Digimon Story: Convergência

1 Capítulo Um: Prédio Abandonado.


Notas iniciais
Fala pessoal tudo certo? Cara estava com hiperfoco em Digimons esses tempos, e voltei a ver as primeiras temporadas e a nova e to curtindo mundo e também to jogando o Time Stranger e o Cyber Sleuth de onde juntei tudo o que gostei e criei essa alucinção aqui espero que gostem. Tenho três arcos prontos já com a ideia de ter no maximo cinco ou seis arcos.

Digimon Story — Convergência.

Arco I – Incidente de Diwa.

Capítulo Um: Prédio Abandonado.

O mundo mudou em silêncio.

Não houve explosão, nem invasão alienígena, tão pouco alguma praga bíblica, sequer algum vírus mortal ou qualquer outro tipo de apocalipse esperado e até mesmo estudado. Só teve... a interferência.

Primeiro veio a estática nos televisores. Depois, as linhas nas telas de celulares. Instabilidades nas frequências de rádio, redes de internet e linhas de energia. E então, criaturas compostas por dados atravessaram as telas, lâmpadas, painéis como se fossem uma simples porta.

Os primeiros encontros foram uma mistura de medo, curiosidade e encantamento de ambos os lados. Criaturas digitais surgiam confusas, fugiam, lutavam ou tentavam se comunicar com gestos simples. Humanos responderam com protocolos, contenções e transmissão ao vivo no mesmo ritmo. Mas, entre o caos que os encontros geravam, um padrão apareceu: a maioria deles não queria dominar nada — só entender onde estavam. E assim, pouco a pouco, por necessidade mútua mais do que por confiança, formou-se uma convivência improvisada. Imperfeita, frágil e sustentável.

Hoje, cerca de dezessete anos depois, sabemos que as criaturas se denominam como digimons. E eles caminham ao lado das pessoas, bebem refrigerantes e até frequentam bares nas esquinas, ajudam com trabalhos específicos, montam guarda em hospitais — e às vezes precisam ser contidos por equipes especializadas.

Crianças brincam com seus parceiros como se fossem animais de estimação exóticos, adultos pedem licença para usar um Gabumon em trabalhos de busca. E, no entanto, ninguém entende o que realmente são.

Por que vieram?

De onde surgem seus ovos?

Por que escolhem alguns humanos...

...e ignoram tantos outros?

E, talvez a principal pergunta...

Por que alguns desaparecem nas telas, como se nunca tivessem existido?

(...)

Era manhã quando um jovem magro, de cabelos castanho escuro e bagunçados, atravessava a catraca da estação em direção ao colégio. Este era Ren Ayase, 15 anos.

Ao seu redor, estudantes conversavam animadamente, acompanhados por pequenas criaturas. Formadas por dados puro — olhos brilhantes, escamas, asas, chifres, flores. Digimons.

Uma Lunamon saltitava nos braços de sua parceira.

Um Terriermon bocejava no ombro de um garoto sonolento.

Ren caminhava sozinho. A mochila pesava nas costas. Os passos eram curtos. Seus olhos cor de âmbar observando tudo ao redor se mantendo sempre em alerta.

Ele não se sentia desconfortável por estar sem um Digimon — estava acostumado. Afinal, nem todos são escolhidos para serem parceiros. Mas uma coisa era perceptível o mundo adorava o lembrar disso a cada esquina, como se ele fosse uma coisa incomum, ao que de fato não era.

— Ei, Ren! — alguém chamou.

Focou a atenção no chamado e viu um garoto de aparecia comum, cabelos negros com o corte padrão curto, óculos de grau e um entusiasmo inconfundível, era o amigo Kaito correndo em sua direção, acenando com exagero, quase derrapando.

— Cara! Você viu? — A animação era visível — A B.R.A.N.C.H atualizou o protocolo de risco de Itsuhama! Disseram que apareceu um... uh... tipo cadê o teu sorriso de “cara minha cidade vai ser destruída”?

— Não tenho empolgação para isso — Ren respondeu, com um meio sorriso.

— Chato. —Kaito deu de ombros. — Bom, bora?

Ren assentiu e seguiu com o amigo, enquanto observava a movimentação das pessoas ao redor. O protocolo de risco em Itsuhama vivia mudando, a cidade era uma das mais afetadas do Japão por anomalias envolvendo Digimons, ficando atrás apenas de Osaka, Shinjuku e Toquio.

Era algo tão comum que ao olhar ao redor pode ver crianças sorridentes correndo atrás de um Patamon. Um Guilmon tentando comer o poste do semáforo de pedestres. Pessoas indo e vindo vivendo sua vida normalmente.

“Viver... normalmente.”

Pensou enquanto passava pelo portão do colégio. Será que um dia ele voltaria a viver normalmente, com as duvidas e angustias passadas. Deixou os pensamentos de lado ao passar pela porta do prédio principal.

