Digimon: O Limiar de um novo mundo!
34 Capítulo 33 – Duas Ofertas e Um Roubo
—Olá, pessoinhas! –Disse um digimon de branco com enormes orelhas –Meu nome é Terriermon e serei seu novo apresentador –A plateia ficou confusa, mas apaixonada pela fofura do pequenino apresentador.

—Calma, calma, pessoal, é só uma brincadeira –Falou João subindo ao palco –Esse pequenino é um fã meu do digimundo, ele mandou uma carta pelo correio Pyomon e resolvi realizar seu sonho de ser o apresentador por um dia.
—Eu amo vocês, plateia! –Ele disse arrancando suspiros de todos.
—Kyaaa! Ele é tão fofo! –Gritou Taki abraçando e puxando as orelhas do digimon convidado.
—Até que enfim fez algo altruísta –Desdenhou o Diretor.
—Diretor, eu fiz esse desenho pra você –Terriermon entregou um desenho de palitinhos do Diretor com o Genai e vários corações –Eu shippo vocês dois! Super torço por sua felicidade.
—Pelos deuses, como uma criaturinha pode ser tão fofa? –O Diretor deixou o profissionalismo de lado e abraçou o digimon.
João sorria como todos, mas percebeu que o programa estava perdendo o foco.
—Ótimo, mas vamos voltar ao programa que...
—A batalha pelas quatro chaves continua! –Disse Terriermon saltando abrindo as orelhas e planando frente as câmeras –Mas nesse capítulo veremos a relação com outros personagens, como Pedro, o pai do Bucky.
—Como você sabe disso? –Perguntou João mais chocado por ele saber daquilo do que pela petulância de roubar sua fala.
—Tenho meus informantes –Ele respondeu sorrindo docemente. João fez uma cara desconfiada, mas acabou dando de ombros e resolveu anunciar o capítulo, só que o convidado foi mais rápido –Com vocês, o capítulo 33! Divirtam-se, pessoinhas! –Terriermon fez um coração com as mãos e deu uma piscadela arrancando gritinhos da plateia.
—Ele é tão fofo!
—Sinto vontade de leva-lo pra casa!
—Terriermon, nós te amamos!
João ficou sem palavras e o capítulo começou.
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Enquanto os digiescolhidos travavam perigosas batalhas, o líder da antiga geração estava sentado na beira de um lago ao lado de sua esposa com a parceira dela, Floramon.
—Você esta bem, Pedro? Pensando no seu pai?
—Dessa vez não, estou preocupado com o Bucky e a Pink.
—Eles são fortes, vão ficar bem –Comentou Floramon.
—É que eu preferia o modo tradicional dos digiescolhidos, ficaria mais calmo sabendo que eles tem parceiros digimons para protege-los –Admitiu.
—Pelo menos a Pink tem o Hawkmon –Confortou sua esposa.
—Ainda bem, Ster. Fico menos preocupado com nossa garota, além disso ela é mais centrada, já o Bucky...
Nem Ster e nem Floramon tiveram como defender o pequeno garoto imperativo com mania de grandeza.
—Espere aqui, querido, nós vamos comprar sorvetes e voltamos já –Ster arrumou um jeito de fugir do assunto, claro que também estava preocupada com seus filhos, mas não queria que aquela tarde no parque fosse deprimente. Ela correu sendo seguida por Floramon.
De início Pedro não estava pensando em seu pai, mas era como se seus pensamentos fossem rios que sempre desaguavam no imenso mar que era o digiescolhido lendário, o falecido João. Seu pai tinha sido muito ausente em sua infância, sempre obcecado com suas pesquisas, já sua mãe, apesar de carinhosa, vivia fazendo orações que segundo ela, mantinham a dimensão dos demônios selada. Pedro se deitou na grama.
—É triste dizer isso, mas tive péssimos pais...
E ele? Pedro era um bom pai? Seus filhos estavam lutando arriscando suas vidas no digimundo.
—Se ao menos o Wizardmon estivesse aqui...
