Dimensão Monstro
6 A Fuga
Notas iniciais
O humano se vira para nós e fica paralisado, nos observa de baixo a cima.
–Ah! Meu Deus do céu — Grita ele se lançando ao chão e chorando — Não me matem, eu vou embora, eu juro!
–Ah! Santo Holandês Voador — Grita Pri apertando meu braço — Ele vai nos matar, Leo, corre!
–Calma ai! — Grito com um tom autoritário — Os dois, se acalmem, não vamos machucar ninguém.
–Ficou louco Leo — Diz Pri sussurando — Essa coisa, seja lá o que for, vai nos matar.
– Pri, olha para ele — Ele estava deitado no chão, chorando, vestindo uma calça larga vermelha, uma camisa amarela meio suja, uma sandália marrom, o cabelo estava grande, meio encaracolado, parecia que não comia a semanas,aparentava ter uns 20 anos, parecia um hippie — Ele não vai fazer nada. Ei, você aí do chão.
– Eu? — Pergunta o humano secando as lágrimas.
–Isso — estendo a mão para ajuda-lo a levantar — Não vamos te machucar, a não ser que você nos machuque.
– Pretendo não fazer isso — Diz ele levantando e se limpando — Onde eu estou exatamente?
– Na dimensão monstro — Diz Pri — Onde mais estaria?
–Então é verdade? — Diz o humano encantado — Eu sabia!
–Sabia do que amigo? — Pergunto um pouco irônico.
–Que essa dimensão existia — Diz ele abrindo uma mochila e tirando de dentro uma coisa parecida com o Monsterbook– O governo da terra, a minha dimensão, esconde dos humanos a verdade, ninguém de lá sabe da existência dessa dimensão, a não ser o governo. Eu já sei toda a história de vocês e como vieram para essa dimensão, mas o que vocês não sabem, é que alguns monstros ficaram lá, assustados com os humanos, eles começaram a reagir, eles se escondem de nós, e quando menos percebemos eles nos atacam. E o governo não está muito feliz com isso. E eu estou aqui para avisar que eles vão vir para essa dimensão matar todos vocês.
–Nos matar? — Diz Pri indignada — Nós não temos nada a ver com esses monstros que ficaram na sua querida dimensão.
–Tenta dizer isso pra eles — Diz o humano com um toque de sarcasmo — Alguns cidadãos já estão desconfiados sobre a existência de vocês, e o governo não quer que eles saibam a verdade sobre vocês.
–Como assim a verdade? — Questiono.
–Que vocês não são criaturas da noite — Diz ele guardando o aparelho parecido com o Monsterbook — Eles nos ensinam que vocês são do mal, que só querem destruir as coisas, igual animais.
–Credo — Diz Pri me abraçando — Não somos assim, somos amigáveis, espertos, não somos como animais.
–Estou percebendo isso agora — Diz o humano — Ah! como é o nome de vocês?
–Eu sou o Leo, sou um marino — Digo — E ela é a Pri, uma zumbi. E você?
–Eu sou o Max — Diz ele — Sou um humano.
–Percebemos — Diz Pri sarcasticamente.
–Então o recado foi dado, acho bom se prepararem, o governo tem várias armas de fogo e vários soldados — Diz ele se despedindo — Vou embora, quem sabe nos vemos por aí.
–Acho que isso não será possível — Digo para ele.
– Qual o motivo dessa conclusão? — Me pergunta ele.
– Olha pra trás — Diz Pri.
Ele nos olha como se fossemos loucos e se virá, e percebe que seu meio de viagem, o portal, sumiu.
–Ah não! — Diz ele desanimado — Como vou voltar? Não tenho materiais para construir outro portal aqui nesse dimensão.
– Sei de alguém que sabe — Digo olhando à Pri — O nome dela é Pillar, ela é um pouco maluca, mas você vai se acostumar.
–Então vamos nessa- Diz ele soltando um pulo — O que estamos esperando.
–Você não vai poder andar assim pela cidade — Diz Pri olhando para ele de cima a baixo.
–Assim como? — Questiona ele.
–Como um humano, claro — Diz Pri.
–Ah! É verdade — Concorda Max — Do que vão me fantasiar? De vampiro? Zumbi? Lobisomem?
–Não sei — Digo — Mas a vó da Pri pode dar um jeito.
Vamos correndo até o carro para que ninguém nos veja. Quando chegamos no carro a Dona Wood está dormindo, começo a bater no vidro para acordar ela, mas nada adianta.
–Pri! Da um jeito de acordar a sua vó — Digo desesperado.
–Ja sei — Diz Pri — Sei de uma coisa que sempre funciona.
–Faz logo guria — Grita Max.
–Batata! — Grita Pri bem alto.
–Oque? Quando? Onde? — Grita a Dona Wood — Ah, são vocês crianças, entrem aqui no carro. Quem é esse amigo de vocês?
–Olá Senhora — Diz Max se apresentando — Me chamo Max, e sou um humano.
–Ah! — Berra Dona Wood — Saia do meu carro criatura maligna, você não conseguirá levar minhas batatas.
