Digimon Invocação

4 Episódio 03: O certo a se fazer


Notas iniciais
Você sabe identificar a coisa certa a se fazer em cada situação da sua vida? Tem a capacidade de escolher o certo e fazê-lo? —--- Desculpem-me pela falha de postagem ontem... Mas, havia instabilidade no portal (ao menos toda vez que eu entrava caia e não era minha conexão).

— Hora da lição, nerd idiota! -

Sempre foi ameaçado e muitas vezes levava uma meia dúzia de golpes após as ameaças, mas aquela era a primeira vez que seriam dezenas de golpes antes que pudesse respirar para sentir as dores da primeira meia dúzia.

Eram dois garotos de, pelo menos, um e oitenta de altura cada um, com músculos já trabalhados para a idade e olhares que diziam que esperavam por aquilo a algum tempo. Segurado pelos braços por um deles via o outro preparar-se.

O soco foi mais rápido do que esperava, geralmente caçoavam dele por mais tempo. Não fechou os olhos tentando demonstrar alguma coragem e pode ver o braço de seu agressor ser detido no meio do caminho, a ponto de surpreender quem segurava-o. Não se fez de rogado, sacolejou-se como pode para libertar-se e afastar-se de seus agressores, mas não a ponto de fugir. Não era covarde a este ponto.

— Benjamin? — Um dos agressores parecia não acreditar no que havia visto. — Falaram tão bem de você, caipira, que achei que fosse dos nossos! -

Era uma situação inusitada. A dupla que surraria o menor era do time futsal da escola. Mas, Benjamin viu e não deixaria isso acontecer. Olhou-os nos olhos sem desviar enquanto os dois faziam o mesmo. Cerrou os punhos ao sentir a aproximação da dupla.

— Eiei! — Um rapaz de cabelos castanhos, tão atlético quanto a dupla, surgiu. — É comitê de boas vindas para Benjamin? Espero que sim! Já mandei não perturbarem os calouros! -

Digimon Invocação — Rituais
Arco 01: Pactos
Episódio 0
3: O certo a se fazer

— Deixa eu pensar. — Benjamin dizia sentado em uma cadeira olhando algumas folhas de papel. — Sou Guarda Florestal e Guia Local, então devo ter alguma habilidade de rastreador, certo? Posso usar isso? -

Uma agitação entre o pequeno grupo de seis pessoas ocorreu demonstrando animação e surpresa. Um estendeu-lhe o dado confirmando que era possível o que havia sido proposto. Benjamin joga o dado e tira um seis causando outra agitação no grupo.

— Como é que pode? Ele só tira seis! — Diz um deles. — Dá um dado de mais lados para ele, por favor! -

— Vamos continuar! — Diz o mesmo garoto que Benjamin havia protegido do time de futsal mais cedo. — O Guarda Florestal, Jam, identifica o rastro a seguir em meio a mata e após algum tempo de caminhada vocês chegam a uma clareira que está deserta, mas encontram algo estranho. -

Uma revista foi aberta e um desenho de círculo formado por inscrições estranhas em volta dele no meio um pentagrama foi revelado. Parecia que por todo circulo algo havia sido queimado.

Aquele círculo é o mesmo da tatuagem da Cecilia? Será que é o mesmo de… Preciso olhar mais de perto! Benjamin sorriu e esticou a mão para pegar a revista.

— Jam, você informa ao grupo que aquilo não deveria estar ali e logo após cada um se divide para fazer uma ação solo. Cada fará sua ação solo secretamente. Detalhem a ação e ponham no envelope pra próxima partida. — O garoto que liderava sorriu. — E por hoje é só! -

O grupo começou a conversar sobre uma série de coisas enquanto estavam indo embora. Benjamin ignorava a maioria das falas, apenas acenava com a cabeça a maioria das saudações. Tentou focar nas diversas revistas de RPG que estavam na mesa enquanto o garoto que ajudou mais cedo arrumava as coisas.