Durantes as primeiras horas de aula seus olhos não focavam nas fórmulas, vagavam entre um interesse fingido na lousa, busca por algo interessante pela janela e a tela do smartphone, escondido entre o livro e o caderno. Estava logado em um fórum e se deparou com um post recente.

【ANOMALY TRACKERS – Fórum Público】

r/InterferenciasUrbanas • Post #3381

Título: [URGENTE] Luzes estranhas na Zona Norte

u/ByteCrush

— “O prédio velho acendeu sozinho.

— Tem cabo tremendo como se tivesse vivo.”

u/DigiSensei

— “Confirmo frequência… instável.”

u/GhostReceiver23

— “Sons de Digimon. Algo grande.”

📌 Área investigada: 2 km de distância

Ren apertou o tecido da camisa. Se fosse só curiosidade, ele já teria largado essa vida. Mas não era.

Em seu peito, ainda gritava o fantasma da irmã: Miyu.

A menina sorridente que adorava tirar fotos com Digimons amigáveis... até ser devorada pela estática gerada por uma travessia mal sucedida. A memória vinha em fragmentos, pixels saindo como neve caindo no inverno, do painel de led de uma placa digital de uma barraca de sorvete que ficava no parque onde os irmãos costumavam brincar. O rosto dela se desfazendo como se tivesse desintegrando, suas mãos tentando alcança-la e atravessando o vazio.

— Ayase? — o professor chamou.

Ren levantou-se em um salto quase por impulso.

— Sim, professor.

— Último aviso. Guarde o celular.

— Desculpe — ele murmurou se sentando e colocando o smartphone debaixo da mesa.

O restante das aulas seguiu como o de costumo, mas uma coisa não saia da cabeça de Ren e nem da tela do celular que atualizava o fórum a cada cinco minutos. Até que o sinal tocou.

(...)

O vento estava frio quando o garoto dobrou a esquina em direção ao prédio abandonado. Não contou para o amigo, ele nunca levava ninguém. Sabia que não deveria estar ali, e que se fosse algo de risco logo a B.R.A.N.C.H mandaria um grupo de seus agentes para resolver. Mas não se permitiria não estar ali.

A estrutura da antiga provedora ficava num beco entre dois prédios novos. Chapas de ferro cobriam as portas, precisava entrar por outro lugar, o que não foi difícil de achar, haviam varias janelas quebradas ou trincadas. Num piscar de olhos já tinha se espremido por uma e entrado no lugar.

— ... Ok — respirou fundo. — Vamos lá!

O ar cheirava a poeira... e algo metálico. Cada passo fazia eco no corredor silencioso. As lâmpadas piscavam freneticamente. Paredes carregavam manchas de estática — linhas digitais correndo como veias bioluminescentes.

Se aproximando com cuidado de uma das paredes que tinham o maior padrão de manchas, Ren tocou-a com as pontas do dedo, algo que fez o padrão distorcer e um pulso de energia correr pelas linhas vindo a partir do ponto de contato.

— Meu deus...

A realidade pareceu ficar instável ali. Portas vibravam como hologramas. O chão mostrava falhas, como se estivesse sendo recalculado e processado por alguma força invisível. E então o som veio.

Ploc...ploc... ploc...

Eram passos leves, mas estavam correndo. Poderia seu uma animal pequeno... um gato talvez? Bom, não tinha certeza do que era, mas sabia que pelo som que fazia estava fugindo...

Ren seguiu o som virando um corredor, uma pequena criatura saltou em sua direção — era verde, bulboso, com folhas como antenas. Olhos grandes e brilhantes.

— E-ei! Calma! — Ren ergueu as mãos.

Era uma Tanemon, já visto um deles em algum lugar ou pelo menos era o que imaginava, não parecia ser agressiva, mas claramente estava apavorada. Ela que tinha dado um encontram com as canelas de Ren, saltou para atrás de si como se o usasse como escudo.

— O que está acontecendo?

A resposta veio como um ruído ensurdecedor.

SKRKRKRKRK—

O chão tremeu. As paredes do corredor afundaram para dentro, como se fosse engolida por dados. E dela saiu... um vulto.

Um Digimon corrompido, com uma forma instável, olhos vazios. Algo entre um Hagurumon e Keramon — mas distorcido, com partes faltando, movendo-se como se fosse um glitch de videogame.

Ren engoliu seco.

— Não... Não pode ser real.

Então ele ouviu uma voz gritar vinda de trás dele com autoridade e urgência.

— SAIA DA FRENTE.

O garoto se virou num salto. Pode ver que a voz pertencia a uma garota, cabelos longos preto-violeta. Olhos verdes frios. E transmitia uma calma irritante, observava a criatura como quem olha para um adversário num ringue.