Na geração passada, a maioria dos digiescolhidos ganharam parceiros digimons recém nascidos, mas com Pedro foi diferente, ele herdou o digimon do pai, Wizardmon, era antigo e sábio, tinha um ar meio assustador. Por algum motivo sua mãe nunca gostara do feiticeiro.
—Pedro, me prometa uma coisa, nunca confie no Wizardmon...
Pedro nunca cumpriu aquela promessa. Como ele poderia lutar ao lado do Wizardmon sem confiar nele? Pedro não se arrependia de ter dado tal confiança, pois foi graças à isso que conseguiu salvar os mundos fazendo seu parceiro digivolver para a forma seguinte.
—Mas no final, ele era mais fiel ao meu pai. Desde o dia em que ele morreu o Wizardmon desapareceu. Então ele não ligava pra mim, só me protegia por ordens do meu velho.
Como em resposta aos seus anseios, o dia ficou nublado, as ondas do lago pararam, a camada d’água parecia um espelho. Como um fantasma ele surgiu, Wizardmon emergiu das trevas e o coração de Pedro encheu-se de amor.
—Wizardmon! –Ele correu e abraçou seu parceiro –Senti tanto sua falta, onde você estava?
—Estou cumprindo o último desejo do seu pai.
—Qual? –Ele não respondeu.
—Você esta bem? Parece preocupado.
—O Bucky e a Pink estão no digimundo.
—Não se preocupe com eles, tenho certeza que ficarão bem. Esses digiescolhidos são diferentes, eles... Tem algo que nossa geração não tinha.
—O quê?
Essa foi mais uma pergunta sem resposta. Eles sentaram na grama.
—Você voltou de vez?
—Na verdade só vim pegar uma coisa...
Na sede da União...
—Não entendi o motivo desse convite repentino para um chá –Comentou Alice enchendo sua xícara na sala do Dead.
—Eu queria pedir sua opinião.
—Não lembro de nenhuma vez que minha opinião tenha sido importante para você.
—Não seja tão ríspida, velha! Não tenho nada contra você, só nunca falamos muito por que você era braço direito da Linx e sabe que tínhamos uma rixa.
Mencionar o nome da falecida líder da equipe vermelha gerou um silêncio incomodo, até a velhinha o quebrar.
—Afinal, opinião sobre o quê, você quer?
—O que acha do novo líder da equipe vermelha? Achei muito estranho o Azulongmon nomear esse Grell Sutcliff tão rápido.
—Ele o nomeou no mesmo dia do Live.
—Mas o Live é meu filho e... Ele é super capacitado.
—Ele é obcecado por um florista com o nome de uma deusa grega, ficou internado num manicômio por anos e tem uma personalidade perigosamente instável –Disse Alice tomando seu chá.
—Mas ele é meu filho e... Não usa aqueles saltos vermelhos bico fino que fazem “plac!plac!” por onde anda.
—Então isso é só uma implicação com a sexualidade dele?
—Claro que não! Meu filho é gay, odeio os homossexuais e heterossexuais igualmente –Disse Dead dando de ombros –Mas eu não sabia que esse Grell e o João eram tão próximos e não gosto de todo o interesse que ele e aquela secretaria, Letícia, demonstram pelos digiescolhidos.
—Você... –Alice olhou para os lados como se mais alguém pudesse ouvi-los naquele escritório –Acha que eles podem ser traidores? Tipo... Trabalhar para o Slash?
—Não descarto nenhuma possibilidade, afinal, nenhum dos dois veio ajudar quando a sede da União estava sendo destruída.
—E porque minha opinião é tão importante?
—Por que você é irmã dele –Respondeu Dead com grande respeito ao se referir ao falecido João. Alice suspirou e encarou seu chá.
—Meu irmão continua sendo respeitado mesmo depois de morto, mesmo sendo um maluco de pedra, conseguia despertar admiração em todos.
—Sinto muito por sua perda...
Na varanda de uma casinha no campo, Live tomava chá com Afrodite, enquanto seu coração estava sendo alfinetado por vários sentimentos.
—Esse chá é horrível! –Ele desdenhou, mas Afrodite só fez sorrir –Pelos deuses você é tão bonito.