Benjamin acompanhou Cecilia até em casa, despedindo-se da menina tentou ligar para a mãe e para o pai, que eram divorciados. Sem sucesso no contato com ambos, almoçou numa lanchonete e decidiu aceitar o convite do capitão do time de futsal para observar um treino da equipe, na escola.

— Obrigado por dar uma chance pro jogo. — José disse acabando de arrumar a sala de aula que usaram para jogar. — Por me ajudar com o time de futsal mais cedo! Por ajudar a reorganizar a sala e por não contar nada pros outros. — Ele coçou a cabeça sem graça após enumerar tantas coisas.

Benjamin apenas sorriu. Após o incidente com o time de futsal, interrompido pelo capitão do time, Benjamin percebeu que não haveria mais clima para ele naquele dia com o time de futsal e reconheceu o garoto que havia acabado de ajudar como José, um garoto do segundo ano que havia lhe convidado para jogos recreativos naquela tarde. Ele não se lembrava com exatidão do convite por ter recebido muitos e não ter pensado em aceitar nenhum, já que planejava fazer o trabalho naquele final de semana.

Acabou por acompanhar José pelos corredores do colégio sem que ele nada dissesse sobre o motivo do ataque. Mas, ao chegarem na sala em que os jogos aconteceriam, José não teve como ficar calado diante o olhar questionador do moreno frente a bagunça que via. Ele havia arrumado toda a sala para os jogos recreativos, um rpg, deixando lanche preparado e até uma caixinha de som com ipod posicionada para fundo musical da aventura. Saiu para ir ao banheiro e comprar uma bebida gelada e quando voltou estava tudo revirado e com o equipamento de som e ipod avariados.

José questionava-se sobre o que havia acontecido quando o time de futsal passou pelo corredor rindo e zoando da cara dele. Não teve como não colocar a culpa neles e criar toda a confusão.

— Não tinha relação comigo. — Benjamin separou uma revista das outras discretamente. — Ocê tem seus motivos para não contar. -

— A escola toda por algum motivo curte seu jeitão interiorano de fazer as coisas. Não sei dizer o que é, mas vamos dizer que você tem coragem de ser quem você é e as pessoas respeitam isso, ou ao menos as pessoas que sabem reconhecer isto! — José havia acabado de recolher o restante do material, faltando apenas a revistas com Benjamin. — Por isso tantos grupos da escola estão te fazendo convites. Clube de futebol, basquete, teatro. Ninguém se importa se você tem habilidade para essas atividades, querem sua coragem! -

— Me quer pela coragem? — Questionou Benjamin.

José olhou-o por alguns instantes. Seria mentira dizer que ter alguém como Benjamin como amigo no grupo dele não seria vantajoso, como se mostrou mais cedo. Benjamin em seu tom de pele mais bronzeado, com seus quase um metro e oitenta e músculos mais definidos, não se comparava ao time de futsal, mas ainda era mais musculoso e atlético que José ou que qualquer um que andasse com ele.

José tinha cabelo castanho claro, usava aparelho, olhos castanhos e algumas sardas. Franzino e medindo um metro e sessenta, apenas o seu olhar sorridente é que realmente fazia a diferença entre ele ser alguém vivaz e que ainda inspirava alguma confiança ou não.

— Te convidei por achar que não fosse se enturmar. Mas, depois percebi que se enturmaria com todos e o mundinho que criei não seria tão interessante para você. — José viu Benjamin olhá-lo sem entender. — Cada um que veio aqui hoje não conseguiu se encaixar em outro grupo da escola, são excluídos socialmente. Precisavam de amigos, precisavam sentir-se seguros. Os achei e reuni para formarem uma família para terem com quem ficarem, para serem aceitos! -

— Então quando me convidou imaginou que eu fosse precisar de aceitação? -

— Convidei porque era o certo a se fazer! — Disse José sorrindo. — Enfim, o que achou do grupinho? Somos um bando de gente estranha, né? Ao menos gostou do jogo? -

— Seus amigos parecem legais. — Benjamin disse. — Aposto que são muito gratos a você por liderá-los aqui na escola. — Benjamin viu o garoto ficar sem graça por um momento. — Confesso, não entendi quase nada do jogo. Tem algo de real nisso tudo? — Benjamin apontou para a revista.

