Notas iniciais
Vocês me pediram um capítulo na versão de Edward e eu pensei bastante e resolvi atender aos pedidos de vocês, até por que Bella nunca saberia realmente, com riqueza de detalhes o que aconteceu no parlamento na grande noite da vingança, assim como também, vocês vão ter um pequeno vislumbre de como Edward pensa e como ele se sente com relação a tudo que aconteceu. Espero que gostem! Boa leitura!

POV. Edward

Eu estava ferido, em choque, ansioso e apreensivo. Era tudo que eu poderia descrever no momento. Durante toda a minha vida eu tinha em minha mente uma coisa: minha família em primeiro lugar. Protegê-la, amá-la, ser leal aos seus princípios era a nossa lei, a minha regra principal. Por isso eu estava nesse carro ao lado do homem que eu considero ser a minha inspiração de vida para lutar com determinação pelo nosso futuro e honra. Eu sabia que não seria uma tarefa fácil, por que estávamos lutando com alguém que estava em nossa família há anos e tinha muito em jogo. Muito mais do que a instituição monárquica em si, mas sentimentos daqueles que não mereciam e que nada tinha a ver com essa podridão toda.

Desde pequeno, eu tinha noção dos problemas que nos rodeavam. Eu nunca fui inocente a ponto de acreditar que tudo não passava de um sonho. Mesmo em momentos felizes, em que estávamos todos juntos, sorrindo num dia de sol. Eu sabia que havia um grande peso sobre as nossas costas. Sim, um peso, era assim que eu via. Algo que não nos permitia estar sempre felizes como devíamos ser, que nos separava do resto das pessoas. Algo que eu estava satisfeito em não ter só para mim em cima dos meus ombros.

Desde pequeno sabíamos que devíamos muito bem o significado da realeza e que tínhamos que protegê-la a qualquer custo por que ela era muito valiosa não só para nós, mas para o nosso país inteiro. Apesar de ser uma grande obrigação que motivav cada dia de nossas vidas, havia um outro lado, um que fazia manter todas aquelas paredes grossas do palácio. Que faziam as pessoas sorrirem para nós, nos sustentar em cima de travesseiros dourados. Algo que era nobre, que cegava e enlouquecia aqueles que não estavam prontos para viver dentro dessa instituição. Me lembro bem de meu avô tomando chá comigo em seu escritório, com os olhos voltados para a grande janela que mostrava as vastas terras que pertenciam a coroa em Clarence, pondo as mãos nos meus ombros e dizendo: “Isso tudo nos é emprestado, filho, os seus donos verdadeiros podem pegar de volta a qualquer hora e o nosso dever é lutar para que eles não fiquem insatisfeitos conosco. Até nossas vidas são deles e temos que sempre estar ao seu dispor.”

Mas à medida que eu ia crescendo, isso ficava mais confuso na minha cabeça. Eu via grandes pessoas em minha frente, meu pai, meu irmão, meu avô eram quase figuras heróicas que correspondiam tudo que as pessoas esperavam deles. Eu ficava me perguntando qual o meu lugar nessa história toda? Eu nem mesmo conseguia ser como eles. Por que eu tinha que fazer parte desse mundo tão complicado, tão inalcançável para mim? Era confuso demais para alguém que não conseguia encontrar nem o seu lugar no mundo.

Porém, com o passar dos anos, quando fui arremessado para o topo da carreira monárquica fui percebendo que as minhas perguntas e toda a confusão em minha cabeça iria ficar pior. Por que a realeza era bem mais complicada do que eu que eu pensava. Era muito mais do que seguir regras e deixar o povo satisfeito. Também era um grande jogo de política e poder, que quer queira quer não era também parte do que somos, era também a identidade do país que tinha que se manter em pé. E cabia a nós lutar para que ela se mantivesse firme e funcionando, pelo bem da nossa honra, do nosso nome e do circulo vital de Belgonia.

