Digimon: Fighters
7 A Evolução de Guepmon
Notas iniciais
A luta tomava conta do jardim da mansão. Guepmon tentava de todas as formas que conseguia derrotar o grande digimon, Ravermon, enquanto o lobo gigante disparava rajadas de fogo contra o pequeno digimon. O problema era que Ravermon era bem maior e bem mais forte que Guepmon. Todos os ataques que o digimon azul desferia contra o lobo negro pareciam não causar efeito nenhum, Ravermon continuava como se tivesse sido tocado pela luz do sol e não pelo ataque de Guepmon.
Lucas conseguia ver que Guepmon já estava começando a ficar cansado. Toda vez que seu parceiro voltava para o chão depois de socar seu oponente, ele estava ofegante. E Onyxmon, ainda montado na cabeça de Ravermon, só ria. Ria porque sabia que Guepmon não conseguiria vencer desse jeito. Se continuasse assim, Ravermon acabaria com Guepmon e Lucas não sabia o que fazer. Não sabia o que podia fazer nessa situação.
— O que tá acontecendo, maninho? — Lucas ouviu a voz de sua irmã mais nova, Maria, perguntar. Ela estava bem ao seu lado, ainda agarrada nele, e parecia com medo — Que monstro é esse?
— Esse é um vilão que seu irmão precisa derrotar — Lucas declarou, segurando sua irmã contra si mesmo, como que para protege-la.
Lucas precisava pensar em alguma coisa, precisava de um plano, precisava ajudar Guepmon ou ele perderia essa luta. O número de pessoas em volta tinha diminuído, a maioria já tinha deixado o jardim, todos assustados com a presença do digimon.
A mente de Lucas trabalhava sem cansar. Ele queria que tivesse algo que ele pudesse fazer. Não podia enfrentar o monstro ele mesmo, era suicídio. Não tinha nada em volta que ele pudesse usar como arma. Guepmon estava ficando sem forças. O cenário não era dos melhores.
— O gato azul! — a voz de Maria gritando trouxe Lucas de volta para a realidade. Ele voltou sua atenção para a luta bem a tempo de ver Guepmon atingir os muros do prédio com força, tendo sido jogado por Ravermon.
Guepmon caiu no chão, sua expressão era de pura dor, enquanto Ravermon o encarava, seu olhar assassino pronto para atacar. Foi quando o coração de Lucas se desesperou.
— Acabe com ele, Ravermon! — Lucas ouviu Onyxmon gritar antes de Ravermon abrir a boca e preparar mais uma rajada de fogo, essa que com certeza mataria Guepmon se ele fosse atingido. Naquele momento, Lucas esqueceu o perigo, esqueceu que era um simples humano, esqueceu que nunca poderia enfrentar um digimon daquele tamanho, esqueceu do fogo assassino, ele apenas correu. Correu na direção de Guepmon, porque ele precisava desesperadamente salvar seu parceiro. Não deixaria Guepmon morrer.
Ele ouviu Maria gritar por seu nome quando ele começou a correr o mais rápido que pôde em direção ao seu parceiro, tornando o grito de sua irmã um eco distante. Lucas era guiado pelo desejo de salvar Guepmon e apenas isso.
No momento que o fogo saiu da boca de Ravermon foi quando Lucas agarrou Guepmon e rolou com ele para longe do ataque. O fogo atingiu a parede que explodiu em chamas. Lucas fez o melhor que pôde para proteger Guepmon do calor e das chamas. A fumaça cobriu o jardim.
Lucas afastou-se um pouco para encarar Guepmon, ver se ele estava bem.
— Eu era quem devia estar salvando você — Guepmon falou, dando um leve sorriso.
— Você parecia estar precisando de uma ajuda — Lucas soltou uma risada.
— Ravermon é um digimon adulto, Lucas — Guepmon começou a falar, o tom divertido sumindo de sua voz — Eu preciso digivolver para enfrenta-lo ou não tenho nenhuma chance. Você precisa me fazer digivolver.
— Eu? — Lucas indagou — Eu não sei como fazer isso!
— Precisa carregar o seu DNA no digivice — Guepmon começou a explicar, mas foi interrompido pelo grito de Maria.
— Maninho! — Lucas ouviu a irmã o chamando e se virou para onde ela estava, a fumaça começava a diminuir revelando o que acontecia ao seu redor.