José meneou com a cabeça dando uma risada e os dois começaram a sair da sala logo após fecharem-na. Saíram da escola escutando o treino do time de futsal.

— Historiadores dizem que toda lenda surgiu de uma parte da história que foi modelada com um pouco de fantasia e exagero. A fantasia do rpg tem um pouco de história. — José estava com sua mochila nas costas com todo o material guardado exceto a revista que Benjamin mantinha separada. — Essa revista em especial, sobre rituais de invocação e artefatos mágicos, é exatamente a parte onde fantasia e realidade podem estar unidas. — José parou de andar por alguns instantes e encarou Benjamin. — Mas, isso você já sabe, né? Foi por isso que ela chamou sua atenção. -

Benjamin ficou observando José por alguns instantes. De fato ela possuía não apenas o desenho da tatuagem de Cecília, mas também parecia conter a tradução da estranha placa de pedra do museu pelo que ele conseguiu perceber ao folear e por isso não largava a revista. Coincidência ou não, ele precisava conferir, pois os símbolos da placa e da tatuagem eram os mesmos.

Ninguém daria nada por ele, mas o poder de observação dele é muito grande! Benjamin sentia que José percebia as coisas fácil demais e precisava tomar cuidado.

— Preocupado que o jogo envolva magia negra e outros mais? — José chegou a mexer os dedos como quem lançasse um feitiço e depois começou a rir. — Entendo a preocupação! Muitos destes rituais do jogo já foram ligados a ceitas e bruxaria. Lunáticos que levam jogos a sério, falta de informação das pessoas e símbolos com diferentes significados de acordo com a cultura geram isso. Além disso, misturamos vários rpg’s para fazer o nosso para que todo mundo se sinta incluído. — José riu e afirmou! — Você ficou preocupado! -

José sorriu sem graça. Não era a verdade, mas o que importava? Foram dois passos para poder seguir caminho e ambos foram impulsionados no chão após uma explosão acontecer ao lado deles.

Zonzos e com os ouvidos zumbindo. José ficou estirado no chão vendo o mundo rodar. Benjamin, no entanto, tentava se levantar a todo custo. Olhava em uma direção, mesmo sem ter todos os sentidos respondendo a suas tentativas de orientar-se. Ele havia visto algo que o preocupava.

Sorrindo e com uma bola de fogo nas mãos pronta para ser lançada a criatura roxa olhava-os ameaçadoramente.

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Benjamin e José corriam enquanto eram perseguidos por Impmon. A criatura saltava por entre os prédios e as árvores, mas não se deixava ser visto. A única coisa que faziam os garotos terem certeza de que estavam sendo perseguidos eram as bolas de fogo que as vezes surgiam.

— O que está acontecendo? — Gritava José amedrontado.

— Continua correndo! -

Benjamin dizia para o garoto continuar e indicava para ele parar de falar. De alguma forma, José não havia visto Impmon ainda. Assustado e desorientado devido a explosão inicial, era esperado que ele não estivesse conseguindo focar em nada.

Esta criatura age cada vez mais como um predador. Rua deserta, sem ninguém para ameaçá-lo, ataca apenas quando tem certeza que não vai ser visto por outro que não nós! Benjamin cortou seus pensamentos assustado, puxando José de mais uma bola de fogo jogada de última hora.

Parou assustado ao perceber que entraram num beco, ainda mais deserto que as ruas onde estavam antes. Olhou para trás para tentar voltar, mas ali estava a criatura que os perseguia, Impmon.