Olhei para o meu pai mais uma vez e vi o quanto ele estava cansado. Eu imaginava a sua dor. Ele que a vida inteira lutou para ser diferente, muito mais do que um sugador do sangue e do suor de seu povo, mas o seu provedor. Era uma luta árdua e eterna que exigia muito autocontrole, força e convicção firme em seus objetivos. E perceber que no fim a nossa sina era essa também, de sermos “exploradores do povo”, e não importava quanto tentássemos mudar, sempre voltaríamos a essa questão, a essa origem: Éramos ou não grandes aproveitadores? Mas eu sabia que ele mantinha firme o seu maior ideal. E nos momentos de tempestade se apoiava na coisa mais forte que conseguia, a sua família. Me lembro dele me dizendo: “apesar de tudo, Edward, nós sempre seremos uma família e por esse sangue que nos une que devemos sempre continuar enfrentando qualquer dificuldade”. Essa frase ficou marcada em mim como está nele e ela é que me fez continuar leal, não só a monarquia, mas aos Cullens. E é ela que estamos indo hoje salvar.

— Chegamos, senhor. – avisou o motorista encarregado de nos levar até o palácio do parlamento.

— Ótimo! — Papai respondeu seriamente.

— Não quer que os deixe mais próximo?

— Não. Aqui está bom. Permaneça exatamente nesse lugar.

— Sim, senhor.

Antes de descermos. Colocamos um grosso cachecol no nosso pescoço, cobrindo a nossa boca, e um boné escondendo o nosso rosto. Tínhamos que estar imperceptíveis essa noite. O plano era chegar disfarçados no parlamento e assistirmos toda a peça que iria ser encenada. Sete parlamentares, amigos de papai, fiéis a nossa família, irão ter uma conversa privada com Eleazar e dar a entender que todo o plano de usurpar papai e todos os seus herdeiros do trono está a um passo de se concretizar. Eles vão lhes apresentar um plano que parece infalível para dar uma reviravolta na sucessão da coroa da realeza Belgã e quando Eleazar tiver mais a vontade, irá confessar todos os seus crimes e é aí que entraremos em ação e o pegaremos. Tudo será gravado e testemunhado por aqueles que têm o poder máximo sobre país, papai e o primeiro ministro, para termos provas o suficiente de uma traição.

Seguimos, papai e eu, silenciosamente pelos corredores do parlamento até uma sala secreta que ficava ao lado de onde ocorreria toda a ação. Nos escondemos ao lado do primeiro ministro que nos cumprimentou com um leve aceno. Tudo parecia como num filme de ação ou suspense. Qualquer um que nos visse agora se sentiria numa sala de cinema, mas era tudo muito real e tinha sido minimamente planejado para dar certo, tinha dar.

Checamos os aparelhos de som e as imagens das câmeras para ver se tudo estava ok e realmente estava. Nossa atenção foi voltada para Eleazar que havia acabado de chegar ao recinto ao nosso lado. Os parlamentares se levantaram ao verem como se ele fosse o próprio rei. Eu tinha certeza que ele se sentia como um. O seu sorriso confiante dizia isso. Eu mesmo sorri ao pensar que toda essa pompa logo irá acabar.

— Vejo que estão todos aqui. – ele falou em voz alta como se quisesse que todos ouvissem a sua voz. Como ele era exibido!

— Estamos e trazemos boas notícias! – falou um dos parlamentares. – Temos aqui o documento que apresenta provas o suficiente da ineficiência de Carlisle como rei e que abrirá um processo que pedirá a sua deposição e de todos os seus herdeiros.

— Posso ler?

— Claro.

O parlamentar entregou os falsos papéis a Eleazar e ele começou a lê-los atenciosamente. Eu tinha certeza que ele ficará satisfeito com o resultado. Esses papéis tinham sido escritos pelos melhores advogados do palácio, foram feitos com base na legislação e programado para enganá-lo. E pelo olhar confiante dele e o seu entusiasmo mostravam que ele havia acreditado no que estava escrito. Era mesmo um tolo!

— Isso aqui está um primor! Mas é necessário que vocês também tenham uma boa lábia para convencer a todos que Carlisle e sua corja são inúteis e só prejudicam os interesses do povo.

