Dimensional

1 Capítulo único


Notas iniciais
Novamente de volta com uma one shot, já que é o que eu mais gosto de escrever dessa vez do jogo Closers Espero que gostem, boa leitura!

O fim da tarde era um dos poucos momentos em que os membros da Wolf Dogs podiam finalmente descansar de todo seu esforço. Eles podiam ficar lá apenas observando o sol se pôr caso já tivessem passado por seu treino diário e cumprido todas as missões recebidas. O grupo era composto de quatro agentes, porém apenas dois se viam a encarar o fim do dia alaranjado. Desses quatro agentes, apenas um deles era garoto, além, é claro, de seu treinador, que se encontrava dentro do edifício treinando por um tempo extra outras duas agentes.

Os dois membros liberados estavam ali, encarando o lento e aconchegante pôr-do-sol. Nata e Levia. Nata era o único garoto entre os agentes, dono de um cabelo azulado, puxado para o lado turquesa e completamente bagunçado, seus olhos eram da mesma cor e sua pele era pálida, mas não parecia que estava doente. Seu semblante era sempre de tédio, apenas sorria em momentos onde podia liberar sua fúria, destruindo coisas. Levia foi a primeira agente menina a ingressar, ela não nascera na Coreia do Sul, e sim em outra dimensão, possui uma história longa e um tanto traumática, a qual não é boa de se tocar. A menina também era dona de uma pele pálida e bochechas coradas, cabelo longo e branco e olhos na cor roxa, muitas vezes estava com uma expressão de submissão e tristeza.

— N-Nata-nim... – ela o chama, virando-se para ele – você gosta de olhar o sol?

Nim era a forma que ela o chamava, pois ele também se chamava assim, então acostumou a garota. Nata era orgulhoso, dirigia a si mesmo muitas vezes como Slash-sama ou Nata-nim, pois gostava de ser tratado com respeito e reconhecimento, mas havia uma razão por trás de toda aquela fonte de orgulho e fúria: seu ódio aos dimensionais. Dimensionais eram seres vindos, obviamente, de outra dimensão, assim como Levia. Eles causaram e destruíram por anos grande parte da Coreia do Sul e também foram responsáveis por acabar com a infância e o crescimento de Nata. Ele também teve um passado traumático.

Mas mesmo sabendo desse ódio, Levia não desistia de falar com ele, pois poucas das vezes ela recebia uma resposta. Curta, fria, mas recebia algo em troca de sua pergunta. Era costume de Nata responder as perguntas com mais uma pergunta, mesmo que ele não gostasse muito de conversar e preferisse agir, da forma mais agressiva possível.

— É quente e relaxante... – ele virou-se para ela – você gosta? – Encarou a mais baixa, sem mudar sua expressão séria e fechada.

Ela o encarava sem piscar, sua boca entreaberta demonstrava surpresa na resposta e na seguinte pergunta dele, que a fez inclusive esquecer sobre o que estavam conversando. Levia o encarava profundamente, olhava em seus olhos azuis e sequer piscava. Aproximou-se do mais alto.

— Levia?! – Foi um pouco mais para o lado, espantado com a ação da menina.

— Nata-nim... o reflexo do sol em seus olhos...

Nata virou-se para ela espantado, seu rosto pálido agora se encontrava corado, ele sentiu-se indiretamente elogiado. Sem tirar os olhos dos dela, cessou o recuo e aproximou-se de Levia. Ambos coraram ainda mais.

— Ele brilha mais quando se põe.

Envergonhado, tentou mudar de assunto enquanto virava-se de volta para encarar o sol, mas Levia insistia em rebater na mesma tecla. Sem tirar os olhos do rosto dele, chegou mais acerca do mais alto, o qual sentia o rosto queimar ao notar a aproximação da pequena.