— O outro escapou, mas você não vai! — Diz Impmon sorrindo. — A julgar pela hesitação em trazer Penmon para o combate, coisa que não aconteceu anteriormente, significa que você também não é invocador. Então… Os dois já estão mortos. E, não é por eu ser bom! É porque você não vai conseguir fugir deixando o garoto para trás, ou já teria feito isso a muito tempo! -

Benjamin franziu o cenho sem entender o que ele quis dizer com o outro escapou. Mas, deixou aquilo de lado com a menção de que os dois já estavam mortos. De fato, ele não fugiria deixando José. O caminho mais seguro era ter corrido de volta a escola onde teriam mais locais para se esconder. Mas, isso teria colocado todos que estavam na escola em risco. Poderia ter fugido sem José, era visivelmente mais rápido que o garoto, mas também não faria isso pois poderia ter deixado o garoto em risco e agora era nítido que o digimon já havia percebido tudo aquilo.

José tremia. Estava com os olhos arregalados e parecia a beira de um ataque diante a visão de Impmon falando que ia matá-los.

Uma bola de fogo surgiu das mãos de Impmon e um sorriso malvado veio junto. Ele mataria aos dois e estava feliz com aquilo. Benjamin cerrou os punhos e encarou-o. Digimon e humano se encaravam constantemente naquele momento e então Benjamin partiu para cima do digimon para a surpresa dele.

— O que? -

Impmon arregalou os olhou ao ver aquilo e tentou jogar a bola de fogo contra seu agressor humano, mas não conseguiu. Sua bola de fogo se dissipou no ar antes mesmo que conseguisse lançá-la.

Benjamin parou de correr de repente em um solavanco. Ele mirava o corpo de Impmon iria jogar-se contra ele e com um pouco de sorte tentar atordoá-lo ou até mesmo dominá-lo. Mas, algo havia acertado seu alvo impulsionando-o contra a parede. Olhou em volta sem entender e olhou para trás percebendo José tremendo e com olhar fixo no alto.

Uma risada maléfica e Benjamin olhou para a mesma direção que José, arregalando os olhos, havia outra criatura sombria acima deles. Se Impmon parecia uma ameaça, aquela era certamente duas vezes mais.

Do mesmo tamanho que Impmon, com pelos escuros por todo o corpo, uma crista avermelhada na cabeça, asas pequenas e grandes braços e pernas que só eram superadas por sua gigante bocarra que parecia maior que seu próprio corpo. Seus olhos esbugalhados felizmente pareciam não estar interessados nos dois jovens e sim em Impmon.

— Traidor! — A voz da nova criatura era assustadora. — O Lord mandou destruí-lo pela ousadia. -

— Nossa chance! -

José chegou Benjamin correndo e puxando-o como podia para que saíssem do beco. O garoto parecia ter saído de seu estado de choque e Benjamin compreendeu que era a oportunidade deles. Correram do beco quando Impmon já se levantava atacando a criatura alada e ignorando seus alvos humanos. Ao que parecia a ameaça alada era mais importante.

— O que são essas criaturas? — Gritou José em meio a correria para se afastarem das criaturas. — Por que elas estavam te perseguindo? -

Benjamin nada disse nada, mas parou de correr por alguns instantes. Por instinto estava indo na direção da casa de Cecília, único lugar que lhe apresentaria alguma segurança naquele momento, mas significava levar os inimigos até a menina e revelar ainda mais para José. Aquilo não era o certo a se fazer, era?

— Benjamin! — José foi até a frente dele. — O que está acontecendo? -

— Eu não sei! — Disse Benjamin. — Mas, acho que tem um jeito de saber! -

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A única coisa que o mal precisa para triunfar é que bons homens não façam nada. Eu protegia os mais fracos na escola mesmo sendo fraco por ser o certo. Mas, naquele dia conheci Benjamin que fazia mais do que apenas o certo. Ele lutava a todo custo para não deixar o mal ter chances de triunfar e assim acabei no meio da maior aventura de minha vida.

Notas finais
E acabam de conhecer José, aquele jovem do prologo! ohhh era ele? SIM! Era ele!