ao ver tantas pessoas felizes ao seu redor. Edward segurou a minha mão e subimos juntos no carro aberto que nos levaria até o centro da cidade. Ele sorriu para mim timidamente e eu retribui com um encostar de mão carinhoso. Parecia um sonho andar ao lado dele e ouvir o saudar das pessoas por onde passávamos. Elas jogavam flores e acenavam. Eu sorria facilmente para eles, com os meus cabelos ao vento sentindo uma sensação muito boa dentro do peito. Impossível não notar também as belezas do lugar. Era tudo tão verde! A natureza brotava entre as casas e prédios como algo bem natural. Impressionante!

Tivemos vários eventos importantes em Montsaurai. Formos recebidos em praça pública no primeiro dia, onde pudemos ter mais contato com os habitantes calorosos da cidade. No dia seguinte, visitamos as plantações de rosas e vimos os imensos pinheiros que ali nasciam. Mas se posso selecionar algo realmente interessante foi quando formos visitar a base militar de Montsaurai, que estava completando o seu centenário. Edward ficou animado quando viu a exposição de aviões de guerra que era uma das atrações do evento de aniversário da base. Eu também fiquei bastante curiosa ao ver que na coleção haviam aviões antiguíssimos ainda da segunda Guerra Mundial. Ouvimos com muito interesse o historiador contar a história de cada um.

Porém, Edward vibrou ainda mais quando teve a oportunidade de pilotar um dos helicópteros da base. Nick queria impedi-lo dizendo que não estava no protocolo, que podia ser perigoso, mas ele nem ligou, quando recebeu autorização para voar, puxou o meu braço para entramos e levantarmos voo. Eu quis ficar em baixo, pois estava tremendo de medo, mas Edward me impediu e subi com ele com os meus olhos fechados com medo da altura. Só voltei a abrir quando já estávamos lá no alto. Olhei para Edward e ele morria de rir da minha covardia.

— Eu te disse que um dia ainda te levaria para dar um passeio comigo num desses.

Balancei a cabeça e ele continuou a rir. Eu tinha que admitir que ele era um bom piloto e aos poucos as minhas mãos foram ficando menos geladas e até me arrisquei a olhar para baixo para ver o cenário pitoresco.

Descemos em segurança para o alívio de Nick, que estava emburrado nos esperando lá em baixo. Edward nem se importou com isso e se portou como um verdadeiro rebelde. Chegando até a participar da tradição comemorativa da base militar, que era o banho de champagne. Eu ria pra valer ao vê-lo tentando abrir a garrafa e depois se banhando ao lado dos soldados com a bebida. Pela primeira vez, vi Edward totalmente descontraído. Acho que toda essa história de sua família destrancou um lado que ele, há anos, vinha tentando trazer, mas que estava bloqueado. Um lado revolto e natural que tinha andado reprimido com medo de sair dos padrões que lhes eram exigidos. Agora todos nós nos éramos apresentados a uma versão mais descontraída e leve do meu esposo, o que me deixava bastante contente.

Ficamos hospedados quase toda a viagem a Montsaurai na casa do prefeito, mas quando formos visitar a área de camping e os hotéis belíssimos que tinham próximo as florestas naturais da cidade, não pensamos duas vezes em passar a nossa última noite por lá.

Como já esperávamos, estava bastante frio, porém a lareira do quarto dava uma sensação aconchegante, e ficava ainda mais gostoso com todo aqueles cheiro e vista da natureza. A sensação era tão boa que parecia que nada de ruim poderia nos tocar.

Edward compartilhava dessa sensação comigo. Ele, do nada, veio até mim e me abraçou por trás. Era muito bom poder estar com ele a sós apenas como um casal e não como uma grande promessa da realeza.

Acariciei o seu braço e senti sua animação brotar contra mim. Ele pegou a minha mão e me jogou na cama. Sorri em excitação com o seu gesto inusitado. Veio subindo em cima de mim, com uma mão tentava tirar a minha roupa e com a outra entrelaçou os seus dedos ao meu. Era exatamente o que eu desejava para esse momento, tê-lo para mim a noite inteira. À sós e livre de problemas.