Lucas prendeu a respiração quando viu que Ravermon tinha se voltado para Maria. A pequena menina tentava se afastar do grande digimon, indefesa e com um olhar assustado. Lucas não sabia o que fazer, estava longe demais para tirar sua irmã do caminho daquele lobo. Lucas nunca tinha se sentido tão indefeso em sua vida.
— Maria! — Lucas levantou e seu grito chamou a atenção de Onyxmon e Ravermon.
— Então essa humana é preciosa pra você — Onyxmon falou, o divertimento muito claro em sua voz — Isso está começando a ficar interessante. Ravermon, ataque a garota.
— Não! — Lucas gritou, mas não adiantou nada. Ravermon pulou na direção de Maria, seus dentes afiados prontos para acabar com ela e suas garras guiavam seu caminho. Maria gritou, Lucas prendeu a respiração, o mundo começou a se mover em câmera lenta enquanto Lucas contemplava o terror em sua frente. Sua irmãzinha iria morrer e ele era um completo inútil.
Foi então que um milagre aconteceu e o grande dinossauro vermelho que Lucas tinha visto no cais surgiu. O dinossauro apareceu e bloqueou o ataque de Ravermon contra Maria, jogando o grande lobo para o lado com força.
— Por que não pega alguém do seu tamanho? — Lucas ouviu a voz profunda do dinossauro.
— É isso aí, GinGeamon! — Lucas se virou para encontrar Daniel correndo logo atrás do dinossauro. Então aquele dinossauro era o digimon do Daniel.
— Ora, ora — Onyxmon voltou a falar — Mais um dos escolhidos. Vamos acabar com os dois, Ravermon! — Ravermon então rugiu e partiu para o ataque, suas garras prontas para dilacerar GinGeamon.
O grande digimon dinossauro usou seus braços para segurar Ravermon antes que suas garras atingissem seu corpo. A luta agora era entre os dois e ambos estavam determinados a ganhar. Mas aquilo se tornou segundo plano para Lucas porque o que ocupava sua mente naquele momento era sua irmãzinha.
Assim que o digimon lobo ficou ocupado, Lucas correu para o lado de Maria. Precisava desesperadamente ver se ela estava bem.
— Maria — ele falou, ajoelhando-se em frente a ela, checando tudo para ver se ela tinha se machucado — Você tá bem? Machucada?
— Não — a voz de Maria era quase um sussurro — Eu tô bem. O dinossauro me salvou.
— Eu sinto muito que você tenha sido pega no meio dessa confusão — foi Guepmon quem falou. Ele tinha seguido Lucas até sua irmã e estava agora em pé ao lado deles.
— O que vai acontecer agora, maninho? — Maria voltou seu olhar para os gigantes que lutavam. Lucas estava impressionado porque ela não parecia estar com medo da batalha. Lucas não conseguia decifrar seu olhar.
Lucas acompanhou o olhar da irmã e também encarou a luta. Ravermon atacava GinGeamon com suas mandíbulas, tentando morder e triturar a carne do digimon com seus dentes enquanto GinGeamon se movia rápido para evitar a mordida do seu oponente.
GinGeamon então girou seu corpo e, com sua cauda, atingiu Ravermon e o jogou longe.
— Devastação Flamejante — GinGeamon falou ao mesmo tempo em que uma rajada de fogo saía de sua boca. Ravermon fez o mesmo, disparando uma rajada de fogo contra o seu inimigo. Os dois disparos se encontraram e o fogo iluminou o lugar.
— Não desista, GinGeamon! — Lucas ouviu Daniel gritar para seu parceiro enquanto protegia seus olhos do calor e da luz.
O fogo então desapareceu e, com uma velocidade incrível, Ravermon atravessou o espaço entre ele e GinGeamon, avançando contra o dinossauro, agarrando-o com sua mandíbula e derrubando-o.
— GinGeamon! — Daniel gritou, dessa vez a preocupação tomava conta de sua voz.
GinGeamon tentava o possível para se livrar de Ravermon, mas o lobo gigante não parecia disposto a desistir da vantagem que agora possuía.
— Ele precisa de ajuda — Guepmon falou. E ele tinha razão. GinGeamon não iria sair dessa sozinho.
Lucas, então, levantou, seu punho fechado com determinação. Ele precisava fazer alguma coisa. Não podia só ficar ali parado olhando enquanto Ravermon acabava com o parceiro de Daniel.
— Maninho? — a voz de Maria chegou em seus ouvidos — O que você vai fazer?