— Quem...

— Não atrapalha — ela disse, o cortando.

Tanemon correu até ela, tremendo. A garota tocou a cabeça do Digimon e fez um pequeno afago.

— Aguente firme.

Ren percebeu o dispositivo na mão dela — não era um Digivice comum. Era uma mistura de máquina analítica com scanner.

— Você também está investigando? — perguntou, vendo que a criatura continua absorvendo as estruturas da parede por onde passará.

— Estou tentando resolver.

— Mas aquela coisa é um Digimon instável! A gente precisa...

O grito do monstro cortou sua fala, finalmente tinham sido percebidos pela criatura que avançou contra eles.

— CORRE!

Ren puxou a garota, que tropeçou nos próprios pés, ao ter sido pega desprevenida, porém por centímetros o golpe de braço atingiu o chão com tamanha força que o fez rachar.

— Eu disse para não atrapalhar — ela rosnou, pousando a mão sobre o pequeno monitor do dispositivo que carregava. — Tanemon!

Tanemon pulou para frente, seu corpo começou a brilhar.

— Tanemon! Digievol...

O corrompido mirou um ataque de energia sobre a pequena Digimon que parou de brilhar sendo arremessada para trás contra uma parede, caindo debruço em seguida.

— Droga... — a garota estalou a língua. — É mais forte do que pensei.

O Tanemon no chão o Digimon soltou mais um rugido e avançou contra a garota.

Ren, por instinto, ficou na frente da garota. No instante seguinte o ar distorceu, o chão pareceu sumir. E o garoto viu — por um segundo — um rosto feminino, de uma menininha que não parecia ter mais que seis anos, cabelos comprido presos em duas marias chiquinhas, uma expressão assustada, era Miyu em meio aos glitch.

— Não... — seu corpo tremeu, iria morrer vendo o rosto da irmã. As lagrimas começaram a correr sem que percebesse, a dor na garganta queimou, começou a investigar e invadir estes lugares de anomalias justamente para tentar descobrir o que teria acontecido com a irmã e agora seria destruído sem nem ao menos ter encontrado qualquer coisa.

Mas antes do impacto o atingir de fato uma pena vermelha surgiu a sua frente defendendo o golpe gerando uma onda de choque que fez tanto Ren como o Digimon corrompido se afastarem. Da pena uma luz vermelha como se fervesse quente e suave e da pena surgiu um Digimon que lembrava um grande gavião, penas vermelhas cobriam a maior parte do corpo, garras afiadas em suas mãos e pés, olhos azuis intensos e avaliadores, uma cinta no topo da cabeça segurava uma pena vermelha com a ponta amarela, parecia um símbolo ou algo assim.

— Você... parece tão triste. — A criatura inclinou a cabeça, ainda entre Ren e o golpe que acabara de deter.

Por alguns segundos, Ren esqueceu o monstro. Esqueceu a garota atrás dele. Esqueceu até o medo. A ave vermelha não parecia uma aparição causada pela distorção. Seus contornos eram firmes demais, os dados ao redor dela se organizavam em vez de se desfazer.

— Você é... um Hawkmon?

O Digimon olhou para as próprias asas, como se confirmasse a informação por educação, e então tornou a encará-lo.

— Este é o nome pelo qual me reconheço. — Sua voz era jovial, mas havia nela uma formalidade quase deslocada. — E você seria o Ren Ayase.

O sangue gelou nas veias do garoto.

— Como sabe meu nome?

Hawkmon abriu o bico para responder.

SKRRAAAAK—!

O Digimon corrompido não lhes concedeu tempo. Seu corpo se partiu em três imagens sobrepostas e, no instante seguinte, reapareceu alguns metros adiante. A engrenagem que formava parte de seu rosto girou fora do próprio eixo. Um dos braços, comprido demais para o corpo, arrastou pelo chão e deixou para trás quadrados negros de realidade ausente.

— Depois. — Hawkmon abriu as asas e tomou posição. — Ren-dono, por favor, recue.

— “Ren-dono”?

— Recuar primeiro. Questionar o tratamento depois.

A criatura investiu.

Hawkmon saltou. O braço do corrompido passou sob suas garras e esmagou a parede onde ele estivera. Concreto e pixels explodiram juntos. Antes de tocar o chão, Hawkmon girou o corpo e lançou uma rajada de penas incandescentes.

— Penas de Fogo!

As penas atingiram o torso do inimigo em sequência. Por um momento pareceu funcionar. A massa negra se abriu em rasgos avermelhados, engrenagens saltaram para fora e o corpo inteiro vacilou.

Então os rasgos voltaram para seus lugares.

Não cicatrizaram. Simplesmente retrocederam, como uma gravação reproduzida ao contrário.