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“Mesmo com a crise abatendo a família real, Príncipe Edward e Bella são ovacionados e causam clamor em sua passagem por Montsaurai.

Belgravia está em chamas! A Família real não comenta muito sobre as afirmações de Oscar Scoby, além da entrevista reveladora do príncipe Emmett na sexta-feira. Eles preferem investir em peso na popularidade do novo casal real que não decepciona em nenhum momento. Demonstrando muito carisma, versatilidade e interatividade com o seu público cada vez mais apaixonado.” – Jornal Belgony Daily.

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Diário de viagem – Dia 3 a 6 (07 e 10/12/2011): Cidades de Genove e Clarence

Eu fazia questão de acompanhar todas as notícias que saiam no jornal, recorto e as colo aqui. Pois, na minha concepção, é altamente necessário estar sempre de olho em como a imprensa estava reagindo as nossas aparições públicas e como elas eram vinculadas. É claro que o público era muito influenciado pela mídia e dependendo de como estávamos sendo exibidos nas páginas das notícias, iríamos contribuir para o grande problema ser resolvido.

— Não fique pressa ao que dizem por ai, meu anjo. – Edward me pediu ao ver eu dedicando alguns minutos às notícias do jornal.

— Se não podemos combater o inimigo, junte-se a ele. – falei, enquanto batia de olho.

Estávamos a caminho de Genove para mais dois dias de turnê. O celular de Edward não parava de tocar desde o momento que chegamos ao nosso primeiro destino da turnê. Era Esme ansiosa por consertar as coisas com o seu filho do meio. Edward ignorava todas as ligações e dessa vez chegando a bloquear o número da mãe. Olhei para ele séria, deixando claro o quanto eu não aprovava a atitude dele e fui retribuída com outro olhar grave. Eu sabia que o nosso dia não estava começando como era para começar.

Se viessem me perguntar, eu diria que essa turnê estava acontecendo no momento errado e na hora errada, mas era o que tínhamos para o momento. Uma grande crise se alastrando e Edward e eu lutando contra tudo isso. Definitivamente era muita pressão. Quando alcançamos as fronteiras de Genove, me preparei para entrar no modo simpático e tentar esquecer um pouco as preocupações. Mas eu sabia o quanto iria ser difícil.

Genove era definitivamente uma cidade histórica e sobrevivia disso. Ainda preservava traços do século XVIII e XIX, e algumas imitações do período medieval. Sua extensão era protegida por grandes muros de pedras que davam um charme especial. Era uma das poucas cidades que ainda preservavam características suecas dos tempos em que Belgonia era uma colônia. Eu sempre achei Genove uma das mais belas cidades de Belgonia.

Quando chegamos paramos logo na praça central, onde nos encontraríamos com o prefeito e outras autoridades locais. Edward desceu do carro e vi que ele não conseguia pôr para fora o seu lado mais sorridente, estava chateado com a mãe, e bem longe daquele Edward descontraído e solto de Mountsaurai. Coloquei a mão nas suas costas e a acariciei de leve.

— Edward, se mantenha firme. Vamos nos concentrar no que viemos fazer. – eu disse baixinho próximo ao seu rosto.

Ele assentiu e formos até o palco montado no centro da praça. O prefeito sorridente apertou as nossas mãos e depois um trem de pessoas vieram falar conosco. Mas para mim só o que importava era a multidão que nos olhava. Assim como em Montsaurai, as pessoas vieram nos receber em grande número. Elas não gritavam ou choravam como tínhamos visto antes na cidade anterior. Fiquei até preocupada, com medo do que elas estavam pensando. Me mantive apenas observando, sem fazer grandes demonstrações de afeto ou exaltação. Eu ainda sentia que tudo poderia desmoronar a qualquer momento.

— Genove está muito feliz em receber o príncipe Edward e a duquesa de Richmond em nossa cidade em sua primeira visita oficial depois de casados. – Declarou o prefeito em seu discurso no palco. – Quero afirmar a estreita relação de nossa cidade com a família real, um vínculo de lealdade e afeto que deve continuar presente. Sejam muito bem-vindos!