— Eu vou pará-los — Lucas afirmou. Tinha mais certeza em sua voz naquele momento do que jamais teve em toda sua vida — Onyxmon veio até aqui com um monstro desses para me destruir. Destruir a todos nós e trouxe completa destruição e terror para as pessoas ao meu redor. Eu não posso permitir que isso continue.
— Lucas... — Guepmon começou a falar, mas Lucas não deu tempo para que ele continuasse.
— Minha irmã me ajudou a tomar essa decisão e, agora, eu nunca estive tão certo quanto a ela — Lucas sentia seu sangue ferver, sentia algo acontecendo dentro de si — O Digimundo precisa de ajuda e agora eu vejo que, se não pararmos Royalmon, não será apenas o Digimundo, mas o mundo dos humanos também. O meu mundo. E isso eu não vou permitir. Eu vou parar Royalmon, eu vou parar Ravermon. Guepmon — Lucas se virou para o seu parceiro, que o encarava surpreso com suas palavras — Eu vou te ajudar a salvar o seu mundo.
Guepmon mudou seu olhar de surpreso para determinado ao ouvir as palavras de Lucas.
— Nós vamos salvar nossos dois mundos — Guepmon afirmou e Lucas concordou. E foi então que ele sentiu seu punho ferver e, quando olhar para sua mão esquerda, viu que ela estava coberta por um fogo azul composto pelo que pareciam dados — O DNA... — Lucas ouviu Guepmon sussurrar.
— Isso é o DNA? — Lucas indagou.
— Sim! — Guepmon exclamou, animado — Você carrega no digivice e eu consigo digivolver. Vou poder lutar com Ravermon de igual para igual.
Lucas se voltou para a luta mais uma vez encarando enquanto GinGeamon se esforçava para levantar e tirar Ravermon de cima de si.
— Então vamos acabar com essa luta agora — Lucas declarou e pegou seu digivice. Com um movimento de mãos, ele posicionou sua mão esquerda sobre a parte superior do digivice — Carregar DNA!
O digivice absorveu o fogo azul do DNA e o jardim brilhou, atraindo a atenção de todos ao seu redor. Guepmon estava brilhando, um brilho forte e azul como o DNA de Lucas. E o brilho começou a crescer.
Guepmon digivolve para... Garpmon.
O brilho cresceu até dar forma a uma criatura do mesmo tamanho de Ravermon e um pouco menor que GinGeamon. Lucas encarou a evolução de seu pequeno parceiro quando o brilho azul se dissipou. Guepmon agora era Garpmon, um digimon com um formato de lobo com um focinho largo e pelos azuis e brancos. Garras negras em suas quatro patas, uma cauda comprida e manchas pretas por todo seu pelo azul.
— Essa não — Lucas ouviu Onyxmon falar, encarando seu novo adversário.
— A destruição acaba aqui — foi Garpmon quem falou, uma voz profunda e séria se espalhando pelo ar.
Então, com um impulso de suas quatro patas, Garpmon se jogou contra seu oponente com uma velocidade impressionante atingindo Ravermon e o jogando com força para o outro lado do jardim.
Ravermon pousou em suas quatro patas, tentando recuperar o próprio equilíbrio. Onyxmon também se esforçava para não cair de cima do grande digimon. GinGeamon, agora que não tinha mais o peso de Ravermon sobre si, levantou-se e se juntou a Garpmon, ambos encarando seus oponentes.
— Obrigado, Garpmon — GinGeamon agradeceu.
— De nada, GinGeamon — Garpmon respondeu — O trabalho em equipe sempre, não é?
— Exatamente — GinGeamon falou, determinado e com sua boca em chamas se preparando para um novo ataque — Vamos terminar isso de uma vez por todas.
— Sim! — Garpmon exclamou.
— Não importa que vocês agora estão em dupla! — Onyxmon foi quem falou, atraindo a atenção de todos em sua frente. Ele parecia estar extremamente zangado com sua nova situação. Lucas imaginava que ele não tinha previsto a súbita evolução de Guepmon. Agora os digiescolhidos tinham a vantagem — De qualquer forma, vocês irão perder! A fúria de Royalmon cairá sobre vocês! Ravermon, destrua-os!