— Iremos, pode ter certeza disso. A imagem deles está começando a ficar manchada. Basta apenas um empurrãozinho para fazermos a revolução que queremos.

Eleazar riu alto e bateu palmas. Ele estava tão cego com sua ambição que nem imaginava que poderia estar sendo enganado. Como esse cara pode achar que poderia governar um país?

— Vocês vão ser bem recompensados por isso. Acreditem, eu sei agradecer a altura aqueles que são leais a mim.

— Só não entendi por que tem tanta raiva do rei? – perguntou outro parlamentar.

Eleazar olhou para ele desconfiado e eu gelei com a possibilidade dele voltar atrás. Porém, essa era a oportunidade perfeita para que ele se revelasse.

— Não está óbvio? Ele não sabe resolver as crises do nosso país e nem atender aos anseios do nosso povo.

George Ronald, um dos sete parlamentares, levantou-se e tirou uma garrafa de Whisky do armário e pôs a servir a todos com a bebida. Certamente sentindo que Eleazar precisava se soltar mais para nos revelar o que precisávamos.

— E acha que a sua família irá cumprir tudo isso? – perguntou ele.

— Claro! Todos amam a minha adorável esposa! Ela vai ser bem aceita por todos, porém que será o rei dessa história será eu que estarei por trás de todas as decisões dela.

— Eu tenho que lhe parabenizar, Eleazar, esse seu plano é bastante inteligente! Deve ter planejado isso por anos!

— Obrigado John! Obrigado! É verdade, um plano assim não veio do nada. Há uns 12 anos venho articulando tudo isso.

— 12 anos? Você não teve nada a ver com a abdicação do príncipe drogado, não é?

— Aquilo foi um golpe de sorte. O príncipe já se drogava por conta própria na época, eu apenas dei uma forcinha. Mas o maldito Carlisle borrou as botas e o substituiu. Eu queria que ele não tivesse feito isso. Eu estava pronto para chutar o traseiro dele ainda naquela época.

— Genial!

— Mas dessa vez vai dar certo! Um brinde aos verdadeiros comandantes desse país!

Eles começaram a brindar e quanto mais ficava bêbado, mas revelações grotescas ele fazia contra a minha família. Todos os seus planos malignos que graças a Deus não tinham dado certo. Papai fervia de raiva ao meu lado e eu ainda mais. Não aguentava mais ouvir mais nenhuma palavra da boca dele. Mandei que desligassem as câmaras e os captores de voz. Eu irei acabar agora com aquela palhaçada!

Sai pelo corredor e adentrei a sala ao lado e todos saltaram de susto ao me verem chegar com uma fúria tão intensa que poderia ser confundido com o próprio demônio. Papai e o primeiro ministro vinham atrás de mim, mas nenhum deles irião me impedir o que eu pretendia fazer.

— Você quer acabar com a minha família, não seu desgraçado? Mas quem vai acabar com você sou eu!

— O que você está fazendo? – perguntou Eleazar com surpresa.

— Você vai ver!

Peguei-o pelo colarinho e comecei a socá-lo. Eu jogava nele toda a minha raiva, todo o meu ressentimento de anos. Cada murro que eu dava nele era uma resposta a todo esse tempo em que sofri, me sentia culpado por não corresponder as expectativas de todos, por toda a infelicidade por ter perdido a minha vida perfeita que eu estava construindo. Arremessei-o no chão e continuei a batê-lo. Eu nem ao menos sentia dor. Eu só queria vingança. Batia nele com ainda mais força ao lembrar o que ele fez com o meu irmão, com o meu pai e com toda a minha família.

Ele era tão imbecil que nem para se defender direito servia. Eu o batia até sentir que ele quase não mais se mexia e foi aí que resolveram intervir e me tirarem de cima do desgraçado. Eu tinha certeza que papai não tinha me impedido por que era exatamente isso que ele queria ter feito, mas ao verem que a minha vingança poderia matá-lo chegou a hora de intervir. O primeiro ministro ficou me segurando para que eu não avançasse em cima dele novamente. Papai e outros parlamentares levantaram Eleazar e o colocaram sentado na cadeira.