Agradecemos com um sorriso e Edward se preparou para o seu discurso de agradecimento. Discurso esse que já vinha programado antes mesmo de sairmos de Belgravia. Porém, ele estava nervoso, acanhado, definitivamente aquele não era o seu dia.

— Eu e Isabella agradecêssemos imensamente a todos de Genove pela recepção ímpar em nossa primeira turnê pelo país. Queremos em nossa passagem por aqui, destilar a nossa dedicação, apoio e afeto a toda a população para construirmos juntos o melhor para o nosso país. Muito obrigado!

Palmas e mais palmas podiam ser ouvidas em todo o lugar. Sorri radiante para ele e senti seu alivio. Descemos juntos para um passeio a pé pelo centro histórico. Ao longo de cada casa conhecíamos um pouco da história do lugar que era algo verdadeiramente fantástico! Nessa hora é que pude sentir a amistosidade das pessoas que nos cercavam por todos os lados querendo apenas um aperto de mão ou nos olhar mais de perto. Estávamos cercados de seguranças, mas algumas conseguiam se aproximar. Uma garota quebrou a barreira e nos deu um abraço inesperado. Tomei um susto enorme, mas retribui com carinho.

Era em momentos assim que eu me lembrava do quanto a nossa responsabilidade era grande. Os olhares de todo o país estavam em nós dois. Eu me sentia tão pequena, mas tão grande ao mesmo tempo. O meu pensamento era: não estrague tudo, mantenha o foco, seja perfeita... Era algo realmente grande para quem estava começando agora. Eu sempre tinha aquela expectativa que em algum momento as coisas poderiam dar errado. Só em pensar sobre isso já me deixava cansada.

Tivemos um evento atrás do outro em Genove. Visitamos museus, inauguramos um centro cultural, tivemos um jantar com políticos e executivos locais, assistíamos a um espetáculo de balé e parecia que nunca podíamos respirar como em Montsaurai. Mas mantive sempre a cabeça levantada e sempre amistosa.

Quando chegamos a Clarence foi como chegar em casa. Pois, era a cidade mais monarquista de todo o país, afinal ela era a segunda residência da família real. Decidimos que ficaríamos hospedados no palácio ao invés de em hotéis ou nas casas alheias. Eu odiava ter que depender da hospitalidade dos outros. Eu preferia sempre o meu cantinho e fazer sempre as coisas por mim mesma.

Porém, o fato de estarmos em um lugar conhecido não impediu que a nossa agenda seguisse com compromissos extremamente protocolados. Primeiro, fizemos um passeio de carruagem aberta pelo centro da cidade. Visitamos as famosas minas de diamantes, os casarões históricos, escolas, e o comércio local que estava recheado de coisas que remetiam a mim e Edward, como blusas com nossas fotos estampadas, xícaras com nossas iniciais entrelaçadas, e até bolos com a nossa imagem. As pessoas eram simpáticas, como sempre, e isso era animador.

Porém, Edward continuava aéreo e chateado. Estar entre as paredes do palácio o lembrava de todos os seus momentos em família e automaticamente ele associava com o que tinha acontecido. Eu sabia que isso o deteriorava por dentro e enquanto essa questão não fosse resolvida, ele não ficaria bem.

Na nossa primeira noite em Clarence, resolvi distraí-lo fazendo algo inusitado para mim. Nos tranquei na sala da piscina e tirei a roupa como ele tinha feito no ano passado, nesse mesmo lugar quando passamos sete dias juntos de folga por aqui. Consegui fazer com que ele desse um sorriso maroto. Fui até ele e o arrastei para dentro da piscina, onde ficamos namorando até estar frio demais para suportarmos. A minha única intenção no momento era ser mais do que a esposa dele, mais sua amiga e parceira para todos os momentos. Eu não gostava de vê-lo triste e eu queria que ele tivesse certeza que eu estaria sempre presente para quando ele precisassse.

No dia seguinte, acordamos bem mais relaxados. A nossa agenda foi reduzida por causa do grande baile que haveria no palácio a noite. Ah como que estava nervosa! Enquanto as pessoas amavam bailes e estavam loucas para conseguir um convite para estar presente, eu daria tudo para não comparecer. Por que bailes lembravam danças e eu sempre tive pavor a isso.

