Digimon: Fighters

1 Além do Portal


Notas iniciais
Bem vindos a essa nova aventura! Espero que gostem!

Os passos apressados e as respirações ofegantes ecoavam nas paredes do castelo de gelo enquanto o palácio todo tremia com os sons da batalha que acontecia na sala do trono. O dr. Paulo Mercedes corria com os monstros digitais na direção da saída do palácio, onde ele esperava que os outros integrantes do grupo de resgaste estivessem esperando para que pudessem reagrupar e repensar seus planos.

Mesmo correndo sem olhar para trás, o pensamento de Paulo não saía de seu parceiro digimon que estava lutando para dar-lhes tempo de fugir. Paulo sabia que Maustmon ficaria bem, ele era o digimon mais forte do grupo em sua forma extrema, mas mesmo assim ele não conseguia evitar se preocupar. A conexão entre o humano e seu parceiro digimon era forte demais para que Paulo não se preocupasse.

Outra coisa que não saía da cabeça de Paulo era o fato de a missão ter sido um fracasso. Entraram no castelo de Royalmon para resgatar os digimons que caíram em suas mãos e acabaram em uma luta desesperada para saírem de lá vivos. Que droga.

— A saída! — o grito de um dos quatro digimons que corriam ao lado de Paulo, tirou-o de seus pensamentos, colocando-o de volta na caverna. Os quatro digimons que estavam ao seu lado eram os parceiros dos salvadores do Digimundo, como diz uma antiga profecia digimon. Pelo menos, uma parte deles. Ainda haviam dois que estavam presos por Royalmon e que foram criados como seus aliados.

Os quatro digimons estavam em sua fase infantil. Dinomon, o que tinha gritado ao ver uma saída do castelo, era um pequeno dinossauro vermelho com um focinho largo e quadrado, braços compridos que terminavam em três dedos de garras brancas e uma cauda bem pequena. Guepmon estava na frente, guiando a todos com sua determinação séria, ele lembrava muito a um leopardo azul pequeno, andando em duas patas e com garras pretas em seus dedos, o corpo coberto por um pelo azul com pintas pretas, com exceção da barriga, das mãos, dos pés e do focinho que eram brancos.

As paredes tremeram mais uma vez enquanto todos corriam. Paulo encarou a saída que Dinomon tinha apontado, a luz vinda do lado de fora o enchendo de esperança e preocupação ao mesmo tempo. Hipocalimon, a fase perfeita de seu parceiro digimon Maustmon, ainda estava lutando contra Royalmon e eles precisavam ir embora. Paulo desejou silenciosamente que Hipocalimon deixasse Royalmon e fosse encontra-lo.

— Mais rápido! — quem falou dessa vez foi Tanmon, que voava um pouco a cima dos outros. Tanmon era um digimon pássaro coberto por pelos e penas amarelas por seu corpo, somente seu bico, suas pernas e as penas finais de sua cauda eram de outra cor, todos vermelhos. A última digimon do grupo era Toramon, uma digimon planta de corpo verde com braços compridos que terminavam em três garras roxas que arrastavam no chão. No topo de sua cabeça, como se fosse seu cabelo, havia uma bela flor com quatro grandes pétalas roxas e um cabo amarelo no meio.

— Vamos! — Paulo gritou e todos começaram a apertar o passo, a luz de fora chegando perto mais rapidamente.

Com mais um tremor das paredes de gelo ao redor, eles chegaram ao lado de fora. A neve e o vento fraco atingindo-os enquanto eles paravam de correr, se deparando com um caminho sem saída. A única coisa que tinha além do pedaço de terra com neve era um enorme precipício.

Paulo rangeu os dentes em frustração. Onde estavam os reforços quando se precisava deles?

— Droga — Paulo murmurou, se voltando para a passagem de onde ele e os outros tinham acabado de sair.

— O que fazemos agora? — Toramon perguntou, sua voz doce e vacilante.

Paulo não tinha uma resposta. O palácio tremeu mais uma vez. Hipocalimon ainda estava lutando, voltar por onde vieram não era uma opção, acabariam em perigo mais uma vez.

Guepmon se afastou e investiu, parando em frente aos outros na direção da passagem e como se estivesse preparando para uma luta.

— Vamos ter que lutar — Guepmon falou, sua habitual determinação ali em presente e quase palpável.