O ódio dele aos dimensionais era verídico, e não era de hoje. Foi necessária toda uma construção durante anos para que ele pudesse desenvolver uma fúria interna de querer matar um por um, eliminando completamente a raça, mas com Levia era diferente. Há tempos, desde que ela ingressou no grupo, ele já a olhara de canto, sempre atento a seus movimentos. De início era fato que tinha nojo dela, assim como de todo outro ser que o atormentou durante todo o crescimento, incluindo a humanidade, porém também tinha ciúme. Ele sendo o primeiro agente, era como se fosse filho único, então toda a atenção de seu treinador ia para ele, até que ela ingressasse e tivesse a atenção dividida para ambos.

Aos poucos, sua fúria se quebrou, ele prestava atenção no que acontecia com ela, algo dentro de si voltou a pulsar, e pulsava mais forte quando estava perto dela. Sua voz, seus movimentos, seus ataques e reflexos, ela era excelente, mas ele não queria admitir isso, seu orgulho ainda era maior do que o que estava desenvolvendo pela menina.

— Mas ele reflete em seus olhos... é bonito... – agora os olhos dela que estavam brilhando de encanto.

Pronto, foi o suficiente para que ele sentisse, agora, seu rosto fervendo. Ficou sem reação alguma além de usar as mãos para cobrir o semblante envergonhado. Levia não entendia o que dissera para causar aquilo ao garoto, mas como era de seu costume, começou a se desculpar desesperadamente por qualquer coisa.

— N-Nata-nim!? Eu... e-eu sinto muito! M-Me desculpe, Nata-nim!

— N-Não... foi... você...

A voz trêmula do rapaz parecia indicar que ele estava furioso para quem ouvisse sem saber da situação que passara, mas ele estava apenas sem jeito, sem resposta e sem reação. Por que ela o elogiou assim, do nada e ainda mais sabendo como ele sempre a tratara? Mas isso não importava no momento, ele queria saber como se acalmar. Não. Ele queria saber o que responder a ela, mesmo que sua vontade fosse de simplesmente sair correndo dali.

A altura entre a cobertura do edifício da Wolf Dogs e o chão era bem grande, ele podia se jogar e entrar por uma das janelas, mas estava sem suas armas e as grades o atrapalhariam. Ele podia correr de volta e entrar pela escada de abertura na cobertura, mas possivelmente, sua inspetora Hong estaria ali, e ele levaria um choque por mau comportamento. Os choques eram a maneira que Hong encontrara para acalmar e educar seus agentes, evitando que eles exagerassem, fizessem algo errado ou até mesmo para controlar a raiva, como eram as crises de Levia.

Foi decidido, ele não fizera nada durante um longo período, apenas mantendo as mãos no rosto, cobrindo sua vergonha e um estranho sabor de felicidade interna ao ser elogiado pela menina. Ela levantou-se, já estavam tão acostumados a sentar na cobertura com as pernas penduradas para baixo do edifício que sequer ficava precavida em levantar devagar e se apoiando. Levia foi para trás de Nata, segurando-o por baixo dos braços e puxando-o para trás, assim conseguiu tirá-lo da beira da cobertura. Voltou para a frente dele, ajoelhando-se e tentando remover as mãos do menino do próprio rosto.

— Nata-nim... você está passando mal? Quer que eu chame a inspetora? – Sua doce e preocupada voz ecoara pelos ouvidos do garoto, porém o espantara quando ouviu a última pergunta.

— A inspetora!? N-Não! Obrigado eu estou ótimo! – Ele nunca gostou daquela mulher, o espanto era previsível em seu rosto e voz, que agora saía perfeitamente de sua boca, já que ele removera as mãos do rosto.

Na realidade, era difícil ele gostar de alguém por aquele local, tentara matar todos, praticamente, mas foi impedido diversas vezes com choques, ou então pelo próprio treinador, o qual era mais alto e preparado que ele e podia apagá-lo com apenas um toque. Hong era a que ele menos gostava naquele local, mesmo Levia sendo uma dimensional, já estava acostumado, porém a inspetora lhe dava choques, ela era responsável por aquelas coleiras e pelos controles que aumentavam a intensidade da tortura.