Pierre passou horas trabalhando em mim. Eu tinha que está simplesmente perfeita! Era cabelo, maquiagem, depilação, e a escolha do vestido ideal que era a decisão pior e a mais importante que eu poderia tomar. Eu havia trazido na mala vários vestidos de gala que Alice tinha me dado, mas eu não sabia qual escolher. Tinha que ser uma roupa elegante, mas nada extravagante. Uma roupa que agradasse a todos. Eu sabia que o que eu usasse iria ser analisado por todos. Por que a imprensa o tempo inteiro estava de olho em tudo que eu vestia ou fazia. Eu estava tão apreensiva que acabei deixando que Pierre escolhesse.

Para completar o visual, a tiara da Rainha Mary, o que era mais incrível de tudo! Duquesas quase nunca podiam usar tiaras, por que não tinham sangue real. Apenas em ocasiões como essas em que ganhávamos o sinal verde para usar uma. Eu não gostava de joias tanto asim, mas eu tinha que confessar que tinha um gosto especial para tiaras. Elas nos deixavam com uma imagem especial, davam mais força e confiança. Esme pessoalmente tinha mandado separar a tiara da Rainha Mary para mim, ela sabia o quanto eu gostava dela e queria me agradar, mas também, no fundo, desejava que eu passasse à mensagem de revolucionária e de novas mudanças.

Depois de pronta e passar horas me analisando no espelho para ver se nada de erradado havia em mim, fui ao encontro de Edward no corredor para descermos juntos. Lá vinha ele com um lindo e sedutor terno branco. Ele me olhou como se eu fosse a mulher mais linda do universo. Sorri timidamente para ele e recebi em troca um beijo na minha testa.

— Eu estou com medo. – confessei.

— Eu também. Afinal, nunca sabemos o que esperar.

— O que faremos se tudo der errado?

— Damos as mãos e saímos correndo para pegar o primeiro avião em destino ao Brasil.

Sorri e ele me deu o braço para juntos fazermos nossa entrada triunfal. No alto da escada vimos todos os tipos de pessoas, de políticos a empresários. Toda a nata da sociedade de Clarence estava presente e isso me enojava. Eles cheiravam a hipocrisia. Deixei o meu braço firmemente no de Edward e desejei que nada de embaraçoso acontecesse enquanto eu enfrentava as escadas com o meu longo vestido branco estilo princesa.

Flashes e mais flashes registravam todos os nossos passos e movimentos. Como estávamos a serviço da monarquia, numa missão importantíssima, toda a imprensa tinha ganhado a permissão para cobrir todos os detalhes da turnê e do baile. Isso me incomodava, e muito. Minha relação com a imprensa nunca foi a das melhores e ela me deixava bastante visada. O que me fazia ficar sempre atenta a tudo.

Na verdade, durante todos esses meses, eu fui descobrindo que tipo de pessoas eu teria que lidar e como saber como agir em cada situação. Descobri que estar com o público em eventos não era algo ruim. Eu podia ser natural com eles, assim como o público que eu encontrava, na maior parte das vezes, era comigo. Porém isso não podia ser aplicado às pessoas que se consideravam “importantes” devido ao seu status e dinheiro. Com elas, eu tinha que dançar conforme a música. Agir como elas agiam para agradá-las e isso me irritava. Quantas vezes eu já tinha ouvido o quanto eu era antiquada e antipática nas minhas costas? Isso não enchia os meus ouvidos. Eu estava apenas refletindo o lado podre deles. Porém, essa noite, eu tinha a obrigação de sustentar a tese de “que tudo estava bem”.

