Dilemas

47 Capitulo 47


Capitulo 47


Aline e Tiago continuavam conversando animadamente. Caio percebeu que ela não estava com o namorado e já ia na direção dela, quando Dennis passou sua frente e encontrou com os dois.


- Tava te procurando. – chegou junto dela e Tiago sorriu.

- Nós estávamos apenas conversando, maninho. – bebeu mais um gole da taça que estava em sua mão – E nos escondendo.

- Se escondendo? – olhou para Aline que apenas assentiu.

- É. Minha mãe e Lorena não paravam de falar, e to tentando fugir de encontrar com o Caio.

- Entendi. – beijou sua testa – Só ficar do meu lado.


Saíram do tal esconderijo e Tiago encontrou outras duas amigas da faculdade.


— Pelo visto tem bastante gente que vocês conhecem aqui. – Aline comentou e viu Letícia andando que nem um furacão na direção de Tiago – E acho que Leticia não gostou muito do que viu.

- É. – outra morena, com um vestido longo e decotes nos locais certos se aproximou de Dennis.

- E quem eu vejo por aqui. – Aline a olhou de cima a baixo. Tentou ser discreta, mas era meio impossível – Quanto tempo Dennis!

- Quanto tempo mesmo Debora! – ela o beijou e o abraçou. Não teve outra alternativa a não ser retribuir – Não sabia que era adepta de vinhos.

- Nem eu sabia que você era. – olhou para o lado – E você é...

- Aline Resende, namorada do Dennis. – esticou a mão para cumprimentá-la e ela apenas riu.

- Você com namorada Dennis, isso é milagre. – Debora debochou e Aline quase a fuzilou com o olhar. Mas não ia dar o gostinho para a sirigaita e armar um barraco.

- Pra ver como o amor muda a gente! – ele a puxou para mais perto e a pegou pela cintura – Nós passamos a ver o mundo com outros olhos.

- Claro que sim. – olhou de novo para Aline, que respondeu a altura.

- Pensa pelo lado positivo, querida, e o Dennis achou o amor na vida dele, você ainda tem salvação. – ele a olhou chocado. Débora não sabia onde enfiar a cara – Com licença. – andou e foi em direção a sua mãe e seu pai, que estavam conversando com outro grupo de amigos.

- Desculpa, Debora. – Dennis andou em direção ao irmão, que também estava comentando de Letícia para as outras amigas – Aline é doida.

- Agora que você percebeu isso? – Letícia comentou – Fala pro seu irmão parar de ficar sorrindo que nem um palhaço pra toda mulher que aparece.

- Não mete o Dennis na historia não. – Tiago se revoltou – Não posso fazer nada se eu conhecia todo esse povo antes de você.

- Pera ai, gente. Sem briga. – Leticia virou e foi andando em direção a Dominique.

- Que saco. Já não me bastam os problemas, ela ainda fica no meu pé por causa das conhecidas.

- E que conhecidas hein. – apontou com a taça para outras duas que encaravam os dois. Mais duas que eles tinham tido alguma coisa, mas que não lembravam o nome – To desconfiado que tem muita mulher conhecida por metro quadrado.

- Ou que agora que fomos perceber, depois de comprometidos, que nós pegamos praticamente o Rio de Janeiro todo.

- É uma teoria também.


Na mesa, Bruno e Dominique ainda comiam alguma coisa. Vez por outra, alguém conhecido dele passava, conversava um pouco, dava parabéns pela gravidez dela e saía. Quando Leticia sentou e contou revoltada de Tiago, os dois entreolharam-se, e preferiram só ouvir. Não adiantaria mesmo comentar qualquer coisa que fosse.


The Way You Look Tonight


Bruno percebeu que Dominique se atentou a musica que começou a tocar. Já estava difícil tentar manter as coisas depois daquela manha, tentaria melhorar um pouco o desconforto.


- Vem dançar. – esticou a mão para ela, que ouvia a amiga com a maior face de compadecida.