Ambos passaram tanto tempo na cobertura que esqueceram do horário, já era noite e uma enorme e brilhante lua iluminava os dois. O céu estrelado auxiliava a lua em seu brilho, focando apenas em ambos, uma vez que o local não tinha muita iluminação externa. A porta do terraço se abriu, uma luz além do luar iluminou os dois agentes. Espantaram-se por um momento, mas se acalmaram ao ver que era o treinador deles.

— Não demorem, vocês precisam comer antes de dormir, o treino de vocês é mais cedo amanhã.

Sua voz grave e potente parecia mais que decretava ordem a eles, mas ele era um homem paciente, mesmo que um pouco rígido. Estava acompanhado das outras duas agentes, Harpy, a terceira a ingressar no grupo, uma ex-ladra profissional e muito ágil e Tina, a quarta agente a ingressar, uma robô com corpo infantil que já foi aluna do treinador há anos atrás.

— S-Sim, treinador-nim... j-já estamos indo... um momento... – Levia já tinha perdido o medo dele, mas sempre obedecia suas ordens. Ele dava a ela uma sensação de segurança, assim como para todos os outros membros.

O treinador deles sempre cedia a ela, tal como a todas as garotas, era como uma fraqueza interna que nunca revelara, mas estava quase óbvio. Apenas com Nata que ele conseguia manter o controle e até mesmo educar do jeito dele, usando toda sua força. Fechou a porta, retornando para dentro com as duas garotas e deixando ambos sozinhos novamente, ele também sabia que era bom deixar os agentes terem um tempo para si fora de treinos e missões.

— Levia, é melhor voltarmos... ele tem paciência com você, mas não comigo.

Nata levantou-se, ajeitando a roupa e instintivamente estendendo a mão para Levia, num ato para ajudá-la a levantar. Mesmo olhando-a de canto e já dando a ela uma força nas missões, ele ainda tinha um pouco de receio em tocá-la. É uma dimensional afinal, nunca se sabe, dizia para si. A mais baixa pegou sua mão, levantando-se e agradecendo. Ele direcionava os olhos à boca da menina, que se movia vagarosamente em sua visão enquanto ela o agradecia. Por que ele estava olhando sem reação para lá? Por que estava fazendo isso consigo mesmo?

Com a porta cerrada, agora apenas a luz do luar e das estrelas iluminava os dois, que se encontravam de pé no terraço e encarando-se. Levia soltou sua mão, parando por um momento em sua frente e o olhando. A diferença de altura entre os dois era até mesmo algo adorável de se ver. Ele acordou para a realidade, direcionando os olhos agora para os olhos dela, que estavam com o reflexo da lua em si, mais brilhosos do que nunca.

— Vamos... a comida não pode esfriar... – ela virou-se de costas, mas sentiu algo pegar em seu pulso.

A mão quente de Nata a agarrou, puxando Levia para si e envolvendo-a com os braços. Estava corado e fez a menina também corar.

— N-Nata-nim?! O q-que...

A reação de espanto da menina aumentou ainda mais, ao sentir o calor do rosto dele aproximar-se do seu. Agora que estavam sozinhos, nada podia impedir, e ninguém poderia ver a cena e afirmar que ele agora gostava de dimensionais. A luz da lua iluminava ambos, seus rostos encontravam-se próximos, ambas testas estavam juntas e os narizes quase se encostando. Ele sorriu, o que a fez corar mais.

— N-Nata...

Antes que pudesse completar a frase, seus lábios foram selados, impedindo-a de falar qualquer outra coisa. Ele fechou os olhos ao sentir a textura da boca de Levia, pequena e macia, Nata nunca havia beijado ninguém antes, mas podia afirmar que era uma ótima sensação. Sentiram os rostos aquecerem mais e mais, conforme o beijo avançou de um simples selinho para algo mais complexo. Juntaram completamente as bocas e cerraram os olhos lentamente, sem pressa para nada.

A falta de ar não foi algo para atrapalhar os dois, eram bem treinados e possuíam um fôlego resistente por conta dos treinos e missões que eram encarregados de fazer. As carícias se aprofundaram junto ao toque das bocas, Nata invadiu a pequena e delicada boca de Levia, que cedeu e o deixou que fizesse, sentindo a língua do rapaz tocar na sua. Ela não sabia o que fazer, então apenas deixava que ele comandasse.