— Não! — Paulo rebateu — Não podem! Vocês não têm um parceiro, não vão digivolver!

— Não temos outra escolha, doutor — Guepmon falou, lhe lançando um olhar rápido. Sua voz carregava uma verdade que Paulo não queria admitir. Ele não queria admitir que estavam sem opções, não queria ter que fazer os outros lutarem. Royalmon era um digimon de fase extrema, se os outros lutassem contra ele, com certeza seriam derrotados.

Paulo não sabia o que fazer.

Então um ruído lhe chamou a atenção. Um zumbido auto que vinha de dentro do desfiladeiro. Paulo se virou para o buraco ao mesmo tempo que o digimon inseto gigante emergiu de lá. O doutor e os outros digimons agora estavam cara a cara com Vickemon, um digimon com a forma de um inseto grande com o corpo revestido de uma couraça verde e as mãos e pés com três dedos cada em um preto profundo, a mesma cor de seu crânio com três chifres, um logo na frente e os outros dois na parte de trás da cabeça. A grande boca rosada aberta enquanto as asas amarelas batiam e sopravam uma forte ventania. Para completar, o ferrão negro no fim do corpo e o seu parceiro humano que estava montado em seu chifre dianteiro, Pedro.

Paulo os encarou. Eles eram parte dos que ele e os seus parceiros tinham ido até aquele castelo resgatar. Era para ser um aliado, agora era um inimigo.

Dinomon, Toramon, Guepmon e Tanmon também encaravam o grande digimon adulto. Estavam hesitantes, mas pareciam prontos para luta. Paulo tentavam encontrar uma rota de fuga rapidamente.

— Acabou pra vocês! — Pedro gritou. O menino tinha a pele morena e usava roupas bem simples. Um short preto que chegava até os joelhos, uma blusa verde escura, tecido branco enrolado em seus braços do pulso ao cotovelo e uma joelheira de mesma cor no joelho esquerdo. Os cabelos eram marrons claro e compridos, chegando até o pescoço e cobrindo sua testa e parte de seus olhos. Seus olhos fizeram um calafrio percorrer a espinha de Paulo. Eram cheios de ódio, como os olhos de Royalmon — Sintam a fúria do mestre Royalmon!

E com esse grito, Vickemon soltou um rugido colossal ao mesmo tempo que lançava sua onda de choque na beira do precipício. E então tudo ficou branco.

+ + +

O céu havia mudado de repente. Um segundo atrás ele estava limpo, sem nuvens e com o sol iluminando a cidade de Porto Novo, mas bastou Alice piscar que um raio cruzou o céu e as nuvens negras começaram a surgir.

Alice e sua mãe tinham decidido passear pelo centro da cidade naquela tarde de sábado, enquanto o irmão mais velho de Alice estava fazendo um teste da escola, por causa do tempo bom que estava do lado de fora. Mas agora, enquanto Alice esperava que sua mãe terminasse de pegar um dinheiro num caixa eletrônico, o tempo virou completamente.

— Mãe — Alice chamou, ainda encarando o céu. Ela não era a única que estava hipnotizada pela recente mudança climática, todos na rua pareciam ter parado para olhar o céu. E não era só porque o as nuvens tinham surgido e parecia que ia haver uma tempestade, era porque o céu estava recheado de cor também. Os raios eram de um cinza assustador e luzes roxas, verdes e negras pairavam pelo céu que começava a escurecer muito.

— O que foi? — a mãe de Alice questionou, se virando para a filha depois terminar a transação no caixa eletrônico — Oh meu Deus... — Alice ouviu a mãe exclamar e se virou para ver sua reação. Sua mãe, Julieta, encarava o céu com os olhos arregalados.

Muitos diziam que Alice era muito parecida com a mãe, chegando a dizer que ela era a versão de 13 anos de Julieta. Alice conseguia ver bastante a semelhança. Os cabelos de ambas eram castanhos claros e lisos, o rosto era afinado com um nariz pontudo e os olhos das duas eram azuis. Alice não se incomodava de se parecer com a mãe, gostava disso até.

O som de outro raio cruzando o céu fez com que Alice voltasse a encarar a escuridão que se formava a cima de todos. Ela sentiu seus olhos arregalarem quando percebeu que o raio negro não estava cruzando o céu, estava caindo em direção à Terra. O barulho foi muito alto quando o raio tocou o solo e, por um segundo, tudo ficou branco.

