Digimon Champloo

6 Capítulo 5 - A batalha pela honra! Gaioumon vs Vajramon!


Aruraumon sabia que iria levar muito tempo para cobrir toda a distância de Hanami até a forja de BanchoLeomon a pé. Sua melhor opção era pedir ajuda para o Airdramon que morava perto da saída sul da cidade... Apenas torcia para que os Musyamons ainda não tivessem chegado lá ou o encontrado. Assim que chegava na praça que Airdramon costumava ficar repousado á espera de clientes, podia ver um grupo de Musyamons perto da praça. Airdramon — um digimon dragão, seu corpo é igual ao de uma enorme serpente verde com asas vermelhas de couro -, estava preso ao chão por cordas com ganchos na extremidade. Parecia não conseguir mover seu corpo ou asas, enquanto que alguns samurais estavam de guarda para evitar que ele escapasse ou alguém tentasse o libertar:

Esse Airdramon vai ser muito útil como meio de transporte. Poderemos nos mover mais rápido com ele e realizar ataques aéreos em outras cidades. Vamos retomar Zanza e expandir o território do mestre Vajramon rapidamente. – Dizia um dos digimons samurais.

Eu vou matar todos vocês antes de ser domesticado! – Ameaçava o dragão, movendo-se energicamente.

Vai, é? ... Você e quem mais?

O Musyamon que se manifestava sacava a espada para ferir o Aidramon e mostrar quem estava em posição de fazer ameaças ali, mas logo notava que estava sem a arma necessária para tal. Ao virar-se na direção de seus companheiros para pedir uma katana emprestada, via que todos estavam sem suas armas:

Onde estão as nossas espadas?! – Questionava aos berros.

"Minha espada foi roubada! Onde está a minha? Levaram minha alma embora!" – Eram alguns dos questionamentos que pairavam entre os Musyamons no ar.

Ali estão elas! – Um Musyamon gritava apontando na direção de uma trilha.

As espadas estavam sendo arrastadas por cipós verdes com a ponta roxa — eram os dedos de Aruraumon. Ela tinha os esticado até conseguir pegar a espada de cada um dos samurais próximos do dragão e as roubar enquanto estavam distraídos. Ao notar que havia sido descoberta, recuava quase que completamente os cipós e então os esticava rapidamente com as espadas ainda enroladas á eles, indo em direção ao Musyamons que não eram malucos o bastante para serem cortados pelas próprias espadas, que desviaram por consequência do ataque. Livre do perigo eminente, ela cortava as cordas que prendiam Airdramon. O dragão se levantava e estendia as asas enquanto os samurais o olhavam com medo:

Não são mais tão corajosos sem suas espadas, não é? Vou mandá-los para a Dark Area para serem punidos pelo que fizeram!

Alguns Musyamons eram jogados para longe por um golpe da cauda do Airdramon. Com o bater de suas asas, ele criava poderosas rajadas de vento que lançavam os samurais pelos ares. Os que conseguiam fugir sem serem pegos pela fúria do dragão sequer olhavam para trás ou tentavam ajudar os companheiros feridos. Assim que Airdramon apaziguava sua ira, a planta digital se aproximava dele:

Airdramon-san, ainda consegue voar?

Claro! Aqueles imbecis precisavam de minhas asas inteiras, então não as machucaram. O que posso fazer pela minha corajosa salvadora?

Vamos até a forja do BanchoLeomon. Ele é o único capaz de salvar a cidade!

Suba em minhas costas, mestra Aruraumon. Lembre-se de segurar firme, pois irei voar o mais rápido possível para nosso destino.

Aruraumon e Airdramon partiam na direção da casa do leão eremita na esperança de que ele — Bancholeomon — aceitasse ajudar Hanami naquele momento de necessidade. E Madra podia apenas rezar aos deuses digitais que ajudassem o MetalMamemon em sua luta solitária contra o exército do deva samurai.

******

Tetsu encarava os cinco Musyamons que protegiam Vajramon. Nenhum deles movia um único músculo. Apesar da diferença de tamanho, os samurais notaram que aquele oponente não devia ser subestimado... Um único movimento mal calculado e eles seriam derrotados cada um com apenas um golpe. Precisavam coordenar seus movimentos para evitar serem derrotados facilmente por aquele oponente.

MetalMamemon estava com os braços cruzados por debaixo do poncho esperando que o primeiro movimento viesse de seus oponentes... Sabia que ao tomarem à dianteira, ia ter que conseguir derrubar pelo menos dois oponentes de uma vez só, pois ia estar em desvantagem lutando contra tantos oponentes habilidosos sozinho... Ainda tinha que ter em mente que, depois de derrotar aqueles cinco, iria ter de lutar contra Vajramon, sendo que este certamente era mais forte que os cinco samurais juntos. Tetsu não tinha outra opção a não ser provocar seus oponentes e os incitar para isso:

– Vamos, estão esperando o que? Estão em maior número. É só me cercar e atacar todos de uma única vez.

Por que você não ataca primeiro, se é tão corajoso? – Retrucou um dos Musyamons.

– É seu anãozinho de jardim; Mostra do que você é feito! – Provocava outro samurai.

... Só percebeu agora que não tinha chances e ficou com medo?

As provocações deles eram mais efetivas do que pareciam, e no final quem acabou por ficar irritado foi Tetsu, que agora percebia que mais de um podiam usar daquela tática para quebrar a concentração do inimigo. Tentava conter-se para não atacar aqueles samurais de maneira imprudente, mas as provocações não paravam... E ignorá-las passara a ser uma tarefa difícil. ... Usavam-se sempre da altura do digimon como principal tema de suas ofensas, repetindo o quão pequeno ele era, levando a paciência de MetalMamemon ao limite:

Quem aqui é tão pequeno que se for colocado em uma fila por ordem de tamanho com uma ervilha, uma formiga, uma pulga, um punhado de poeira e átomos iria ser o primeiro?! –Revelava o canhão por de baixo do poncho, impaciente.

Mas não falamos nada disso. – Era o que um Musyamon afirmava antes de ser jogado para longe por uma rajada de energia.

CALA A BOCA!