- Agora?

- Não. Vou pedir para o pessoal da banda tocar a musica cinquenta vezes até que você se decida.

- Engraçadinho. – aceitou sua mão e levantaram. Letícia ia questionar, mas assim que viu o brilho nos olhos dos dois, resolveu ficar de boca calada.

- Não acredito no que estou vendo. – Aline sentou ao lado dela – E onde vocês estavam hein?

- Eu estava aqui o tempo todo com eles dois. Segurando vela, pelo visto.

- Quando eles dois vão perceber que se amam e casar logo? – Dennis sentou ao lado de Aline, e ela se aconchegou nele.

- Tá meio óbvio mesmo. – Tiago sentou ao lado de Leticia, que fechou a cara – Serio Le, não quero brigar. – pegou a mão dela – Vamos dançar também. Assim nós paramos com isso.

- Dançar não vai diminuir seus sorrisos cheios de graça para aquelas sirigaitas.

- Elas não são sirigaitas. – ele ainda tentava manter a paciência – São amigas minhas.

- Sei que tipo de amigas são. – Aline e Dennis olharam-se. Ele a puxou e foram para a pista de dança também – E você ainda as defende.

- Ok, Letícia. – colocou a taça na mesa e pegou um uísque que o garçom servia – Quer ficar com raiva, ok. Problema seu. Não posso mudar a minha vida antes de você, não existe isso. Você só vai ter dois trabalhos. Ficar com raiva e não ficar mais. Dá licença.


Tiago levantou e bateu em retirada. Ia sair um pouco do salão e ver se o ar da parte externa lhe dava um pouco mais de calma. Assim que colocou o pé pra fora, viu seu pai com uma menina que não lhe era desconhecida.


- Meu filho! – abraçou-o – Não sabia que conhecia a Lorena.

- Nem eu sabia que o senhor conhecia. – olhou para o lado – Boa noite.

- Boa noite. – era uma loira estonteante, não podia negar. Pelo menos seu pai ainda mantinha o jeito, e claro, o dinheiro ajudava e muito – Querido, eu já vou lá dentro, estou derretendo e preciso de um drink.

- Vai lá e pega um pra mim também. – deram um selinho e Tiago revirou os olhos – E você, meu filho. O que está acontecendo?


Ele não podia contar logo a historia de Helena, sem antes saber se procedia. Respirou fundo e preferiu apenas desabafar sobre Letícia.


- Não aguento esse tipo de ciúme. Não sabe que estou com ela?

- Pode até estar, mas ciúme é uma coisa normal. E as mulheres que você já saiu não entendem esse tipo de coisa. – abraçou o filho de lado – Esquece isso. Conversa com ela e depois nós conversamos sobre o assunto. Vai se divertir, que essa festa da Lorena vai ser ótima.

- Espero que sim.


Dominique tentava manter as coisas na maior calma. Sentir Bruno tão perto e com as lembranças da noite anterior, tudo dentro de si revirava. E ele não fugia a regra. Estava total e completamente inebriado pelo cheiro dela. A dança não amenizava. Sentir a pequena barriga dela perto de si, aquele pequeno ser que crescia e que era metade de cada um...


- Eu acho que já disse que estava linda hoje, não é? – chegou perto do ouvido dela – Se não disse, eu falo agora... Você está linda.

- Obrigada. – engoliu em seco com aquele ar quente perto de seu pescoço – E também por vir aqui comigo e enfrentar esse monte de gente conhecida, sem nem estarmos juntos.

- Eu nunca liguei para isso Nique! – já estavam encarando-se – As pessoas pensam aquilo que querem, não tenho porque ficar me explicando pra ninguém.

- Eu sei. – ela sorriu – Mas assim você deixa de ter oportunidade de rever amigas, ou até mesmo de conhecer mulheres interessantes.

- No momento também é o que menos me preocupa... – se ela soubesse que ele não procurava por causa dela...