Com o aumento dos toques, as mãos de Levia passaram do peitoral de Nata para os braços e em seguida para as costas dele, acariciando-o e puxando levemente sua camisa. Passava as unhas pelas costas do mais alto e continuou, enquanto comandava a outra mão para a cabeça do mesmo, afagando seu cabelo e o puxando sem forçar. Nata, que antes segurava os pulsos da mais baixa, soltou-a, deslizando as mãos para sua cintura e puxando-a mais para perto, encostando os corpos.

Uma das mãos que estava na cintura de Levia subiu chegando até seu rosto, que era acariciado sem interrupção do beijo, enquanto a outra mão do maior ia para as costas da menina e acariciava-a, repousando no fim das costas dela e as vezes, descendo-a como uma mão boba. Os puxões na camisa dele se forçaram, ela já estava cedendo por ar e separou ambos, virando o rosto para o lado. Estavam arfando, mas ele não queria parar. Deixou-a respirando por um momento, até que segurou o rosto da mais baixa e a fez encará-lo novamente.

— N-Nata-nim... um m-momento... por favor...!

A garota pedia arquejante, enquanto apoiava as mãos no peitoral do rapaz e tentava empurrá-lo um pouco para ter tempo de respirar. Ele também ofegava, mas tentava aproximar-se de Levia enquanto segurava seus braços pelo cotovelo. Encarou-a e soltou um sorriso de canto, piscando para ela com apenas um olho. Após isso, selou novamente os lábios aos dela, mas dessa vez já colocando a língua na boca da mais baixa e beijando-a com prazer. Ela o abraçou, dando-lhe leves e fracos socos pelas costas.

Sentindo as debatidas de Levia, Nata agarrou-a pela cintura, a qual ele passava a mão por ela algumas vezes enquanto aprofundava o beijo. Abriam espaço entre as bocas para recuperar o ar sem separarem os lábios e novamente fecharam os olhos para sentir tudo daquele momento. Ele sentia o cheiro dela, um aroma fraco e doce, lembrava-lhe os doces que ela sempre comia, ele também gostava dos doces, e nela ficou ainda mais delicioso. Ela podia sentir a língua dele passando por toda sua boca e, como de costume, fez o mesmo, invadindo a boca dele com a língua e explorando-a. Enquanto faziam isso, muitas vezes ambas línguas se tocaram.

O beijo foi interrompido, mas dessa vez Nata parou com o ato e desceu a boca até o pescoço de Levia, que foi recebido com um breve cheiro e em seguida com uma lambida quente. Ela arrepiou-se ao sentir a língua de seu companheiro passando por seu pescoço, mas deu um leve sorriso. Ele notou que o cheiro vinha dela inteira, não apenas do pescoço, porém permaneceu ali, dando-lhe mordiscadas leves para não a machucar enquanto sente a garota arrepiando-se mais e uma de suas mãos direcionando-se para seu cabelo, o qual é afagado.

— N-Nata-nim... p-precisamos ir comer...

Ele direciona os olhos para o semblante dela, que estava mais corado e com uma expressão de relaxamento e aprovação. Ela gostou das carícias que recebera, mesmo que tentasse disfarçar era notável. Sorrindo, passou a língua pelo pescoço da pequena a última vez e levantou-se, agora passando um lenço pela extensão do pescoço dela para limpar o que havia deixado de resíduos ao lambê-la.

— Se quiser... então vamos comer.

Deu a ela um último beijo, um rápido selinho, pegando sua mão e voltando para dentro. Ela estava corada ainda e com a voz um pouco trêmula ao relembrar das carícias e amores que recebera, mas olhava para ele de costas levando-a para dentro e sorria para si. Ela adorava também o aroma que ele tinha em si, era algo especial que só ele possuía e que era um dos motivos para fazê-la sempre ficar ao lado dele.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!