Os samurais se surpreendiam ao ver um deles voar ao ser acertado por uma rajada de energia disparada pelo canhão do MetalMamemon. Quando retomaram a atenção ao oponente, mais um Musyamon ia ao chão após ser acertado por uma voadora no meio do rosto, ficando com a sola do tênis de Tetsu – comicamente — marcada na sua cara. Um dos Musyamons que ainda estava em pé tentava atacar Tetsu usando uma espada reserva, mas era acertado por uma bola de energia disparada pelo canhão, restando apenas dois samurais em pé. Um deles tentava atacar, mas era impedido pelo outro:

Ele mostrou ser mais forte do que nossa formação de combate. Vamos usar aquilo.

Sim, senhor!

O Musyamon que parecia liderar o grupo levantava a mão para o alto enquanto seus colegas se transformavam em chamas — uma azul, uma amarela, uma vermelha e uma verde -, as quatro chamas se juntavam em sua mão e ele as levava até peito, absorvendo os dados de seus quatro companheiros. Seu corpo brilhava dando sinais de que iria digievoluir:

Vo-Vocês podiam digievoluir?! – Questionava Tetsu, surpreso.

– Por este motivo sempre andamos juntos. Combinando nossas forças, podemos evoluir para uma forma completamente nova e única! Musyamons digievolvem para...

Juntos, os Musyamons evoluíam para um Asuramon — um digimon humanoide com pele cinza. Possui quatro braços e três rostos na cabeça, um com a máscara vermelha que representa a raiva, outro com uma máscara azul que representa a tristeza e na terceira uma máscara dourada, que representa a felicidade. Um Asuramon especial — pois possuía um par de braços a mais, ou seja, 6 braços e duas faces extras, uma com uma máscara verde e outra com uma máscara negra:

Asuraman, modo: gorin no sho! — Gritavam em conjunto as cinco cabeças.

Asuramon tomava posição de combate, deixando dois braços em frente ao corpo — dois abaixo da cintura para evitar ataques vindos inferiormente, e dois levantados, para proteger contra ataques vindos do alto -; Assim que estava pronto para lutar, as suas cinco faces novamente falavam, agora cada uma demonstrava ter sua própria voz, embora se misturassem em uníssono:

Ainda não se apresentou, digníssimo oponente.

Seria má educação de minha parte lutar sem dizer meu nome, certo? Tsh.... – Tetsu jogava seu poncho e o chapéu para o alto. – Sou um MetalMamemon, e podem me chamar de Tetsu!

Que assim seja,Tetsu... Prepare-se!

Asuramon avançava na direção de Tetsu, demonstrando grande velocidade para um digimon com dois metros de altura e toda aquela massa muscular. O primeiro ataque era um soco alto executado com um dos braços em posição de gancho. MetalMamemon se esquivava do golpe, dando uma cambalhota para trás, mas assim que estava em modo de ataque novamente, se virava agilmente. Usava o chão para bloquear outro soco de Asura, que possuia o punho pesado o bastante para, somente com o impacto contra a superfície; Ser capaz de arrastar Tetsu para longe. Após o golpe e com a guarda baixa, Metalmamemon foi acertado por um chute do adversário, que o lançou para cima e abriu espaço para Asuramon usar um de seus poderosos ataques:

Asura Shinken! – Asuramon acertava uma grande quantidade de socos em Tetsu em apenas alguns segundos. — SHU-SHARA! — Repetia após cada finalização com o punho.

Tetsu era lançado contra a estátua de Lalamon e Lillymon, deslizando lentamente pela base da figura, parando sentado no chão. Aquele Asuramon era mais rápido do que o MetalMamemon esperava. Tetsu precisava de um plano caso quisesse vencer aquele oponente, pois não queria ser pego novamente pelo punho divino de Asura. O Digimon se levantava e apontava o braço esquerdo na direção do oponente, começando á disparar uma sequência de esferas de energia contra o oponente; Em respostas, Asuramon cobria os punhos em chamas e começava a lançar bolas de fogo contra os disparos feitos por Tetsu, que por terem força igual, quando se chocavam se anulavam no ar.

O pequeno digimon começava a correr ainda disparando contra seu oponente, quando estava próximo o suficiente deste, começava a carregar energia para efetuar um poderoso disparo. Era nesse momento que Asura executava outro ataque, disparando simultaneamente as chamas de seus seis braços, criando uma grande bola de fogo que ia contra seu alvo:

Asura Bakunenken!

As chamas acertavam o chão e explodiam, mas antes que Asuramon conseguisse confirmar se o oponente realmente havia sido acertado; Tetsu surgia atrás de Asura no meio do ar, apontando seu canhão na direção de sua face verde e preta. A explicação para isso é simples: antes de ser acertado, Tetsu se moveu em velocidade máxima, esquivando-se no último instante do punho explosivo de Asura, saltando para ficar na altura do rosto do oponente pronto para o atacar. O que Tetsu não esperava era que além de falar, aquelas faces extras conseguiam enxergar tão bem quando as que estavam viradas para frente agindo como rosto principal, e antes que fosse capaz de efetuar seu ataque; Asuramon dava um mortal para frente, jogando o peso do tronco e o das pernas para cima, acertando um chute de calcanhar no MetalMamemon, o jogando novamente para o alto. Assim que terminava o giro, Asura olhava para o alto e disparava uma sequência de bolas de fogo com cada um de seus punhos contra o oponente:

Asura Ensetsuken! – Gritava enquanto executava seu ataque. – Você pode ser rápido, mas não tem a menor chance contra o gorin no sho!

Tsh, vocês falam demais!

Ao invés de tentar desviar das bolas de fogo ou as anular com seu canhão energético, Tetsu colocava o braço esquerdo em frente ao corpo e o usava como proteção, enquanto caia na direção de Asuramon, entrando na área de efeito do Asura Shinken, porém, mas antes de levar uma saraivada de socos; MetalMamemon acertava seu canhão no rosto da raiva do outro Digimon, que rapidamente era trocado para o que correspondia a tristeza, que recebia um corte dado pelas garras de metal no punho direito de Tetsu. Asuramon mudava mais uma vez de face apenas para receber um forte chute no rosto que representava a alegria, e na quarta mudança de face, a que usava a máscara verde... MetalMamemon não era rápido o bastante para a golpear e era pego por um golpe novo; Uma gosma verde era cuspida contra ele e o forçava a terminar a descida até o chão. A gosma não era ácida e nem venenosa, era semelhante á uma cola que servia para temporariamente prender ou cegar a vítima:

– Isso não vale! Você deu uma cátarada na minha cara, seu trapaceiro!– Reclamava.