You are everything – Vanessa Williams


Aline e Dennis ainda se embalavam pela musica, quando a banda mudou para uma um pouco mais agitada. Ele colocou os dois braços automaticamente em volta de seu pescoço e a chegou para mais perto dele. conseguiu fazê-la acertar o ritmo da musica até os dois estarem sincronizados e riu. Ela acabou pegando o seu rosto pelas mãos e lhe deu um beijo.


Lorena e Tereza estavam perto de Felix e Tereza apontou com a cabeça para eles dois. Felix aparentava felicidade pela filha. Ela parecia feliz e isso que importava. Os três ainda olhavam o casal encantados. Ah, a juventude! O mundo cheio de possibilidades e sentimentos novos para se conhecer. Aline cantarolava a musica perto dos lábios de Dennis, o que o fazia fechar os olhos e colocá-la para mais perto dele. Momentos como aquele precisavam ficar registrados na sua cabeça. E não necessariamente o fato de ela estar linda naquele vestido, sexy como nunca, com aquele coque deixando sua nuca a mostra e pronta para beijos, como também seu cheiro, sua pele macia...


Tiago chegou novamente a mesa, onde Leticia ainda bebia e parecia chateada. Tudo que ela não queria naquela festa era ter que passar por mais uma briga com Tiago. Ele não estava totalmente errado, no sentido de ter tido uma vida antes dela, mas só de ver sorrisos que ele lançava, que não eram pra ela... Só não aparentou ainda mais chateação, para que seu irmão não lhe enchesse de perguntas depois. Ele tinha que se preocupar com Dominique e o bebê.


- Será que minha namorada aceita dançar comigo? – Tiago chegou ao lado dela já mais calmo e sorridente. Procurou um brilho nos olhos característicos, mas não viu nada. Resolveu ceder para não terminar a noite brigada com ele.

- Desculpa. – assim que ele a girou e começaram a dançar falou – Eu...

- Tudo bem. – deu um selinho nela – Eu entendo. – sorriu – Vou tentar melhorar, ok?

- Melhorar? – ela estranhou. Do que ele estava falando?

- É. – deu de ombros – Ser um pouco mais centrado no nosso relacionamento. Tentar ter mais responsabilidade com você.

- Ok. – ela sorriu – Estamos nos conhecendo Tiago. Não estamos juntos há tanto tempo, a gente vai se acostumando e se ajeitando com o tempo.

- É.


Manoel acabou chamando a atenção de Dennis, quando este saiu de seu transe e olhou para o lado. Sorriu e acenou para o pai. Mas quando ele chamou a ele e ao irmão, olhou para o lado, e Tiago dialogava com Leticia, tentando entrar em um consenso. Puxou delicadamente o irmão e os dois viram o pai chamando para falar com alguém.


- Conversaram? – Aline perguntou e Leticia fez uma careta.

- Mais ou menos. To tentando esquecer para não me estressar.

- Faz bem. – olhou para a mãe, que a chamava novamente. Viu mais um monte de mulheres em volta e olhou para Leticia pedindo misericórdia.

- Eu não. Sua mãe, você que resolva.

- Ah, mas você vai comigo sim. – viu Dominique com Bruno e a cutucou – Minha mãe está chamando. – Leticia ia falar algo, mas Aline apertou seu pulso – Posso roubá-la um pouco?

- Claro. – Bruno a tirou de seu abraço – Eu vou falar com o Caio logo ali.

- Espero que seja algo bom. – Dominique olhou séria para Aline – Estava muito bem dançando.

- Sabemos porque.


Chegaram ao grupo de senhoras conversando e foram logo atacadas por mil perguntas. Tereza e Lorena finalmente agradeceram por Aline ter trazido as amigas ali. Lorena sentia falta de Letícia. Era sempre engraçada, irreverente. Dominique ainda não era alguém que Lorena tinha muita afinidade, mas até que não tinha nada contra. Não concordou muito com o fato da gravidez, mas não era ninguém para opinar.