—Obrigado, Live. À que devo sua visita?
—Eu não posso mais visita-lo sem motivo?
—Claro que pode, ainda somos amigos.
—Amigos? –Live respirou fundo, mas não conseguiu conter as lágrimas e chorou –Depois de tudo que passamos juntos, você não me ama!
—Live, por favor, para com isso.
—Ok –Ele disse parando na mesma hora, enxugando as lágrimas e falando normalmente –Vim lhe contar que fui nomeado líder da equipe dourada da União.
—Que fantástico! Parabéns! –Afrodite se levantou e o abraçou. Live corou, sentir o cheiro de seu ex namorado o fez quase se embriagar de desejo –Como anda o trabalho?
—Nós temos que vigiar a abertura de novas fendas e portais, temos que garantir que nenhum agente de Slash, ou algum digimon confuso, atravesse e cause problemas. Ah! Lembrei de algo, a Miwa se tornou uma digiescolhida!
—A pequena sapatão? –Perguntou Afrodite e Live a olhou confuso –Vai me dizer que nunca percebeu a sexualidade dela? Seu gaydar nasceu quebrado. Falando em gays, como vão meus pupilos?
—O Hacko e o Hayaki foram os primeiros a retornarem de uma missão importantíssima.
—Não esperava menos deles –Afrodite sorriu orgulhosamente.
—Quando você sorrir assim, aquece meu coração.
Afrodite olhou para seu ex e suspirou, para namorar com o Live tinha que ter muita paciência, ele passava do amor ao ódio em segundos, mas pra falar a verdade, sentia falta dele.
—Tenho ficado um pouco entediado na floricultura e... –Live se inclinou e beijou a boca do florista que se afasta surpreso.
—Me desculpe, eu sempre me descontrolo perto de você, Afrodite.
—Quer saber? Acho que estou precisando de um pouco que descontrole em minha vida.
—Você esta dizendo que...
Afrodite o agarrou, o beijo foi faminto, energizado pela saudade. Live sentiu seu coração mergulhar num mar de amor. Eles se levantaram se agarrando, do nada Live sentiu raiva, ficou violento.
—Você é um vadio manipulador! –E rasgou a camiseta de Afrodite que não se surpreendeu. Live empurrou tudo pra fora da mesa e jogou o sobre ela lambendo seu mamilos, o florista gemeu e apertou os cabelos dele. Live subiu e o beijou docemente –Eu te amo.
Suas mãos deslizaram pelas costas dele e puxaram suas calças com peças intimas e tudo pra baixo, deixando Afrodite nu sobre a mesa. As mudanças de humor na maioria das vezes irritava o florista, mas noutras eram incrivelmente excitantes. Naquele momento era o segundo caso. Afrodite envolveu as pernas no corpo de Live e o beijou pressionando sua ereção contra a dele. Live tirou a camisa revelando as várias cicatrizes e marcas de agulhas, mas não se envergonhou, pois o outro já tinha as visto inúmeras vezes. Logo também estava nu, os beijos ficaram mais intensos, seus corpos se encaixaram e Afrodite gemeu alto.
Live o olhava com ternura, dali à pouco o xingava e batia em sua cara, e Afrodite adorava. Finalmente percebeu o quanto sentia falta das mudanças de humor dele. A mesa resistiu seu peso, mesmo com as violentas investidas e metidas que o Live dava. Eles mudaram a posição, Live o agarrando por trás beijando seu pescoço, puxando seus cabelos, apertando sua cintura.
Quando chegaram ao ápice, uma explosão branca de prazer, seus corpos ficaram exaustos, eles deixaram a bagunça de lado e se deitaram nus no jardim. Depois do sexo era um dos poucos momentos em que o humor do Live ficava estável.
—Me desculpe, Afrodite. Eu me descontrolei.
—Não se desculpe, foi maravilhoso –Confessou descansando a cabeça no peitoral dele –Sabe, Live, acho que... Posso te dar mais uma chance... Se você ainda estiver interessado.
—Você esta dizendo...