– No amor e na guerra tudo é valido!

– Vai falar que essa sua face nojenta é a do amor?!

Não. Esta é a face da doença...! – Era interrompido por um grito do Tetsu.

Você cuspiu cátaro na minha cara mesmo, seu nojento! Seu próximo ataque é o que? ... Vomitar em mim?!

Vejo que ficou tão irritado que perdeu o foco na luta.

Chega mais perto para eu dar uma cuspida nas suas cinco caras de pau e quero ver você não ficar nervoso!

Tetsu finalmente conseguia arrancar a gosma que ficou grudada em seu rosto usando as garras de metal:

Ótimo, consegui ganhar tempo pra tirar isso da minha cara.

Ora vejo que conseguiu ganhar tempo... Mas tem mais de onde veio aquele!

Seu nojento!

Foi o que Tetsu gritou enquanto esquivava de outra cuspida da face da doença. Agora Asuramon realmente estava cuspindo ácido contra seu oponente. O líquido de cor verde derretia o chão de pedra da praça em poucos segundos. Asura mantinha seus braços parados fazendo mudras enquanto cuspia ácido contra seu alvo sem dar tempo para ele tentar o atacar. Diferente das chamas, MetalMamemon não tinha certeza se sua armadura seria capaz de protegê-lo contra aquele poderosa substância... Sua melhor opção era continuar esquivando até conseguir encontrar uma brecha nos ataques, mas o que começava á o preocupar era que a chama nas costas do oponente havia dado lugar a uma fumaça verde, que provavelmente deveria ser tóxica, e certamente aqueles sinais que o oponente estava fazendo com as mãos enquanto atacava não eram apenas para embelezar seus movimentos.

Tetsu atacava seu oponente com uma rajada de energia disparada por seu canhão, acertando o golpe no tronco do alvo, quebrando a sequência de rajadas venenosas. Aproveitando o momento para avançar em direção á ele e saltar para atacá-lo usando o braço esquerdo, contudo, uma nuvem de fumaça verde era liberada das costas de Asuramon e ele desaparecia em meio á ela:

– Pronto, agora começou a peidar.

Isso não é um “peido”. – A voz de Asuramon vinha de todas as direções. – É um gás alucinógeno. Ele confunde seus sentidos.

Obrigado pela explicação.

Tetsu ficava parado esperando o efeito do gás passar, mas isso o deixava de guarda aberta para os ataques de Asuramon. Quando o Asura surgia na sua frente ele apontava seu canhão na direção dele e disparava uma rajada de energia, mas notava que errava o alvo ao ver a energia o atravessar como se não estivesse lá. Asuramon estava aparentemente no lado esquerdo de MetalMamemon, mas os golpes vinham pela frente e ele sentia a dor vindo da direita. Era difícil decidir em que direção atacar naquela situação. A som e o cheiro não ajudavam, pois ele os sentia vindo de todos os lados. ... Aquele “shu” irritante, como ele queria poder conseguir acertar um golpe na cara daquele pugilista de seis braços... Foi quando teve a idéia de girar sem sair do lugar e disparar uma rajada de energia em arco, assim conquistava a chance de acertar o alvo sem se preocupar em mirar. Asuramon saltava para esquivar-se do ataque e cair sobre seu oponente com ambos os pés, tentando o esmagar com seu peso. Tetsu havia previsto aquilo e assim que terminava seu giro, mirava um tiro carregado pra cima e disparava uma grande esfera de alta densidade que compensava a dificuldade de mirar. O ataque acertava o alvo, explodindo-o e o fazendo cair de costas no chão:

– Parece que acabou...– Comentou Tetsu, visivelmente esgotado e ferido.

Ainda não!

Gritou Asuramon enquanto se levantava, agora com a face que possuía a máscara negra em foco. As chamas em suas costas voltavam a queimar, mas agora eram negras e uma aura demoníaca circundava o corpo do digimon; Seus olhos possuíam um brilho vermelho e seu sorriso tinha um ar sádico... Aquela luta se aproximava de seu fim, mas Asuramon parecia que não estava pronto para desistir.

******

Madra e Airdramon chegavam a forja de BanchoLeomon. O leão e Gaioumon saiam de dentro da cozinha — onde estavam almoçando — ao ouvir o bater de asas do dragão enquanto este pousava no chão. O eremita cruzava os braços em frente ao corpo, não demonstrando nenhuma preocupação ao observar a aproximação da visita:

– O que você quer aqui?

BanchoLeomon! Hanami esta sendo atacada! – A Aruraumon falava enquanto escorregava pelo corpo de Airdramon, apreensiva.

Deve ser alguém forte pra vir pedir minha ajuda...

Sim! É-!

Não tenho interesse nisso.– Interrompia Bancho.

Ma-Mas o senhor é o único digimon forte o bastante por aqui! Por favor, nos ajude!

Já disse que não. Estou ocupado demais reparando algumas armas para clientes especiais. Estou sem tempo pra salvar o dia. – Assim que terminava sua frase, via Gaioumon indo em direção á forja – O que está pensando em fazer?

O samurai dragão entrava na forja e não demorava em sair de lá carregando duas katanas embainhadas. Levava os olhos até Aruraumon:

Em que direção fica a cidade?– Perguntou.

Naquela ali. – Dizia apontando para o norte. – O Airdramon pode levá-lo até lá! ...

Gaioumon saia em disparada até cidade — diferente de Aruraumon. Levaria pouco tempo para chegar em Hanami indo á pé, e se o local realmente estivesse sendo atacado, poderia sentir a sede de sangue dos agressores e usar ela para o guiar. BanchoLeomon apenas levava a mão a cabeça, cobrindo o rosto com ela por alguns segundos. Caminhava até a forja e saia com um embrulho — possivelmente alguma arma -, e subia no Airdramon, sentando sobre a cabeça do mesmo e cruzando os braços:

Vamos indo. Não quero ter de ir a pé até lá.

Po-Por que mudou de idéia? – Perguntava Airdramon.

– ... Aquelas espadas não vão suportar a força de Gaioumon. Vão quebrar rapidamente. Na pior das hipóteses, elas podem quebrar na hora errada e o deixar com problemas.

Pelo menos pretende ajudar ele. – Comentava Madra em tom irônico.

Cala a boca ou posso sem querer te chutar daqui de cima no meio do caminho.