- E vocês casam quando? – Tereza perguntou, deixando as três estáticas. O que responder nessas horas.

- Não tem definição de nada mãe. – Aline olhou séria para a mãe – Eles dois estão indo com calma.

- Ah menina, mas precisa casar logo. – comentou uma das senhoras com ela – Senao, depois ele encontra outra e você fica com a criança e sem o anel no dedo.

- Bom, se isso acontecer, eu vou dar graças a Deus de não ter casado. – Dominique se manifestou – Prefiro cuidar do meu filho sozinha, do que ser traída. – sorriu em deboche para ela. A mulher engoliu em seco e olhou para Lorena.

- Ela não esta errada Antonieta. – sorriu para ela – Afinal, não estamos mais na época em que tinha que se casar por causa de gravidez. Sabemos quantos casamentos de fachadas existem por causa disso.

- E quantos não existem mais. – Tereza comentou – Desculpa, querida, mas é que fiquei tão empolgada. Vocês dois se dão tão bem.

- Claro, sem problemas. – sorriu.


Bruno já estava do outro lado conversando com alguns amigos de faculdade, incluindo Caio. Este, mais parecia uma águia a procura da presa, e ele já tinha percebido isso.


- E ai, meu caro... – começou Alvaro, um dos amigos deles – Bruno começou ao contrário, mas está meio caminho andado... Eu casei... Sergio esta noivo... E você?

- Estou me acertando cara. – Caio olhou para Bruno – E Bruno precisa casar primeiro, pra eu casar depois.

- Apesar de que casar nunca esteve no seu vocabulário não é? – Sérgio comentou – Aliás, sua ex-noiva está ai.

- Eu sei, eu a convidei. – Alvaro olhou para Bruno e depois para ele de novo – Eu fui um idiota com ela.

- Isso todo mundo sabe. – concordou – E vai fazer o que? Ela está com Dennis Palmas agora. Pra convidar ela, é porque a quer de volta.

- Talvez. – suspirou quando a viu conversando com a mãe.

- Se eu fosse você tirava essa ideia da cabeça. – Bruno olhou pra ele e depois tomou um gole da bebida – Ela está muito feliz. E não acredito que ela vá voltar pra você, depois do que fez.

- Eu mudei cara. – Caio disse.

- Tá. – Sérgio riu – Só acredito vendo.

- Estão prontos ou não? – Caio mudou o papo já se sentindo desconfortável – Daqui a pouco ela tem o discurso dela. Precisamos ser rápidos.

- Ok. Vamos.

- Não acredito que vamos pagar esse mico aqui...


A banda parou de tocar a musica, e os convidados olharam todos para o palco. Caio apareceu diante de todos com um microfone na mão. Aline olhava e esperava que não fizesse nenhuma idiotice. Ele a viu parada perto da mãe e piscou. Até sua mãe sabia que aquilo tinha sido para ela.


- Boa noite a todos. Gostaria de agradecer a presença de todos aqui essa noite. É um momento muito bom na vida da família Matos, quando minha mãe anuncia a parceira de sua vinícola com a Vinhos e Cia, a maior fornecedora de vinhos do Brasil. – todos batem palmas – Aliás, muitas das taças que estão em suas mãos estão com os vinhos de nossa safra. – sorriu – Minha mãe, Lorena, sempre foi criada em meio a vinícolas. Meu avô começou o negócio em Portugal, e anos depois, quando minha casou com meu pai, eles trouxeram o negócio para cá. E como muitos sabem, após o falecimento do meu pai, minha mãe conseguiu tomar as rédeas do negócio e fazer a Vinicola Matos ser uma das mais conhecidas em todo o mundo. Hoje, para agradecer e celebrar mais uma vitória, ela os chamou aqui hoje. E eu, como filho, que todos os dias agradeço por tê-la como mãe, dedico a ela uma musica. – todos abrem um sonoro Ó – Infelizmente não é minha. Mas eu sei que meu pai cantava essa musica pra ela em todo aniversário de casamento deles.