É claro que nem todos eram ruins, tinha pessoas realmente visionárias no grande meio. Porém, a maioria das pessoas que eu tive o desprazer de conversar naquela noite, falavam coisas que para mim podiam ser consideradas imorais. Como comentários extremamente machistas, racistas e preconceitos sobre as classes mais pobres que definitivamente as sustentavam. Eu nunca fui muito fã de ideias socialistas, mas ao escutar sobre a aprovação de novas taxas e impostos, ou o aumento das horas de trabalho nas minas, me faziam querer vomitar ou retruncar. Era duro saber que muitos pensavam mais na economia e no dinheiro do que nas pessoas. Fiquei em silêncio com muito custo, como membro da família real, eu não poderia expressar opiniões sobre política e nem partidárias.

Edward claramente também não se sentia bem nesse baile e tentamos nos apoiar mutualmente. Ele se irritava com o forte assédio da imprensa e das pessoas em torno da nossa vida pessoal. Edward sempre foi muito protetor com relação a isso e cada vez que nos aproximávamos de alguma pessoa, ela chegava com perguntas como: “Quando vão ter um bebê?”, ou vinham com qualquer pergunta sobre o nosso relacionamento, ele ficava com uma cara que claramente dizia: “Vá tomar conta de sua vida”. Eu entendia o estresse dele enquanto a isso. O nosso relacionamento era muito visado. Todos os dias saiam notícias sobre nós dois com todos os tipos de temas diferentes. Analisando absolutamente tudo que fazíamos para que isso depois se tornasse notícia. Se eu escolhesse um vestido ruim e parecesse um pouco acima do peso, diziam que eu estava grávida, ou se Edward fosse pego me olhando com uma expressão mais grave, tínhamos nos separado. Era irritante! Porém, tínhamos sempre que manter o bom humor e a compostura para não entrar no jogo. Não queríamos dar essa satisfação a eles.

E assim seguimos a noite, sempre aparentando ser o casal do ano. Dançamos juntos diversas vezes, incluindo com outras pessoas, conduzimos alegremente o jantar com histórias engraçadas sobre a nossa turnê e deixamos todos satisfeitos, pelo menos era o que eu achava.

No fim do baile, todos já estavam indo embora, quando despenquei numa poltrona com os pés descalços. Eu estava cansada de fingir que era a mulher perfeita. Fiquei olhando o lado de fora pela janela e aguardando ansiosa para o que iam dizer nos jornais mais tarde. Edward tinha razão, eu estava ficando paranoica.

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“A Duquesa de Richmond é a nova estrela da família real!

Durante os seis dias que já se passaram da turnê real, quem mais esteve na boca e nos olhares atentos dos súditos de Belgonia foi a atual duquesa de Richmond. Embora muitos também comentem e esperem um aperto de mão ou sorriso do príncipe Edward, é Isabella que todos querem ver e copiar. Certamente, a menina plebeia que caiu de amores pelo seu príncipe, agora é o rosto mais capturado da década! Seu carisma, simpatia e mistério tem deixado as pessoas em pavorosa por onde passa. O que prova que a monarquia precisa de pessoas célebres para a sua sobrevivência.” – Revista Hello!

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Diário de viagem – Dias 7 a 10 (11 a 14/12/2011): Cidades de Milton e Norfolk

Devido ao baile da noite anterior tivemos uma folguinha pela manhã e uma permissão de chegar um pouco mais tarde no nosso próximo destino, a cidade de Milton. Assim que acordei já fui pedindo os jornais para ver como tinha sido a reação da mídia ao nosso baile. Edward me olhou com uma cara feia pelo meu gesto e desceu para dar uma cavalgada antes de partirmos. Não me importei com isso e comecei a folhear as páginas do jornal.

Meu celular tocou estridente, desviando a minha atenção. Olhei para a tela e vi que era o meu pai. Atendi logo de cara.

— Bom dia, minha filha, ou tenho que lhe chamar de alteza?

— Não diga isso pai. Até me ofende.

— Eu sei. Foi apenas uma brincadeira. Gostaria de saber como você está? Já viu que você é assunto de todas as notícias nesses últimos dias?

— Estou vendo... Isso me deixa nervosa. Não é bem isso que eu queria que as pessoas comentassem.

— Mas isso mostra o quanto você está se saindo bem, filha. Eu estou bem orgulhoso de você.

— Obrigada pai, isso significa muito. Mas você sabe o quanto eu não gosto das atenções voltadas para mim.