Airdramon levantava voo após o diálogo. Agora tinha um leão mal humorado e uma planta digital irritada como passageiros... Apenas torcia para que os dois não decidissem lutar em cima da cabeça dele enquanto voltavam para a cidade. O dragão sabia que iria chegar à cidade depois de Gaioumon, apenas esperava conseguir chegar á tempo no local. Se o que BanchoLeomon disse estava certo, o samurai iria precisar da arma que estava sendo levada para ele, embora Airdramon ainda não conseguisse imaginar que alguém fosse tão forte á ponto de quebrar um par de espadas recém feitas em uma única luta.

******

Tetsu não parecia surpreso com o fato de Asuramon ainda estar escondendo uma quantidade assustadora de poder. Antes ele já era ameaçador com seus seis braços e as chamas que ele podia disparar pelos punhos; Agora ele parecia ser muito mais assustador e mortal. Os braceletes dourados nos pulsos e pernas de Asuramon se quebravam, e os braços do digimon e pernas eram inteiramente cobertos por chamas negras. Ele assumia uma posição de combate que dava prioridade total ao ataque:

Estamos realmente empolgados por estarmos lutando contra um oponente que está ao nosso nível e foi capaz de combater cada uma de nossas estratégias até agora...

Então esse é seu último recurso? – Questionava MetalMamemon, sugestivo.

É a primeira vez que alguém enfrenta nossa face demoníaca. Vou lhe mostrar do que minha quinta face é capaz!

Asuramon agora se movia mais rápido do que antes, conseguindo chegar perto de MetalMamemon em pouco mais de 3 segundos, aplicando uma série de socos que tentavam o acertar. Tetsu notava que seu oponente estava se segurando em seus ataques, — pois com o gás ainda estava o afetando e Asura podia ter acabado facilmente com ele naquela atual situação -; Ainda assim, o digimon andróide era alvo de alguns socos e chutes do oponente, mas estes eram leves demais para o ferir de verdade. O próprio Vajramon questionava a "enrolação" seu servo:

Asuramon, por que esta hesitando agora?

Não queremos derrotar um oponente que esteja sobre o efeito do dokuyakuken enquanto usamos a face demoníaca. Não iriamos poder usar todo nosso poder!

Melhor pra mim... Assim tenho alguma chance de vencer. – comentava Tetsu.

– Faça como achar melhor, Asuramon. Apenas não me decepcione. – Enfatizou Vajramon, imponente.

Sim, mestre Vajramon. – Asuramon voltava sua atenção para Tetsu. – O efeito do gás já deve ter acabado, Tetsu. Não irei mais me segurar!

De fato, o efeito alucinógeno do dokuyakuken havia acabado e os sentidos de Tetsu voltavam ao normal gradativamente. Agora ele podia lutar de igual para igual com Asuramon ou algo próximo disso.

Os dois digimons se moviam, um ia em direção ao outro, prontos para começarem a troca de golpes e contra ataques. Asuramon golpeava precisamente com seus braços envoltos por chamas negras, enquanto que Tetsu desviava dos punhos, ainda sendo queimado pelo fogo que cobria toda extensão do antebraço e perna de seu oponente. O MetalMamemon contra-atacava com uma rajada de esferas de energia, mas Asura conseguia facilmente desviar a trajetória dos disparos com seus poderosos braços; Tetsu aproveitava para tentar acertar uma voadora em seu oponente, no entanto este mostrava ser mais rápido quando acertava um golpe com a lateral do braço na cabeça do menor e o lançava contra o chão, aproveitando para tentar disparar um soco forte direto contra este caído. MetalMamemon conseguia rolar para o lado e evitar o soco, aproveitando que Asuramon tinha sua guarda baixa para tentar acertar um soco em seu rosto, fazendo-o se afastar alguns passos para trás e então disparar uma rajada de energia contra o mesmo, o empurrando mais um pouco. Asuramon recuperava o equilíbrio e movia os seis braços em conjunto num movimento rápido e circular em frente ao corpo, e logo as chamas formavam um redemoinho que ia na direção de Tetsu — um poderoso furacão de chamas negras:

Jigoku honretsu!

Tetsu tentava desviar do furacão de fogo negro, mas este o seguia quando saltava para lado e o acertava, cobrindo-lhe temporariamente com chamas negras tão quentes quanto o próprio fogo do purgatório. MetalMamemon caia no chão com o corpo coberto de queimaduras, e finalmente as chamas o libertavam. Asuramon não parecia estar tão certo de sua vitória:

Aposto que está nos esperando dar as costas pra você.

Pensou certo! – MetalMamemon respondia se levantando com dificuldade do chão. – Mas agora já sei como evitar seu Jigoku honretsu.

Vamos ver no que você conseguiu pensar... Jigoku Honretsu!

Asuramon o atacava mais uma vez com um turbilhão de chamas negras, Tetsu corria para esquerda de forma a fazer o furacão o seguir até as costas de seu próprio dono, e antes do MetalMamemon se chocar contra as costas de Asuramon, ele saltava para o lado deixando que oponente fosse acertado pelo próprio golpe. Asura ria enquanto se virava na direção do seu inimigo, e as chamas que cobriam todo seu corpo se reuniam com as que estavam nos braços, pernas e costas do digimon; Ele era imune ao contra ataque:

Você não é o primeiro que tenta isso, MetalMamemon.

Droga! ... Nesse caso, acho que vou ter de enfrentar seu ataque de frente.

Como esperado... Venha, Tetsu! Vamos ver se você consegue sobreviver uma segunda vez ao meu Jigoku Honretsu!

E ao invés de tentar escapar do golpe do inimigo, o MetalMamemon programava seu canhão de braço para carregar a energia e disparar uma poderosa esfera de energia, correndo na direção do furacão de chamas, sendo engolido por ele. Não parava de correr mesmo que seu corpo fosse tomado por chamas. As queimaduras ardiam cada vez mais, até mesmo suas partes de metal começavam a esquentar e o queimar violentamente... E quando se viu perto o bastante para contra atacar, saltava para fora do fogo em direção a Asuramon, acertando-lhe uma sequência de socos contra sua cabeça; Primeiro um soco com o punho direito contra o rosto do oponente, um chute giratório contra a lateral da face do mesmo, um golpe de cima pra baixo com o braço esquerdo e por último colocava o pé esquerdo sobre a face de Asura, se impulsionando para trás e apontando seu braço canhão na direção do inimigo:

Energy Bomb!