— Ele está restaurando os próprios dados! — Ren percebeu.

A garota de cabelos preto-violeta continuava junto de Tanemon, os olhos presos ao visor do aparelho.

— Não. — Ela moveu dois dedos pela tela. — Está se alimentando das informações do prédio. Cabos, servidores, até a rede elétrica. Tudo aqui virou reserva de dados.

— Então como a gente para isso?

— Cortando a alimentação antes que ele nos corte.

Hawkmon mergulhou novamente. O corrompido oscilou para a esquerda, desapareceu em uma falha horizontal e surgiu às costas dele. O golpe veio de um ângulo impossível.

— Hawkmon, atrás!

A ave torceu o corpo no ar por puro reflexo. A garra do inimigo raspou sua lateral e arrancou penas vermelhas que se dissolveram antes de tocar o chão.

Hawkmon pousou mal, derrapando.

— Sua percepção é excelente, Ren-dono.

— Não é hora pra isso!

— Discordo. Reconhecer méritos em combate fortalece o espírito.

— Isso é realmente importante neste momento?!

— Para mim, sim.

Apesar do terror, um riso nervoso escapou de Ren. Durou menos de um segundo.

O corrompido abriu a boca. Não havia língua, dentes ou garganta. Só um poço negro percorrido por símbolos quebrados. O corredor inteiro começou a chiar. As lâmpadas apagaram uma a uma.

— Ren! — a garota gritou pela primeira vez sem frieza. — Sai daí!

Uma descarga irregular atravessou o corredor. Hawkmon bateu as asas e lançou o próprio corpo contra Ren. Os dois rolaram para o lado quando o feixe passou, dissolvendo parte do piso. Onde antes havia concreto, restou um vazio quadriculado que mostrava outra sala do edifício como se as duas ocupassem o mesmo espaço.

Ren bateu o ombro no chão. Quando ergueu a cabeça, Hawkmon estava diante dele outra vez.

Pequeno.

Ofegante.

E ainda assim não recuava.

— Você nem me conhece, por que faria isso? — Ren disse, quase sem perceber que falava em voz alta.

Hawkmon manteve os olhos no adversário.

— É o certo a se fazer.

— O quê?

— Quando me dei conta de que estava neste mundo, havia medo por toda a parte. Medo suficiente para me despedaçar antes mesmo de vir a existir por completo. — Ele abriu uma asa, protegendo Ren. — Mas, no centro dele, havia um ser que mesmo com medo não recuava.

O corrompido avançou entre estalos digitais.

— A vontade de proteger alguém.

Hawkmon lançou-se de encontro ao golpe. Desta vez não houve elegância. Seria suas garras contra o metal. Asa contra cabo. O inimigo piscava de posição em posição, e Hawkmon o perseguia por instinto, tentando manter seu corpo sempre entre a criatura e os dois adolescentes. Cada impacto o empurrava um pouco mais para trás.

Ren cerrou os punhos. Não podia ficar só olhando precisava pensar em algo. Então começou a observar cada ação, cada mínimo detalhe de movimento que o corrompido pudesse fazer para tentar encontra o menor padrão que pudesse existir.

— Ele desaparece antes de atacar... — murmurou. — Não. Ele não desaparece. Ele repete o movimento.

A garota ergueu os olhos do scanner.

— O quê?

— O glitch. Olha o ombro direito. Antes de mudar de posição, aquela engrenagem trava.

Ela observou por dois ciclos.

— Três décimos de segundo.

— Dá para usar?

— Para alguém rápido o bastante.

Hawkmon ouviu.

— Considerarei isso um desafio. — Sua voz saiu com um tom encorajador.

— Hawkmon! Quando a engrenagem travar, não segue a imagem. Ataca onde ele estava! — orientava Ren.

O Digimon corrompido avançou novamente. A engrenagem do ombro direito parou. Um estalo foi ouvido. Duas imagens falsas surgiram.

Hawkmon fechou os olhos por um instante e golpeou o espaço vazio entre elas.

— Penas de Fogo!

A rajada atravessou o ponto exato onde o corpo real reapareceu. O impacto arrancou a placa frontal da criatura. Sob o metal havia um aglomerado de cabos pulsando em torno de um núcleo instável, vermelho e preto.

— Núcleo tá exposto! — a garota anunciou.

— Mais uma vez! — Ren gritou.

Enquanto Hawkmon preparava o próximo ataque, o corrompido com um grunhido de raiva, alongou seus braços num borrão e atingiu o pequeno Digimon gavião o fazendo voar pelo corredor, parando apenas quando bateu contra uma pilastra. A Luz em torno de seu corpo oscilou.

— HAWKMON!

Continua...

Próximo capitulo: Tela Estática.

Notas finais
E é isso até a proximo pessoal! Capitulos de dois em dois dias!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.