— Eu sei. Deve estar sendo bem difícil para você. Eu em seu lugar estaria maluco!

— Você não sabe o quanto está sendo difícil, pai. É muita responsabilidade para apenas duas pessoas... Eu ando tão desesperada para agradar a todos, para que tudo saia perfeito...

— Não se martirize, filha, você está fazendo a coisa certa.

— Como as pessoas estão reagindo, você sabe, sobre a história do Oscar Scoby?

— As pessoas andam bem divididas. Na verdade, acho que todos formos pegos de surpresa. Se eu fosse o rei e a rainha desmentiria tudo para acabar com a falação de uma vez. Mas a turnê está surtindo efeito também, as pessoas gostam de você e de seu marido.

— Eu realmente espero que estejamos conseguindo. Nossa atuação nessa viagem é muito importante para a família real. Eles não querem desmentir as histórias por que não querem que as pessoas pensem que realmente há pano para manga, entende?

— Entendo sim. Hoje você vai a Milton, não é? Tenha cuidado! Lá há uma manifestação contra a monarquia e o parlamento hoje.

— É mesmo? Não estava sabendo... Vou tomar cuidado. Te amo pai!

— Também te amo, minha filha.

Desliguei o telefone e corri para a internet para saber mais sobre essa manifestação. Meus dedos corriam pela tela do celular e procurava desesperadamente por tudo a respeito, saber contra o que eles se manifestavam, o que poderíamos esperar. Fui ficando mais nervosa e perdendo toda a confiança que tinha adquirido nos dias anteriores. É claro que eu esperava que em algum momento poderíamos encontrar pessoas contra a monarquia. Mas encarar o fato sendo concretizado me dava um verdadeiro pavor. Pois eu não sabia o que fazer ou como agir.

Após o almoço, seguimos para Milton. Contei a Edward sobre o que nos aguardavam e ele também começou a ficar aflito.

— É algo realmente grave, porém acho que devemos ignorar e seguir com o combinado. – ele falou.

— Que Deus nos ajude!

Milton era uma das grandes cidades industriais de Belgonia, sobrevivia basicamente das fábricas de alimentos e vestuário. Era responsável por abastecer e manter a economia de boa parte do país. Então, podíamos esperar que as pessoas pensassem diferente de cidades como Clarence ou Belgravia que sobreviviam, em grande parte, do turismo monárquico. Em Milton as pessoas tinha uma mente menos conservadora e antiaristocrática.

Assim que chegamos à cidade, tivemos uma noção de como ela estava fervendo. Haviam muitas pessoas se manifestando, como já esperávamos, mas o grande número delas era algo surpreendente. Passamos no meio delas e pude ver que o motivo da manifestação não era inteiramente apenas a monarquia, tinham alguns cartazes com um texto que dizia algo como: "parasitas, vão para casa", mas tinham boa parte deles que lutavam contra a reforma trabalhista que estava sendo posta a aprovação no parlamento. Algo que estava inteiramente fora do nosso controle.

Seguimos direto para o hospital infantil, nosso primeiro compromisso na cidade, o prefeito, com medo da reação das pessoas, decidiu não fazer uma grande recepção como os outros fizeram nas outras cidades. Quando os manifestantes perceberam que era o nosso carro que estava parando em frente ao hospital, começaram a gritar e a balançar o veículo. Os seguranças correram para impedi-los. Eu fiquei simplesmente aterrorizada! Fiquei paralisada dentro do carro sem conseguir sair. Todo aquele medo de principiante me abateu. Edward também estava nervoso ao meu lado, mas parece que a dificuldade do momento lhe deu coragem. Simplesmente invertemos a posição de dias atrás.

— Edward, eu estou com medo.

— São apenas pessoas, Bella. Eles não querem o nosso mal, apenas estão lutando pelo que acreditam. Temos que seguir em frente.

Ele estendeu a mão para mim eu a peguei, saindo do carro devagar, com praticamente ele me segurando até o lado de dentro. Na verdade, eu compreendia os anseios daquelas pessoas, eu até concordava em certo ponto. No fundo, eu me sentia do lado errado no momento. E isso me deixava confusa e abalada.