Asura majinken!

Asuramon avançava na direção de MetalMamemon pronto para aplicar mais uma centena de socos em menos de um segundo com seu punho demoníaco, mas assim que movia uma de suas mãos para tal, ia de encontro contra a enorme energy bomb de Tetsu, se chocando contra o punho e explodindo na mesma hora, jogando ambos os combatentes um para longe do outro. Tetsu rolava pelo chão e parava com a face virava para o mesmo, enquanto que Asuramon caia derrotado. O MetalMamemon finalmente havia vencido aquele combate, mas não tinha tanta certeza se seria capaz de derrotar Vajramon no estado em que se encontrava... Precisaria de muita sorte na próxima batalha, pois seu oponente não parecia ter nenhuma piedade:

Esses incompetentes! Deviam ter acabado com você assim que optaram por usar a última máscara! Eu devia ter tomado conta desta luta desde o começo! MetalMamemon; Levante-se, lute pela sua vida e o destino desta cidade!– Ameaçava Varjmon, sacando sem piedade e rodeio suas espadas.

Não tem nenhuma regra que vocês samurais devem seguir que diz que não se deve lutar com um oponente fraco?

Você foi capaz de derrotar meus melhores subordinados e agora quer abandonar a luta?

Ainda por cima tenta me fazer parecer um covarde, tsc.

Tetsu se levantava. Sua visão estava turva e seus braços pesados. Estava exausto por causa da luta anterior e seu próximo oponente estava mais do que ciente disso, mas não tinha clemência o bastante para deixá-lo se recuperar um pouco antes de lutarem. O MetalMamemon deu alguns passos para que conseguisse ficar de frente com seu próximo oponente e tudo á sua volta parecia balançar para os lados; Entontecido, era difícil até mesmo conseguir se mover sem que o corpo perdesse o equilíbrio por alguns segundos... Caso ele pretendesse vencer aquela luta, iria ter de terminá-la com apenas um único golpe ou iria ser vencido facilmente...

MetalMamemon iniciava seu carregamento de energia para disparar outra poderosa esfera de alta densidade, mas iria efetuar um disparo muito mais forte que o último, um que iria derrotar Vajramon. Avançava na direção do aspirante á xogum o mais rápido que podia, e então saltava para os lados enquanto ia ao seu encontro, tentando o confundir e dificultar sua defesa, quando estava dentro do alcance das grandes espadas do deva; Dava rapidamente a volta no oponente, ficando nas costas deste e saltava, pronto para disparar o ataque que iria terminar aquela luta e salvar Hanami... No entanto, Vajramon surpreendia o pequeno herói metálico ao se mover mais rápido que ele — mesmo com todo aquele tamanho -, e conseguir ir até as costas de Tetsu:

...!!!!

Lento!

Foi o que o Vajramon disse antes de descer sua espada contra Tetsu, acertando-o um forte golpe no capacete; Golpe que lançava o MetalMamemon em direção ao chão e o fazia afundar no paralelepípedo da praça. Tetsu tinha sido vencido com apenas um golpe. Estava enfraquecido demais para continuar lutando e seu corpo já não lhe respondia devidamente mais... Perdia a consciência. Vajramon observava seu oponente derrotado e levantava uma de suas espadas, apontando sua lâmina na direção do digimon caído:

Não sou um samurai e nunca me importei com o bushido. Sou um estrategista, e como tal sei o melhor momento para agir. ... Talvez, se você tivesse lutado primeiro comigo, teria até chegado perto de me vencer... Mas graças ao Asuramon, você ficou fraco demais para ser uma ameaça, MetalMamemon. Este é o seu fim!

*****

Gaioumon chegava correndo em Hanami e via os diversos Musyamons atacando digimons indefesos e dominados pelo medo. Ele reconheceu que aqueles eram seus antigos companheiros, não acreditando que iria rever as tropas de Zambamon tão cedo... Talvez seu mestre ou Karatenmon tenha derrotado o digiescolhido e o Wargreymon...

Ainda com as espadas em punho, aproximou-se dos Musyamons, que o encaravam com desconfiança, não acreditando que aquele fosse o mesmo digimon que os comandava e defendia o castelo Zanza como companheiro. Gaioumon observou os samurais, não conseguia aprovar e ao mesmo tempo condená-los pelo que faziam; Estavam apenas seguindo as ordens de seu senhor. Gaio foi o primeiro a quebrar o silêncio se instalou com sua chegada:

Vocês são as tropas de Zanza, certo?

Gaioumon-sama? Achávamos que o senhor estava morto. – Um dos Musyamons manifestava-se.

... Por que estão atacando esta cidade?

Ordens do mestre Vajramon.

E qual é o objetivo do ataque?

Dominar estas terras e criar o novo feudo de Zanza sobre o comando do mestre Vajramon.

Não irei permitir!

Os Musyamons ficavam assustados ao sentir o espírito guerreiro do samurai digital se elevar com tamanha fúria. Gaioumon pode não entender os motivos de seu antigo mestre ter se tornado um ser ganancioso e cruel, mas não iria deixar que samurais quebrassem um dos preceitos mais importantes do bushido: "Nunca abusar dos mais fracos". Agora que era um samurai sem mestre – ronin – e não tinha mais a obrigação de servir a alguém que jurou lealdade, nada o impedia que sua justiça fosse feita. Os digimons de nível campeão recuavam apenas com o olhar de Gaioumon; Nenhum deles tinha coragem de levantar sua espada e avançar na direção dele, e palavras eram desnecessárias. Mesmo que um deles fosse corajoso o bastante para perguntar os motivos de Gaio, não teria a mesma ousadia em levantar sua arma. O samurai digital apontou uma das espadas que estava carregando na direção de um dos subordinados de Vajramon:

– Onde está o senhor de vocês?

– Na-Na praça onde está a estátua das fundadoras da cidade.

Gaioumon andava calmamente até ficar no meio dos Musyamons; Eles eram seus antigos companheiros e não foram capazes de enxergar o dilema em que a conduta deles os deixava. Mas se faziam tanta questão de carregar o título de samurais, deviam ao menos fazer o que o "nome" carrega... “aquele que serve”. E antes de ir de encontro ao filho de seu antigo mestre, decidiu dar uma lição naqueles que estavam abusando da força para conquistar uma cidade que já havia abandonado o sistema feudal. Assumiu sua postura de combate com duas espadas e gritou:

– Venham, Musyamons! Eu, Gaioumon, serei o oponente de vocês!