Aline engoliu em seco. Ela sabia muito bem que música era aquela. Assim que Bruno subiu ao palco com Álvaro e Sérgio, até Dominique sabia do que se tratava. Ela chegou perto dela. Caio era esperto, pensou Aline. Ele queria matar dois coelhos de uma vez só. E se preparava já para fugir o mais rápido possível depois que aquela musica terminasse.


Can’t take my eyes off of you – The Overtones


Lorena nao poderia estar mais feliz. Seu filho cantando uma musica para ela? E desde quando Bruno dava para esse tipo de coisa? Leticia ainda olhava chocada para o irmão. Não sabia de nada dessa história. Lembrava dos outros dois ao lado deles, e a cada refrão cantando e sempre naquele tom harmonioso, começou a achar que estavam na carreira errada.

Tiago e Dennis também pararam para olhar o ser em questão. O alvo era ele. Com aquele sorriso faceiro, com certeza ganhava todas as mulheres que queria. Eles sabiam disso, não era muito difícil reconhecer aquela espécie. Os dois acabaram procurando por Aline, que estava ao lado de Dominique, quando não apontavam para o ser em questão, cochichavam. Entreolharam-se. Algo ali não ia dar certo.


- Acho melhor ficar com ela a noite toda. – Tiago olhou para o irmão – O tal ai não para de encarar Aline, aproveitando que está do lado da mãe dele.

- Já percebi.


Bruno ainda se sentia um pouco incomodado com aquela atenção toda em volta dele. Por mais ridículo que fosse, era ate engraçado. Não imaginava que faria isso tanto tempo depois. Lorena ficou tão empolgada, que acabou indo para frente do palco. Caio chamou a mãe e ela subiu e ficou ao lado dela. Ela tinha aqueles meninos em seu coração.


(...)


Assim que a musica terminou, Lorena agradeceu a todos pela presença. Fez um discurso breve, chamou seu sócio ao palco, e todos parabenizaram a sociedade com uma salva de palmas.


Dennis e Tiago não conseguiram fugir do pai. Ele chamou outro amigo deles e pediu para que os filhos estivessem presentes naquela conversa.


Lorena voltou com os meninos a tiracolo para aquela conversa. Aline engoliu em seco quando viu Caio olhando diretamente para ela. Sabia que aquela historia toda fedia. Aquela musica tinha sido para ela, isso sim.


- Bom, senhoras. Aqui estão meus lindos cantores. – todas riram.

- Quanto tempo meninas! – Álvaro chegou perto de Dominique e Aline – Parabens Nique.

- Obrigada.

- Voces duas estão lindas. – Sérgio comentou já se aproximando para cumprimentá-las – Quanto tempo mesmo!


Enquanto eles as entretinham, Bruno puxou Caio um momento para o canto.


- Só digo uma coisa, Caio. Vocês dois já fizeram muito mal um ao outro. Não inventa ideia.

- Eu não estou inventando nada. – Bruno o encarou ainda mais sério – Eu a amo cara.

- Ah pelo amor de Deus. – sussurrava para ninguém se atentar a conversa – Acha mesmo que eu acredito nis...

- Aline! – Caio saiu da conversa e chegou perto dela – Me concede a dança? – a roda toda parou. Bruno ficou furioso com a audácia dele, mas preferiu não armar nenhum escândalo. Olhou em volta procurando pelo namorado dela, quando o viu em outra conversa com o irmão.

- Oi Caio. – ele a olhava esperançoso. Olhou em volta e percebeu o consentimento de alguns e a acusação de outros. Preferiu não ter problemas iniciais – Ok.


Bruno chegou ao lado de Dominique e ela percebeu que ele queria matar o amigo. Álvaro e Sérgio saíram dali antes que as coisas piorassem.