Minhas mãos tremiam e toda essa situação em Milton traziam a tona toda aquela tensão que víamos enfrentando nos últimos dias. O medo de tudo desmoronar de repente. Eu definitivamente não estava no clima, ainda bem que Edward era muito bom com crianças, coisa que eu nunca fora. Ele conseguia agir muito naturalmente com elas. Então, praticamente, o deixei fazer todo o trabalho.

Na verdade, tudo de bom que tínhamos conquistado nas cidades anteriores tinha desmoronado de vez em Milton. A manifestação do domingo motivou que mais pessoas viessem para a de segunda. Era desmotivador, definitivamente, porém continuamos firmes e cumprindo a nossa agenda normalmente. Visitamos fábricas, comércios e restaurantes. Até nos arriscamos a cozinhar para os clientes, a única coisa realmente divertida nessa viagem cinza.

Quando seguimos para Norfolk, a nossa autoconfiança estava lá em baixo. Nick ficava nos dizendo que não podíamos nos desanimar, que já podíamos esperar algo assim, mas era ruim demais para mim ignorar algumas coisas que tinham um fundo de verdade.

— As pessoas agem com o coração. – dizia ele. – Se vocês conseguirem chegar ao coração deles, não importam o que estão pensando no momento, tudo será esquecido. Falem o que eles querem ouvir. Elogiem, expressem afeto e conseguiram reverter à situação.

— Não somos perfeitos, Nick. – afirmei.

— Vocês não precisam ser perfeitos. É tudo uma questão de sobrevivência, e quando estamos em risco, fazemos qualquer coisa para sermos salvos.

Edward olhou para mim irritado e já cansado de todos os conselhos de Nick. Ele mesmo tentava ao máximo fugir das mentiras e das convenções que tinham desmoronado a sua família.

— Vamos parar com esse papo, ok? – pediu. – Eu e Bella não temos que carregar tudo isso nas costas. Faremos o que pudermos.

Nick olhou para nós e foi firme em sua fala:

— Apenas sejam o que vocês dois são. Um casal apaixonado com um carisma natural que deixam as pessoas loucas. Isso já basta.

E seguimos por Norfolk, uma das cidades da zona agrícola de Belgonia. Tínhamos estado outras vezes aqui quando vínhamos ver os desabrigados de Seraf. Então, no fundo eu podia esperar que eles nos recebessem bem e realmente até que foi mais calmo do que em Milton. Porém, elas estavam meio arredias conosco. Nos olhavam desconfiadas e pouco falavam. Tentamos uma abordagem mais amistosa durante o nosso primeiro evento na feira de exposição dos produtos agrícolas produzidos por lá.

Começamos bem, ficamos realmente impressionados com a porção de coisas que eram expostas na feira. Mas as coisas começaram a ir mal quando chegamos na parte dos queijos. Edward os odiava, mas não podia fazer desfeita com aquele povo que tinha um verdadeiro orgulho de seus produtos.

A moça da barraca ofereceu a ele um pedaço, passei logo em sua frente e o aceitei, mas ela continuou insistindo, o forçando a aceitar. Eu estava apavorada com o que aquilo ia dar.

— É bom... – Edward falou com uma leve careta. – É... felpudo!

Olhei para ele meio sem entender e ela o ofereceu outro tipo de queijo.

— Obrigado. – falou enquanto comia. – Esse tem um pouco de bolor.

As pessoas nos olhavam ainda mais estranho e nada podia ficar pior. Apertei o braço de Edward e seguimos adiante. Rezando para que tudo terminasse logo da melhor maneira possível.

Notas finais
Meus tradicionais agradecimentos a Anna, Cupcakeimperfeito, Talita Martins, lelinhacullen, Diana Gouveia, juaassaid, Érica e Clarinha Camela pelos comentários deixados. Amei ver a participação em peso de vocês! Estamos a cinco capítulos do fim dessa história e agora, mais do que nunca, espero a participação de vocês e de suas sugestões para o que vocês querem ver no último capítulo. Aguardo todos os comentários de vocês com muita ansiedade! Bom... Até mais!