E então mais uma rajada de fogo destruidora saiu da boca de Ravermon indo em direção à GinGeamon e Garpmon. Ambos os digimons saltaram com agilidade para longe do fogo antes de serem atingidos, mas isso não seria o suficiente para parar Ravermon. O grande lobo negro começou a redirecionar as chamas tentando acertar seus oponentes. Lucas, Maria e Daniel precisaram se esforçar para evitar que o fogo os atingisse. Em poucos segundos, o jardim estava coberto por chamas.
— Se continuar dessa forma, só haverá fogo — Garpmon falou.
— Precisamos pará-lo agora — GinGeamon concordou e preparou seu ataque, fogo consumindo sua boca — Devastação Flamejante!
O fogo que saiu da boca de GinGeamon se encontrou com a rajada de chamas de Ravermon, como tinha acontecido antes. Os ataques estavam se encontrando e impedindo que se alastrassem, mas eram iguais em intensidade o que tornava impossível uma vitória certa para qualquer um dos lados.
— É agora! — Lucas ouviu Garpmon falar enquanto usava sua velocidade para atacar Ravermon. Com o lobo negro distraído pelo ataque de GinGeamon, Garpmon se aproximou rapidamente, ficando logo ao lado de seu inimigo.
— Ravermon! — Onyxmon exclamou, mas era tarde demais. Ravermon não poderia se mover contra Garpmon ou o ataque de GinGeamon o atingiria. Ele estava preso em uma encruzilhada e Lucas percebeu, naquele momento, que eles tinham vencido aquela batalha.
— Rugido Sônico! — as palavras saíram da boca de Garpmon e ecoaram no jardim da mansão enquanto o digimon azul abria sua boca para lançar seu ataque. Uma onda sonora em forma de rugido atingiu os ouvidos de Lucas e um raio azul foi disparado contra Ravermon, atingindo-o em cheio.
Luz cobriu o local e um grito agoniado foi ouvido. Lucas cobriu seus olhos e, quando olhou para o cenário novamente, Ravermon não estava mais lá. Ao lado de Garpmon, agora, havia um ovo no chão e Onyxmon parecia ter desaparecido. O fogo também estava diminuindo e a fumaça começava a desaparecer, logo os bombeiros estariam ali e tudo estaria resolvido.
— Eles derrotaram o monstro — foi Maria quem falou.
— É — Lucas concordou, um leve sorriso se mostrando em seu rosto enquanto seu parceiro, Garpmon, se virava para encará-lo, como se estivesse agradecendo Lucas em silêncio — Eles salvaram a gente.
— Muito bom, pessoal! — Daniel gritou enquanto corria até GinGeamon. Os dois grandes digimons começaram a brilhar novamente, GinGeamon brilhando em vermelho e Garpmon brilhando em azul. Os dois começaram a diminuir de tamanho até que o brilho se dissipou e eles voltaram a ser Dinomon e Guepmon.
Lucas caminhou até Guepmon, Maria vindo logo atrás.
— Obrigado, Lucas — Guepmon começou a falar — Por escolher salvar o meu mundo.
— Obrigado por confiar em mim — Lucas respondeu e os dois sorriram um para o outro. E foi então que Lucas sentiu que agora não tinha mais volta. A digievolução o tinha conectado a Guepmon para sempre e ele não se arrependia disso.
— Bem-vindos ao time — Daniel sorriu para Lucas e estendeu seu braço. Lucas não entendeu à princípio, mas depois também estendeu sua mão, fazendo com que eles trocassem um aperto de mão.
— O que vocês são? — foi Maria quem perguntou, se aproximando um pouco mais de Guepmon e Dinomon.
— Nós somos digimons — Dinomon respondeu — Quem é você?
— É a irmã do Lucas — Guepmon disse — Maria.
— Você me conhece? — Maria perguntou, verdadeiramente surpresa. Fazia sentido para Lucas que Guepmon soubesse quem ela era. Ele tinha estado dentro de seu digivice durante o dia todo, teria ouvida Lucas conversar com sua irmã.
Guepmon respondeu com apenas um movimento de cabeça afirmativo.
— Bom, seu irmão está nos ajudando a salvar o mundo dos digimons — Daniel falou, explicando para Maria.
— É pra lá que você vai, maninho? — Maria se virou para Lucas.
— Sim — Lucas respondeu — É pra lá que eu preciso ir, Maria.
Para surpresa de Lucas, Maria não chorou ou nem disse nada, apenas o abraçou o mais forte que podia.
— Meu irmão é um super-herói! — ela exclamou e Lucas precisou se controlar para não chorar bem ali naquele momento. O que o impediu de derramar lágrimas foi que Daniel começou a falar, mudando o assunto.