Shiny and New – Mayer Hawthorne


Aline se arrependeu no momento que ele colocou a mão em sua cintura. Tinha que dar na própria cara por deixar a educação vencer primeiro que o bom senso. Ela sabia que poderia ter respondido do jeito que ele merecia, mas não, com todos aqueles olhares para ela, como recusaria assim? Colocou a mão dele mais pra cima, nas suas costas, e quando ele fez menção de descer mais um pouco o encarou furiosa.


- Só aceitei dançar com você, porque sou educada.

- E porque está curiosa em saber porque cantei nossa musica ainda agora, porque convidei você para a festa...

- Já sei de todas essas respostas, não preciso fazer perguntas sobre elas. – respondeu ferina e ele riu de novo.

- Adoro quando você está com raiva.

- E eu odeio essa sua audácia. Não disse que tinha mudado? – percebeu alguns olhares para os dois e se arrependia ainda mais.

- E eu mudei. – tentou puxá-la mais pra perto, sem sucesso – Eu não mordo.

- Mas eu sim. – ele sorriu sacana – Não é disso que estou falando. – deu um tapa em seu ombro, o que o fez ficar ainda mais radiante – Eu te odeio.

- E eu te amo. – fê-la encará-lo. Aline engoliu em seco. Não podia deixar aquilo continuar – Eu te amo demais. Esse tempo longe de você, te ver com outro cara, eu não suporto.

- Chegou tarde demais não? – olhou para o lado e percebeu que Dennis já estava indo na direção dos dois – Quando você me tinha, você não quis de fato. E olha que íamos casar.

- E podemos casar mesmo. – girou-a e a colocou mais pra perto dele.

- O que está acontecendo aqui? – Dennis chegou perto do casal, que parou imediatamente de dançar. Aline não sabia se estava tonta pela girada, pelo que Caio falou, se por Dennis ter chegado do nada....

- Só estamos dançando. – Caio comentou – Caio Matos.

- Eu sei bem quem você é. – Aline colocou a mão no peito de Dennis – E acho melhor ficar longe da minha mulher.

- Dennis... – olhou para o lado e poucas pessoas perceberam. Dennis sabia ser discreto.

- Olha, a festa é da minha mãe. E eu não quero escândalos. Não estamos fazendo nada demais, senão dançar.

- E eu digo que se você encostar nela de novo, você vai ver que não se precisa fazer escândalos, para acabar com tua raça. – Dennis estava furioso. Conter a emoção quando outro homem o encarava com o olhar, era o mesmo que conter um leão dentro de uma jaula que não dava pra se mexer. Perigoso.


Para não piorar a situação e de fato deixar as coisas mais chamativas do que já estavam se tornando, Aline puxou Dennis para perto de si, como que dançando. Ele entendeu, e a levou para o outro lado da pista de dança.


- Eu não acredito que você deixou esse cara dançar com você.

- Por favor, muda essa cara. – ela estava quase implorando – Meus pais estão aqui, não precisam saber de certas coisas.

- Desculpa. – ele tentou amenizar a raiva – Nem conheço esse cara e já tenho vontade de jogar ele pela janela.

- Eu sei. Eu sei. – Aline massageava a nuca dele e dava selinhos para que ele voltasse a sorrir – Cade aquele sorriso que sempre me encanta?

- Daqui a pouco ele volta. – puxou-a para mais perto de olhos fechados – Só continua o que está fazendo. – ela riu. Ele já tinha cedido.


(...)


Falling for you – Colbie Caillat


A uma certa altura da festa, a musica já tinha mudado de tom. Estavam todos sentados a mesa, depois de jantarem e conversavam amenidades. A tensão que tinha se instaurado há uma hora antes já tinha dissipado. Até Manoel estava sentado a mesa dialogando com todos, conversando com Felix e conhecendo um pouco mais os pais da nora.


Dominique conversava animadamente com Tereza sobre a gravidez e aquilo deixava Bruno feliz. Ela estava começando a mostrar que era uma grávida satisfeita com a vida. Enquanto ele se entretinha em conversa de trabalho com Tiago e Dennis, Leticia resolveu entrar no assunto com Tereza. Felix conversava com Aline sobre as viagens deles e sobre as aventuras na África.