— Meu Deus — Julieta exclamou, a mão em seu peito em sinal de preocupação — Parece que caiu perto da escola do Daniel...

— Daniel... — Alice se pegou sussurrando o nome do irmão. Ela também estava preocupada.

— Vou ligar para ele — Julieta falou e enfiou suas mãos dentro da bolsa branca que carregava, revirando tudo para encontrar seu telefone. Ao mesmo tempo, Alice sentiu algo no bolso do short jeans que usava pesar.

Ela se virou para o bolso, estranhando por estar vazio um segundo antes, e viu um brilho branco saindo de lá de dentro. Surpresa e curiosidade a atingiram enquanto ela alcançava o bolso e tirava de dentro o que quer que tinha se materializado ali.

Era um aparelho comprido como um telefone sem fio, branco e com um quadrado negro na ponta como se para usar de chaveiro. O aparelho era todo branco com exceção do arredor da tela, que era do mesmo negro que o chaveiro e a tela no topo brilhava, sendo a fonte do clarão que emanava do bolso. Logo abaixo da tela havia um desenho com o formato de uma pata de animal com três dedos, mas os três dedos se sobressaiam como botões no aparelho.

A perplexidade cobria a mente de Alice. Como aquilo foi parar ali? Será que tinha alguma coisa a ver com a súbita mudança no céu? Alice levantou o olhar, encarando o local onde o raio tinha caído enquanto sua mãe ao lado tentava falar com Daniel. Uma sensação fria cruzou a espinha de Alice, uma sensação que parecia sussurrar que aquilo tudo era só o começo de algo grande.

+ + +

O raio que caiu no pátio da escola surpreendeu a todos e gerou uma enorme comoção. Todos os alunos saíram de suas salas de aula correndo, ignorando o teste que estava acontecendo. Naquele momento, todos os alunos estavam nas extremidades do pátio encarando a fumaça que o raio havia criado, inclusive Daniel.

Daniel tinha corrido para o pátio como se estivesse em uma espécie de transe. Ele não sabia dizer se tinha acontecido a mesma coisa com os seus colegas, mas para ele tinha sido como se uma voz sussurrasse em seu ouvido dizendo que ele precisava estar ali naquele momento.

Os sussurros curiosos aumentaram quando todos notaram a mudança no céu. Estava escuro, cheio de nuvens negras e uma aurora roxa e verde nebulosa pairava no ar. Daniel voltou a encarar a fumaça ao ouvir algo no meio daquilo.

Primeiramente, ele não sabia se tinha mesmo escutado alguma coisa ou se tinha sido sua imaginação, mas então o barulho voltou. Era como um gemido de dor ou confusão. Então algo saiu de dentro daquela fumaça. Mais do que um algo, vários.

O que Daniel viu primeiro foi o velho homem usando um casaco preto com calças de escalada. Uma barbicha em seu rosto e um leve bigode brancos em um rosto enrugado, mas que impunha uma certa autoridade, mesmo de longe. O que Daniel viu depois foi o que o confundiu completamente. Ao lado do velho, estavam pequenas criaturas de diferentes cores.

Um dinossauro vermelho, um tipo de gato azul com pintas pretas que andava em duas patas, um pássaro amarelo muito grande voando ao redor e uma espécie de flor com pernas. Daniel piscou umas três vezes para garantir que seus olhos não estavam lhe pregando uma peça. Todos ao redor também pareciam não acreditar no que estava acontecendo.

Como se quatro monstros bizarros não fosse loucura o suficiente, o que surgiu no céu fez menos sentido ainda. Como se saísse do meio das nuvens negras, um inseto verde gigante de crânio negro cruzou a escola, lançando uma ventania em todos os alunos. Daniel cobriu o rosto tentando enxergar o que vinha logo atrás do bicho gigante. Parecia um humanoide meio sapo meio pato azul que saltava para atingir a mesma altura do inseto verde. O sapo parecia ter a altura de um homem adulto e algum tipo de cabelo esverdeado que chegava aos seus olhos e algo muito parecido com um extintor de incêndio cinza amarrado em suas costas, quase como uma mochila.