—Quer voltar a namorar comigo? –A resposta ficou estampada no enorme sorriso de Live e em seus olhos lacrimejados.
—Sim! Sim! Sim! –Ele o beijou apaixonadamente –Na verdade eu tinha vindo aqui te fazer uma proposta também.
—Qual?
—Agora que a Miwa se tornou uma digiescolhida, preciso de alguém para ser meu assistente pessoal e não é todo mundo que sabe lidar com minhas mudanças de humor.
—Você esta me convidando para fazer parte da União?
—É, estou.
—Mas e minha floricultura?
—Você pode contratar alguém para tomar de conta, acredite, o salário da União vai te permitir isso.
—Ganhar muito dinheiro e ainda ficar ao lado do meu namorado o dia todo? Acho que já sabe minha resposta –Afrodite o beijou, e logo estavam acesos para um segundo round no jardim.
Em outro lugar florido, no parque sentado na beira do lago, Pedro ainda espera Ster e Floramon retornarem com sorvete, mas como agora estava na companhia de Wizardmon, não se sentia solitário.
—O que foi que você veio buscar? –Perguntou e teve em resposta um longo minuto em silêncio. Seu parceiro voltara cheio de mistérios, esquivando-se das perguntas e ainda ostentava um ar de tristeza e melancolia, talvez ainda sofresse muito pela perda do João.
Wizardmon se pôs de pé e se afastou, Pedro o seguiu.
—O que esta havendo com você, Wizardmon?
—Me desculpe, Pedro, mas você não vai gostar do que vim buscar.
—O que?
No instante seguinte Wizardmon partiu pra cima de Pedro que leva um susto, ao sentir um das mãos do feiticeiro tapar sua boca e a outra cortar sua pele com a lâmina gélida de uma adaga. Pedro viu tudo vermelho, tentou recuar, mas seu parceiro o derrubou se debruçando sobre ele, tapando sua boca abafando seus gritos, enquanto cortava sua pele. O homem sentiu como se estivesse sendo estripado, depois de feita a abertura que ia da lateral de seu corpo ao centro da caixa torácica, Wizardmon simplesmente enfiou a mão ali.
Ster e Floramon vinham caminhando calmamente quando avistaram aquele ser assustador debruçado sobre o Pedro.
—Pedro! –Gritou Ster. Quando elas se aproximaram, Wizardmon se afastou, mas já tinha o que veio buscar em suas mãos. Pedro gritou de dor, Ster o socorreu e Floramon se pôs entre eles e o feiticeiro.
—O que você fez, Wizardmon?! –Gritou a digimon planta.
—Desculpem-me, mas tenho que ir –Ele desapareceu nas trevas.
—Pedro, meu amor! O que ele fez com você?
—Ele... Aaaaaa! –Pedro estava prestes a desmaiar de tanta dor –Ele arrancou uma das minhas costelas...
Continua...
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—Oh my Homeostase! Que capítulo foi esse? –Perguntou João –Na verdade pensei que fosse ser um “filer”, mas...
—Nos mostrou como estavam os outros personagens –Se intrometeu Terriermon –A parte de Live e Afrodite fazendo safadeza me deixou com vergoinha –Ele tapou o rosto timidamente com as orelhas e a plateia foi à loucura com tanta fofura. João revirou os olhos.
—E a parte de Wizardmon...
—Quem diria que ele atacaria o próprio parceiro? –Interrompeu Terriermon novamente –As traições costumam vir de onde menos esperamos –João farejou o ar sentindo cheiro de tramoia.
—Gente, vamos dar tchauzinho para o Terriermon –“oooohhh” fez a plateia decepcionada.
—Eu queria ficar mais um pouquinho! –Protestou o digimon como uma criança pequena.
—Deixem ele ficar! Nós amamos o Terriermon! Ele é muito fofo!
—Não vejo problema nenhum nele ficar só mais um programa –Disse o diretor dando de ombros.
—Mas...
—Kissus no coraçãozinho e até o próximo programa! –Anunciou Terriermon.
—Essa fala é minha! E o certo é Kissus no heart! –Protestou João e a transmissão é encerrada.
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