- E você sabe como sua mãe é louca, não é?

- O que está falando de mim ai hein?

- Das suas manias. Das loucuras que você faz lá na África.

- Ah, contou para sua filha que você gastou uma fortuna consertando aquele piano velho?

- Claro que não. – percebeu pelo olhar de Aline que ela não queria se aprofundar no assunto, pelo menos não ali – Já que você estragou a surpresa. Quando você for lá, eu toco pra você.

- Sem pressa pai. – ela o abraçou – Que bom que guardou. Agora, me da licença, que vou ao banheiro.


Digitais – Isabella Taviani


Aquela noticia tinha pego Aline de surpresa. Não queria lembrar de nada relacionado aquele piano. E o pai dela sabia do que se tratava. Esqueceu até que queria ir ao banheiro, pegou uma taça de vinho com um garçom e saiu do salão de festas. Chegou a uma área mais aberta, um pouco vazia, e sentou em um banco livre.


- Pensei que não ia mesmo conseguir você sozinha nessa festa. – revirou os olhos quando percebeu que Caio estava ali.

- Me seguiu?

- Sim. – sentou ao lado dela – Eu disse que não ia desistir de você.

- Olha, eu não to com cabeça para conversar sobre isso.

- O que aconteceu? – Aline olhou para Caio e pensou em jogar aquele liquido nele. Seria legal, ele perderia tempo tentando se limpar, e ela poderia sair correndo atrás do namorado. Mas ele era o único que sabia da historia do pai, alem de Dominique e Bruno. Nem Leticia sabia daquela história.

- Meus pais. – olhou para ele – Lembra da história que te contei que vi meu pai traindo minha mãe?

- Ele não contou a ela?

- Não sei. – largou mais o corpo no banco – Eu não consigo olhar para os dois e não lembrar do que aconteceu. E se ela sabe, nunca me contou.

- Mas eles parecem ser tão felizes.

- Sim... – uma lágrima rolou em seus olhos – Mas não custava nada meu pai me dizer como ficou. Ele foge de mim... – limpou o rosto – E agora minha mãe me conta que ele restaurou o mesmo piano...

- Dando a entender que está lá te esperando pra tocar...

- É.

- E você nunca mais tocou. – ele sentenciou e ela começou a chorar – Chega aqui.


Não era bem daquele jeito que ele queria se aproximar dela. E vê-la com a mesma fragilidade de quando a deixou, fez algo acordar em sua mente. Se fosse para tê-la de volta, teria que ser sério. Não podia mais vacilar.


- Aproveita que eles estão aqui Aline. Conversa com ele. Ficar se remoendo com essa historia só vai te fazer pior.

- Eu sei. – limpou o rosto de novo – Nossa. Eu não posso voltar pra festa assim.

- Vem cá, eu te levo pelo outro lado, tem um banheiro ali atrás escondido.


Quando chegaram, Aline entrou primeiro para retocar a maquiagem. Limpou os olhos do jeito que deu e retocou o delineador. Colocou o blush no lugar de novo, quando Caio entrou no banheiro também.


- O que faz aqui? – ele pediu para que ela ficasse quieta. Quando outras pessoas passaram falando e o som sumiu de perto da porta, ele suspirou.

- A gente não podia estar aqui.

- Por que não me surpreendo? – virou novamente para o espelho – Obrigada por ouvir. Você é o único que sabe dessa historia...

- Não contou pro seu namorado?

- Ainda não tive tempo de conversar sobre meus problemas com ele, Caio. – olhou para ele pelo espelho.


Caio não resistiu. Apertou o corpo dela entre o dele e a pia. Aline largou logo a maquiagem que estava em sua mão dentro da pia, quando ele puxou seu rosto para trás pelo queixo, deixando seu pescoço pronto para um beijo. Foi tudo tão rápido, que Aline não conseguiu correr dele. Passou a outra mão pela sua cintura, subindo e descendo levemente. Ela arfou assim que chegou atrás de seu ouvido e deu um beijo terno logo ali.