— E o que é aquele ovo ali?
Maria se soltou de Lucas e todos se voltaram para o ovo preto e branco que estava no jardim, no lugar onde Ravermon estava apenas alguns minutos atrás.
— Aquele é Ravermon — Guepmon respondeu — É o que acontece quando um digimon morre. Ele se transforma em um digiovo e o ciclo começa todo de novo.
— Quer dizer que Ravermon vai voltar para o exército de Royalmon? — Daniel indagou.
— Provavelmente, não — Dinomon tomou a palavra — Quando um digimon se torna um digiovo, ele perde todas as memórias do que aconteceu antes de voltar para o ovo.
— Então agora ele não é um monstro mau? — foi Maria quem perguntou, seu tom doce, inocente e esperançoso.
— Não — Guepmon falou — Ele não é mais mau.
— Precisamos levar esse ovo para o dr. Joel — Dinomon continuou — Ele tem que ir com a gente para o Digimundo.
— E é melhor vocês saírem daqui — Lucas falou, se voltando para Daniel e Dinomon — Os bombeiros devem estar vindo e a polícia também. Não seria bom se eles começassem a fazer perguntas sobre o que aconteceu aqui.
— Tem razão — Daniel concordou — Eu vou colocar Dinomon de volta no digivice e levar o ovo comigo — Lucas concordou com um movimento de cabeça — Te vejo amanhã então, Lucas? Para a partida para o Digimundo?
Lucas se voltou para Maria, que estava sorrindo para o irmão, e depois encarou Guepmon, que parecia estar orgulhoso de seu novo parceiro. E então ele voltou seu olhar para Daniel.
— Com certeza. Estarei lá — Lucas respondeu e os dois trocaram um aperto de mão final antes de colocarem seus digimons de volta em seus digivices e partirem para longe daquela bagunça toda.
+ + +
A cabeça de Onyxmon estava doendo muito. Aquela explosão tinha jogado ele realmente longe. Mas o que estava fazendo sua cabeça doer não tinha sido a queda, o que fazia sua cabeça doer era a raiva porque mais um escolhido tinha feito seu digimon evoluir.
A missão tinha sido um fracasso e os digiescolhidos estavam agora a caminho do Digimundo. Royalmon não ficaria nada feliz com isso, mas o pior era que Onyxmon estava frustrado consigo mesmo. Ele tinha que derrotar os humanos e não o contrário.
Mas ele ainda conseguiria cumprir sua missão. Mais cedo ou mais tarde ele destruiria os escolhidos de Halomon e o mundo humano todo. Era só uma questão de tempo, ele tinha certeza.
— Fracassou? — a voz vinda de trás de si fez com que a nuca de Onyxmon se arrepiasse. Ele sabia de quem era essa voz e era o último digimon que queria encontrar naquele momento.
Ele se virou para encarar um portal para o Digimundo aberto logo atrás de si com Encantemon logo em sua frente, encarando Onyxmon com um sorriso sarcástico.
— Sim, Encantemon — Onyxmon bufou — Eu fracassei. E para piorar outro digimon digivolveu para um nível mais alto.
— Você é um tolo — Encantemon riu — Eu sabia que iria fracassar.
— Bruxa. Se sabia desde o começo, porque deixou eu vir.
— Eu precisava rir um pouco — Onyxmon detestava Encantemon e toda sua sabedoria ancestral. Detestava como ela se achava superior a ele e a todos os outros só porque era um pouquinho mais poderosa. Onyxmon iria provar para ela que não era um tolo. Algum dia iria acabar com aquela bruxa.
— Faz melhor então — Onyxmon berrou — Por que você mesma não enfrenta os humanos da próxima vez se se acha tão melhor do que eu?!
— Eu vou — Encantemon respondeu, o sorriso sarcástico crescendo em seu rosto — Outro dia. Agora, Royalmon quer você de volta no Digimundo. Ele quer um relatório do seu fracasso.
Onyxmon tentou controlar sua raiva quando viu Encantemon sorrir e se virar para o portal, voltando para o Digimundo. Encantemon era problema para outra hora, agora ele precisava enfrentar o castigo que Royalmon iria impor sobre ele por fracassar. E ele apostava que não seria algo bom.
Respirando fundo, Onyxmon atravessou o portal de volta para o Digimundo.
Fale com o autor