Dimensão Monstro

3 O Descendente do Rei


–Leo! – Grita minha mãe da cozinha me acordando – O café ta pronto!

–To descendo mãe!

Saio do tanque, troco de roupa, coloco o capacete, e desço pra tomar café.

–Bom dia filho! – Diz minha mãe botando o café na mesa.

–Bom dia mãe, bom dia pai – Digo sentando na mesa.

–Bom dia Leo – Diz meu pai pegando um jornal e lendo.

–Dormiu bem querido? – Pergunta minha mãe.

–Sim, e pai, hoje às Sete horas vou encontrar o Re e a Pri na praça.

–Tudo bem filho – Concorda meu pai.

–E não vai me pedir permissão? – Diz minha mãe.

–Mãe, posso ir na praça?

–Vou pensar – Diz ela sentando na mesa.

Essa frase “Vou pensar”, é um sim, mas como os pais não querem dar o gostinho de dizer sim na hora, eles dizem “Vou pensar”.

–Hoje vou jogar futebol com os rapazes, não quer ir filho? – Pergunta meu pai.

–Não pai obrigado, vou ficar em casa dormindo até a hora de eu ir.

–Quem disse que eu te deixei ir? – Diz minha mãe.

–Ata, pai vou ficar em casa, sem fazer nada, até a hora que a mãe decidir se vou poder ir ou não – Digo com um tom de ironia.

–Ata, vou indo – Diz meu pai pegando uma mochila com roupas dentro – Eu volto para o almoço.

–Não se machuque querido! – Grita minha mãe enquanto meu pai vai saindo de casa.

–Vai querer ajuda pra lavar a louça mãe? – Pergunto torcendo para que a resposta não.

–Não filho, deixa que eu lavo a louça, vai lá estudar.

–Ta legal, qualquer coisa me chama – Digo subindo as escadas.

Entro no quarto e não me taco no tanque, sento no sofá e ligo a televisão.

Jornalista: Uma vidente diz ter tido uma visão, onde monstros em carruagens de ferro invadiam nosso lar, nessa visão, ela disse que apenas um herói, descendente do rei, poderia acabar com essa invasão.

Santo Drácula! Essa visão parece com meu sonho, eu já tinha até esquecido, mas agora ele não sai da minha cabeça. Será que tem alguma ligação? Ou é só uma coincidência e ela é uma vidente louca. As palavras daquele jornalista não saia da minha cabeça.

Fico mexendo no Monsterbook até a hora de ir para praça.

–Mãe! Pai! To indo – Grito descendo as escadas

–Ta bom filho! – Diz minha mãe – Não demora muito.

A praça não é muito longe da minha casa, então vou a pé, quando chego lá vejo Pri e Renato sentados na frente da sorveteria.

–Oi gente! – Digo sentando na mesa.

–Oi Leo – Dizem os dois juntos.

–Oque você queria falar com a gente? – Pergunta Pri curiosa.

– Na verdade eu não quero falar nada, só queria sair um pouco de casa.

–Ta brincando né Leo? – Pergunta Renato indignado.

–Serio gente – Digo levantando da mesa – Agora vamos pegar sorvete.

–Uma casquinha de língua de lagarto – Pede Renato.

–Eu quero uma de cérebro – Diz Pri.

–Eu vou querer uma de baunilha – Digo pra atendente.

Pegamos nossos sorvetes e vamos caminhando pelo parque.

–Então – Diz Renato quebrando o gelo – vocês viram no jornal aquela feiticeira?

–Eu vi – Diz Pri.

–Eu também vi- Digo – E eu tive um sonho igual.

–Meu pai disse que a mãe dele teve a mesma visão quando ele era criança – Diz Renato.

–Minha vó me falava que o herói viria e destruiria os monstros e as carruagens, mas nunca acreditei, mas agora que essa feiticeira disse isso, to passando a acreditar.

–A gente podia ir lá falar com ela – Digo animado – Eu sei onde ela mora.

–Não sei gente, não gosto de mexer com essas coisas – Diz Pri.

–Deixa de ser medrosa – Diz Renato – Vamos lá, vai ser legal.

–Ok, vamos, mas não vamos demorar – Diz Pri.

–Então vamos – Digo feliz – ela mora na rua aqui do lado.

Vamos andando até a casa dela e paramos na frente.

–Chegamos – Digo pra eles.

Você não pode esperar uma coisa muito ao quando se vai à casa de uma vidente, nesse caso não é diferente, a casa é de madeira, quase caindo aos pedaços, enquanto subíamos as escadas de madeira, elas iam gemendo. Chegando à porta tinha uma placa escrita: “Sem magia”

–Acho melhor irmos embora – Diz Pri agarrada no meu braço.

–Agora que estamos aqui vamos continuar – Digo – Bate na porta Renato.

–Eu? – Diz ele com medo.

–Não! A minha vó – Digo irritado.

Renato bate na porta, e nada acontece por alguns segundos. De repente a porta abre, e somos puxados pra dentro, e a porta se fecha.

–Finalmente você chegou! – Diz uma voz do além.

–Quem está aí? – Digo assustado, não consigo ver nada, pois está tudo escuro.

–Te esperamos por muito tempo – Diz a voz de novo rindo.

–Oque você quer da gente? – Grita Pri apavorada.

–De você jovem zumbi – Diz a voz como se a conhecesse – De você não queremos nada.

–Então oque você quer? – Pergunta Renato.

–Eu quero o Marino – Diz a voz rindo novamente.

–Oque você quer de mim? – Grito apavorado.

–A sua alma – Responde a voz

–Aaaah – Gritamos todos ao mesmo tempo.

–Calma, calma – Diz a voz rindo – Eu estou só brincando.

Ouço um estralar de dedos e velas se acendem pela casa toda. A casa por dentro é diferente, é toda branca com apenas um armário de madeira e velho no canto da casa. Olho para todos os lados e não vejo ninguém.

–Aqui em baixo querido – Diz uma voz de velhinha.

–Aaaah – Gritamos juntos de novo.

–Desculpe-me pelo susto, mas faz tempo que não me divirto – Diz a velhinha.

Digamos que essa velhinha é muito baixinha. Ela tem por volta de um metro de altura e é uma lobisomem anã. Usa um vestido de listras vermelho.

–Mas voltando ao assunto – Diz a velhinha – Esperamos você por muito tempo jovem Marino.

–Eu? – Pergunto perplexo.

–Sim – Responde a velhinha rindo.

Ela estrala o dedo e o armário se abre, e sai de dentro uma mesa e quatro cadeiras. Elas param na nossa frente, a velhinha sentou e fez sinal para sentarmos. Ela estrala o dedo novamente e um livro aparece na mesa. Ela abre e lê um texto:

“Quando não tiver mais esperança

E os humanos dominarem

Um herói surgirá

E das trevas nos libertará

Descendente do rei ele será

E com a maldição, ele irá acabar”.

–E oque eu tenho com isso? – Pergunto.

–É você – Diz a velhinha apontando pra mim – Você irá nos salvar.