Minha fúria só aumentava ao vê-lo ali cara a cara comigo novamente. Papai se dirigiu a ele com um olhar gélido e de desprezo. Eu invejava essa calma e esse jeito pacato dele de resolver as coisas. Durante toda a minha vida, eu nunca tinha visto o meu pai agredir alguém ou sair do tom calmo. Mesmo sabendo que no passado ele teve o seu lado rebelde, mas percebi que os anos só favoreceram para que ele criasse uma maturidade e uma diplomacia única. Ele conseguia impor poder e ordem sem precisar ser grosseiro. E com certeza Eleazar está com mais medo do que o meu pai possa lhe dizer do que com os meus atos violentos.

— Eu não vou nem perguntar como você teve a coragem de fazer o que fez por que vejo que de você podemos esperar qualquer coisa.

— Carlisle, você não entendeu direito...

— Eu entendi perfeitamente bem todo o seu jogo sujo e espero que saiba qual a punição por traição ao rei e ao país.

— Não Carlisle! Por favor, não!

— Só lamento pela minha irmã. Eu sei que ela não tem nada a ver com isso. Eu imagino quantos anos ela deve ter sofrido ao seu lado. Presa a esse casamento arranjado... Nem quero imaginar a dor das minhas pobres sobrinhas quando souberem que o pai delas foi condenado a um crime de traição.

— Por favor, Carlisle pense nelas... Eu me arrependo de tudo! Eu juro!

— Não o escute pai, o condene a pena máxima!

— Edward, meu filho, eu entendo a sua raiva. – papai falou se dirigindo a mim. – Acredite, eu também estou fervendo por dentro. Esse homem foi responsável por todas as infelicidades de nossa família. – Ele virou-se para Eleazar e continuou: — Eu passei dias tentando me decidir que pena aplicaria a você. Infelizmente, não é permitido a mim que eu pense apenas com o coração. Além do chefe da minha família eu também sou chefe desse país e tenho que conciliar as duas coisas.

— O que a vossa majestade decidiu? – perguntou o primeiro ministro.

— Caro, Anthony, pegue essas gravações que fizemos hoje e tire várias cópias e depois as espalhe no país inteiro. – Eleazar tremeu com as palavras de papai. Já estava imaginando uma morte dolorosa. – Para que esse senhor aqui saiba que sempre terá algo contra ele.

— Perfeitamente Majestade!

Eleazar tremia como uma criança assustada. Apesar de estar sagrando horrores dava para ver o suor descendo pela sua testa. Eu estava apreciando ao máximo tudo isso. Estava me sentindo vingado!

— Carlisle, por favor, não... Eu prometo que farei tudo que você me pedir.

— Claro que vai! Eu sou o seu rei e o único desse país e você deve obedecer todas as minhas ordens. Por isso, você irá a partir de hoje sumir, não das nossas vistas é claro, pois eu estarei vigiado todos os seus passos, tudo que você fala, e até pensa. Vou colocar o serviço secreto na sua cola o tempo inteiro.

Eleazar olhou para ele confuso e eu também. Confesso que não estava gostando do rumo que papai estava querendo levar essa punição. Eu queria o pior para esse maldito!

— Você, a partir de hoje, irá para o exílio bem longe daqui, para um lugar que eu escolhi e será monitorado vinte quatro horas por dia. Viverá de sua própria renda e não receberá mais nenhum centavo do fundo real. Também nunca mais poderá falar com a imprensa sem a minha permissão e não representará mais a monarquia belgã.

Abri a boca surpreso, assim como todos na sala. Ninguém esperava que papai fosse tão bondoso. Eleazar suspirou aliviado e eu não estava gostando disso.

— Não pense que estou sendo benevolente com você. Só estou pensando no bem da minha irmã e das minhas sobrinhas que não têm nada a ver com isso e também no meu povo que não aguenta mais tanta briga e desgosto. Deus e o tempo lhe dará um castigo pior! Agora o levem daqui.