–Vó, se acalma — Diz Pri — Ele não vai nos machucar e muito menos roubar as suas batatas.
–Ele veio em paz Dona — Digo acalmando-a — Ele veio nos avisar do que vai acontecer. Sobre os humanos.
–Acho bom mesmo — Diz ela um pouco desconfiada — Ficarei de olho em você, por garantia.
–Vovó! — Sussurra Pri.
–Que foi? — Grita a Velhinha — Tenho que proteger minhas batatas.
–Todas as feiticeiras gostam de batatas? — Pergunto — A Pillar pediu pra levar uma batata na próxima aula.
–Quem não gosta de batata? — Diz Max — Elas são ótimas cara.
–Gostei desse menino — Diz Dona Wood — Ele é esperto.
–Vamos ao que interessa — Diz Pri — Voltando ao Foco. Precisamos que você disfarce ele de monstro.
–Já que você pediu com jeitinho — Diz Dona Wood estralando o dedo.
Max começa a brilhar e tenho que fechar os olhos, mas mesmo assim o brilho me incomoda. O brilho vai sumindo e vou abrindo o olhos aos poucos, quando olho para Max, vejo que ele está igual um lobisomem.
–Prontinho queridos — Diz Dona Wood — Agora vamos embora que tenho minha novela para assistir.
–Gente — Diz Max — Eu estou lindo!
–Claro que está! — Grita Dona Wood — Meu trabalho é perfeito.
–Dona Wood — Digo interrompendo ela — Poderia nos levar até a casa da Pillar?
–Claro querido — Diz ela — Vamos pegar um atalho.
– De novo não! — Gritamos eu e Pri juntos.
Quando percebo uma fumaça tomou conta do carro e já estamos na frente da casa da Pillar. Olho para a Dona Wood e vejo que ela está feliz com o nosso desespero.
–Eu amo fazer isso — Diz ela rindo — Tudo bem aí atras, Max?
– Mais ou menos — Diz ele um pouco enjoado.
–Vamos logo gente — Digo saindo do carro — Temos que falar com a Pillar ainda.
Saímos correndo, subimos as escadas e batemos na porta, dessa vez Pillar abre a porta, percebo que a casa está toda branca e com o armário no canto, como na primeira vez que estivemos aqui.
–Olá queridos — Diz ela sorridente — Quem é o novo amigo de vocês?
–É o Max — Diz Pri — Ele é um...
–Humano — Conclui Pillar — Eu sei.
–Como você sabe? — Pergunto para ela.
–Digamos que lobisomens tem um olfato melhor que o de vocês — Diz ela fazendo um sinal para entrarmos — Senti o cheiro de humano de longe. Liguem para o amigo de vocês, preciso falar com todos vocês juntos.
– O Renato? — Pergunta a Pri.
–Claro né menina — Diz ela tacando um pedaço de papel em Pri.
Não demora muito para que o Renato chegue, ele bate na porta e abro.
–Quem é esse cara? — Pergunta o Reh — Ele tem cheiro estranho.
–É um humano — Digo — Mas calma ele não vai nos matar.
Max conta para eles tudo o que nos contou na escola, vejo a cara de preocupação de Pillar e fico um pouco assustado, ela parece saber de alguma coisa que não nos contou.
–Bom — Diz Pillar bocejando — Uma ótima história, amanhã vejo vocês quatro aqui, ainda tenho que me arrumar, tenho um encontro hoje.
–Estamos indo! — Grita Renato.
Saímos da casa e vamos andando até a pracinha.
–Onde eu vou ficar? — Pergunta Max — Não posso dormir na rua, pensava que a Pillar me ajudaria hoje.
–Você pode ficar la em casa — Diz Renato — Digo para meus pais que você é um primo distante, e te empresto meu perfume para disfarçar esse cheiro de humano.
– Por mim pode ser — Diz Max.
Vejo 4 carros da polícia virando a esquina e vindo em nossa direção, eles param no nosso lado e descem 4 policiais de cada carro e fazem um circulo ao nosso redor. Vejo uma pessoa caminhando em nossa direção, quando a pessoa se aproxima o circulo se abre e ele nos encara.
–Ora, ora, ora — Diz o policial — Vejamos o que temos aqui.
–Senhor Willian — Digo olhando ele de cima a baixo, ele é um voador, suas asas são muito rápidas, o que ajuda na caçada aos bandidos, ele e os outros policiais estão usando o uniforme, uma calça azul, uma camisa branca com um broche de uma fênix no peito esquerdo — Como vai o dia?
– Não me venha com falsidade Leonardo — Diz ele se aproximando — Sabemos que você tem um novo amigo, e isso não está me cheirando bem.
– Ele é meu primo Senhor — Diz Renato.
–Todos sabemos que ele não é seu primo — Diz o policial — Vamos fazer assim. Me entreguem o humano, ou eu mato todos vocês!
–Acho que hoje não — Diz Pri estralando os dedos.
Uma fumaça toma conta do local, e somos transportados para a casa dela, deixando os policias sozinhos.
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