Enquanto o inseto voava para longe da escola e o homem-sapo o seguia saltando, Daniel tentava entender o que estava vendo. Deveria estar enlouquecendo. Aquilo o que estava vendo devia ser algum tipo de ilusão. Daniel olhou para os lados para os seus colegas, todos estavam impressionados também. Então não deveria ser uma ilusão.

— Estão seguindo para o litoral — a voz do velho em meio ao silêncio atraiu a atenção de Daniel, que voltou a encará-lo — Vamos! — e assim o velho correu acompanhado dos quatro monstros para fora da escola, seguindo o mesmo rumo que os dois monstros tomaram.

A mente de Daniel estava muito confusa, o que só piorou quando um brilho vermelho começou a sair do bolso da calça jeans que ele usava com a camiseta do uniforme da escola. Ele levou a mão até o bolso, que estava vazio antes, e tirou de lá um aparelho comprido vermelho na parte frontal e branco na parte traseira. A tela brilhava vermelha e havia o desenho como de uma pata de animal logo abaixo, com os três dedos sendo três botões.

Nada mais parecia fazer sentido para ele. Aquele aparelho tinha simplesmente se materializado em seu bolso, insetos gigantes voavam no céu. O que era tudo aquilo?

Um frio cruzou a nuca de Daniel e ele teve a impressão de ouvir alguém sussurrando em seu ouvido. “Vá atrás deles”, o sussurro parecia dizer. Daniel encarou o caminho por onde o velho e os monstros tinham ido. Será que estava ficando louco?

O sussurro se repetiu. Daniel ainda não sabia dizer se estava fazendo o certo, mas decidiu escutar essa estranha voz. Então, ele correu, se afastando da escola e seguindo em direção ao litoral da cidade.

+ + +

O grande inseto digimon, Vickemon, cruzava o céu da cidade de Porto Novo com o digimon sapo logo atrás e seu parceiro, Pedro, montado em seu chifre. Vickemon chamava a atenção de todas as pessoas nas ruas por onde passava enquanto seguia para a região portuária da cidade, inclusive de Lucas, Letícia e Vitor.

Lucas estava entrando no carro de sua família, no qual seu motorista o esperava, quando viu o inseto voando a cima de sua cabeça. Lucas era um jovem de 17 anos, filho de um dos homens mais ricos de Porto Novo, muito inteligente e centrado, seus pais diziam que ele teria um futuro brilhante se ele continuasse a estudar e a se dedicar como fazia. Ele encarou o céu por um segundo logo depois de o inseto ter se afastado e então sentiu algo pesar no bolso da calça jeans que estava usando. Ele se virou para encarar o bolso, notando o estranho brilho azul que saía de lá de dentro.

Ao mesmo tempo, Letícia estava saindo de uma sorveteria com duas amigas no centro quando notou o céu escuro e a grande criatura voando nas nuvens negras. Ela e suas amigas pararam espantadas com o que viram. Letícia tinha 16 anos e eram raras as oportunidades em que sua mãe a deixava sair de casa para encontrar suas amigas, quando finalmente deixava o tempo fechava e insetos gigantes apareciam na cidade. O peso de alguma coisa atraiu sua atenção para o bolso do short jeans que estava usando. Letícia arregalou os olhos quando o viu o brilho roxo que emanava de seu bolso.

Finalmente, Vitor estava entrando em um fliperama quando viu o monstro voador. Ele era um menino de 14 anos que adorava jogos de fliperama e outros brinquedos, mas não tinha muitos amigos com quem jogar, geralmente ele ia ao fliperama sozinho porque seus colegas nunca podiam ir com ele. Vitor já tinha se impressionado com a escuridão e a aurora no céu, um inseto gigante era outro nível de loucura. Para completar, um peso surgiu na bermuda preta que ele usava. Vitor se virou para ver seu bolso, encarando o brilho amarelo que saía de dentro.

E os três adolescentes sentiram um frio na nuca e ouviram um tipo de sussurro ao lado de seus ouvidos que parecia dizer “Vão para o litoral. Sigam o monstro”.

Notas finais
Eu vou tentar postar um capítulo por semana, mas eu sou tipo de pessoa que não para de escrever, então eu sempre crio coisas novas e me canso das antigas. Por favor, não me mate! Espero que tenham gostado deste começo!