Os guardas do palácio do parlamento levaram Eleazar para o carro que o levaria para o aeroporto, rumo ao seu exílio. A mando de papai, o segurança dele os acompanhou para garantir que tudo seria feito conforme papai planejara.

— Caro Anthony faça o que lhe pedi.

— Sim, senhor. Amanhã mesmo terá a sua cópia.

Papai assentiu e olhou para os outros parlamentares que ainda estavam completamente surpresos com o final dessa história.

— Gostaria de agradecer o apoio de todos vocês pelo que fizeram essa noite. Jamais me esquecerei disso.

Eles balançaram a cabeça e papai se retirou do recinto sem mais dizer. Segui os seus passos apressados até o nosso carro. Ele permaneceu em silêncio todo o caminho até o palácio de Belgravia. Eu não sabia o que dizer para ele no momento e ele parecia preso aos seus pensamentos. Talvez pensando em tudo que tinha acontecido. Porém, ao chegarmos em casa não pude adiar mais o que eu tinha a dizer e pedi um tempo com ele para conversarmos. Seguimos ao seu escritório e eu o vi se jogar em sua poltrona com um rosto cansado.

— Antes que me pergunte por que eu fiz isso com ele, eu já lhe digo que a morte seria um fim muito fácil para ele. Pode ter certeza que no exílio ele sofrerá bem mais. Ficará sem o que mais ele aprecia, o poder.

— A cobra morre pelo seu próprio veneno...

— Exatamente! Eu também não suportaria ver a dor de Carmen. Por mais que ela tenha sofrido por todos esses anos nas mãos dele... É triste passar por uma vergonha dessas. E as meninas o adoram! É o pai delas, afinal de contas.

— Eu entendo e o invejo se quer saber. Ninguém no mundo é tão justo e sensato como o senhor, pai. Você é um exemplo a ser seguido e tenho muito orgulho de ser seu filho.

— Obrigado Edward! – ele disse enquanto dava uns tapinhas na minha mão. – Foi uma das decisões mais difíceis que tive que tomar.

— Eu imagino. Não sei o que eu faria em seu lugar.

— É algo que tem que aprender, filho, a razão e o dever devem sempre prevalecer diante das decisões vindas do coração. Um monarca tem que ter muita responsabilidade e deve pensar em seu povo em primeiro lugar.

Assenti e vi o quanto era duro para ele ter que repetir uma frase que tantas vezes tinha saído da boca de seu pai. Ele olhava para o porta- retrato com a foto de nossa família tirada no último natal e disse:

— Acho que nunca tivemos essa conversa, meu filho, mas quero que saiba que eu me recinto muito pelo que fizemos você passar. Acredite, eu sempre quis o melhor para você e para os seus irmãos.

— Eu sei pai. Nunca duvidei disso.

— Mesmo assim. Eu entendo a sua chateação. O colocamos no jogo sem ao menos lhe apresentar as regras e isso foi imperdoável! Porém, fique certo que eu sempre confiei em você.

— Obrigado pai...

Abaixei a cabeça e pensei um pouco sobre tudo que se passou. Eu nunca tinha ficado com raiva do meu pai, especificamente, eu tinha raiva do sistema, de Emmett por não assumir os seus deveres, de mim mesmo por ser tão fraco... Foi duro me acostumar com o fato de que um dia eu assumiria o cargo maior. Fui atirado na parte funda da piscina e tive que sair nadando. Eu ainda estava aprendendo muitas coisas e me adequando a tudo. Porém, jamais destilei nenhum sentimento ruim contra os meus pais, até por que eu sabia que era o próximo da fila e nada poderia ter sido feito. Mas agora saber que tudo não passou de uma armação de Eleazar me irritava de verdade.

— Eu não penso mais com um fardo, pai. Bella me ensinou a ver a minha função como príncipe herdeiro de outra forma, de um jeito que a minha mente confusa e triste jamais tinha imaginado. Eu agora desejo apenas fazer o melhor que eu posso para o meu povo.