Se Aline estivesse solteira, aquele teria sido o afago que ela mais precisaria para esquecer seus problemas. Caio a conhecia tão bem... Aproveitou seu momento de fragilidade para chegar mais perto da muralha que ela tinha imposto. Adicione o vinho ao pacote e ele já a estava virando de frente para ele. Colocou-a sentada na pia, com o vestido já na sua cintura e com todo cuidado para não desfazer o coque dela, puxou-a pela nuca para um beijo.

E burramente ela cedeu. Caio tinha sido o homem da vida dela por alguns anos. E ele sabia cada detalhe de seu corpo. Se estivesse sóbria, com certeza estaria ignorando cada toque, cada beijo... Mas precisava de algo familiar para tentar sumir com a dor. E era até estúpido imaginar que aquele que a causou mais dor, seria o que faria o efeito contrário naquele momento.


Os beijos eram cada vez mais incessantes. Não pediam por ar, nem por nada. Caio nem fez questão de tirar totalmente a roupa para tê-la. E ela o segurou, assim que percebeu que estava tão nervoso que ia rasgar sua calcinha.


- Não faz isso. – pediu olhando apenas para sua boca.

- Não da pra baixar. – falou já beijando seu pescoço – Pode deixar, não vou deixar nenhuma marca em você.

- Preciso ensinar o padre a rezar missa? – aquilo foi um desafio. Caio sentiu seu ego ferido. Claro que ele sabia como fazer as coisas. Aline estava ficando cada mais esperta do que ele imaginava.

- Vai demorar muito ai? – ouviram o batido na hora mais tensa – Tem gente precisando usar o banheiro.

- Esse é o banheiro feminino ou masculino? – ela olhou para Caio que estava mais frustrado do que poderia imaginar.

- Feminino.

- Então se esconde.

- Onde? – olharam para o banheiro e viram um armário sobressalente – Eu não vou ali.

- Tem alguém ai? – ouviram bater na porta novamente e Caio se afastou.

- Desculpa. Na vai demorar mais. – Aline se ajeitou e ele não teve outra alternativa a não ser se enfiar no armário. Olhou para o espelho, pegou suas coisas que estavam espalhadas pela pia e tentou ver se o cheiro dele ainda estava nela. Pegou um pouco do seu perfume, que tinha levado na bolsa, e jogou nos locais estratégicos.


Assim que abriu o banheiro viu duas mulheres paradas e esperando para que ela abrisse. Não pareciam sóbrias, e assim que Aline viu o vinho branco na mão de uma delas, puxou e jogou no vestido. Teria que ter uma desculpa para o perfume e para a demora.


- Obrigada.


Chegou a parte do salão de festas de novo e foi direto as mesas. Apenas Dominique e Leticia estavam sentadas conversando.


- Vem cá, o que você fez que demorou tanto assim? – Dominique logo inquiriu quando a viu apontando para o vestido.

- Estava tentando tirar o excesso do vinho que uma bêbada jogou em cima de mim.

- Sorte que foi branco. Não da pra perceber muito. E o cheiro do perfume.

- Pra aliviar o do vinho. – deu de ombros. Por mais que tivesse aflita com o ocorrido anteriormente, ainda não era algo que a matasse do coração. Então, disfarçar não foi tão difícil.


Os meninos voltaram a mesa e ela contou a mesma historia. Dennis perguntou se precisava de mais alguma coisa e todas elas pediram um pouco mais de vinho, e algumas coisas para beliscarem. O garçom parecia estar demorando muito. Quando os meninos levantaram, Aline olhou para um grupo em particular e Caio olhava para ela diretamente. O sorriso vitorioso no rosto era prova de que ele cumprira a promessa feita aquele dia na garagem, e ainda mais uma de que não desistiria fácil de ir ate o final.


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.