Como uma tempestade de aço, os samurais que lá estavam levantaram suas espadas e partiram na direção de seu antigo comandante. Gaiou respirou fundo e se moveu. Podia sentir que seus inimigos não lutavam por honra, apenas o atacavam por medo de perderem a vida, onde a proteção de Vajramon era algo secundário para eles. Agora era um ronin, um samurai sem mestre, mas sua convicção para empunhar uma espada era tão forte quanto a de qualquer guerreiro; Não estava preso á um título ou as regalias que podia conseguir através dele. Sempre foi fiel ao caminho da espada e a suas crenças; Pode ter se desviado em um determinado momento, mas após sua derrota, passou a ver claramente o que estava certo e errado dentro de sua linha de pensamento. E como num furacão de prata, os cabelos de Gaio balançavam pelo campo de batalha. As espadas que havia pegado emprestado com BanchoLeomon não apenas se moviam como leques em suas mãos, como cortavam de forma tão precisa que atravessavam o inimigo sem sequer diminuir a velocidade dos movimentos de seu portador.

Ele deixava uma multidão de guerreiros caídos enquanto avançava na direção de seu objetivo, sem nenhuma dificuldade em derrubar a pouca resistência que encontrava no caminho de seus passos. E quando enfim avistava o filho de seu ex-mestre com a espada em haste acima da cabeça, pronto para dar o fim a um digimon muito menor que estava caído no chão; Gaio não pensou duas vezes e se lançou entre os dois, com as espadas cruzadas acima de sua cabeça, bloqueando o pesado golpe do aspirante á senhor feudal. O impacto do golpe era tão forte que fazia os pés do samurai digital afundarem no chão, mas seus braços sequer dobravam ou se retraiam.

Vajramon dava um salto para trás e colocava as espadas em frente ao corpo. Seus olhos não acreditavam no que estava vendo... Era um fantasma do passado, o espírito daquele que ele sempre julgou ser a encarnação da palavra bushido; O digimon que ele mais detestava por ser um dos favoritos de seu pai e do exército de Zanba ao assumir os negócios do feudo em seu lugar. Ele devia estar morto, morto, morto, morto!– Vajramon sentia uma mistura de medo e ódio em seu ser... Aquele olhar guerreiro, a fúria e clareza existente nele sempre deixaram o deva digital extremamente irritado. Ele podia não ser um guerreiro de verdade como Gaioumon- sua habilidade com a espada não tinha a menor chance contra a do samurai de nível extremo -, mas ele ainda era um estrategista. Usar seus subordinados como peões para sua vitória era apenas uma de suas artimanhas para chegar ao seu objetivo. Vajramon tomou controle do que estava sentindo naquele momento e guardou suas espadas e usou de toda sua malícia para falar com Gaio:

Gaioumon! Você está vivo?! – Juntou as mãos e então abriu os braços. – Mas que dia louvado pelos deuses! O samurai mais poderoso de meu pai ainda está vivo!

Não tente me comprar com sua bajulação. Não preciso ver seu coração ou mente para ler suas intenções.

Acha que estou planejando algo? Estou realmente alegre com seu retorno, Gaioumon! Agora que o digimon mais fiel á Zanbamon está aqui, eu poderia continuar com a glória de meu clã. Vamos Gaioumon, você jurou lealdade ao meu pai, então seja leal a mim também!

E o que eu ganharia com isso? Sua honra e senso de justiça não estão ao nível do meu antigo mestre...

Você seria o segundo homem no comando do feudo que eu irei criar após tomar esta cidade! ... Vai ter tudo que muitos digimons sonham! Riqueza, honra, fartura, servas! Tudo o que sua mente e corpo desejarem!

Queira perdoar este servo, mas agora ele luta apenas pelo que acha justo. Não quero riqueza ou realizar desejos carnais. Busco recuperar meu orgulho e honra enquanto almejo iluminação espiritual através do caminho do guerreiro. – Disse Gaioumon em tom sereno enquanto retornava a sua postura de combate. – Saque suas espadas, tolo! Irei o ensinar que um verdadeiro samurai não pode ser comprado!

Vajramon ficou em silêncio observando o espírito guerreiro de seu oponente indo as alturas enquanto o ameaçava com sua espada. O estrategista se sentiu intimidado por tamanha determinação. Quase todos os digimons que o seguiam teriam aceitado a chance que Gaioumon recebeu... Ele não seria corrompido com promessas como aquelas. Vajramon quebrava a pausa com uma gargalhada alta e desrespeitosa, afinal; Se Gaio queria tanto assim manter seu orgulho como samurai, seria aí que o deva iria o acertar com sua espada e o ferir. Podia não ser capaz de vencer um combate, mas tinha a língua tão afiada quanto a mais mortal lâmina existente:

HAHAHAHAHAHAHA! Honra? Orgulho? Bushido? Vocês guerreiros são meras ferramentas de batalha! Inventam milhares de regras para justificar o que fazem, mas não passam de assassinos! ... Querem se colocar em uma posição mais alta, mas são apenas covardes! Veja meu pai; Ele largou você e as tropas lutando e fugiu do castelo levando o máximo de ouro que conseguiu!

Zanbamon ainda vive?! – Gaioumon ficava surpreso com a revelação.

Sim, o covarde do meu pai que você tanto venerou está vivo! Ele e você são lixo do mesmo tipo! Você, que se diz honrado, abanava o rabo como um cão na frente do meu pai e realizava todas suas vontades! “Gaioumon, mate aquele digimon”, “Mate aquele plebeu”, “Mate aquele velho que não paga impostos”; Você me julga por estar tentando tomar essa cidade, mas massacrou tantos digimons indefesos quanto eu! Abaixe sua espada e se livre deste orgulho! Aceite as esmolas que estou oferecendo como um bom cão e depois finja que tem alguma honra!