— Isso me orgulha Edward! Seu avô também estava convicto de sua capacidade. Ele o queria no lugar de Emmett.

Olhei-o espantado! Vovô Pierino era muito convicto as tradições e regras da realeza. Era tudo preto no branco com ele. Jamais pensei que ele tivesse esse desejo com relação a mim.

— Acredite! Foi o último desejo dele antes de morrer.

— Pensei que aquilo fosse apenas história da mamãe...

— Quanto a sua mãe... – Papai parou um pouco e mediu as palavras. — Edward, eu a perdoei. Eu sei que o que ela fez não foi certo... Nada justifica as suas atitudes! Eu passei esses anos todos me martirizando, ora me perguntando se eu não tinha sido um bom pai, ora me enfurecendo por eu não ter conseguido enfrentar essa crise de outra forma. Eu nunca me perdoei, mas depois de saber toda verdade, é claro que fiquei chateado com ela, porém agora eu a compreendo de certa forma. Ela fez tudo por amor ao seu filho e errou tentando acertar.

— Como você mesmo disse, nada justifica o que ela fez.

— Eu sei, mas quando estamos desesperados, a primeira coisa que passa na nossa cabeça é proteger os nossos filhos. Eu tenho certeza que ela não quis o pior para você. Ela o ama e também os seus irmãos. Quando tiver filhos vai saber o que eu estou dizendo.

Eu ainda continuava chateado com ela e precisava de um tempo para avaliar corretamente tudo que aconteceu. A minha primeira reação quando eu descobri que ela tinha sido capaz de manipular toda a situação foi de surpresa. Eu jamais pensei que a minha mãe, que eu sempre vi como um anjo de Deus, tão bondosa e com um coração enorme fosse capaz de fazer tudo que fez. Depois fiquei magoado sim, por ela não ter pensado em mim, por ter contribuído pelo meu sofrimento por anos, mesmo que eu fosse o próximo da linha sucessória, e por ter passado a perna no meu irmão e no meu pai. Aquilo nunca poderia ser considerado correto! Me chateava saber que ela mesma tinha manchado a imagem que eu construí dela a vida inteira.

— Você não teve culpa do que aconteceu. Você, mais do que ninguém, foi vítima dessa história toda, mas filho, quero que olhe da perspectiva dela só um pouco. Ela é sua mãe e não merece o seu desprezo dessa forma. Conversem e se entendam, é só o que eu peço. Um dia, quando tiver na minha idade, vai ver a vida de um modo diferente você irá entender o quanto é ruim a gente viver brigado com os nossos pais. Eu mesmo sou prova disso.

Ele bateu de olho para mim e tentei processar tudo que ele me disse. Vovô e ele nunca se deram muito bem por que suas ideias de vida eram completamente diferentes. Pelo jeito, papai se arrependia de não tentar compreender o seu pai pelo menos um pouco e tentar evitar muitas discussões. Provavelmente percebendo do que muito que seu pai o dizia no passado tinha um fundo de verdade e ele só percebeu agora ao assumir o cargo que foi dele.

— Pai, eu preciso de um tempo para pensar em tudo isso que você disse.

— Tire o tempo que quiser, mas só me prometa que dará a ela uma chance de se explicar.

Assenti e ele deixou a sala passando por mim e tocando o meu ombro. Desabei minha cabeça na mesa cheia de papéis. Eu não sabia o que fazer agora. Eu tinha que pensar melhor sobre o que eu faria daqui para frente diante dessa reviravolta toda. Eu só sabia que não queria ser injusto e por isso eu tiraria um tempo para pensar longe de todo esse universo para ser o mais imparcial possível e colocar a cabeça no lugar, para finalmente poder viver a minha vida da maneira correta e ir em busca da minha felicidade.

Notas finais
Meus agradecimentos aos diversos comentários legais que recebi da Érica, Diana Gouveia, lelinhacullen, Clarinha Camela, Anna, Talita Martins e Aika. Comentem o que acharam da decisão de Carlisle, se foi justa ou não e o que vocês querem ver nos últimos capítulos dessa história. Aguardo!