O samurai não tinha palavras que pudessem retrucar o que o oponente dizia a seu respeito. Ele abaixou as espadas e se viu perdido em pensamentos, discutindo internamente que direito tinha para falar sobre a honra de um guerreiro, vendo seu passado, suas ações e atitudes que tomou para seguir as ordens de Zanbamon. Era tão baixo quanto Vajramon. Só voltou a si quando a voz de um terceiro digimon se fazia ouvir; Era um Kotemon. Ele tentava ficar em pé, mas seus ombros pendiam para frente quase o derrubando. O pequeno digimon segurava sua espada de bamboo quebrada com a mesma convicção de um grande guerreiro:

Não seja burro, ronin! Cair na conversa deste Vajramon só irá tornar possível a vitória dele! O dever de um samurai é servir ao seu mestre, você fez isso da melhor forma que pôde, não foi? Aposto que nunca questionou seu mestre e apenas seguiu suas ordens, engolindo sua opinião! ... Quer restaurar sua honra? Seja um samurai que não serve a ninguém que não seja o próprio bushido, a própria justiça, mesmo que o chamem de ronin! Use sua espada... – Fraquejou e caiu no chão, ofegante. – ... Em nome dos mais fracos.

Seu maldito! Irei o calar de uma vez por todas! – Vajramon sacava novamente suas espadas e se virava na direção do Kotemon, em posição de atacá-lo.

Não me dê as costas! — Gritou Gaiou.

Atacou-o próximo o bastante para aplicar um poderoso golpe contra Vajramon; O deva não teria bloqueado aquele ataque se não fosse pelo aviso que o samurai deu antes de o golpear; Eles se afastaram alguns metros e mais nenhuma palavra foi trocada, apenas golpes de espadas. As armas se "entrelaçavam" no ar, suas lâminas se golpeavam com tamanha força que o vento se deslocava de forma bruta a cada alteração de ataque que não alcançava seu alvo. A luta estava tão equilibrada que o estrategista notou que a sorte estava ao seu lado, pois o samurai estava lutando com katanas comuns, armas que não iriam suportar toda a habilidade do samurai digital por muito tempo e nem permitiam que ele fizesse uso de suas técnicas mais avançadas. Estava na vantagem, pois ainda tinha seus golpes secretos. Vajra aplicava um golpe em forma de X contra Gaioumon — que normalmente o teria bloqueado com facilidade — mas as espadas do deva disparavam duas lâminas de energia que empurravam o alvo, e por muito pouco não conseguiam o acertar, pois este era — Gaiou — capaz de recuperar seu equilíbrio e jogar a carga para o alto. Vajramon e Gaioumon trocavam olhares por alguns instantes:

Não imaginei que com essas espadas você fosse capaz de evitar minha Bao Jiàn... Você não tem a menor chance usando essas armas!

Eu irei o vencer, Vajramon... E você me dirá para onde Zanbamon foi!

– Você sequer vai chegar perto de mim novamente... Rodha!

Vajramon fincava a ponta de uma de suas espadas no chão e a arrastava até ele enquanto parecia aplicar um golpe no ar. A fenda que era formada no chão crescia indo na direção de Gaioumon e do chão, começando a saltar rochas pontiagudas que eram tão perigosas quanto às armas que aqueles guerreiros carregavam. O samurai digital conseguia se esquivar daquele golpe facilmente, mas seu oponente dava início numa sequência de ataques similares ao anterior, tentando cansar Gaio e o manter na defensiva... Ele sabia disso e não podia permitir que aquela estratégia simples funcionasse; E usando toda sua velocidade, o ronin esquivava de cada Rodha que o deva aplicava, avançando na direção dele de forma implacável. Para tentar se defender, Vajramon usava seu golpe de forma a criar uma muralha de rochas em torno de si, forçando Gaioumon saltar e cair na sua direção, aproveitando esta mesma chance para usar seu Bao Jiàn e lançar mais um corte energético contra o samurai que pairava no ar:

Agora você não tem como escapar!

Não me subestime!

As espadas que o ronin havia pegado emprestado com BanchoLeomon não eram capazes de resistir por muito mais tempo a forma que eram manipuladas, mas iriam ter de ser fortes o bastante para transpassar aquele ataque de Vajramon e o acertar. Gaioumon bloqueava o golpe e ficava parado no meio do ar, com seu peso e a força sendo a única coisa que podiam o manter indo para frente enquanto as lâminas energéticas tentavam o lançar para o alto. O deva ficava sem reação ao ver seu golpe ser atravessado por aquelas lâminas e o oponente cair em sua direção, aplicando dois golpes na vertical, um contra cada ombro de Vajramon, pousando em seguida no chão abaixado. Ambos os combatentes ficavam mais uma vez em silêncio absoluto por alguns segundos, mas logo tomavam conhecimento de um fato que já era esperado de acontecer, porém não naquele momento crucial. Gaio olhava as espadas que segurava e via que estavam com apenas metade das lâminas, a outra parte estava presa nas ombreiras da armadura do oponente:

Vocês não suportaram tanta pressão, pelo visto.

– Inacreditável! Este é um dia realmente louvável! A sorte está do meu lado; Suas espadas quebraram na hora crucial, Gaioumon! A vitória será minha! Rodha!

Vajramon se punha de pé sobre as duas patas traseiras e então caia com as duas dianteiras no chão, aplicando força o suficiente para fazer com que as rochas pontiagudas saltassem de baixo de Gaioumon e o lançassem pelo ar. O samurai podia ter tentado esquivar, mas tinha pouco espaço para isso e sua única opção era ter tentado saltar para fora da barreira de pedras que o oponente havia criado, onde de todas as maneiras seria acertado pelo golpe do deva. Gaio era lançado através da barreira de pedras e rolava pelo chão... O golpe era forte, mas não o bastante para impedi-lo de continuar lutando e decidir aquela disputa, e então se levantou ainda com as espadas quebradas em punho:

SEU IDIOTA! – O grito veio na forma de um rugido. – Além de pegar um par de espadas sem minha autorização, você as quebrou! Vocês guerreiros tem o que na cabeça?!

Era BanchoLeomon quem estava se aproximando da luta, onde junto dele estavam Aruraumon e mais atrás Airdramon pousado sobre o chão. O homem leão encarava o samurai e o estrategista com um olhar tão severo que parecia estar pronto para dar uma bronca nos dois. Vajramon por desconhecer quem era aquele digimon, se manifestava através de uma indagação:

Quem é você que ousa interferir na minha luta?

Não te interessa, palhaço chifrudo! – Berrou furioso e voltou sua atenção para Gaioumon. – Cê tá querendo morrer, seu samurai burro?! Se você não tivesse saído correndo igual um maluco, eu teria te dado espadas do seu nível, sua anta de armadura!

Espadas do meu nível? Não me diga que...

Não me olhe com essa expressão de respeito, seu bostinha! Eu devia deixar aquele estúpido de quatro patas te mandar pra próxima vida! ... Mas já que perdi meu tempo cuidando das tuas feridas e concertando a suas espadas, eu não vou deixar meu esforço ter sido á toa.

BanchoLeomon jogava o pacote que estava carregando na direção de Gaioumon, onde embrulho se desfazia e o samurai pegava suas espadas restauradas em pleno ar. Suas katanas kikurin brilhavam como novas. Vajramon que estava tão, anteriormente, certo de sua vitória, voltava a ser o covarde que sempre foi, baixando suas espadas e mudando seu tom de voz. Iria tentar escapar daquela situação usando toda a lábia que tinha:

Ga-Gaioumon, abaixe sua espada. A luta já está decidida devido a nossa diferença de habilidades. – Se ajoelhou de maneira que seu corpo de centauro permitiu, abaixando a cabeça e juntando as mãos em frente ao rosto. – Por favor, me perdoe pelas ofensas á sua honra e poupe minha vida, grande samurai!

Levante e lute como um guerreiro, Vajramon! Se eu ainda estivesse usando aquelas espadas quebradas, você iria estar se sentindo superior á mim! Irei dar ao menos um fim honrado em alguém como você!

Se quiser, eu acabo com ele pra você. – Tetsu falava ainda caído no chão.

Deixa comigo! – O Kotemon disse.

– Nós gostaríamos de ter a chance de limpar a honra do nosso mestre. – Agora eram os Asuramons quem falavam, estando abaixados e se apoiando sobre o joelho.

O deva se via sem escapatória. Se tentasse fugir, iria ser perseguido por todos que estavam presenciando sua covardia, não iria ter mais o respeito das tropas de seu pai e estaria sozinho no mundo. Sua única chance era ter o mínimo de orgulho e tentar vencer aquela luta usando sua própria força, sem depender de estratégias ou artimanhas, era apenas ele e suas espadas. Vajra se levantou, sacou seu par de armas e encarou Gaioumon; Os dois correram um na direção do outro, seus gritos de batalha ecoavam por toda cidade, enquanto cada passo que davam na direção um do outro parecia uma eternidade; O suor em seus rostos e a apreensão no olhar era visível. Ambos estavam no limite de suas capacidades. Quem acertasse o próximo golpe iria decidir a luta. Os dois trocaram os golpes em um piscar de olhos, passando um pelo outro como um flash de luz e parando alguns passos após desferirem os ataques de suas lâminas, ficando de costas e sem moverem o olho para ver qual cairia primeiro. Um dos chifres de Vajramon caiu e o deva touro foi ao chão com seu corpo começando a se desfazer em dados... Gaioumon embainhava as espadas enquanto observava o aspirante a senhor feudal em seus últimos momentos de vida antes de reiniciá-la se tornando um digitama:

Que você se torne um digimon gentil e que use sua inteligência para o bem do próximo, não apenas para si.

Gaioumon, seu último golpe foi deslumbrante. Este foi um dia louvável... Ah, quanto ao meu pai, não sei para onde ele fugiu. Mas parece que membros do feudo de Zanza estão destinados a cruzar seus caminhos, então quando o encontrar, faça ele voltar a ser o digimon honrado que sempre foi...

Com aquele pedido final, Vajramon se despedia do samurai; Seus dados se espalhavam pelo

mundo digital e apenas um ovo restava em seu lugar. Ao menos no final de sua vida, o deva foi capaz de reconhecer a habilidade de Gaioumon e demonstrar que se importava com alguém... BanchoLeomon se aproximava do digitama e o pegava com cuidado, olhando todos aqueles guerreiros feridos da luta que aconteceram perante a estátua das fundadoras de Hanami. Ele observou Lillymon e Lilamon sorrindo de mãos dadas e suspirou:

Vamos ver o que temos aqui. Asuramon, tome conta deste digitama, ele era seu mestre pelo que você falou. – Entregou o ovo ao Asura sem dar-lhe a chance de responder. – E você, seu moleque não devia ficar se metendo em lutas deste nível; Tá me ouvindo? – Deu bronca no Kotemon que mal se aguentava em pé.

Então, voltava sua atenção para o MetalMamemon caído no chão e se aproximava deste.

Tetsu se levantava lentamente e ficava sentado. Seu corpo ainda doía... E então se assustava ao ver os pés do homem leão bem perto de si e ficava branco de medo ao ver o olhar fulminante de BanchoLeomon; Este não poupava esforços em dar uma bronca naquele digimon que mal conhecia:

Olha só pra você, cabeça de ervilha! Esse capacete cheio de amassados e rachaduras serve pra fazer peso na sua cabeça e esmagar seu cérebro?! E suas armas?! As garras estão quase sem fio de corte e o canhão está todo danificado! – Dizia se abaixando para olhar o braço de Tetsu. – E que porcaria é essa?! Você anda modificando seu canhão de braço?!

– Ei, mais respeito com os feridos!

NINGUÉM MANDOU VOCÊ SER BURRO E CONFIAR DEMAIS NA SUA ARMADURA, IMBECIL! – Rugiu Bancho.

Ao notar que estavam sem líder, a tropa de Musyamons batia em retirada, deixando a cidade.

Enquanto BanchoLeomon dava um verdadeiro sermão em Tetsu, Gaioumon pegava o pequeno Kotemon nos braços e pedia para Aruraumon o guiar até um médico, e antes de ir cuidar das feridas do aprendiz de bushi, ele dizia á Asuramon onde ficava a forja de BanchoLeomon e pedia para que se possível fosse até lá para que pudessem conversar. O homem leão vociferava:

Quem disse que podia convidar seus amigos pra ir visitar minha forja?! ... Ele já foi.

Heh, ficou falando sozinho! – Tetsu provocou.

Não pense que eu acabei com você, seu projeto de ervilha!

A bronca ainda não acabou?! Argh!

em conversar. O homem leão vociferava:

Quem disse que podia convidar seus amigos pra ir visitar minha forja?! ... Ele já foi.

Heh, ficou falando sozinho! – Tetsu provocou.

Não pense que eu acabei com você, seu projeto de ervilha!

A bronca ainda não acabou?! Argh!